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CAPÍTULO 5 ANÁLISE DE DADOS DOS QUESTIONÁRIOS APLICADOS NA

5.1 CONHECENDO A UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA: BREVES

No Brasil, a História das Universidades remonta ao início do século XX, quando as primeiras instituições de Ensino Superior organizadas no modelo universitário são implantadas. Iniciadas no séc. XIX, prevalecia, até então, o modelo das faculdades isoladas, com escolas especializadas em determinadas áreas.

Essas instituições pioneiras do século XIX foram implantadas nas áreas geográficas com maior destaque financeiro e político no cenário brasileiro. Contudo, na década de 1960, ocorre a mudança na localização da capital nacional. A cidade do Rio de Janeiro é substituída por uma cidade construída e planejada para sediar os poderes nacionais. A cidade de Brasília, projetada e concebida para ser a capital do Brasil, localizava-se, diferentemente do Rio de Janeiro, no interior do Brasil129. Essa nova empreitada carecia também de uma universidade

que fosse consonante aos discursos de modernidade que eram ligados à criação da nova cidade. Dessa forma, com a inauguração da nova capital do Brasil, em 1960, a Lei nº 3.998, de 15 de dezembro de 1961130, determinava:

Art. 1º Fica o Poder Executivo autorizado a instituir, sob a denominação de Fundação Universidade de Brasília, uma Fundação que se regerá por estatutos aprovados por decreto do Presidente do Conselho de Ministros.

[…]

Art. 3º A Fundação terá por objetivo criar e manter a Universidade de Brasília, instituição de ensino superior de pesquisa e estudo em todos os ramos do saber e de divulgação científica, técnica e cultural.

A partir dessa lei, é inaugurada, em 21 de abril de 1962, a Universidade de Brasília (UnB), cuja origem vem de um planejamento que já caminhava nos debates políticos desde o projeto da nova capital, sustentado e defendido pelo antropólogo e primeiro Reitor Darcy Ribeiro (1922 - 1997), em parceria com o educador Anísio Teixeira (1900 - 1971), primeiro vice-reitor.

129 Para aprofundamento sobre a história da construção de Brasília, consultar LAURENT (2009), OLIVEIRA

(2005), PAVIANI (1985), PENNA (2002) e SILVA (1999).

130 https://www2.camara.leg.br/legin/fed/lei/1960-1969/lei-3998-15-dezembro-1961-376850-publicacaooriginal-

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Anísio Teixeira era uma figura de destaque na educação brasileira desde o início do século XX. Baiano de nascimento, empreendeu esforços na construção da educação brasileira concentrados no movimento conhecido como Escola Nova. Alçando destaque definitivo ao integrar o quadro dos signatários do Manifesto dos Pioneiros da Escola Nova de 1932. A sequência da carreira do intelectual combinava a articulação das instâncias políticas e acadêmicas na consecução do ideal de uma escola pública, laica, gratuita e unitária no Brasil, defendendo, de acordo com o título de um de seus livros, que “Educação Não é Privilégio” (1968) (PEREIRA; COUTINHO; RODRIGUES, 2018).

Mais velho e experiente, conjugou com a juventude de Darcy Ribeiro, 22 anos mais jovem, a disputa contra os católicos para a implantação da universidade da Capital. A Companhia de Jesus apresentou um projeto ao presidente Juscelino Kubitschek (1956 - 1961) para construção e financiamento integral da nova universidade. Ao tomar conhecimento dos planos, Darcy Ribeiro articulou junto aos Dominicanos um caminho cujo protagonismo fosse voltado ao projeto da UnB. (RIBEIRO, 1995).

Darcy Ribeiro, assim como Anísio Teixeira, ocupava as trincheiras dos debates teóricos, mas tivera sua carreira composta pelos cargos administrativos na burocracia estatal, que também resultaram em perseguição, sobretudo durante a Ditadura Militar Brasileira (1964 - 1985). Dentre seus horizontes educacionais, Darcy Ribeiro defendia uma educação que fosse construída para a transformação em contraposição à manutenção, ansiava que tal projeto estivesse enraizado na cultura brasileira, constituindo-se autêntica. Essas marcas estão presentes nas concepções originárias da UnB.

Darcy fez parte de uma geração de intelectuais e artistas que acreditava firmemente ser possível construir um projeto cultural abrangente para o Brasil e para a América Latina. Um projeto destinado a revolucionar as estruturas do país e do continente, e não apenas reformá-las. (FERRAZ, 2008, p. 10-11).

Essas características do pensamento de Darcy Ribeiro em conjunto com a experiência da Anísio Teixeira e estando imbuídos das oportunidades políticas construídas na década de 1960, afirmavam que a UnB era a “Universidade Necessária”, desta forma

O Projeto da UnB surgiu em contraposição ao modelo tradicional de universidade criado nos anos trinta no Brasil, modelo que estava sendo questionado por setores das próprias instituições de ensino e pesquisa e por aqueles que pensavam em uma universidade voltada para as transformações que requeria a sociedade brasileira naquele momento. Na concepção de seus criadores, deveria ser uma universidade que, junto ao humanismo, à livre criação cultural, fosse integrada à ciência e à tecnologia

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modernas. No conjunto, seriam modificados os padrões de conhecimento presentes no ensino superior brasileiro. (APARECIDA, 1995, p. 38)

Nesse sentido, não era objetivo apenas criar uma universidade, mas estabelecer um novo padrão para a expansão do Ensino Superior no Brasil: “Ela (UnB) teria condições, dadas as peculiaridades de sua organização, de se replicar em ‘novas Brasílias’ de igual ousadia e correspondente qualidade” (BOMENY, 2016, p. 1004). O embrião da nova universidade repousa na projeção de um ambiente fértil para a criação de mentes inovadoras, “[...] seria o centro de florescimento cultural, de criatividade nas letras e nas artes: o espaço privilegiado para a realização dos projetos de sensibilidade e cultura”. (BOMENY, 2016, p. 1005)”, alimentando e assessorando o poder central, face a sua proximidade geográfica.

Contudo, a euforia do planejamento e da inauguração da Universidade de Brasília, habilmente articulada para se concretizar no viés político, teve vida curta em relação aos seus projetos inovadores. O Golpe Militar de 1964 perseguiu duramente os estudantes da Universidade e seu quadro docente. Quantos aos seus patronos, Anísio Teixeira morre em 1971 e Darcy Ribeiro é exilado do Brasil.

Lentamente as inovações das quais se orgulhavam os criadores vão sendo refreadas pelo regime militar: “Os Institutos, os créditos, as inovações conceituais e metodológicas vão aos poucos sendo esquecidas, até chegarem ao ponto de serem repudiadas.” (BUARQUE, 1995, p. 64). Nesse sentido, o autor continua:

A UnB se transforma em uma universidade como as outras. Isola-se dos interesses da maioria da população, mesma quando critica à sociedade, é parte integrante dela, com os mesmos interesses. A UnB que surgiu sonhando com a justiça e com um pensamento globalizante, se transforma em uma universidade duplamente apartada: porque opta pelo lado “moderno” isolado dos interesses da maioria da população, e porque se estrutura em departamentos apartados, fechados em suas categorias isoladas do conhecimento. (BUARQUE, 1995, p. 64)

A Universidade estruturada em Institutos centrais, com métodos de ensino inovadores, preocupada com a pesquisa, mantendo o compromisso com o desenvolvimento econômico, com justiça social, cede lugar, nas duas décadas de Ditadura militar (1964 – 1985), à opção de modelos de cópias das universidades norte-americanas e europeias que acabaram por cercear os planos originais da UnB.

O Fim da Ditadura Militar (1985) marca o esforço da universidade para retornar aos caminhos dos tempos de Darcy Ribeiro, que, após regressar do exílio imposto, recebe, em 1995,

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dois anos antes de sua morte, o título de Doutor Honoris Causa e a homenagem de que o Campus principal receberia seu nome.

Desde o período da redemocratização – 1985 – as lutas para a estruturação da universidade encontram-se em operação. Diferente dos cerca de 800 estudantes e 200 professores da década de 1960 (TODOROV, 1995, p. 27), a UnB oferece131, desde 2017, 153

cursos de graduação, 89 cursos de mestrado e 59 de doutorado em universo total de, aproximadamente, 40.000 estudantes de graduação, totalizando uma população universitária de cerca de 54.000 pessoas.

O gene da inovação, cultura, pesquisa, irreverência, como escreve o Ex-Reitor João Cláudio Todorov, mantém a vida universitária do projeto inicial em constante ativação. Na era pós 1985, de acordo com Buarque (1995, p. 68), a UnB incorpora as três tradicionais dimensões do Ensino (Pesquisa e Extensão, a Democracia e a Prática Cultural), fomentando o ambiente humanista da Universidade de Brasília.

Os desafios do século XXI continuam a ser enfrentados pela universidade que nasceu do sonho ideal de um conjunto de intelectuais dentre os quais se destacaram os nomes de Darcy Ribeiro e Anísio Teixeira. A UnB enfrentou os anos da Ditadura Militar e encontra seu espaço nos debates contemporâneos, figurando de forma recorrente entre as 10 melhores universidades brasileiras e entre as 15 mais bem conceituadas na América Latina132 , sendo

contemplada recentemente pelo Programa Institucional de Internacionalização133, conferindo

maior destaque à Universidade no cenário mundial.