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Conhecimento Tácito e Conhecimento Explícito

No documento jovina (páginas 30-33)

Capítulo I O Conhecimento

1. A Origem do Conhecimento

1.2. Conhecimento Tácito e Conhecimento Explícito

Vários pesquisadores acadêmicos e especialistas de grandes organizações vêm se dedicando ao estudo do conhecimento. Ao formular suas teorias, uns classificam o conhecimento em duas dimensões (uma tácita, outra explícita) e atribuem a elas sua significação.

Thomas Stewart faz essa distinção e classifica dois tipos de conhecimento: o tácito e o explícito. Seus estudos revelam que as duas palavras vêm do latim onde “explícito” significa “desdobrado, revelado”. O mesmo que aberto, arrumado, explicado. O termo quase denota um ‘documento’. Stewart diz que no final dos seus textos, os acadêmicos medievais escreviam a palavra ‘explícito’, que significava: para o conhecimento geral, livro aberto. O termo “tácito” significa “silencioso ou secreto”. Então conhecimento tácito é aquele que as pessoas têm, mas não manifesta de forma expressa. Ele é o complemento do conhecimento explícito (2002, p.87).

Ao abordar o tema, José Cláudio Terra (2002, p.69) afirma que a expressão “conhecimento tácito” surgiu a partir do pensamento do filósofo Michael Polanyi2, que afirmava que muito do que sabemos não pode ser verbalizado ou escrito em palavras. Terra diz que, para o filósofo, conhecimento tácito envolve a relação entre duas coisas: um conhecimento específico, como tocar piano, utilizar uma ferramenta qualquer; outro que só temos consciência conforme ele serve ao anterior. Polanyi comparou seus conceitos de conhecimento tácito aos resultados da Gestalt; esta seria o resultado de um esforço de busca do conhecimento, onde sua aquisição seria resultado do envolvimento e compromisso pessoal. Terra argumenta que o conhecimento tácito tem sido associado ao processo de inovação, uma vez que serve para predição, antecipação, identificação e solução de problemas. Para ele esse conhecimento é associado ao conhecimento do “expert” na solução de problemas, ou ainda à

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intuição que permite a tomada de alguma decisão sem motivo facilmente explicável ou aparente. Predição e antecipação seriam, para ele, o resultado do período de preparação e incubação, característico do processo criativo.

Aprofundando a teoria de Polanyi, em sua tese de doutorado Consuelo de Lara escreve que ele a desenvolveu na década de 1940 e início de 1950 baseando-se em exemplos retirados das profissões científicas. A autora diz que em 1940 Polanyi via o conhecimento como algo pessoal, formado dentro de uma coletividade e baseado em três teses principais:

1. A verdadeira descoberta não resulta de um conjunto de regras articuladas ou algoritmos.

2. Conhecimento é, ao mesmo tempo, público e, em grande parte, pessoal (isto é, por ser construído por seres humanos, contém emoções, ou paixão).

3. Conhecimento subjacente ao conhecimento explícito é mais fundamental; todo conhecimento é tácito ou tem raízes no conhecimento tácito, ou seja, tem raízes na prática. O conhecimento não é privado ou subjetivo. Embora pessoal, ele é construído também de forma social. O conhecimento transmitido socialmente se confunde com a experiência que o indivíduo tem da realidade. Comparada à nossa mente subconsciente, nossa mente consciente é um processador de informações irremediavelmente ineficiente (apud Lara 2001, p.25-26).

Lara postula que, diferentemente do conhecimento tácito, o conhecimento explícito é adquirido com a educação formal e é armazenado em conteúdo semi-estruturado como documentos, correio eletrônico, correio de voz, multimídia, entre outros (2001, p.27).

Apresentando o pensamento oriental sobre o tema, Nonaka e Takeuchi (1997, p.61-68) também defendem que o conhecimento tem duas dimensões: o tácito (subjetivo), que é o conhecimento da experiência (corpo), o conhecimento criado, o simultâneo (do aqui e agora), o conhecimento que constitui um processo análogo através do compartilhamento (a prática) entre os indivíduos. O segundo é o conhecimento explícito (objetivo), que é o conhecimento da racionalidade (mente), conhecimento que lida com acontecimentos passados, seqüenciais (lá e então) e foi chamado de conhecimento digital (teoria). Para esses autores, as empresas japonesas têm uma forma diferente de categorizar o conhecimento. Para elas, o conhecimento explícito, que é expresso em palavras e números é apenas uma ponta do iceberg, visto que o conhecimento é basicamente tácito, altamente pessoal e difícil de ser formalizado, o que dificulta sua transmissão e compartilhamento com os outros. Eles enfatizam que conhecimento tácito e conhecimento explícito não são entidades totalmente separadas e sim mutuamente complementares e interagindo um com o outro, realizam trocas criativas.

A pesquisadora María de la Luz Pérez (2006, p.4) seguindo o mesmo raciocínio a respeito das dimensões do conhecimento, também identifica os dois tipos: o explícito (que se expressa em palavras ou números e que se conhece através de termos como dados, fórmulas científicas, especificações, manuais, etc. e que pode ser transmitido de maneira simples) e o tácito (composto por idéias, intuição, pensamento, premonição e outros tipos de percepções sobre a realidade e o mundo). Para ela, este último é muito mais difícil de formalizar e transmitir, já que provém da experiência pessoal e da sensação que emana dos ideais, valores e emoções de uma pessoa. A autora também corrobora a idéia de que os dois tipos de conhecimento são complementares e cruciais para a criação do conhecimento a nível social.

Henry Marín (2005, p.63-67) classifica o conhecimento tácito como formas de práticas sócio- produtivas em que o indivíduo põe em jogo seu exercício intelectivo à sua problemática de interpretação e de afazeres do mundo. É conhecimento de acomodação, aquele que permite ao indivíduo adaptar sua conduta ao complexo sistema de regras que seu contexto sócio- produtivo lhe demanda. É conhecimento criado aqui e agora, em um contexto. Ele é a base do conhecimento explícito. É o total de conhecimento que está na mente dos indivíduos que em sua maior parte está invisível nas organizações, porque o conhecimento explícito é a parte mínima dele. Com esta afirmação, Marín corrobora a idéia do conhecimento tácito comparado à ponta de um iceberg de Nonaka e Takeuchi.

Roberto Buckman, presidente da casa matriz do Laboratório Buckman, pergunta: se nos encontrássemos frente a duas opções de reiniciação de uma organização, que decisão tomaríamos: a primeira consiste em que só se poderia contar com seu pessoal (conhecimento tácito) e a segunda é que somente se poderia usar a informação e a tecnologia organizacional como organogramas, manuais procedimentos, políticas de gestão etc (conhecimento explícito)? Ele mesmo responde dizendo que é evidente que a melhor opção é iniciar a organização contando com seu pessoal porque o sucesso da organização se dá quando o conhecimento de todos os indivíduos se torna a base dos processos na dinâmica sócio- produtiva. O conhecimento explícito é classificado pelo autor como sendo aquele que é formalizado em documentos acadêmicos e institucionais e é fácil de ser captado, codificado e utilizado. São procedimentos orientados à construção teórica que organiza a experiência para orientar a ação humana. Como exemplos são citados: procedimentos, fórmulas, equações, regras, os livros, base de dados, textos, desenhos, etc. O conhecimento explícito é uma função expansiva, acelerativa, que permite juntar observações no tempo e no espaço. Ele ajuda a

realizar a memória lógica organizada e compreensiva dos resultados experimentados. Ele surge de um processo intelectual e planejado sobre a realidade. Traduzido em linguagem ele permite sua extensão para além do tempo e do espaço (apud Marín, 2005, p.63-64).

A maioria dos autores é unânime na defesa da idéia de que há dois tipos de conhecimento: o tácito e o explícito. Porém o consultor e especialista em gestão do conhecimento, Filipe Cassapo, discorda da existência destes dois conceitos. Para ele essa diferenciação traz a desvantagem de esconder a natureza do ato da percepção e significação subjacente a toda aprendizagem. Cassapo defende que o conhecimento “explícito”, não é nem mais nem menos do que o “explicitado”, ou seja, o conhecimento transformado em informação. Ele questiona se o conhecimento, em si, não apareceria logo como tácito por essência. Argumenta que uma vez sendo explícito (ou externalizado) o conhecimento não é mais conhecimento e sim informação, que será novamente convertida em conhecimento após ser interpretada (2004, p.1-2).

No documento jovina (páginas 30-33)