jovina
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(2) JOVINA GOMES FONSECA. GESTÃO DE CONHECIMENTO E COMUNICAÇÃO NA ÁREA GOVERNAMENTAL: o papel da comunicação na difusão do conhecimento em assuntos de interesse público Monografia. apresentada. ao. Departamento. de. Relações Públicas, Propaganda e Turismo da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, em cumprimento às exigências do curso de Pós-Graduação (Lato-Sensu), para obtenção do título de. Especialista. em. Gestão. Estratégica. em. Comunicação Organizacional e Relações Públicas, sob a orientação da Profa. Ms. Mariângela Furlan Haswani.. UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO Escola de Comunicações e Artes São Paulo, março de 2008.
(3) FONSECA, Jovina G. Gestão de Conhecimento e Comunicação na Área Governamental: o papel da comunicação na difusão do conhecimento em assuntos de interesse público – São Paulo: J.G. Fonseca. 2008. Monografia final - Escola de Comunicações e Artes – Departamento de Relações Públicas, Propaganda e Turismo da Universidade de São Paulo-USP, 2008..
(4) BANCA EXAMINADORA. Data da Banca __________/__________/__________.. ____________________________________________________________________________ Professora Orientadora Instituição: ______________________________Assinatura___________________________. ____________________________________________________________________________ Convidado 1 Instituição: ______________________________Assinatura___________________________. ____________________________________________________________________________ Convidado 2 Instituição________________________________Assinatura_______________________________. Observações: ________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________.
(5) DEDICATÓRIA. Dedicado este trabalho de modo muito especial a duas pessoas que ocupam um lugar singular na minha vida:. Meu grande amigo Lukas Correa, que sempre me acompanhou nos momentos mais marcantes da minha vida. Com seus conselhos, carinho e dedicação, me incentivou nas minhas escolhas pessoais e profissionais, a lutar pelos meus sonhos e me ensinou que quando acreditamos somos capazes de realizar grandes conquistas.. À minha querida professora orientadora e amiga Mariângela, que me conduziu com muita dedicação; mesmo no período de suas merecidas férias, ela esteve sempre presente me incentivando e esclarecendo minhas dúvidas no desenvolvimento deste trabalho. Com sua sabedoria e humildade contribuiu para o meu crescimento pessoal e profissional. Sua confiança no meu potencial, sua presença constante me levaram a concluir mais uma etapa de sucesso na minha vida, além de me fazer sentir orgulho ao pensar que na área acadêmica, há pessoas como ela, que merecem ser chamadas de Educadoras, pois se dedicam a transmitir não apenas conteúdos, mas, valores que formam pessoas e as tornam inclusive grandes profissionais.. A estas duas figuras magnânimas, todo meu carinho e gratidão..
(6) AGRADECIMENTOS. Meus sinceros agradecimentos,. À Profa.Dra.Ana Maria Roux César que me orientou na elaboração das primeiras páginas deste trabalho.. À Profa.Dra. Margarida Maria Krohling Kunsch pelo apoio especial durante o curso.. À minha irmã Dina, meu cunhado Jorge e minha querida sobrinha Brunna, pelo apoio de sempre, inclusive pela disponibilização de equipamentos necessários para o desenvolvimento deste estudo.. Ao Prof. Dr. Paulo Nassar que foi quem me entrevistou durante o processo seletivo e de alguma maneira contribuiu para meu ingresso no curso.. Agradeço a todas as pessoas da Sabesp que responderam o questionário da pesquisa e de modo muito especial a Karen Matos, que foi o contato na organização e sempre esteve à disposição para esclarecimento de dúvidas e fornecimento de informações.. Agradeço também à Sueli, funcionária da secretaria do Gestcorp, que sempre foi muito diligente no tratamento com todos os alunos..
(7) Processo tão natural como beber água ou caminhar, a comunicação é a força que dinamiza a vida das pessoas e das sociedades: a comunicação excita, ensina, vende, distrai, entusiasma, dá status, constrói mitos, destrói reputações, orienta, desorienta, faz rir, faz chorar, inspira, narcotiza, reduz a solidão e – num paradoxo digno de sua infinita versatilidade – produz até a incomunicação. (J. D.Bordenave).
(8) RESUMO Este trabalho tem por objetivo realizar uma reflexão sobre o tema da gestão do conhecimento e a comunicação na área governamental e abordar a importância do compartilhamento do conhecimento entre os colaboradores das organizações quando tratamos de assuntos de interesse público. Muitos autores defendem que o conhecimento é fator fundamental para garantir que as organizações reajam de forma imediata diante das constantes mudanças que ocorrem na sociedade e a comunicação exerce papel fundamental nesse processo. Para legitimar essas informações apresentamos um estudo de caso realizado na Sabesp, que teve como finalidade identificar se os instrumentos formais de comunicação contribuem para o compartilhamento do conhecimento tácito entre os colaboradores. O que se observou é que o tema da gestão do conhecimento aos poucos vem ganhando força na administração pública, embora as iniciativas sejam ainda isoladas. Os instrumentos de comunicação utilizados na Sabesp são fundamentais na divulgação de informações e de conhecimento, mas no que se refere à gestão de conhecimento, a organização não falou sobre o tema, mas sente a necessidade de um programa adequado e um trabalho de “aculturação” para incentivar e divulgar as iniciativas entre os colaboradores.. Palavras-chave: Gestão do Conhecimento; Comunicação Organizacional, Comunicação Pública, Compartilhamento de Conhecimento..
(9) RESUME This paper has the main object to build a analysis about the knowledge management theme and communications at government area. The main theme is to point out the importance of knowledge sharing among employees of public organizations. Some authors point that knowledge is the only critical success factor in order to garantee imediate reactions of organizations to the constant changes at our society. Communication is the main leverage asset in those processes. To legitimate our point of view, we are going to show a case study at Sabesp, where we tried to verify if the formal tools of communication really had a significant added value at the formal knowledge sharing among peers. Our results showed that knowledge-management area is growing slowlly at public sector and still at isolated actions. All instruments at Sabesp are critical to information sharing, but, in the specific theme of knowledge management, the organization revealed shallow importance and a great need to implement a formal change management program and focus in culture issues management, in order to provide incentives amog peers.. Key Words: Knowledge-management, Corporate Communications, Public Sector, information sharing..
(10) RESUMEN El objetivo de este estudio es realizar una reflexión sobre el tema da la gestión del conocimiento y la comunicación en la esfera gubernamental y abordar la importancia de compartir conocimiento entre los empleados de las organizaciones, cuando tratamos de asuntos de interés público. Muchos autores defienden que el conocimiento es factor fundamental que ayuda las organizaciones a reaccionaren de forma inmediata delante de los procesos de transición en la sociedad y la comunicación ejerce papel fundamental en ese proceso. Para legitimar esas informaciones presentamos un estudio realizado en la Sabesp, cuya finalidad fue identificar si las herramientas formales de comunicación contribuyen al intercambio de conocimiento tácito entre los empleados de la organización. Lo que se observó es que el. tema de la gestión del conocimiento poco a poco ocupa su espacio en la. administración pública, aunque las iniciativas sean todavía aisladas. Las herramientas de comunicación. utilizadas en. la Sabesp son fundamentales. para la propagación de. informaciones y de conocimiento, pero respecto a la gestión del conocimiento, la organización no habló sobre el tema, pero siente que es necesario trabajar su cultura para incentivar y divulgar las iniciativas entre los empleados y también hace falta un programa adecuado para ese fin.. Palabras clave: Gestión del Conocimiento; Comunicación Organizacional; Comunicación Pública. Intercambio de Conocimiento..
(11) Fonseca, Jovina G. Gestão do conhecimento e comunicação na área governamental: o papel da comunicação na difusão do conhecimento em assuntos de interesse público, 2008. Monografia. Curso de Pós-Graduação em Gestão Estratégica em Comunicação Organizacional e Relações Públicas – Escola de Comunicações e Artes – Universidade de São Paulo – USP..
(12) SUMÁRIO. Introdução................................................................................................................................17. Capítulo I - O Conhecimento...................................................................................................21 1. A Origem do Conhecimento..................................................................................................21 1.1. Senso Comum e Conhecimento Científico.........................................................................27 1.2. Conhecimento Tácito e Conhecimento Explícito...............................................................30 1.3. O Processo de Criação do Conhecimento...........................................................................33. Capítulo II – Comunicação Como Base das Relações Sociais.................................................42 1. A Evolução das Relações e a Construção dos Significados..................................................42 1.1. O Ato Comunicativo...........................................................................................................43 2. Os Diversos Olhares Sobre a Comunicação das Organizações..........................................45 2.1. A Comunicação Pública e a Comunicação Pública de Origem Governamental................48 3. Relações Públicas: uma nova realidade, novas relações.....................................................55 3.1. Relações Públicas e sua Importância Para as Organizações...............................................59 4. O Conceito de “Públicos” na Esfera Privada e na Governamental.....................................70. Capítulo III – Gestão do Conhecimento...................................................................................73 1. Gestão: uma necessidade aparente.........................................................................................73 2. Gestão do Conhecimento na Historia da Humanidade..........................................................74 2.1. Dados, Informação e Conhecimento...................................................................................78 2.2. Gestão do Conhecimento: o que pensam alguns estudiosos sobre essa nova realidade nas organizações...............................................................................................................................81 3. Gestão do Conhecimento e Comunicação Organizacional....................................................85 4. Gestão do Conhecimento na Área Governamental................................................................88. Capítulo IV – Estudo de Caso..................................................................................................90.
(13) 1. Descrição dos procedimentos metodológicos........................................................................90 1.1. Preparação dos Instrumentos da Pesquisa...........................................................................92 1.2 Critérios para Escolha dos Entrevistados.............................................................................93 1.3. Método de Análise dos Dados............................................................................................93 1.4. Limitações do Estudo..........................................................................................................93 2. História da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo-Sabesp..................94 2.1. A Sabesp em Números........................................................................................................96 2.2. Hierarquia na Sabesp..........................................................................................................97 2.3. O Negócio: o produto, fatores chaves de sucesso para a organização................................97 2.4. A Marca..............................................................................................................................98 3. A Comunicação na Sabesp.....................................................................................................98 3.1. Política de Comunicação da Sabesp...................................................................................99 3.2. Principais Atribuições das Áreas Ligadas à Superintendência de Comunicação.............101 3.2.1. Área Administrativa.......................................................................................................101 3.2.2. Foto e Vídeo...................................................................................................................101 3.2.3. Publicidade e Propaganda..............................................................................................101 3.2.4. Pesquisas........................................................................................................................102 3.2.5. Sistema de Informação...................................................................................................102 3.2.6. Memória Empresarial.....................................................................................................102 3.3. Departamento de Promoções e Eventos (Relações Públicas, Organização de Feiras e Eventos, Ações de Educação Ambiental)................................................................................102 3.4. Departamento de Imprensa e Comunicação Interna (Assessoria de Imprensa, Comunicação Digital e Comunicação Interna)........................................................................103 3.4.1. Assessoria de Imprensa..................................................................................................103 3.4.2. Comunicação Digital...................................................................................................103. 3.4.3. Comunicação Interna...................................................................................................104. 3.4.4. Principais Ferramentas de Comunicação Interna.........................................................104. 3.4.5. Jornal Ligação e Jornais Regionais..............................................................................104. 3.4.6. Jornal Mural.................................................................................................................104. 3.4.7. Intranet.........................................................................................................................105.
(14) 3.4.8. Hora H.........................................................................................................................105. 3.4.9. Boletim Eletrônico.......................................................................................................105. 3.4.10 Clipping Impresso e Eletrônico...................................................................................106 3.4.11 BoxNet.........................................................................................................................106 3.4.12 Bom Dia Express.........................................................................................................106 Capítulo V. A Comunicação Divulgando Conhecimento: a participação dos agentes sociais.......................................................................................................................................107 1. Analise do Conteúdo Adquirido..........................................................................................107 1.2. A Comunicação via Unidade de Resposta Audível –URA...............................................110 1.3. A Sabesp Ensina...............................................................................................................112 1.4. Conclusões.......................................................................................................................114 1.5. Considerações Finais........................................................................................................116. Referências..............................................................................................................................117 Apêndice A .............................................................................................................................125 Apêndice B ..............................................................................................................................126 Apêndice C...............................................................................................................................127 Apêndice D..............................................................................................................................129.
(15) LISTA DE TABELAS Tabela 1.....................................................................................................................................28 Tabela 2......................................................................................................................................96 Tabela 3....................................................................................................................................100.
(16) LISTA DE FIGURAS Figura 1 .....................................................................................................................................35 Figura 2 .....................................................................................................................................39 Figura 3......................................................................................................................................98 Figura 4....................................................................................................................................100.
(17) 17. INTRODUÇÃO Com a evolução da sociedade as organizações começaram a adotar novos conceitos para designar a comunicação organizacional e passaram a se preocupar com a utilização de uma comunicação mais estratégica para a criação da sua identidade.. Na opinião de Gaudêncio Torquato foi na década de 80 que as organizações passaram a adotar o conceito estratégico com mais força, na intenção de se colocarem em posições privilegiadas, passando assim a trabalhar seu posicionamento no mercado (2004, p.5). Hoje, para desenvolver um relacionamento ideal com seus públicos interno e externo, as organizações criam um número cada vez maior de instrumentos de comunicação para transmitir mensagens e estes se convertem em extensão da sua voz e ajudam a dar continuidade ao relacionamento, criar parcerias, possibilitando a disseminação da informação e do conhecimento. Optou-se, neste trabalho, pela análise do papel da comunicação na difusão do conhecimento em assuntos de interesse público. O estudo tem como objetivo geral, identificar se os instrumentos formais de comunicação contribuem para o compartilhamento de conhecimento na organização em estudo, a Sabesp, e torna-o explícito. Como objetivos específicos ele procurou identificar:. a) Quais são os instrumentos formais de comunicação utilizados pela organização; b) Quais são os objetivos dos instrumentos formais de comunicação utilizados na organização; c) Como são colhidas as informações que constam nos instrumentos formais de comunicação utilizados por ela; d) Qual é a percepção que os colaboradores da organização em estudo têm quanto ao papel dos instrumentos formais de comunicação na divulgação do conhecimento tácito; e) Se há instrumentos de comunicação cujo objetivo seja a sistematização do conhecimento transformando o conhecimento tácito em explícito (manuais, livros, vídeos, CDs, etc.). As organizações não são estruturas isoladas no meio ambiente. Elas fazem parte dele e estão sujeitas a toda sorte de mudanças - que ocorrem rapidamente e afetam o mundo (que os.
(18) 18. teóricos fazem questão de chamar de “globalizado”) onde elas estão inseridas, de maneira quase que descontrolada. Hoje o “dicionário da sobrevivência organizacional” adquiriu novas expressões e vocabulários como: qualidade total, competitividade, modernização, globalização, talentos humanos, capital intelectual, sustentabilidade, conhecimento, enfim, tudo isso para enfatizar a importância da inovação e da valorização do saber e da comunicação nas organizações e, a partir daí, elas se dedicam a novas práticas que se reúnem na expressão “Gestão do Conhecimento”. Desde a Graduação, despertou em mim um interesse por Gestão do Conhecimento, e, com base em experiências profissionais, verifiquei que o compartilhamento de conhecimento ainda é uma questão pouco trabalhada nas organizações. O conhecimento ainda é visto, muitas vezes, apenas como “poder” para quem o detém. Durante o curso de pós-graduação no CRP da ECA - USP, percebi que o tema “Gestão do Conhecimento” começou a ser estudado pelos alunos do Gestcorp e eu decidi me unir a eles, na reflexão sobre o assunto, abordando um tema tão oportuno e inovador. Daí a escolha do estudo da comunicação e do compartilhamento de conhecimento numa organização pública. Este trabalho pode contribuir para reflexão sobre a importância do conhecimento como fator de competitividade diante das constantes mudanças; sem dúvida sua contribuição será acentuada na promoção de discussões sobre a importância da aprendizagem coletiva por meio do diálogo, da interação entre as pessoas e do compartilhamento de experiências - bem sucedidas ou não - na descoberta de novos rumos na solução de problemas e atendimento de necessidades dos públicos, mostrando que em todas as ações cotidianas deve-se procurar criar e difundir novos conhecimentos. Ele contribuirá também para a criação de conhecimento nas organizações, para a inovação no domínio do conhecimento; no desenvolvimento das competências nas organizações, focando uma gestão fortemente centrada nas habilidades humanas; ele pode ajudar a fomentar o desenvolvimento da criatividade facilitando a incorporação de novos conceitos na gestão das organizações, dando ênfase a aspectos éticos e sociais, ampliando a visão do compartilhamento do conhecimento tácito através do desempenho das atividades e da comunicação entre todos os colaboradores. O conhecimento nas empresas públicas caminha por linhas tênues. Há muitos entraves, como atividades burocráticas e falta de interação, que dificultam o compartilhamento do conhecimento. Julgou-se oportuno, abordar um assunto tão importante numa organização que lida com um bem público, a água, uma vez que a imagem das empresas públicas figura entre.
(19) 19. as más administrações, falta de comunicação, burocracia, entorpecimento e falta de vontade no trato com o público. A Sabesp foi escolhida porque é uma das entidades mantenedoras da Sociedade Brasileira de Gestão do Conhecimento - SBGC; por isso foi vista como o local ideal para se desenvolver um estudo de caso, visto que a organização está fortemente engajada, desenvolvendo projetos em parceria com essa entidade, com o intuito de fortalecer o compartilhamento do conhecimento entre todos os colaboradores. As organizações do setor público desenvolvem atividades complexas e lidam com um ambiente em constante mudança, penetrando um espaço onde é necessário gerar rapidamente informações e conhecimento sobre seus principais negócios. Neste cenário a gestão do conhecimento vem ganhando espaço e dando ênfase à inovação e à valorização do saber e da comunicação como garantia de sobrevivência das organizações. Gerir conhecimento é uma importante estratégia capaz de permitir à organização explorar oportunidades e flexibilidades para gerenciar os grandes desafios impostos pelo momento atual da sociedade.. Este trabalho foi dimensionado em cinco capítulos e o referencial teórico foi construído com a utilização de materiais impressos e eletrônicos, incluindo livros, teses e dissertações, artigos adquiridos na biblioteca virtual da Sociedade Brasileira de Gestão do Conhecimento e de algumas universidades, anais de congressos, revistas e jornais, contato com autores via e.mail e também informações do site, do atendimento eletrônico e da biblioteca da Sabesp, além de conteúdos enviados pela Superintendência de Comunicação da organização. O conteúdo do primeiro capítulo aborda o conhecimento e suas dimensões apresentando a visão dos filósofos gregos, que, a partir de suas pesquisas tentavam desvendar os mistérios da percepção humana. Situa, ainda, o tema de acordo com a percepção dos pesquisadores contemporâneos que têm a intenção de desvendá-lo e aplicar o conceito às organizações modernas. No segundo capítulo o foco foi dado à comunicação e ao ato comunicativo nas suas diversas modalidades, com ênfase em Relações Públicas e comunicação pública..
(20) 20. O terceiro capítulo aborda a Gestão do Conhecimento e suas várias interpretações; a disseminação do conhecimento e a importância da comunicação no processo de interação entre as pessoas. Nos capítulos seguintes apresentamos um estudo de caso na Sabesp focando a comunicação como divulgadora de conhecimento. Fizemos contato com a Unidade de Negócio da Sabesp no bairro de Pinheiros e, através dela tivemos acesso a algumas informações da Unidade Norte para saber se os instrumentos de comunicação utilizados contribuem para o compartilhamento do conhecimento entre os colaboradores. De acordo com as informações que recebemos, chegamos à conclusão de que os instrumentos utilizados pela Sabesp exercem papel importante na geração e divulgação do conhecimento entre os colaboradores, pois contam com a participação da maioria, através de reuniões, sugestões recebidas, debates, fóruns, etc. A própria política de comunicação da Sabesp determina que comunicação seja tratada de forma estratégica, e que haja um comprometimento de todos. De acordo com a figura 4, percebe-se que a comunicação ocupa posição estratégica na organização. Muitos colaboradores têm consciência de que ela é indispensável para se chegar à excelência nos processos, mas na unidade Norte, há uma percepção (por parte de algumas pessoas da área de Recursos Humanos, onde o questionário foi respondido) de que o discurso da organização é diferente da prática e isso se reflete na escolha de pessoas para cargos de liderança. Espera-se que este trabalho contribua para o alcance de alguns objetivos: trazer o tema do conhecimento para uma reflexão mais assídua e que esse conhecimento possa aprimorar as ações que contribuam para o seu compartilhamento nas organizações e as ajude a responder mais rapidamente às mudanças do ambiente econômico, político e social, uma vez que não são poucos os que consideram o conhecimento um fator de sobrevivência das organizações na selva da concorrência..
(21) 21. CAPÍTULO I. O CONHECIMENTO. 1. A origem do conhecimento A história revela que ao longo de seu desenvolvimento, a sociedade humana sempre gerou conhecimento. Moacir de Oliveira relata que seu conceito não é consensual. Opina que a história da filosofia, desde o período clássico grego, está associada a uma busca infinita para o significado do conceito de “conhecimento” (2001, p.132). Segundo Marilena Chauí, muitos consideram que os primeiros filósofos não se preocupavam com a questão do conhecimento. Mas a origem das reflexões sobre ele situa-se provavelmente na obra dos pensadores gregos da antiguidade. Eles indagavam “o que é o mundo?” “As coisas existem?” “O que é o ser?”etc. Mas não perguntavam “o que é o conhecimento”. Porém partiam do pressuposto de que podemos conhecer, porque sendo a verdade presença constante e manifestação das coisas para nossos sentidos, para nosso pensamento, significa que o Ser está manifesto e podemos conhecê-lo. Para a autora, a opinião de que os primeiros filósofos não se preocuparam com o conhecimento não é exata, porque alguns como Parmênides, Heráclito e Demócrito se deram conta de que nosso pensamento segue certas leis ou regras para conhecer as coisas e que há uma diferença entre perceber e pensar. Heráclito, por exemplo, achava que a realidade é um “fluxo perpétuo, o escoamento contínuo dos seres em mudança perpétua”, a “harmonia dos contrários que não cessam de se transformar uns nos outros, porque o dia se torna noite, o verão se torna inverno, o quente se torna frio; tudo não pára de se transformar”. Dizia que não podemos nos banhar duas vezes no mesmo rio porque as águas não são as mesmas e nós também não somos os mesmos; ele se perguntava: se tudo não cessa de se transformar, como explicar que nossa percepção nos ofereça as coisas como se elas fossem estáveis, duradouras e permanentes? E na procura de uma resposta, concluiu que há diferença entre o conhecimento que nossos sentidos nos oferecem e o conhecimento que nosso pensamento alcança, porque nossos sentidos oferecem a imagem da estabilidade e nosso pensamento alcança a verdade como mudança contínua (1995, p.109)..
(22) 22. Parmênides, ao contrário, defendia que só podemos pensar sobre aquilo que permanece sempre idêntico a si mesmo; que o pensamento não pode pensar em coisas que são, ou não são; ora são de um modo, ora são de outro; conhecer para ele é alcançar o idêntico, o imutável. Para Parmênides os sentidos nos oferecem a imagem de um mundo em mudança constante, num fluxo perpétuo, onde nada permanece idêntico a si mesmo e tudo se torna contrário: o dia se torna noite, o verão se torna inverno, o quente se torna frio, o doce amarga. Ele também se perguntava: “como pensar o que se torna oposto e contrário de si mesmo?” Concluiu que pensar é diferente de perceber. Ao contrário de Heráclito, ele dizia que percebemos as mudanças impensáveis e devemos pensar identidades imutáveis (Chauí, 1995, p.110).. Demócrito desenvolveu uma teoria sobre o Ser, chamada de “atomismo: a realidade é constituída por átomos”. Ele dizia que os seres surgem da combinação dos átomos. Estes têm formas e consistência diferentes (redondos, lisos, rugosos, duros, moles, etc.) e as diferentes combinações produzem serem diferentes, suas mudanças e desaparições. Segundo Chauí, Demócrito argumentava que somente o pensamento pode conhecer os átomos que são invisíveis para nossa percepção. Concordava que há diferença entre o conhecimento através da percepção e o conhecimento apenas pelo pensamento. Mas não considerava a percepção ilusória, apenas um efeito da realidade sobre nós. Ele dizia que o conhecimento sensorial é tão verdadeiro quanto aquilo que o pensamento alcança (Chauí, 1995, p.110-111).. Essas preocupações deram origem a duas correntes filosóficas na Grécia Clássica: • a dos Sofistas, que argumentava que não podemos conhecer o Ser, só podemos ter opiniões subjetivas sobre a realidade. Por isso, para se relacionar com o mundo e com outros seres humanos, o homem deve se valer da linguagem para persuadi-los de suas idéias e opiniões porque a verdade é uma questão de opinião e persuasão e a linguagem é mais importante do que a percepção e o pensamento.. • a de Sócrates, que se distanciava dos primeiros filósofos e se opunha aos sofistas. Afirmava que a verdade pode ser conhecida, mas primeiro devemos afastar as ilusões dos sentidos e das palavras e alcançar a verdade apenas pelo pensamento. Segundo Sócrates os sentidos dão apenas as aparências das coisas e a palavra, meras opiniões sobre elas. Para ele “conhecer é passar da aparência à essência, da opinião ao conceito, do ponto de vista individual à idéia.
(23) 23. universal de cada um dos seres e de cada um dos valores da vida moral e política” (apud Chauí, 1995, p.111-112).. Chauí diz que Sócrates fez a Filosofia se preocupar com nossa possibilidade de conhecer e indagar quais são as causas da ilusão, dos erros e da mentira e, no esforço para definir as formas de conhecer e as diferenças entre o conhecimento verdadeiro, Platão e Aristóteles introduziram na Filosofia, a idéia de que existem diferentes maneiras de conhecer ou graus de conhecimento e que eles se distinguem pela ausência ou presença do verdadeiro e do falso. Para Platão, há quatro formas ou graus de conhecimento que vão do inferior ao superior: a crença, opinião, raciocínio e intuição intelectual. Para ele, os dois primeiros devem ser afastados da Filosofia porque são ilusórios, das aparências, como o conhecimento dos prisioneiros das cavernas. Os dois últimos são válidos porque o raciocínio treina e exercita o pensamento preparando-o para a purificação intelectual e assim atingir a essência do Ser. As formas (ou graus) de conhecimento que Aristóteles distinguia são: sensação, percepção, imaginação, linguagem, memória, raciocínio e intuição. Ao contrário de Platão, ele afirmava que nosso conhecimento vai se formando e enriquecendo através do acúmulo de informação trazida por todos os graus, de modo que, ao invés de uma ruptura entre conhecimento sensível e intelectual, há uma continuidade entre eles. A separação se dá entre os outros graus e a intuição, mas não significa que os outros tragam o conhecimento ilusório ou falso, mas conhecimentos diferentes. Na intuição intelectual temos o conhecimento pleno e total da realidade: o “Ser enquanto Ser” (1995, p.112).. Com os primeiros filósofos, portanto, foram estabelecidos os princípios gerais do conhecimento conforme a seguir: y as fontes e formas do conhecimento: sensação, percepção, imaginação, memória, linguagem, raciocínio e intuição intelectual; y a distinção entre o conhecimento sensível e o conhecimento intelectual; y o papel da linguagem no conhecimento; y a diferença entre opinião e saber; y a diferença entre aparência e essência; y a definição dos princípios do conhecimento verdadeiro (identidade, nãocontradição e terceiro excluído) da forma do conhecimento verdadeiro (idéias, conceitos e juízos) e dos procedimentos para alcançar o conhecimento verdadeiro (indução, dedução, intuição) (Chauí, 1995, p.112-113).. Como esses exemplos Chauí mostra que desde o início os primeiros filósofos se preocupavam com o problema do conhecimento, pois estavam preocupados com a questão da verdade..
(24) 24. O processo de conhecimento não se desenvolve de imediato. Ele é lento e progressivo porque envolve um “desnudamento” de algo que está encoberto por diferentes observações, por uma série de fatores, muitos deles culturais, que formam uma somatória de todas as ações cotidianas. Chauí menciona três concepções principais envolvendo a teoria do conhecimento e percepção: a teoria empirista, a racionalista e a fenomenológica. A teoria empirista considera a percepção como única fonte de conhecimento, estando nas origens das idéias abstratas formuladas pelo pensamento. Na teoria racionalista intelectualista, a percepção não é muito confiável para o conhecimento porque depende das condições particulares de quem percebe e está propensa a ilusões, pois a imagem percebida pode não corresponder à realidade. Na teoria fenomenológica a percepção é considerada originária e parte principal do conhecimento humano, mas difere do pensamento abstrato, que opera com idéias. De acordo com essa teoria, nunca percebemos o objeto de uma só vez e sim uma face de cada vez. No pensamento, nosso intelecto compreende a idéia de uma só vez não sendo preciso examinar cada uma de suas faces (Chauí, 1995, p.114-119). Fazendo também uma reflexão sobre o processo de aquisição do conhecimento, Murilo Nunes de Azevedo (1995 p.20), diz que conhecer “é penetrar a essência das coisas. Ver além dos véus dos nossos sentidos, penetrando o âmago do Real”. Esse “ver além dos véus dos nossos sentidos” nos faz perceber que ele faz referência às teorias do conhecimento abordadas por Marilena Chauí.. Henry Marín (2005, p.23) porém afirma que o conhecimento não é encontrado e sim construído; não é somente um produto refletido do objeto de estudo que dá nome a sua essência, mas é essencialmente um produto construído no universo cultural do indivíduo ou do coletivo, que integra o conhecimento e transforma o objeto dando-lhe uma significação social cada vez mais ampla.. Com uma visão sobre um ato de conhecer classificado como “espiritual, sensível”, anterior aos conceitos da obra de Chauí, Johannes Hessen também percebeu o conhecimento como um fenômeno da consciência. Uma relação entre um sujeito e um objeto. Ele escreveu que o homem é um ser espiritual e sensível e que a fonte do conhecimento espiritual é a razão e do conhecimento sensível, a experiência. Em suas investigações, ele definiu conhecimento como um fenômeno da consciência que significa relação entre sujeito e objeto que entram em contato mútuo, onde o sujeito apreende o objeto. Na tentativa de explicar o conhecimento,.
(25) 25. Hessen investigou a estrutura desse fenômeno buscando uma essência geral. Na teoria elaborada por ele, o fenômeno do conhecimento se apresenta da seguinte forma: no conhecimento, a consciência e o objeto, o sujeito e o objeto estão frente a frente e o conhecimento é a relação entre os dois, que permanecem separados um do outro e esse dualismo sujeito-objeto pertence à essência do conhecimento. A ação entre os dois elementos é ao mesmo tempo uma correlação, porque o sujeito só é sujeito para um objeto e vice-versa, mas sujeito e objeto são completamente distintos um do outro. A função do sujeito consiste em apreender o objeto e a do objeto é ser apreendido pelo sujeito. Essa apreensão do lado do sujeito apresenta-se como uma saída dele da sua própria esfera e uma recolhida das propriedades do objeto. Visto do lado do objeto, o conhecimento se apresenta como uma transferência das propriedades do objeto para o sujeito (1987, p.25-36).. Em estudos mais recentes, Maria Lúcia Aranha e Maria Helena Martins, também abordam o conhecimento como uma relação sujeito-objeto quando dizem que a teoria do conhecimento é uma disciplina da Filosofia que investiga as condições do conhecimento verdadeiro e que, numa visão tradicional, essas condições se colocam diante dos problemas decorrentes da relação entre o sujeito e o objeto do conhecimento (2003, p.118).. São muitas as formas de abordagem do conhecimento. Diversos autores expressam suas opiniões de acordos com suas investigações. Mas há pontos em comum: o conhecimento não é visto com algo estático. É uma realidade em movimento. Valeska Guimarães, Alessandra Gramkow e Neimar Filipon o classificam como a forma de compreensão do mundo e a possibilidade de intervenção para sua transformação. Forma de saber científico, técnico ou humanístico, que preponderou em diferentes períodos (2003, p.241).. Thomas Davenport e Prusak definem o conhecimento como “uma mistura fluída de experiências condensadas, valores, informação contextual e insight experimentado, a qual proporciona uma estrutura para avaliação e incorporação de novas experiências e informações”. Os autores argumentam que o conhecimento tem origem e é aplicado na mente dos conhecedores e, nas organizações, ele costuma estar embutido não só em documentos ou repositórios de dados, mas também nas rotinas e nos processos, práticas e normas organizacionais (1998, p.28). Para Davenport e Prusak “o conhecimento pode ser comparado a um sistema vivo que cresce e se modifica à medida que interage com o meio ambiente” (apud Santos, et all, 2001, p30)..
(26) 26. Na literatura sobre o assunto surge também o ponto de vista dos orientais. Os japoneses Ikujiro Nonaka e Hirotaka Takeuchi (1997 p.63-64), por exemplo, baseando-se na definição de Platão, conceituam o conhecimento como uma “crença verdadeira justificada”; “um processo dinâmico de justificar a crença pessoal com relação à verdade” e acrescentam que o conhecimento tem origem nas pessoas. Eles o distinguem de “informação” dizendo que, “informação consiste em diferenças que fazem diferenças” e propiciam um novo ponto de vista para a interpretação de acontecimentos tornando visível seu significado, sendo um meio necessário para a construção do conhecimento. Este, é função de uma atitude ou intenção específica e ao contrário da informação, ele está relacionado a uma ação humana e tem algum fim. Mas, como a informação, ele também diz respeito a um significado. Para os autores, informação é um fluxo de mensagens e o conhecimento é criado por esse fluxo de informação, ancorado nas crenças e no compromisso de seu detentor. Informação pode ser produzida em grande quantidade mas o conhecimento é individual e produzido a partir da sua interpretação. A informação trata de palavras, símbolos ou números e é desprovida de significado e o conhecimento vem da interpretação daquilo transmitido por ela. María de la Luz Pérez (2001, p.4), da Universidade de Monterrey-México, segue esse mesmo raciocínio quando argumenta que, para que haja conhecimento é necessário não apenas receber a informação para conhecê-la, é preciso que o sujeito traduza essa informação e a interprete como verdadeira, dando-lhe certa carga de significação social.1 Com isso a pesquisadora quer dizer que ter informação não significa ter conhecimento porque a informação em si não se converte em conhecimento, ela precisa ser interpretada e o trânsito da informação ao conhecimento implica uma articulação simbólica, que resulta fundamental para que a utilização dos conteúdos tenha um sentido específico e produtivo.. Em 1986 Paulo Freire afirmou que o conhecimento, na dimensão humana, não é um ato através do qual um sujeito, transformado em objeto, recebe, dócil e passivamente, os conteúdos, as informações que o outro lhe oferece ou lhe impõe. Freire argumentava que, ‘‘o conhecimento exige uma posição curiosa do sujeito frente ao mundo. Requer sua ação transformadora sobre a realidade. Exige uma busca constante. Implica invenção e reinvenção. Reclama a reflexão crítica de cada um sobre o mesmo ato de conhecer pelo qual se reconhece conhecendo e, ao reconhecer-se, assim, percebe o 'como' de seu conhecer e os condicionamentos a que seu ato está submetido. Conhecer é tarefa 1. Texto original: “para que exista conocimiento, es necesario no únicamente recibir la información para conocerla, sino también que el sujeto traduzca la información y la interprete como verdadera aportándole cierta carga de significación social.”.
(27) 27. de sujeitos e não de objetos. E é, como sujeito e somente enquanto sujeito, que o homem pode realmente conhecer’’(p.1).. 1.1. Senso comum e conhecimento científico Existe um domínio da vida que pode ser entendido como vida por excelência: é a vida do cotidiano. É nela que entramos em contato com a realidade, onde tudo acontece, tudo flui e nos sentimos vivos. No nosso cotidiano, vamos revivendo as experiências de nossos antepassados e acumulando conhecimentos tendo como base nossas vivências. Temos a necessidade de um conhecimento singelo para nos guiar nas nossas ações diárias. Sem ele a vida seria complicada, pois imaginem se tivéssemos que calcular antecipadamente todas as nossas ações desde as mais simples (como atravessar uma rua, por exemplo) até as mais complicadas. A esse conhecimento simples, que acumulamos diariamente e que é baseado em experiências, os pesquisadores dão o nome de senso comum. Para Maria Lúcia Aranha e Maria Helena Martins (2003, p.126-156), senso comum é o “conhecimento recebido por tradição e que ajuda a nos situarmos no cotidiano, para compreendê-lo e agir sobre ele”. “É o esforço que fazemos para resolver os problemas no dia a dia e buscarmos soluções muitas vezes criativas [...]”. “É um tipo de conhecimento empírico, porque se baseia nas experiências do cotidiano, é ametódico e assistemático porque nasce das tentativas do homem em resolver problemas da vida diária”. Para as autoras, tratase de um saber voltado para a consecução de objetivos imediatos, tendo como característica o caráter prático das aplicações do conhecimento. É definido também como um “conjunto de crenças já que é quase sempre espontâneo”. Na visão delas o conhecimento do senso comum é ingênuo (de caráter acrítico), subjetivo e depende de juízos pessoais a respeito das coisas, com envolvimento das emoções do observador. Mas ele é fragmentado porque não estabelece conexões onde estas possam ser verificadas. É conhecimento particular restrito a pequena amostra da realidade, a partir da qual são feitas generalizações às vezes imprecisas e apressadas. Para as autoras o senso comum se difere da ciência porque observa um fato a partir de um conjunto de dados sensíveis que formam nossa percepção. O fato científico ao contrário é abstrato, isolado do conjunto e elevado a um grau de generalidade. O conhecimento científico é objetivo, exige planejamento rigoroso cujos conceitos são definidos de modo a evitar ambigüidades e as conclusões podem ser verificadas posteriormente. Enquanto no senso comum as certezas são passadas de geração em geração, as verdades da ciência são provisórias porque ela está em constante evolução..
(28) 28. Para Ada Denker as características do conhecimento científico são: observação, demonstração, classificação e interpretação. É um conhecimento formulado a partir do uso de métodos científicos que conferem maior rigor às observações e isto o diferencia do senso comum, onde os indivíduos fazem observações ao acaso e essa generalização é baseada nas experiências pessoais originando ilações sem nenhum rigor científico (2001, p.35-37). Ao definir senso comum e o que o difere do conhecimento científico, Chauí (1995 p.109-119) diz que nós acreditamos que o sol, que vemos nascer e se pôr todos os dias, é menor do que a Terra e se move em torno dela. Acreditamos que as cores existem em si mesmas; que os animais que vemos hoje tiveram sempre as mesmas características não passando por evolução e que as famílias existem desde sempre tais como as conhecemos. Para ela essas certezas formam nossa vida e o senso comum da sociedade, transmitido de geração a geração. Mas na verdade, o estudo científico apresenta as razões pelas quais essas coisas acontecem. Para elucidar as diferenças entre senso comum e conhecimento científico Chauí apresenta algumas características que se sobressaem nas duas dimensões conforme o quadro a seguir: Tabela 01 Saberes do Senso Comum. Conhecimento Científico. y São subjetivos: exprimem sentimentos e y É objetivo: procura as estruturas universais e necessárias do opiniões individuais ou de grupos, variando objeto investigado. de pessoa para pessoa, dependendo das condições vividas por elas. y São qualitativos: os indivíduos ou grupos y É quantitativo: busca medidas, padrões critérios de comparação expressam juízo de valor em relação às para as coisas que parecem diferentes. coisas. y. São. heterogêneos:. acontecimentos. que. referem-se. percebemos. a y É homogêneo: busca as leis gerais de funcionamento dos. como fenômenos, que são as mesmas para fatos que nos parecem. diferentes entre si.. diferentes (ex: a estrela da manhã é a mesma da tarde, o planeta Vênus, visto em posição diferente em relação ao sol, em decorrência do movimento da Terra).. y. São. individualizadores. por. serem y É generalizador: reúne individualidades percebidas como. qualitativos e heterogêneos: cada coisa ou diferentes, sob as mesmas leis, padrões ou critérios de medidas, fato nos aparece como autônomo (ex: a seda mostrando que possuem as mesmas estruturas. é macia, a pedra é rugosa, o fogo é quente, etc.). y São generalizadores: tendem a reunir y É diferenciador: não reúne nem generaliza por semelhanças numa só opinião ou numa só idéia coisas e aparentes, mas distingue os que parecem iguais desde que fatos julgados semelhantes (falamos sobre obedeçam estruturas diferentes (as palavras “queijo” da língua.
(29) 29. animais, plantas seres humanos, astros etc.). portuguesa e “cheese” da língua inglesa, parecem iguais mas têm estruturas diferentes). y Tendem a estabelecer relação de causa e y Só estabelece relação de causa e efeito depois de investigar a efeito. entre. fatos. (fumaça-fogo,. chão natureza ou estrutura do fato estudado e suas relações com outros. molhado-chuva, ingerir sal para controlar a semelhantes ou diferentes (ex: um corpo não cai porque é pesado, pressão arterial, etc.).. seu peso depende do campo de gravitação onde se encontra).. y Não se surpreendem nem se admiram com y Surpreende-se com a regularidade, a constância, a freqüência e a a constante repetição ou diferenças dos diferença das coisas e procura mostrar que o maravilhoso, o fatos. A admiração e o espanto se dirigem “milagroso” é um caso particular do que é regular, normal, para o que é imaginado como único, freqüente, procurando explicações racionais, claras e simples para extraordinário, miraculoso, etc.. os fatos.. y Tendem a identificar a investigação como y A atitude científica, ao contrário, opera no desencantamento ou magia, que lida com o misterioso, o oculto, desenfeitiçamento do mundo, mostrando que nele há causas e o incompreensível.. relações racionais que podem ser conhecidas e que o conhecimento pode ser transmitido a todos. Distingue-se da magia. Esta admite uma participação secreta entre coisas diferentes e considera o psiquismo humano uma força capaz de provocar efeitos inesperados nas coisas e nas pessoas.. y Costumam projetar nas coisas e no y Afirma que, pelo conhecimento, o homem liberta-se do medo e mundo, sentimentos de angústias e de medo das superstições deixando de projetá-los no mundo e nos outros. diante do desconhecido (na Idade Média, as pessoas viam demônios em toda parte e hoje elas vêem discos voadores). y Por serem subjetivos, generalizadores, y Procura renovar-se e modificar-se continuamente, evitando expressão de sentimento de medo e de transformar teorias em doutrinas e preconceitos sociais, por ser um angústia, de incompreensão quanto ao trabalho lento de investigação e de pesquisa racional. trabalho. científico,. nossas. certezas. cotidianas, o senso comum da sociedade se cristalizam em preconceitos com os quais interpretamos. os. acontecimentos. e. a. realidade que nos cerca. y Os fatos científicos não são dados empíricos espontâneos de nossa vida cotidiana. São construídos pelo trabalho de investigação científica com base em métodos que garantem separar elementos subjetivos dos objetivos de um fenômeno e construí-lo como objetivo do conhecimento, controlável, verificável, interpretável e capaz de ser corrigido por novas elaborações. y Procura provar os resultados obtidos durante a investigação e prever racionalmente novos fatos como efeitos dos já estudados..
(30) 30. y Procura relacionar um fato isolado com outros fatos, integrandoos numa explicação racional e unificada. y Procura formular uma teoria geral sobre o conjunto dos fenômenos observados e dos fatos investigados, resultando assim um conjunto sistemático de conceitos. Fonte: Marilena Chauí, “Convite à Filosofia”(tabela elaborada com base nas informações das páginas 248-251). 1.2. Conhecimento tácito e conhecimento explícito Vários pesquisadores acadêmicos e especialistas de grandes organizações vêm se dedicando ao estudo do conhecimento. Ao formular suas teorias, uns classificam o conhecimento em duas dimensões (uma tácita, outra explícita) e atribuem a elas sua significação.. Thomas Stewart faz essa distinção e classifica dois tipos de conhecimento: o tácito e o explícito. Seus estudos revelam que as duas palavras vêm do latim onde “explícito” significa “desdobrado, revelado”. O mesmo que aberto, arrumado, explicado. O termo quase denota um ‘documento’. Stewart diz que no final dos seus textos, os acadêmicos medievais escreviam a palavra ‘explícito’, que significava: para o conhecimento geral, livro aberto. O termo “tácito” significa “silencioso ou secreto”. Então conhecimento tácito é aquele que as pessoas têm, mas não manifesta de forma expressa. Ele é o complemento do conhecimento explícito (2002, p.87). Ao abordar o tema, José Cláudio Terra (2002, p.69) afirma que a expressão “conhecimento tácito” surgiu a partir do pensamento do filósofo Michael Polanyi2, que afirmava que muito do que sabemos não pode ser verbalizado ou escrito em palavras. Terra diz que, para o filósofo, conhecimento tácito envolve a relação entre duas coisas: um conhecimento específico, como tocar piano, utilizar uma ferramenta qualquer; outro que só temos consciência conforme ele serve ao anterior. Polanyi comparou seus conceitos de conhecimento tácito aos resultados da Gestalt; esta seria o resultado de um esforço de busca do conhecimento, onde sua aquisição seria resultado do envolvimento e compromisso pessoal. Terra argumenta que o conhecimento tácito tem sido associado ao processo de inovação, uma vez que serve para predição, antecipação, identificação e solução de problemas. Para ele esse conhecimento é associado ao conhecimento do “expert” na solução de problemas, ou ainda à. 2. De acordo com Terra, o conceito surgiu a partir da frase de Polanyi: “We can know more than we can tell”..
(31) 31. intuição que permite a tomada de alguma decisão sem motivo facilmente explicável ou aparente. Predição e antecipação seriam, para ele, o resultado do período de preparação e incubação, característico do processo criativo. Aprofundando a teoria de Polanyi, em sua tese de doutorado Consuelo de Lara escreve que ele a desenvolveu na década de 1940 e início de 1950 baseando-se em exemplos retirados das profissões científicas. A autora diz que em 1940 Polanyi via o conhecimento como algo pessoal, formado dentro de uma coletividade e baseado em três teses principais: 1. A verdadeira descoberta não resulta de um conjunto de regras articuladas ou algoritmos. 2. Conhecimento é, ao mesmo tempo, público e, em grande parte, pessoal (isto é, por ser construído por seres humanos, contém emoções, ou paixão). 3. Conhecimento subjacente ao conhecimento explícito é mais fundamental; todo conhecimento é tácito ou tem raízes no conhecimento tácito, ou seja, tem raízes na prática. O conhecimento não é privado ou subjetivo. Embora pessoal, ele é construído também de forma social. O conhecimento transmitido socialmente se confunde com a experiência que o indivíduo tem da realidade. Comparada à nossa mente subconsciente, nossa mente consciente é um processador de informações irremediavelmente ineficiente (apud Lara 2001, p.25-26).. Lara postula que, diferentemente do conhecimento tácito, o conhecimento explícito é adquirido com a educação formal e é armazenado em conteúdo semi-estruturado como documentos, correio eletrônico, correio de voz, multimídia, entre outros (2001, p.27).. Apresentando o pensamento oriental sobre o tema, Nonaka e Takeuchi (1997, p.61-68) também defendem que o conhecimento tem duas dimensões: o tácito (subjetivo), que é o conhecimento da experiência (corpo), o conhecimento criado, o simultâneo (do aqui e agora), o conhecimento que constitui um processo análogo através do compartilhamento (a prática) entre os indivíduos. O segundo é o conhecimento explícito (objetivo), que é o conhecimento da racionalidade (mente), conhecimento que lida com acontecimentos passados, seqüenciais (lá e então) e foi chamado de conhecimento digital (teoria). Para esses autores, as empresas japonesas têm uma forma diferente de categorizar o conhecimento. Para elas, o conhecimento explícito, que é expresso em palavras e números é apenas uma ponta do iceberg, visto que o conhecimento é basicamente tácito, altamente pessoal e difícil de ser formalizado, o que dificulta sua transmissão e compartilhamento com os outros. Eles enfatizam que conhecimento tácito e conhecimento explícito não são entidades totalmente separadas e sim mutuamente complementares e interagindo um com o outro, realizam trocas criativas..
(32) 32. A pesquisadora María de la Luz Pérez (2006, p.4) seguindo o mesmo raciocínio a respeito das dimensões do conhecimento, também identifica os dois tipos: o explícito (que se expressa em palavras ou números e que se conhece através de termos como dados, fórmulas científicas, especificações, manuais, etc. e que pode ser transmitido de maneira simples) e o tácito (composto por idéias, intuição, pensamento, premonição e outros tipos de percepções sobre a realidade e o mundo). Para ela, este último é muito mais difícil de formalizar e transmitir, já que provém da experiência pessoal e da sensação que emana dos ideais, valores e emoções de uma pessoa. A autora também corrobora a idéia de que os dois tipos de conhecimento são complementares e cruciais para a criação do conhecimento a nível social. Henry Marín (2005, p.63-67) classifica o conhecimento tácito como formas de práticas sócioprodutivas em que o indivíduo põe em jogo seu exercício intelectivo à sua problemática de interpretação e de afazeres do mundo. É conhecimento de acomodação, aquele que permite ao indivíduo adaptar sua conduta ao complexo sistema de regras que seu contexto sócioprodutivo lhe demanda. É conhecimento criado aqui e agora, em um contexto. Ele é a base do conhecimento explícito. É o total de conhecimento que está na mente dos indivíduos que em sua maior parte está invisível nas organizações, porque o conhecimento explícito é a parte mínima dele. Com esta afirmação, Marín corrobora a idéia do conhecimento tácito comparado à ponta de um iceberg de Nonaka e Takeuchi.. Roberto Buckman, presidente da casa matriz do Laboratório Buckman, pergunta: se nos encontrássemos frente a duas opções de reiniciação de uma organização, que decisão tomaríamos: a primeira consiste em que só se poderia contar com seu pessoal (conhecimento tácito) e a segunda é que somente se poderia usar a informação e a tecnologia organizacional como organogramas, manuais procedimentos, políticas de gestão etc (conhecimento explícito)? Ele mesmo responde dizendo que é evidente que a melhor opção é iniciar a organização contando com seu pessoal porque o sucesso da organização se dá quando o conhecimento de todos os indivíduos se torna a base dos processos na dinâmica sócioprodutiva. O conhecimento explícito é classificado pelo autor como sendo aquele que é formalizado em documentos acadêmicos e institucionais e é fácil de ser captado, codificado e utilizado. São procedimentos orientados à construção teórica que organiza a experiência para orientar a ação humana. Como exemplos são citados: procedimentos, fórmulas, equações, regras, os livros, base de dados, textos, desenhos, etc. O conhecimento explícito é uma função expansiva, acelerativa, que permite juntar observações no tempo e no espaço. Ele ajuda a.
(33) 33. realizar a memória lógica organizada e compreensiva dos resultados experimentados. Ele surge de um processo intelectual e planejado sobre a realidade. Traduzido em linguagem ele permite sua extensão para além do tempo e do espaço (apud Marín, 2005, p.63-64). A maioria dos autores é unânime na defesa da idéia de que há dois tipos de conhecimento: o tácito e o explícito. Porém o consultor e especialista em gestão do conhecimento, Filipe Cassapo, discorda da existência destes dois conceitos. Para ele essa diferenciação traz a desvantagem de esconder a natureza do ato da percepção e significação subjacente a toda aprendizagem. Cassapo defende que o conhecimento “explícito”, não é nem mais nem menos do que o “explicitado”, ou seja, o conhecimento transformado em informação. Ele questiona se o conhecimento, em si, não apareceria logo como tácito por essência. Argumenta que uma vez sendo explícito (ou externalizado) o conhecimento não é mais conhecimento e sim informação, que será novamente convertida em conhecimento após ser interpretada (2004, p.1-2).. 1.3. O processo de criação do conhecimento “Feliz aquele que ensina o que sabe e aprende o que ensina” (Cora Coralina).. Com os avanços da ciência e das tecnologias, as mudanças foram e são inevitáveis. Elas exigem respostas rápidas das organizações como forma de garantir a adaptação e sobrevivência no meio ambiente. Neste contexto o conhecimento organizacional reveste-se de grande relevância. Porém, não basta apenas falar da importância do conhecimento, estar atento às mudanças e tendências, é preciso saber como criar, reter, compartilhar e disseminar o conhecimento para fomentar as atividades, os processos de desenvolvimento e a convivência no campo social e portanto, organizacional. O estudo do conhecimento humano vem sendo desenvolvido desde os antigos filósofos, mas recentemente começou a ganhar atenção redobrada e tornou-se tema central das pesquisas dos grandes teóricos organizacionais. Hoje expressões como “criação, compartilhamento e gestão de conhecimento”, “competitividade no mundo dos negócios”, “cadeia de valores” etc. integram o vocabulário e os processos organizacionais.. Antes de descobrir como gerenciar o conhecimento, os pesquisadores se preocuparam com sua criação e como integrá-lo aos processos empresariais, criar valor para o cliente e alcançar lucro..
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