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3. Parte prática

3.2 Regulamento (UE) n.º 1169/2011 na rotulagem dos produtos cárneos

3.2.2. Resultados

3.2.2.2. Conhecimentos e competências do consumidor para interpretar e

No sentido de avaliar os conhecimentos e os comportamentos do consumidor em relação à utilização da informação presente no rótulo de alimentos, e de produtos cárneos especificamente, procedeu-se a realização de um questionário a 142 consumidores, cujo perfil sociodemográfico se encontra descrito no Quadro 8.

Quadro 8: Perfil sociodemográfico dos consumidores participantes

Número de casos Frequência (%) Idade (anos) ≤29 33 23,4 30 – 39 33 23,4 40-49 47 33,3 ≥ 50 28 19,9 Género Feminino 87 63,0 Masculino 51 37,0 Formação escolar

Ensino básico (≤ 9º ano) 35 24,8

Ensino secundário 43 30,5

Ensino superior 62 44,0

Área de formação

Científico-natural 40 44,0

Outras 62 28,4

Composição do agregado familiar

Crianças até aos 4 anos 11 7,8

Crianças dos 4 aos 10 anos 23 17,2

Adolescentes 47 33,3

46

3.2.2.2.1. Comportamentos auto referidos pelo consumidor relativamente à utilização dos rótulos

Leitura dos rótulos

No momento da escolha de produtos para a compra, surgem, eventualmente, dúvidas provocadas pela existência de vários produtos do mesmo tipo. Nesses casos, com o objetivo de facilitar ou justificar a escolha do consumidor, a leitura do rótulo pode tornar-se útil. Questionados acerca desta situação, 71% dos questionados (figura 4) refere que utiliza os rótulos com este fim, contrapondo com 29% dos respondentes que alega não ler os rótulos em situações de carater semelhante. Pelo contrário, Grunert et al (2010) realizaram a mesma questão a indivíduos residentes no Reino Unido e apenas 27% dos inqueridos afirmaram que liam os rótulos no momento da compra.

Figura 4:Percentagem de inqueridos que indica ler os rótulos aquando da escolha entre dois produtos do mesmo tipo.

Na leitura dos rótulos com a finalidade de decidir entre dois produtos do mesmo tipo verificou-se a existência de diferenças significativas consoante as faixas etárias dos respondentes, sendo que os consumidores mais velhos são aqueles que indicam com maior frequência ler os rótulos (Quadro 9). Pelo contrário, Cannoosamy et al. (2014) verificaram que os mais jovens leem rótulos mais frequentemente do que os consumidores de faixas etárias superiores e justificam esta evidência devido à maior dificuldade de processar a informação e de entendê-la por parte das pessoas mais velhas, mesmo que estas tenham mais preocupações com questões nutricionais do que os mais jovens. Ainda assim, citam estudos de Coulson, Govindasamy e Italia e Drichoutis et al. que obtiveram resultados semelhantes aos observados no presente estudo, ou seja, que verificam um uso dos rótulos tendencialmente maior consoante o aumento da idade dos consumidores. Relativamente ao

Não 29%

Sim 71%

47 género, à escolaridade e à área de estudo dos participantes, não se verificam associações significativas entre as diversas classes e o hábito de ler os rótulos dos alimentos em situação de compra, o que não se verifica no estudo de Cannoosamy et al. (2014), que revela um interesse maior na leitura dos rótulos por consumidores com escolaridades superiores.

Quadro 9: Influência da classe etária na opção de ler ou não os rótulos de produtos alimentares para auxiliar na escolha entre dois do mesmo tipo (resultados expressos sob a forma de percentagem)

% p Idade 0,018 ≤29 54,5 30-39 62,5 40-49 80,4 >50 85,0

Duração da leitura do rótulo

A duração da leitura dos rótulos por parte dos consumidores é variável. Do presente estudo podemos aferir que a maioria dos elementos questionados refere que lê os rótulos (Figura 5), em média, durante 30 segundos a um minuto. Uma percentagem elevada de respondentes (23,6%) refere não ler de todo os rótulos, enquanto as restantes indicações se dividem entre ler durante menos que 30 segundos ou mais que um minuto.

Figura 5: Duração da leitura dos rótulos por parte do consumidor

Não lê 24% < 30s 22% 30s a 1 min 40% > 1 min 14%

48 A duração da leitura dos rótulos não se mostrou influenciada pela idade, género ou área de estudos dos participantes. No entanto, notaram-se diferenças significativas entre as diferentes classes de escolaridade (Quadro 10). Uma grande percentagem de elementos com o ensino básico de escolaridade (41,2%) afirma não ler os rótulos, em contraste com o que se observa nas classes de escolaridade mais elevadas. Os consumidores que aparentemente são mais eficazes a ler os rótulos são aqueles com uma escolaridade mais elevada, nomeadamente aqueles com ensino superior, em que mais de dois terços gasta entre 30 segundos e 1 minuto. Cruz-Góngora et al. (2012) também verificaram que indivíduos com escolaridades superiores prestam maior atenção, despendendo de mais tempo, à informação nutricional contida nos rótulos.

Quadro 10: Influência da escolaridade dos respondentes na duração da leitura dos rótulos (resultados expressos sob a forma de percentagem)

Não leem <30s 30s – 1 min >1min p

Escolaridade 0,009

Ensino básico 41,2 14,7 23,5 20,6

Ensino secundário 25,6 18,6 37,2 18,6

Ensino superior 12,9 27,4 51,6 8,1

Situações em que o consumidor considera importante que se leiam os rótulos

Em média, os consumidores inqueridos revelam conferir maior importância à leitura dos rótulos nos casos em que se trata dum produto novo sendo a primeira vez adquirido, e nos casos de existência de necessidades especiais alimentares (Figura 6). Ainda assim, a intenção de perder peso também constitui um dos motivos de interesse da leitura do rótulo para o consumidor. O subgrupo que tinha previamente indicado nunca ler rótulos, traduz-se também nos presentes resultados, em que a média de 1,73 na escala de 5 pontos indica que há alguns consumidores qua consideram nunca ser importante ler o rótulo. Segundo Grunert et al. (2012) num estudo onde realizaram inquéritos, 47% da população afirma ler os rótulos sempre ou regularmente. Segundo Cannoosamy et al. (2014), os inqueridos afirmam em maior escala que leem os rótulos quando compram o produto pela primeira vez ou quando pretendem comparar dois produtos, sendo que uma percentagem menor afirma ler sempre e um número residual de respondentes afirma que nunca lê.

49

Figura 6: Situações consideradas pelo consumidor importantes para a leitura dos rótulos de géneros alimentícios.

O comportamento do grupo de consumidores estudado em relação a esta questão foi influenciado (p < 0,05) em alguns detalhes pela idade (Quadro 11).

Nas situações de emagrecimento ou necessidades especiais, os consumidores das diferentes faixas etárias tiveram um comportamento semelhante. A tendência observada na pergunta genérica se lia ou não os rótulos revela-se também nesta escala.

No momento de aquisição de produtos novos, a tendência inverte-se, revelando que se observa que os consumidores mais jovens são os que dão menos importância à leitura dos rótulos, ao contrário (p<0,05) dos mais velhos que são os que concordam de forma mais consensual que esse procedimento deve ser feito sempre que se adquirem alimentos. A principal diferença situou-se no facto dos consumidores com 50 anos ou mais darem menos importância (p<0,05) à leitura do rótulo quando se adquire um alimento com o objetivo de emagrecer. Nos restantes aspetos perguntados aos consumidores, o efeito da idade não se fez sentir. 3,88 4,39 3,84 4,66 1,73 1 2 3 4 5

Sempre Primeira vez Emagrecer Necessidades especias

50

Quadro 11: Influência da idade relativamente às situações em que o consumidor considera importante que se leiam os rótulos (resultados expressos sob a forma de média ± desvio padrão numa escala de 1 a 5) (1-discordo completamente; 5-concordo completamente).

Idade Sempre Para emagrecer

≤29 3,44 ± 1,13a 4,06 ± 1,12a

30-39 3,83 ± 0,95ab 4,06 ± 1,34a

40-49 4,02 ± 1,18ab 4,09 ± 1,07a

>50 4,23 ± 1,03b 2,79 ± 1,67b

p 0,037 0,000

a, b médias seguidas de letras diferentes, na mesma coluna, apresentam diferenças significativas (p<0,05)

Não foram encontradas diferenças significativas para a maioria das questões justificativas da não leitura dos rótulos. Só na pergunta “Nunca leio os rótulos pois não fornecem informações que auxiliem as decisões no ato de compra” se observou uma maior concordância (p<0,05) das mulheres (2,00 ± 1,39) em relação aos homens (1,51 ± 1,07) na escala de Likert, em que 5 corresponde ao concordo totalmente. Ainda assim, vários estudos confirmam que o género feminino tem mais interesse na leitura dos rótulos do que o masculino (Cruz-Góngora et al., 2012; Cannoosamy et al., 2014).

A escolaridade dos participantes revelou diferenças nas suas opiniões relativamente à importância do uso dos rótulos nos casos em que existem elementos com necessidades no agregado familiar (Quadro 12), demonstrando que os participantes com escolaridades superiores concordam em maior escala com essa necessidade do que aqueles com escolaridades inferiores. Também é de referir que os elementos com escolaridades superiores discordam mais do nunca ser importante a leitura dos rótulos, comparativamente com elementos com escolaridade menor.

A área de estudo dos participantes não demonstrou a existência de diferenças significativas na opinião dos mesmos.

51

Quadro 12: Influência da escolaridade na opinião dos consumidores relativamente às situações em que consideram importante que se leiam os rótulos (resultados expressos sob a forma de média ± desvio padrão numa escala de 1 a 5) (1-discordo completamente; 5-concordo completamente).

Escolaridade Necessidades especiais Nunca

Ensino básico 4,32 ± 1,19a 2,33 ± 1,52a

Ensino secundário 4,73 ± 0,82b 1,74 ± 1,19b

Ensino superior 4,82 ± 0,57b 1,41 ± 0,80b

P 0,026 0,002

a, b médias seguidas de letras diferentes, na mesma coluna, apresentam diferenças significativas (p<0,05)

Motivos para não ler os rótulos

Mais de metade dos inquiridos (50,4 %) (Figura 7) justifica que, nas vezes em que não leem os rótulos dos produtos que adquirem, se deve à falta de tempo. Do mesmo modo, a falta de interesse constitui um dos motivos mais referido para a não leitura dos mesmos (39 %), contrastando com a incredibilidade das informações contidas nos rótulos, que não representa, aparentemente um motivo para tal.

Figura 7: Esquema dos motivos apontados pelos consumidores participantes no estudo para não lerem os rótulos. (Os dados estão representados sob a forma de percentagem).

No que diz respeito à falta de tempo, uma percentagem superior (p<0,05) de respondentes do sexo feminino (59,8%) aponta esta razão como justificação para as situações em que não leem os rótulos dos produtos que adquirem. Relativamente à idade,

50,4 9,9 39 0 10 20 30 40 50 60 70 80

52 escolaridade e área de estudos dos respondentes, não parecem existir diferenças significativas entre as várias classes e a falta de tempo para leitura de rótulos

No presente trabalho não se observaram diferenças entre as classes de idade, género, escolaridade ou área de estudos no que diz respeito à falta de leitura dos rótulos motivada pela falta de credibilidade das informações contidas nos mesmos.

A falta de interesse é um dos grandes motivos referidos pelos respondentes no presente estudo para não lerem os rótulos no momento de compra dos produtos (Quadro 13). Note- se que não se observaram diferenças significativas nos inquiridos relativamente à sua escolaridade ou área de estudo. No entanto, os resultados apontam para um desinteresse maior nos elementos de género masculino e nas classes etárias mais jovens, manifestando- se uma tendência para o aumento de interesse à medida que a idade aumenta. Cannoosamy et al. (2014) também verificaram no seu estudo que as mulheres têm um interesse maior na rotulagem do que os homens, acrescentando que os homens têm um interesse menor em questões de saúde e nutrição.

Quadro 13: Influência da idade e do género na falta de interesse para a leitura de rótulos (resultados expressos sob a forma de percentagem).

% p Idade 0,011 ≤29 57,6 30-39 45,5 40-49 34,0 >50 17,9 Género 0,045 Feminino 32,2 Masculino 51,0

Dificuldades na interpretação dos rótulos

Por vezes, o consumidor assume ter dificuldades na interpretação das informações contidas nos rótulos. O desconhecimento dos termos técnicos lá contidos e o tamanho da letra demasiado pequeno constituem os motivos mais mencionados para a mencionada dificuldade de interpretação (Figura 8). Segundo Cannoosamy et al. (2014), num estudo

53 semelhante ao presente, 53,7% dos inqueridos considerou relativamente fácil interpretar a informação nutricional contida nos rótulos, o que permite concluir que uma percentagem considerável de inqueridos não considera esta uma tarefa acessível. Neste sentido, 6,5% dos respondentes considerou a tarefa muito difícil. Os autores verificaram uma associação estatisticamente significativa entre o conhecimento relacionado com nutrição e o uso da informação da rotulagem. Cruz-Góngora et al. (2012) demonstraram num estudo que 33,7% dos consumidores participantes num questionário sobre o assunto concordam que o tamanho da letra utilizada nos rótulos deveria ser maior.

Figura 8: Motivos que afetam a capacidade interpretativa do consumidor aquando da leitura de rótulos avaliada numa escala de 5 pontos (1-discordo completamente; 5-concordo completamente).

Resultados expressos como média da pontuação da escala.

A idade demonstrou ter influência na capacidade interpretativa dos rótulos por parte dos consumidores (Quadro 14). Assim, relativamente às dificuldades na interpretação motivadas pelo desconhecimento dos termos técnicos, essa dificuldade aumentou com a idade. A confusão dos termos técnicos foi apontada como um problema menor do que o desconhecimento dos termos técnicos mas também se verificou um aumento da confusão dos termos nas classes etárias mais velhas. A idade também demonstrou diferenças significativas na opinião dos respondentes relativamente ao tamanho da letra utilizada nos rótulos. Segundo Méjean et al. (2014), indivíduos de faixas etárias mais velhas preferem que a informação nutricional do produto se apresente de forma mais simplificada, nomeadamente através dos rótulos FOP que utilizam as cores dos sinais luminosos de trânsito, e justificam esta escolha devido às eventuais dificuldades de processamento da informação pelos indivíduos mais velhos e devido a eventuais problemas de visão, o que poderá justificar que os indivíduos mais velhos concordem, no presente estudo, em maior

3,28 2,69 2,91 3,62 3,11 1 2 3 4 5 Desconheço termos técnicos Confusão entre termos Demasiada informação

Letra pequena Contraste dificulta leitura

54 escala que o tamanho da letra dos rótulos seja demasiado pequeno. As diferenças são altamente significativas (p< 0,001) entre as classes etárias e verifica-se que os respondentes com idades superiores consideram o tamanho um problema maior do que os respondentes mais jovens. O mesmo se verificou relativamente ao contraste entre a cor da letra e do fundo, que é considerado mais problemático pelos inqueridos mais velhos. A idade não demonstrou a existência de diferenças na opinião dos respondentes relativamente à quantidade de informação contida nos rótulos.

Quadro 14: Influência da idade na dificuldade de interpretação dos rótulos (resultados expressos sob a forma de média ± desvio padrão numa escala de 1 a 5) (1-discordo completamente; 5-concordo completamente).

Idade Desconhecimento dos termos

Confusão entre

os termos Letra pequena

Contraste entre cor da letra e do fundo ≤29 2,85 ± 1,42a 2,67 ± 1,32a 2,85 ± 1,37a 2,67 ± 1,32a 30-39 3,19 ± 1,58ab 2,47 ± 1,25a 3,10 ± 1,47a 2,67 ± 1,37a 40-49 3,26 ± 1,54ab 2,34 ± 1,37a 3,93 ± 1,27b 3,25 ± 1,35ab >50 3,96 ± 1,04b 3,56 ± 1,45b 4,63 ± 0,93b 3,96 ± 1,22b

p 0,034 0,004 0,000 0,001

a, b médias seguidas de letras diferentes, na mesma coluna, apresentam diferenças significativas (p<0,05)

O género dos respondentes revelou diferenças (p<0,05) na opinião dos mesmos em relação à quantidade de informação contida nos rótulos, revelando que os homens concordam mais que a quantidade de informação contida nos rótulos é excessiva 3,20 ± 1,38 contra os 2,69 ± 1,44 indicados pelas mulheres.

A escolaridade tem influência nas opiniões relativamente à confusão entre os termos e ao tamanho da letra, revelando que os indivíduos com escolaridade inferior tendem a considerar mais a confusão entre termos do que aqueles com escolaridades superiores. O mesmo se verifica com o tamanho da letra, que é considerada inadequada devido ao seu tamanho demasiado pequeno por respondentes com escolaridades menores (Quadro 15).

55

Quadro 15: Influência da escolaridade na dificuldade de interpretação dos rótulos (resultados expressos sob a forma de média ± desvio padrão numa escala de 1 a 5) (1-discordo completamente; 5-concordo completamente).

Escolaridade Confusão entre os termos Letra pequena

Ensino básico 3,35 ± 1,45a 4,15 ± 1,33ª

Ensino secundário 2,69 ± 1,44b 3,22 ± 1,53b

Ensino superior 2,36 ± 1,24b 3,59 ± 1,37ab

P 0,005 0,020

a, b médias seguidas de letras diferentes, na mesma coluna, apresentam diferenças significativas (p<0,05)

Ao contrário do que seria expectável, verificou-se que os respondentes com áreas de estudo científico-naturais concordam em maior escala que desconhecem e confundem os termos técnicos contidos nos rótulos do que os respondentes com outras áreas de estudo (Quadro 16).

Quadro 16: Influência da área de estudo na dificuldade de interpretação dos rótulos (resultados expressos sob a forma de média ± desvio padrão numa escala de 1 a 5) (1-discordo completamente; 5-concordo completamente).

Área de estudo Desconhecimento dos termos Confusão entre os termos

Científico-natural 3,60 ± 1,32 3,16 ± 1,40

Outra 2,72 ± 1,47 2,18 ± 1,34

p 0,003 0,001

Prioridades nas escolhas alimentares

Quando questionados acerca dos fatores considerados mais importantes no momento de efetuarem compras, os respondentes parecem conferir o mesmo grau de importância a todos os fatores apontados (Figura 9). O mesmo não se verificou num estudo de Grunert et al. (2012) em que os consumidores conferem mais importância às características sensoriais e à preferência da família do que às questões de saúde ou monetárias.

56

Figura 9: Importância atribuída pelos consumidores no momento da compra avaliada numa escala de 5 pontos (1-discordo completamente; 5-concordo completamente). Resultados expressos como

média da pontuação da escala

Não se verificaram diferenças significativas na opinião dos respondentes mediante a sua idade, género, escolaridade ou área de estudos.

Informação com maior importância indicada nos rótulos

Tendo em conta todas as informações escritas nos rótulos, mais do que três quartos dos participantes no estudo (78,7%) consideram o prazo de validade com sendo aquela mais importante. Questões nutricionais parecem representar uma importância menor para os respondentes (13,5%) e a listagem de ingredientes representa uma importância ainda menor do que a informação anterior (Figura 10).

1 2 3 4 5

Saúde e nutrição Preferência da familia

57

Figura 10: Informação presente nos rótulos considerada mais importante para o consumidor (resultados expressos sob a forma de percentagem)

Não se observaram diferenças significativas nas respostas dadas tendo em conta a idade, o género ou a área de estudo dos participantes no inquérito. No entanto, a escolaridade parece influenciar na escolha da informação considerada mais importante para os respondentes (Quadro 17). Daqueles com o ensino básico, revelou-se a existência duma grande discrepância entre a importância que dão à data de validade relativamente aos outros dois parâmetros, sendo que a data de validade foi escolhida por quase 90% dos respondentes como sendo a informação mais importante do rótulo. Respondentes com o ensino secundário de escolaridade conferem, igualmente, maior importância à data de validade (69,8%) quando comparada com as outras informações, mas valorizam mais a informação nutricional do que os respondentes com o ensino básico de escolaridade. A classe com escolaridade superior também conferiu na sua grande maioria mais importância à data de validade mas uma percentagem de cerca de 11% considera como informação mais importante a lista de ingredientes que constitui o produto.

78,7 13,5 7,8 0 10 20 30 40 50 60 70 80

58

Quadro 17: Influência da escolaridade na escolha da informação contida no rótulo considerada mais importante (resultados expressos sob a forma de percentagem).

Data de validade Informação nutricional Lista de ingredientes p Escolaridade 0,010 Ensino básico 88,6 5,7 5,7 Ensino secundário 69,8 27,9 2,3 Ensino superior 80,6 8,1 11,3

3.2.2.2.2. Conhecimentos e capacidades interpretativas das informações contidas nos rótulos

Conhecimento dos nutrientes

Relativamente a questões nutricionais, foi pedido aos inqueridos que escolhessem qual o constituinte do alimento que deviam restringir no caso de aconselhamento médico para redução na ingestão de gorduras. Sensivelmente metade da população acertou (Figura 11) na resposta, indicando que o constituinte que deveriam restringir seria da classe dos lípidos.

Figura 11: Percentagem de respostas corretas e erradas quanto ao constituinte do alimento que deveriam atentar em caso de necessidade de restrição de gorduras

Na resposta em causa não se verificaram diferenças significativas consoante a idade ou o género dos respondentes. A escolaridade e a área de estudos influenciaram a

Errado 46% Correto

59 percentagem de acertos (Quadro 18). Verificou-se que o número de respostas certas era maior consoante se aumentava a escolaridade dos inqueridos, sendo que aqueles com escolaridade superior acertaram numa grande maioria (cerca de 70% dos inqueridos com escolaridade superior acertaram na resposta). A área de estudos também demonstrou ter uma influência muito significativa (p=0,001) na percentagem de acertos, sendo que respondentes com áreas de estudo científico-naturais acertaram na resposta (cerca de 70%).

Quadro 18: Influência da escolaridade e da área de estudo na percentagem de acertos quanto ao constituinte do alimento que deveriam atentar em caso de necessidade de restrição de gorduras (resultados expressos sob a forma de percentagem).

% p Escolaridade 0,001 Ensino básico 32,4 Ensino secundário 46,5 Ensino superior 70,5 Área de estudos 0,001 Científico-natural 70,0 Outras 36,1

Interpretação das informações apresentadas nos rótulos

A Figura 12 representa as percentagens de acertos acerca da identificação de determinadas informações contidas nos rótulos, nomeadamente dos valores energéticos descritos por porção, demonstrando também a percentagem de acertos quando os consumidores seriam solicitados a demonstrar alguns conhecimentos acerca de nutrição. Desta forma, para além das questões meramente interpretativas, nas quais o consumidor tinha apenas que identificar a resposta no rótulo apresentado, existiam questões de conhecimento podendo exigir algum cálculo, sendo solicitado que indicassem o valor energético se consumissem o correspondente à embalagem completa, e também pedindo que identificassem na lista de ingredientes um aditivo alimentar, exigindo alguns conhecimentos para acertar na resposta. A percentagem de acertos do valor energético por porção (67,9%) foi superior à percentagem de acertos quando solicitados a calcularem o valor energético da embalagem completa (47,9%), como seria expectável. É de referir que o

60 valor energético por porção se encontrava escrito na tabela nutricional em Kcal e KJ de unidades de medida, permitindo alguma confusão na resposta dos consumidores, apesar da questão pedir o valor em quilocalorias. Com os resultados semelhantes, van der Merwe (2013), baseando-se também em estudos anteriores relacionados com o assunto, revelam que os consumidores manifestam algumas dificuldades em compreender algumas das informações descritas nos rótulos e, especialmente, em fazer alguns cálculos utilizando os valores energéticos expressos por porção de alimento.

Relativamente à identificação do contato do produtor também indicado no rótulo, a percentagem de acertos ultrapassou os 75% (83,6%). A percentagem de respondentes que acertou na identificação dum aditivo perante a lista de ingredientes foi a menor observada neste conjunto de questões (39%) embora alguns respondentes tenham conseguido identificar a classe de aditivos, também descrita na lista de ingredientes, tornando o valor de

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