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3. CAPÍTULO 3: RESULTADO E ANÁLISE

4.6 Conjunto de Imagens Ilustrativas da Oficina

Figura 21, 22, 23 e 24: a dinâmica inicial da oficina: dinâmica do abraço.

Figura 25, 26, 27, 28: pesquisadora apresentando questões disparadoras.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A identificação das potencialidades e desafios na formação para o SUS e no SUS é fundamental a fim de operar mudanças tanto no ensino como no serviço. Tomando como base o discurso dos participantes da pesquisa, verificou-se que é significativa e importante para o processo de formação a inserção precoce dos estudantes na rede pública de Saúde do Município.

Fortalecida por um instrumento formal, a parceria entre a Universidade e a SMS tem contribuído para uma formação diferenciada, voltada para a implementação dos princípios e das diretrizes constitucionais do SUS e favorecedora de experiências de caráter multiprofissional e interdisciplinar.

Por outro lado, identifica-se a importância da prática integrada no processo de ensino aprendizagem, onde o aluno tem a dupla possibilidade de vivência: assistência e atividades de ensino, o que contribui de forma singular para o processo de formação.

Foi possível detectar que o modelo pedagógico que se efetiva no Município pela Instituição de Ensino se apresenta como espaço concreto para se trabalhar a formação e a integração entre o ensino e o serviço, além de favorecer a inserção do conjunto formado pelos participantes no cotidiano da comunidade onde está sendo desenvolvido o projeto.

No entanto, seria muito “educativo” (no sentido do exercício da cidadania e da democracia) que os representantes da academia (gestores, docentes e discentes) participassem efetivamente do Controle Social (Conselho Local ou Municipal de Saúde), para aprender a ouvir os saberes e desejos da população e refletir sobre seu papel / projetos.

Não podemos negar, no entanto, que há fragilidades que ainda precisam ser revistas. Por exemplo, pode-se constatar a ausência de investimentos tanto da Universidade quanto da Gestão Municipal em capacitações pedagógicas voltadas para o processo de formação permanente dos profissionais enfermeiros preceptores, bem como

a distância da Gestão Municipal no processo de ensino aprendizagem e na parte assistencial das Unidades de Saúde da Família.

A falta de integração e desarticulação entre as instituições envolvidas no processo também ficaram evidenciadas. Os profissionais do serviço, por exemplo, ainda não compreendem o seu importante e insubstituível papel no ensino e no processo de formação no SUS e para o SUS.

O planejamento das ações em saúde na AB deverá estar integrado às políticas de saúde local e à Instituição de Ensino do Município, auxiliando na definição de competências da cada dispositivo da rede de atenção bem como conduzir a uma integração maior das ações desenvolvidas pelas equipes nas comunidades e no processo de formação em saúde dos profissionais.

Assim o enfermeiro preceptor constrói um movimento isolado na busca contínua de informações e conhecimentos para lidar com a complexidade e desafio da Prática Integrada. Sistematizar discussões sobre a operacionalização desta proposta foi colocado como um dos maiores desafios.

Para tanto, é importante ter-se claro que o problema decorrente da fragilidade dos vínculos empregatícios (a maioria trabalha por contrato temporário) das equipes tem influência direta na assistência e no processo de formação pois, vínculos frágeis determinam grande rotatividade de profissionais e não vínculo com alunos e usuários.

Profissionais seguros em seu processo de trabalho determinam construção de competências e habilidades que permitam tornar mais consistentes e duradouras também as propostas de formação destes e dos futuros profissionais de saúde da família.

Com base no que foi identificado como problemática e aprofundado em análise da literatura pertinente acerca das percepções dos enfermeiros preceptores, nos debruçamos na elaboração e implementação de um produto – tecnologia educacional- roda de conversa- cuja proposta foi a de sensibilizar e capacitar profissionais enfermeiros preceptores da Unidades da Estratégia de Saúde da Família, para o exercício da preceptoria.

Uma oficina que contribuiu para que os profissionais despertassem para a lacuna existente entre o ensino e o serviço e que precisa ser revista. Porém, todos entenderam que tal espaço para ser conquistado depende de um ir e vir constante, de construções e desconstruções, de perdas e ganhos que se traduzem em fortalecimento do sistema de formação e de saúde que queremos e precisamos ter.

A definição das Diretrizes Curriculares Nacionais para os Cursos de Graduação e a instituição da Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde (SGTES) e do Departamento de Gestão da Educação na Saúde (DEGES), que propõe uma política voltada para a questão dos recursos humanos no SUS, apontam que a Universidade necessita ampliar e aprofundar as discussões sobre a formação profissional, particularmente na área da saúde. Tradicionalmente circunscrito aos docentes da área de saúde coletiva, o debate sobre a formação para o Sistema Único de Saúde precisa incorporar os demais atores envolvidos neste processo, com o objetivo de promover uma visão ampliada, que enfatize o princípio da integralidade das práticas de saúde.

A qualidade da educação e do ensino foi um tema constante dos debates de Paulo Freire. Qualidade, para ele, era um conceito político. Como ele afirma em seu livro Política e educação “exatamente porque não há uma qualidade substantiva, cujo perfil se ache universalmente feito, uma qualidade da qual se diga: esta é a qualidade, temos que nos aproximar do conceito e nos indagar em torno de que qualidade estamos falando” (FREIRE, 1993, p.42). “Educação e qualidade são sempre uma questão política, fora de cuja reflexão, de cuja compreensão não nos é possível entender nem uma nem outra” (FREIRE, 1993, p.43).

Diante do exposto, e com base na literatura fica evidente que existe a necessidade de uma maior aproximação das Instituições de Ensino com os serviços de saúde para proporcionar a formação de preceptores no que se refere tanto à atualização profissional para as ações práticas/assistenciais como as de ensino, sendo esta a vocação das Universidades.

Ficou evidenciado que já não é mais possível pensar no processo de formação em saúde sem a discussão sobre a articulação ensino-serviço, este sendo pensado e concretizado como espaço de reflexão sobre a realidade da produção de cuidados.

Pretende-se dar continuidade a esta análise propondo a criação de espaços que possam sensibilizar a instituição de ensino e a gestão municipal quanto à implantação processual de capacitação pedagógica para enfermeiros preceptores que atuam na ESF. Esta gerará significativos benefícios para a população assistida, para ambas as gestões e para o profissional que trabalha com a proposta da prática integrada em saúde, tornando o ensinar e o fazer ações interconectadas.

Esses desafios suscitam inquietações e a busca por possibilidades de construção de práticas didático-pedagógicas em parceria, as quais, na vivência cotidiana da docência, traduzem-se no que se vem denominando de inovações pedagógicas para o ensino superior voltado à formação.

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