• Nenhum resultado encontrado

O conselho de contribuintes da União

CAPÍTULO 4 DAS DECISÕES PROFERIDAS NO PROCESSO ADMINISTRATIVO:

4.2 O processo administrativo tributário na esfera federal

4.2.2. O conselho de contribuintes da União

O Conselho de Contribuintes é órgão colegiado de instância superior com vinculação direta ao Ministro de Estado, sem subordinação à Secretaria da Receita Federal. É competente para julgar em segundo grau recursos voluntários e de ofício que digam respeito a processos de exigência do crédito tributário, pedidos de restituição ou ressarcimento de tributos ou contribuições federais.

O Conselho de Contribuintes é órgão paritário formado por representantes do fisco e dos contribuintes. E composto por três conselhos que julgam em razão da matéria,

subdivididos em Câmaras, cada uma composta por oito conselheiros e quatro suplentes, sendo que a metade dos conselheiros e dos suplentes são representantes da Fazenda, ocupantes do cargo de Auditor-Fiscal do Tesouro Nacional, e a outra metade é constituída por representantes dos contribuintes, indicados por entidade de classe de suas respectivas categorias econômicas de nível nacional (tradicionalmente pelas Confederações da

128

196 MINISTÉRIO DA FAZENDA. Legislação. Portaria n. 189, de 11 de agosto de 1997. Disponível na intemet.<www.conselhos.fazenda.gov.br/legislacão> Acesso em: 11 fev. 2001.

Indústria e do Comércio). Os conselheiros e os suplentes são designados pelo Ministro de Estado para cumprirem mandato de três anos sendo, ainda, admitida a recondução.

Conforme Regimento Interno do Conselho de Contribuinte, os conselhos têm as seguintes competências:

1. Primeiro Conselho.

Compete ao Primeiro Conselho de Contribuintes julgar os recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância sobre a aplicação da legislação referente ao Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza, adicionais, empréstimos compulsórios a ele vinculados e contribuições, observada a seguinte distribuição.

I Às Primeira, Terceira, Quinta, Sétima e Oitava Câmaras:

a) Os relativos à tributação de pessoa jurídica.

b) Os relativos à tributação de pessoa física e a incidência na fonte, quando procedimentos decorrentes ou reflexos, assim compreendidos os referentes às exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para determinar a prática de infração à legislação pertinente à tributação de pessoa jurídica.

c) Os relativos à exigência da contribuição social sobre o lucro instituída pela Lei n. 7.689, de 15 de dezembro de 1988.

d) Os relativos à exigência da contribuição social sobre o faturamento instituída pela Lei Complementar n. 70, de 30 de dezembro de 1991, e das contribuições sociais para o PIS, PASEP e FINSOCIAL, instituídas pela Lei Complementar n. 7, de 7 de setembro de 1970, pela Lei Complementar n. 8, de 3 de dezembro de 1970 e pelo Decreto-Lei n. 1.940, de 25 de maio de 1982, respectivamente, quando essas exigências estejam

lastreadas, no todo ou em parte, em fatos cuja apuração serviu para determinar a prática de infração à legislação pertinente à tributação de pessoa jurídica.

II Às Segunda, Quarta e Sexta Câmaras, os relativos à tributação de pessoa física e à incidência na fonte, quando os procedimentos sejam autônomos. Na competência dessa Câmara incluem-se os recursos voluntários pertinentes a pedidos de:

a) Retificação de declaração de rendimentos. . b) Restituição ou compensação.

c) Reconhecimento do direito á isenção ou imunidade tributária.

2. Segundo Conselho.

Compete ao Segundo Conselho de Contribuintes julgar os recursos de ofício e voluntários de decisões de primeira instância sobre a aplicação da legislação referente a: a) Imposto sobre Produtos Industrializados, inclusive adicionais e empréstimos

compulsórios a ele vinculados.

b) Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguro e sobre operação relativas a Títulos e Valores Mobiliários.

c) Imposto sobre Propriedade Territorial Rural.

d) Contribuições para o Fundo do Programa de Integração Social (PIS), para o Programa de Formação do Servidor Público (PASEP), para o Fundo de Investimento Social (FINSOCIAL) e para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), quando suas

exigências não estejam lastreadas, no todo ou em parte, em fatos cuja apuração serviu para determinar a prática de infração a dispositivos legais do Imposto de Renda.

e) Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e de Direitos de Natureza Financeira (CPMF).

f) Atividades de captação de poupança popular.

g) Tributos e empréstimos compulsórios e matéria correlata não incluídos na competência julgadora dos demais Conselhos ou de outros órgãos da administração.

Além das competências acima citadas, incluem-se os recursos voluntários pertinentes a: (a) ressarcimento de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados; (b) restituição ou compensação dos impostos e contribuições relacionadas a este Conselho e (c) reconhecimento do direito á isenção ou imunidade tributária.

Ao Terceiro Conselho compete julgar os recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância sobre a aplicação da legislação referente a:

a) Imposto sobre a importação e exportação.

b) Imposto sobre produtos industrializados nos casos de importação.

c) Apreensão de mercadorias estrangeiras encontradas em situação irregular, prevista no artigo 87 da Lei n. 4.502, de 30 de novembro de 1964.

d) Contribuições, taxas e infrações cambiais e administrativas relacionadas com a importação e exportação.

e) Classificação tarifária de mercadoria estrangeira.

g) Vistoria aduaneira, dano ou avaria, falta ou extravio de mercadoria.

h) Omissão, incorreção, falta de manifesto ou documento equivalente, bem como falta de volume manifestado.

i) Infração relativa à fatura comercial e outros documentos tanto na importação quanto na exportação.

j) Trânsito aduaneiro e demais regimes especiais e atípicos, salvo a hipótese prevista no inciso XVII, do artigo 105, do Decreto-Lei n. 37, de 18 de novembro de 1966.

k) Remessa postal internacional, salvo as hipóteses previstas nos incisos XV e XVI, do artigo 105, do Decreto-Lei n. 37/96.

1) Valor aduaneiro. m) Bagagem.

n) Todos os demais controles e matérias aduaneiras não especificadas como de competência privativa de outros órgãos, ou de atribuição do Ministro de Estado.

Além da competência acima mencionada, ainda compete a este Conselho os recursos voluntários pertinentes a: (a) restituição ou compensação dos impostos e contribuições de competência de julgamento deste Conselho; e (b) reconhecimento ou isenção ou imunidade tributária.

Ressalta-se que os presidentes dos Conselhos são representantes da Fazenda, escolhidos dentre os presidentes das Câmaras. Desse modo, os presidentes das câmaras são, de acordo com o regimento interno, representantes da Fazenda Nacional e os vice- presidentes são representantes dos contribuintes. De acordo com o Art. 17 do Regimento Interno do Conselho de Contribuintes, os recursos são originalmente distribuídos por

sorteio, na ordem cronológica de seu ingresso na Câmara. Entretanto, o Ministro de Estado ou o Secretário da Receita Federal pode interferir na ordem de preferência dos julgamentos.

As decisões são proferidas em forma de acórdãos ou resolução, sendo que serão assinadas pelo Relator, pelo Presidente e pelo Procurador da Fazenda Nacional, mencionando-se os Conselheiros presentes e especificando, se houver, os vencidos e os impedidos.

No Processo Administrativo Tributário, admitia-se anteriormente a tese da negativa geral. Atualmente, considera-se precluso o argumento não suscitado na fase inaugural. Do mesmo modo, os pedidos de diligência ou perícia devem ser formulados na fase de primeira instância, salvos, contudo, os aspectos novos surgidos após a apresentação da impugnação.

Aos casos de inovação na prova, mediante juntada aos autos de elementos não submetidos à apreciação da autoridade monocrática, por força do princípio da verdade material, impõe-se o exame dos fatos, precedendo-se, geralmente, o julgamento de diligência, determinada sob a forma de resolução, a fim de ouvir o órgão julgador de primeira instância ou de terceiros, a respeito da autenticidade dos novos elementos levados pela defesa197.

Como foi ressaltado anteriormente, o Conselho de Contribuintes é ainda competente para julgar o recurso de ofício interposto pela autoridade administrativa de primeira instância. O recurso voluntário tem efeito suspensivo.

197 ARRUDA, Luiz Henrique de Barros. Processo administrativo fiscal. São Paulo: Resenha Tributária, 1994 p. 103

134