O projeto foi submetido e aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa, por intermédio da Plataforma Brasil (CAAE nº 43384615.0.0000.5208, Anexo A). Ele está de acordo com a Resolução n. º 466/12 do Conselho Nacional de Saúde, contando com a anuência da Secretaria Municipal de Saúde de Vitória de Santo Antão - PE.
As coletas das informações foram realizadas por meio de entrevista domiciliar.
Essa entrevista foi realizada com cada usuário que aceitou participar do referido estudo. Todos os entrevistados foram informados sobre o objetivo da pesquisa, bem como a respeito da garantia do sigilo e da liberdade da desistência da participação em qualquer fase do referido estudo.
Os indivíduos que concordaram em participar do estudo assinaram, bem como receberam informações, por meio da leitura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) - Apêndice B, em duas vias. O TCLE constam informações cuja finalidade era retomar as dúvidas que, por ventura, pudessem surgir ou não estivessem esclarecidas.
6 RESULTADOS E DISCUSSÃO
De acordo com o reconhecimento e com o levantamento do território realizado junto à equipe da saúde da família, foi constatado que a ESF da comunidade Caiçara é Inter-profissional, sendo composta por 01 (um) Médico da Família, 01 (uma) Enfermeira, 01 (uma) Técnica de Enfermagem e 06 (seis) Agentes Comunitários de Saúde (ACS). Além disso, essa unidade possui 01 (uma) equipe de saúde bucal que é composta por 01 (um) Odontologista e 01 (um) Auxiliar em Saúde Bucal.
As famílias estão divididas em 08 (oito) micro áreas, sendo 06 (seis) áreas cobertas (Micro área 1 com 92 famílias, Micro área 2 com 150 famílias, Micro área 4 com 155 com famílias, Micro área 5 com 147 famílias, Micro área 6 com 164 famílias e a Micro área 7 com 152 famílias) e 2 (duas) não cobertas (Micro área 3 com 107 famílias e a Micro área 8 com 67 famílias) pela ESF, cuja responsabilidade é pela atenção integral e contínua à saúde de cerca de 1.034 famílias cadastradas, residentes nos territórios rural e urbano da comunidade.
Após os diálogos realizados entre a equipe de saúde local, foi possível subdividir a comunidade em Caiçara 1, 2 e 3, bem como a área conhecida como Gonzaga, sendo esta última localizada no Bairro vizinho de Jardim São Pedro, Vitória de Santo Antão-PE. Apesar da região do Gonzaga pertencer a outro bairro, seu serviço de saúde está vinculado à ESF Caiçara, fator que determinou que esta região fosse incluída nesta pesquisa.
Foi constatado, ainda, o fato de algumas ruas não serem cobertas pela ESF no bairro Caiçara. São elas:
Rua Alexandre Quintas
Rua Alamanda,
Rua Adolfo Xavier
Rua Gissele Larre
Rua Maria de Lourdes Maranhão
Rua Sítio Boa Vista
Rua Sítio Vida Boa
Além dessas ruas, há outras que não são cobertas na região do Gonzaga, a saber:
Rua João Paulo II
Rua Luiz Gonzaga
Rua José de Arimatéia
Rua Alto do Gogotá
Rua Profeta Eliseu
Rua Luiz Gonzaga Filho
A partir da tabela abaixo, é possível perceber que cerca de 52% são de áreas cobertas e 48% de áreas não coberta, pelo Programa Saúde da Família (PSF). Do total de entrevistados, percebeu-se que a maioria possui menos de 30 anos (54,8%) e apenas 9,6% estão situados na faixa etária acima de 60 anos. Além disso, 82,2%
não fazem uso de bebidas alcoólicas, 91,6% não fumam e apenas 7,8% praticam atividade física. Desses sujeitos, 69,1% são alfabetizados, 52,7% são do sexo feminino e 47,3% do sexo masculino. No que concerne à ocupação, 28,5% são estudantes, destacando-se, também, “do lar” (22,7%) e aposentados (8,7%).
Tabela 1 - Distribuição percentual para as variáveis qualitativas
Tabela – Distribuição percentual para as variáveis qualitativas.
Variável n de
Alfabetizado
No tocante às DCNT relatadas pelos entrevistados, a área coberta apresentou uma prevalência de 34,4% de hipertensão e diabetes, enquanto que na área não coberta, a prevalência foi de 65,6%. Apesar do câncer e das doenças respiratórias crônicas estarem na lista das principais DCNT, nenhum entrevistado relatou tê-las no momento da entrevista.
Para investigar a relação existente entre a prevalência DCNT (hipertensão e diabetes) no que tange à cobertura, foram utilizados os fatores de risco beber, fumar e atividade física, bem como aspectos referentes ao gênero, à faixa etária e à ocupação.
Aplicou-se o teste Qui-quadrado de associação almejando avaliar as tabelas cruzadas relativas às DCNT mais frequentes (hipertensão e diabetes). Em relação aos fatores de riscos beber, fumar e a inatividade física, bem como aspectos referentes ao gênero, à faixa etária, e a ocupação, executou-se os cruzamentos de dados para o estudo das frequências absolutas e percentuais. Testou-se a hipótese nula de que a prevalência da doença em questão é independente da outra variável testada, contra a hipótese alternativa de que estas variáveis estão associadas.
Relação com a Cobertura
Tabela 02 – Relação entre doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) e cobertura de Estratégia Saúde da Família (ESF).
Doenças 65,6% dos indivíduos são da área não coberta e 34,4% da área coberta pela ESF.
Além disso, pelo teste exato de Fischer, é possível verificar que a cobertura influenciou na prevalência das DCNT hipertensão e diabetes (p-valor<0,05).
Duncan et al. (2012) ressaltam o papel das políticas públicas em prol do combate às DCNT. Nesse ponto, os autores mencionam o aumento do acesso aos cuidados de cunho da Atenção Primária à Saúde (APS). Na ótica dos autores, desde meados dos anos de 1990, o quantitativo de APS vem, continuamente, sendo ampliado no Brasil. Atrelado a essa questão, os dados quantitativos referente às internações hospitalares contribuem de maneira significativa em prol da atuação das equipes de APS, rumo ao combate das DCNT. Diante disso, a atuação da APS - alicerçada na perspectiva do acesso, da longitudinalidade, da integralidade e da coordenação – é um elemento imprescindível no combate e na erradicação das DCNT.
Malta, Morais Neto & Silva Junior (2011) também colocam em notoriedade os reflexos da propagação da Atenção Primária à Saúde – APS rumo ao tratamento das DCNT. Para os autores, nos dias atuais, a atuação das equipes de saúde abrange
cerca de 60% da população brasileira, englobando território definido e população
Silva Junior (2011), colocam em foco o papel da ampliação da atenção farmacêutica, bem como do acesso gratuito a medicamentos voltados ao diabetes e à hipertensão.
O acesso a esses medicamentos é viabilizado pelas farmácias componentes das Unidades Básicas do SUS. Esse quadro tem alavancado uma redução dos números de mortes ocasionada pelas DCNT. Essa redução do número de óbitos acarretados pelas DCNT está vinculada à disseminação da Atenção Primária à Saúde – APS.
Relação com o uso de álcool
Tabela 03 – Relação entre doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) e o uso de álcool.
Relação com o tabagismo
Verificou-se, ainda, que a presença ou ausência de DCNT (hipertensão e diabetes) independe dos fatores de risco, como é o caso do hábito do uso do álcool, do tabaco e da prática de atividade física (p-valor>0,05).
Apesar da literatura evidenciar que os fatores de risco como o uso de bebida alcoólica, do tabagismo e da inatividade física estão associados ao aparecimento das doenças crônicas, os resultados deste estudo não evidenciaram essa associação.
Este fato pode estar associado ao tamanho da amostra utilizada para a realização do cálculo estatístico.
Os postulados de Rego et al. (1990) colocam em notoriedade a noção de fator de risco e seus reflexos no desenvolvimento das DCNT. No referido estudo, um vasto contingente de postulados de cunho epidemiológico tem deflagrado a vinculação entre os fatores de risco e a efervescência de diversas doenças. Diante desse entendimento, o não contato dos sujeitos com os fatores de risco acarreta a promoção da diminuição dos índices de mortalidade, bem como da prevalência. Nessa perspectiva, os fatores de risco influem diretamente na eclosão de doenças crônicas.
Assim, é necessário a efetivação da promoção de estudos canalizados no aprofundamento da compreensão das particularidades e das especificidades dos fatores de risco, o que angaria a viabilização de condições concretas de tratamento, bem como de erradicação das DCNT.
Desse modo, há relevância na promoção de estudos acerca dos fatores de risco e sua relação com a materialização de doenças crônicas. Duncan et al. (2012), por exemplo, efetua uma bem-sucedida categorização dos fatores de riscos e de seus efeitos na eclosão de doenças crônicas, mencionando, inclusive, dados quantitativos.
Em tal estudo, são predominantes os efeitos do fumo na materialização do câncer de pulmão (71%), bem como na materialização de doenças crônicas respiratórias (42%) e de doenças de cunho cardiovascular (10%). Outros elementos de risco são enfocados no referido estudo, como é o caso da ausência de atividade física cujos efeitos ampliam a possibilidade de óbitos (entre 20% e 30%).
Dentre os fatores de risco pontuados, aparecem, ainda, a questão alimentar, mais especificamente, a má alimentação e seus reflexos na promoção de doenças crônicas. No que tange à questão alimentar, o consumo exagerado de sal aparece como elemento propulsor da eclosão de doenças cardiovasculares, como a hipertensão. Outro elemento enfocado no referido estudo, diz respeito à carne
vermelha que alavanca a possibilidade de doenças de cunho cardiovascular e diabetes. Contudo, a adoção de uma alimentação saudável, composta por frutas, legumes e verduras, contribui de maneira substancial na redução da possibilidade de eclosão de doenças de cunho cardiovascular, bem como do câncer de estômago. O estudo menciona, também, os reflexos do álcool na materialização de doenças crônicas. Sobre tal questão, o estudo em questão preconiza que, em média, 50% dos falecimentos provenientes das doenças crônicas foram alavancados pelo consumo exacerbado de álcool. Nessa situação, podem ser mencionados alguns tipos de câncer e cirrose hepática (DUNCAN et al., 2012).
Relação com o Gênero
Tabela 06 – Relação entre doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) e o gênero.
Doenças Crônicas Sexo DCNT (hipertensão e diabetes) são do gênero feminino.
Os resultados do estudo realizado por Theme Filha et al. (2015) evidencia que a prevalência das DCNT acontece, em sua grande maioria, no sexo feminino. Dentre as doenças investigadas, a prevalência da hipertensão arterial não apresentou diferenças significativas entre o sexo masculino e feminino. Em outras palavras, essa
doença está presente em ambos os sexos. Por outro lado, a prevalência das demais doenças investigadas refletiu-se de maneira considerável no sexo feminino.
Relação com a Faixa Etária situada na faixa etária acima de 30 anos. Após verificada da existência de associação, foram realizadas múltiplas comparações dois a dois entre as categorias de ocupação ajustados pelo critério False Discovery Rate (FDR) (BENJAMINI; HOCHBERG, 2005).
Tais comparações evidenciam que as três categorias de faixas etárias diferem entre si nas proporções de presença e ausência das doenças aqui estudadas.
Tabela 08 – Categoria de faixa etária Categoria Grupo
< 30 anos a De 30 a 60 anos b
>60 anos c
* Multiplas comparações ajustadas por FDR
Relação com a Ocupação
Tabela 09 – Relação entre doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) e a ocupação
Ausência
* Teste G para amostras independentes
Fonte: Autor, 2017.
A presença ou a ausência de DCNT depende (está associada) a algumas ocupações. Nesse aspecto, observou-se que a maioria dos pacientes com hipertensão e diabetes está situada nas ocupações aposentado e do lar, o que revela uma associação significante (p-valor<0,05). Após verificada da existência de associação, foram realizadas múltiplas comparações dois a dois entre as categorias de ocupação ajustados pelo critério FDR (BENJAMINI; HOCHBERG, 2005). Tais comparações evidenciam similaridades nas proporções de aposentados e desempregados e uma diferença da categoria estudantes com as demais ocupações.
Tabela 10 – Ocupação dos usuários Categoria Grupo
Os resultados do estudo realizado por Soares, Silva Pardo & Costa (2017) demonstram que a prevalência da hipertensão arterial está diretamente vinculada aos aspectos idade e âmbito profissional. O referido estudo evidencia que a prevalência dessa doença acontece, na maior parte dos casos, nos idosos, bem como nas pessoas expostas a condições de trabalho estressantes.
Em se tratando do âmbito profissional, Soares, Silva Pardo & Costa (2017) mostram os distintos elementos que contribuem para a prevalência da hipertensão arterial. A extensão da quantidade de horas trabalhadas, assim como o horário do trabalho noturno contribuem de maneira considerável para o aparecimento/agravamento de doenças cardiovasculares e hipertensivas. Outro elemento que pode influir na materialização de doenças cardiovasculares e hipertensivas é a questão do barulho ao qual os sujeitos estão expostas no âmbito profissional. Dessa maneira, o estresse psicossocial procedente das atividades laborais acarreta o aparecimento/agravamento de patologias cardiovasculares e hipertensivas.
7 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A consolidação do estudo permitiu realizar uma análise mais aprofundada da utilização do serviço de saúde pelos usuários, bem como o seu alcance no atendimento à população. Em algumas das variáveis analisadas, a cobertura da ESF modificou a prevalência das DCNT na área coberta, bem como influenciou a assistência à saúde daquela comunidade. Entretanto, mais estudos são necessários com a finalidade de conhecer a capacidade real de cobertura e os fatores de risco presentes na comunidade para que, assim, seja possível as políticas municipais melhorarem os serviços de atendimento e de promoção da saúde.
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Anexo A – Parecer da Comissão de Ética em Pesquisa
Apêndice A – Formulário de pesquisa
Apêndice B – Termo de Consentimento Livre e Esclarecido -TCLE