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2.1 – CONSIDERAÇÕES ACERCA DA EXISTÊNCIA DO OUTRO

No documento MÔNICA MARCONDES DE OLIVEIRA SANTOS (páginas 63-73)

O problema da existência do Outro foi tratado por Sartre de modo bastante amplo no decorrer de sua obra, especialmente em L’être et le néant. O fato de o homem estar condenado a ser livre nos remete à idéia de solidão desse homem.

Mas esta fica agora irremediavelmente comprometida com a presença do Outro.

66 Ibid, p.671.

Surjo num mundo já habitado pelo Outro, e assim, passo a ter plena convicção de sua real presença. Ele não é mero objeto, reconheço-o como consciência, como sujeito, como para-si igual a mim. Estou tão consciente da existência do Outro quanto da minha própria existência.

“(...) antes mesmo de qualquer encontro com o Outro, eu já tenho de ser consciente dele de algum modo. Isto é: minha relação com a consciência do Outro deve anteceder à primeira aparição mesma do corpo do Outro frente a mim. O Outro deve fazer parte de minha consciência desde o nascimento, como parte constituinte do meu ser. Há uma predisposição ontológica do Para-si para reconhecer o Outro enquanto sujeito. Assim, o Outro deve fazer parte de mim como estrutura do Para-si que sou. Seu corpo aparece depois quando o encontro. É então, na consciência, que devemos buscar a existência do Outro, e não fora dela. (...) A realidade humana é sempre Para-si-Para-Outro”.67

O Outro me aparece sempre como um objeto que devo conhecer e isso faz com que a questão da intersubjetividade limite-se a um problema de conhecimento. Ao abordar a questão da existência do Outro, Sartre destaca inicialmente o problema da vergonha.”Tenho vergonha do que sou”. Mas o fato é que só sinto vergonha diante de alguém. Ao cometer um gesto desastrado ou fútil, levanto a cabeça e observo que alguém estava ali e me viu. Verifico subitamente toda a vulgaridade de meu gesto e sinto vergonha de mim, tal como apareço ao Outro, ou seja, sem a existência do Outro, meu lado vergonhoso não poderia existir.

67 PERDIGÃO, P. Existência e Liberdade. Porto Alegre: L&PM, 1995, P.138.

“O Outro é mediador indispensável entre mim e mim mesmo, sinto vergonha de mim tal como apareço ao Outro. (...) Reconheço que sou como o Outro me vê. (...) Assim, a vergonha é vergonha de si diante do outro, essas duas estruturas são inseparáveis”.68

É preciso que o Outro me veja, para que eu venha a saber que sou desta ou daquela maneira. É o juízo dos outros, a maneira como eles me vêem, que reflui sobre mim e interfere na minha maneira de ser e aprender o que sou.

Sartre menciona o exemplo de alguém que observa outras pessoas sem ser visto, por exemplo, pelo orifício da fechadura (...) Mas se surge alguém e me vê vendo, me fixa como um voyeur. O domínio que eu antes possuía da situação se inverte, agora me submeto a juízo do olhar do Outro. Sou o que ele acha que sou.

Envergonho-me e mostro minha vergonha. O Outro me vê no meu rubor e meu constrangimento, na minha justificativa ou no me disfarce. E porque ele a vê, eu também a vejo por meio dele.Agora sou um voyeur para mim mesmo, sou alguém envergonhado e só me apreende por meio do Outro.

Necessito do Outro para captar por completo todas as estruturas de meu ser, ou seja, o Para-si remete ao Para-Outro. A aparição do Outro na minha experiência refere-se a fenômenos fora de minha experiência. Através do cogito69 cartesiano, somos conduzidos a uma verdade indubitável de nossa existência.

Sartre dedicou-se a mostrar a partir da obra “A transcendência do ego”, que o cogito constitui a primeira evidência a partir da qual se coloca ao mesmo tempo a questão do sentido dessa existência e da sua liberdade. O cogito comprova-se na pura facticidade (em sua existência como fato imediato, aqui e agora), mas como centro dos sentidos possíveis a serem inventados incansavelmente.

O cogito deve ser o ponto de partida para tentarmos extrair daquilo que nos permite afirmar a realidade da existência do Outro.

68 SARTRE, J.P. O ser e o nada. Petrópolis: Vozes, 1997, p.290.

69 Cogito ergo sun (Descartes, Discurso do Método IV) – Argumento que extrai da existência do pensamento atual, a realidade da alma enquanto substância individual. “Sou uma coisa que pensa” (ID Meditações, II 6) cf LALANDE, A. Vocabulário Técnico e Crítico da Filosofia. São Paulo: Martins Fontes, 1999.

Descartes apreende Deus como perfeito, e através do cogito, coloca o indivíduo como um marco entre Deus e o nada. O indivíduo por sua vez, tem com o outro uma relação peculiar, diferente da relação que ele possui com os objetos.

A essa relação Sartre denomina negação interna. Essa relação é recíproca, o outro é aquele que não sou eu.

Entretanto, posso converter-me em objeto para o outro e nesse caso, ele perde sua objetividade, tornando-se sujeito da relação.Mas posso também converte-lo em objeto e nesse caso, perco minha objetividade, assumindo a posição de sujeito da relação. O outro-objeto é um ser real e concreto que exclui de mim através de minha negação interna, organizando-o junto com os outros objetos do mundo em função de meus próprios fins. Ele é apreendido por mim através de meu saber e de minha experiência, devendo permanecer preso à objetividade que constituí para ele:

“A negação é interna porque o outro se constitui como outro si mesmo pela negação de mim-mesmo: o outro não ‘é’ eu.

Mas eu não sou o outro do mesmo modo que não sou a mesa.

Pois o modo como não sou o outro vai incidir na maneira como me apreenderá enquanto sendo eu mesmo”.70

A análise da intersubjetividade leva Sartre a desenvolver ainda, uma Ontologia do Corpo. Uma vez que ou bem sou objeto para o Outro, ou então o outro se faz objeto para mim, há que se concluir que em ambos os casos nos referimos ao corpo. Porém, neste momento surgem as questões: “O que é meu corpo? O que é o corpo do Outro?”.

70 SILVA, F.L Ética e Literatura em Sartre. São Paulo: Unesp, 2004, p.186-187.

Para melhor investigar análise do corpo, Sartre dividiu-a em três dimensões ontológicas. Na primeira delas ele levanta a seguinte questão: “O que é meu corpo para mim?”.

Primeiramente, é importante lembrar, que em relação ao meu corpo, tudo o que sei é proveniente do Outro, ao passo que este me capta como “corpo-no-mundo”.

Por outro lado, devemos considerar que o corpo manifesta minha contingência no mundo, já que a realidade humana é necessariamente contingente. Assim, encontramos no corpo uma facticidade radical que caracteriza o para-si, facticidade que resulta de minha contingência. Por outro lado, o corpo é aquilo que eu nadifico, que deve ser compreendido como ultrapassado: um em-si compreendido pelo para-si nadificador. Meu corpo é um corpo no meio do mundo e minha relação com o mundo deve passar necessariamente pelo meu corpo.

Este, entretanto, expande-se através das coisas, tornando-se assim co-extensivo ao mundo, especialmente em nossa relação com coisas e utensílios.É importante ressaltar a preocupação que Sartre possui em não separar consciência de corpo.

Contrariando toda a tradição filosófica ocidental que apresenta o homem como um ser composto de corpo e alma, Sartre nos define como sendo inteiramente corpo e consciência.

“(...) É evidente que a consciência só pode existir seu corpo como consciência. Assim, portanto meu corpo é uma estrutura consciente de minha consciência”.71

Sartre nos remete ainda, à questão da transcendência do corpo, tratada por ele de uma forma bastante peculiar. Meu corpo como referência no mundo situa-se sobre dois pontos: quando estou situado no mundo, meu corpo é ponto de

71 SARTRE, J.P. O ser e o nada. Petrópolis: Vozes, 1997, p.416.

vista, mas quando o ultrapasso em direção àquilo que tenho-de-ser, meu corpo é ponto de partida.

Dessa forma, pudemos ter um breve panorama do significado de “meu corpo para mim”, segundo Sartre. Passemos agora, à questão que procura definir o significado de “Meu corpo para Outro”.

Na segunda dimensão ontológica da análise do corpo, intitulada “O corpo para Outro”, Sartre afirma que tanto faz estudar o modo como meu corpo aparece ao outro, quanto o modo como meu corpo aparece a mim.72 Ele faz ainda, questão de sublinhar que devo captar primeiramente o Outro como aquele para quem existo como objeto. Expliquemos melhor: o Outro existe para mim primeiro, capto-o ccapto-omcapto-o ccapto-orpcapto-o depcapto-ois, já que capto-o ccapto-orpcapto-o dcapto-o Outrcapto-o é para mim uma estrutura secundária. Entretanto, o corpo do Outro não pode ser confundido com sua objetividade. Não posso ter um ponto de vista sobre o meu corpo, ao passo que o corpo do Outro me aparece originariamente como algo sobre o qual posso adotar um ponto de vista. Além disso, ele é captado por mim de forma radicalmente diferente da forma como capto os objetos do mundo.

Já o meu corpo não pode ser utilizado como um instrumento que está fora de mim, pelo fato de que o meu corpo sou eu. Devemos considerar ainda, que o corpo do Outro é constituído por um conjunto de órgãos sensíveis, o que em leva a ser conhecido pelos sentidos do Outro.Nós podemos sentir a presença do Outro por toda parte, na medida em que nos deparamos com coisas-utensílios que se revelam utilizadas e conhecidas por ele.

“Esta sala onde espero o dono da casa revela-me em sua totalidade, o corpo de seu proprietário. Essa poltrona é poltrona-onde-ele-se-senta, essa mesa é mesa-na-qual-ele-escreve, esta janela é janela por onde entra a luz que-ilumina-os-objetos-que-vê.

Assim, ele está esboçado por toda parte, e este esboço é esboço-objeto. Um objeto pode a qualquer momento vir a preencher tal

72 Idem, ibid.

esboço com sua matéria. Mas isso não impede que o dono da casa ainda “não esteja aí”. Está em outro lugar, está ausente”.73

A ausência é uma estrutura do ser-aí. Mas se a pessoa que estava ausente (tomemos como exemplo o dono da casa da citação anterior) de repente aparece frente a mim, esta aparição não modifica em nada a estrutura fundamental de minha relação com ela. Eu existo para essa pessoa, ela fala comigo, e eu, por minha vez, posso olhá-la e captá-la. Desse modo, descubro que a facticidade dela é algo explícito.

O corpo do Outro, é, portanto, a facticidade da transcedência-transcendida, na medida em que se refere á minha facticidade, além desse corpo nos ser dado imediatamente como aquilo que o Outro é.

Sartre termina esta análise afirmando que a corporeidade e objetividade do Outro são rigorosamente inseparáveis.

Na terceira (e última) dimensão ontológica do corpo, Sartre trata o problema do meu corpo como objeto para-outro, atendo-se na questão do Olhar.

Eu existo para mim como conhecido pelo Outro. Com a aparição do olhar do Outro, tenho a revelação do meu ser-objeto e passo a ser conhecido pelo Outro como corpo. O olhar faz com que a existência do meu corpo seja revelada a mim, minha facticidade é objetiva e meu corpo torna-se alienado. Para ilustrar melhor essa questão, Sartre utiliza o exemplo da timidez:

“A experiência de minha alienação faz-se em e por estruturas afetivas, como a timidez. ‘Sentir-se enrubescer’, ‘sentir-se transpirando’, são expressões impróprias que o tímido usa para explicar seu estado: o que ele quer dizer com isso é que tem consciência viva e constante de seu corpo, tal como é, não para si mesmo, mas para o outro”.74

73 SARTRE, J.P. O ser e o nada.Petrópolis: Vozes, 1997, p.430.

74 SARTRE, J.P. O Ser e o nada. Petrópolis: Vozes, 1997, p. 335.

Sartre enfatiza ainda, que é dos conceitos por meio dos conceitos do Outro que eu conheço meu corpo. A aparição do Olhar do Outro faz com que eu tenha a revelação do meu ser-objeto, pois sou conhecido pelo outro como corpo, através do qual manifesta-se o sentido profundo da facticidade. Para ilustrar esse fato, Sartre utiliza um exemplo no qual se refere a uma criança pequena:

“(...) esta aparição do corpo como coisa-utensílio é muito tardia na criança: é em qualquer caso, posterior à consciência do corpo propriamente dito e do mundo como complexo de utensilidade; é posterior à percepção do corpo do outro. A criança sabia há muito tempo pegar, puxar, empurrar, segurar, antes de aprender a tocar e ver sua mão. Olha para ela, e ela se afasta de seu campo visual, vira o rosto e procura-a com o olhar, como se não dependesse de si mesmo voltar a colocá-la ao alcance de sua vista. É por uma série de operações psicológicas e de sínteses de identificação e de reconhecimento, que a criança chegará a estabelecer tabelas de referências entre o corpo-existido e o corpo-visto. Ainda é preciso que já tenha anteriormente iniciado seu aprendizado do corpo do outro. Assim, a percepção de meu corpo situa-se cronologicamente, depois da percepção do corpo do outro”.75

Ao se referir ao corpo, Sartre suprime a distinção entre consciência e corpo:

existimos em consciência da mesma maneira como existimos corporalmente. Meu corpo sou eu. Eu o existo, portanto, não posso usá-lo como algo que se encontra fora de mim. Por outro lado, não me é possível vê-lo como um “amontoado” de órgãos e membros. Não chegarei a ver meu cérebro ou minhas vértebras

75 SARTRE, J.P. O ser e o nada. Petrópolis: Vozes, 1997, p. 449.

executando suas funções. Poderei vê-los somente através de exames como radioscopias, por exemplo. Neste caso, verei tais imagens em uma tela, sendo apresentadas a mim, ao passo que me encontro fora destas. Se anteriormente vi dissecações de cadáveres humanos ou livros de fisiologia ou anatomia, concluo que meu corpo é constituído exatamente como aqueles que observei em tais circunstâncias.Não vejo meu corpo como ele é visto por médicos, cientistas ou psicólogos, fisiologicamente, pois não posso assumir o ponto de vista do Outro sobre mim. Tal tarefa seria impossível. Entretanto, há membros e órgãos que se encontram fora de meu corpo, o que me possibilita tocá-los, apalpá-los. Mas esses membros e órgãos são utilizados pelo corpo para executar diversas funções e neste caso, sou considerado “o outro” em relação a estas partes de meu corpo.

Por exemplo, apreendo meu olho como órgão sensível, mas não posso vê-lo vendo, não posso captá-lo enquanto ele me revela um aspecto do mundo.

Citemos um outro exemplo, elaborado por Sartre: “Minha mão revela todas as características dos objetos, mas não revela a ela mesma76”. Observo minha mão tocar os objetos, mas não a conheço em seu ato de tocá-los. Esse acontecimento exige que eu tome a distância necessária de minha mão e neste momento, ela se torna para mim como qualquer objeto que posso avistar naquele momento.

Em Sursis, Sartre nos fornece um claro exemplo que reforça esta idéia:

“No meio da Pont-Neuf, ele parou e pôs-se a rir. (...) Estendeu as mãos e passou-as devagar sobre as pedras do parapeito (...) havia suas mãos no parapeito branco: quando as olhava, pareciam de bronze. Mas justamente, porque as podia olhar, não lhe pertenciam mais, eram de outro de fora, como as árvores, como os reflexos do Sena, mãos cortadas. Fechou os olhos e elas tornaram a ser dele (...) Minhas mãos: a inapreciável distância que me revela as coisas e delas me separa para sempre”.77

76 SARTRE, J.P. O ser e o nada. Petrópolis: Vozes, 1997, p. 386.

77 SARTRE, J.P. Sursis.São Paulo: Abril Cultural, 1974, pp. 384-385.

O Outro conhece de meu corpo, as partes que são visíveis a ele, e seria incapaz de reconhecer um de meus órgãos internos, caso o visse exposto dentro de um vidro, como Sartre procurou descrever no conto Intimidade do livro O Muro, em uma fala da personagem Lulu:

“Ele me ama, mas não ama minhas tripas; se lhe mostrassem meu apêndice num vidro, não o reconheceria; ele vive a me apalpar, mas se lhe pusessem o vidro nas mãos não sentiria nada intimamente, não pensaria: ‘isto é dela’; deveríamos poder amar tudo de uma pessoa, o esôfago, o fígado, os intestinos. Talvez não gostemos dessas coisas por falta de hábito, se as víssemos como vemos nossas mãos e nossos braços, talvez as amássemos; é por isso que as estrelas-do-mar devem amar-se melhor que nós, elas se estendem sobre a praia quando faz sol e expelem o estômago para fazê-lo tomar ar e todos podem vê-lo; eu me pergunto por onde faríamos sair o nosso, pelo umbigo, talvez”.78

Dessa forma, cabe, pois concluir, que o Outro é um ser que me vê, assim como eu o vejo. Só posso negar ser o Outro porque me sei visto por ele. Durante toda nossa existência, somos objeto do olhar do Outro, ou seja, existimos sob esse olhar. E através do olhar, primeiramente, percebo o corpo do Outro para depois ter a percepção de meu corpo. Meu ser precisa ter o Outro como referência, para saber com certeza que existo como consciência alheia.

Entretanto, mesmo que ocorra a ausência do Outro, nunca estamos sós: mesmo estando trancado em meu quarto, posso estar em relação com o Outro, através de uma carta do Outro sobre minha mesa, através do livro que leio (esse livro foi

78 SARTRE, J.P. O Muro.Trad. H. Alcântara Silveira. São Paulo: Nova Fronteira, 1982, p. 91.

escrito por alguém, no caso, o outro); posso ver na parede o quadro que alguém pintou, ou estar ouvindo uma música (que foi composta e está sendo cantada por alguém). Porém, o “ser-visto”, faz com que meu corpo se torne um em-si-para-outro, como experiência que se torna perpétua em nossa existência, pois conformadamente me submeto a conhecer meu corpo através de informações dadas pelo Outro, o qual, através de seu olhar, seu saber e sua linguagem, torna-se fator estorna-sencial ao conhecimento de meu corpo e de meu torna-ser-no-mundo.

Cabe ainda lembrar, que a existência de meu corpo e do corpo do Outro pode gerar um conflito, já que ou bem sou objeto para o Outro, ou o Outro se faz objeto para mim, e esse fato pode gerar um empecilho à comunicação das consciências.

Assim, não posso captar-me como apareço ao Outro, pois nunca poderei me ver da forma como o Outro me vê. Na última entrevista de Sartre que antecedeu sua morte, podemos encontrar um exemplo que se aplica a essa situação:

“Segundo os outros, sei o que minha velhice implica a quem me vê de fora, mas não sinto a minha velhice. A velhice é uma realidade minha que os outros sentem. Os outros é que são a minha velhice”.79

No documento MÔNICA MARCONDES DE OLIVEIRA SANTOS (páginas 63-73)