AGROPECUÁRIA NO BRASIL
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Os resultados encontrados, ao refutar hipótese de convergência, revelaram que as economias estaduais tendiam a apresentar movimentos retrocedentes para níveis de renda per
1593 em que os níveis de renda per capita agropecuária mais elevados tenderiam a englobar menos unidades federativas no steady state, o qual sendo mantidas as condições econômicas vigentes do período selecionado para a pesquisa, seria alcançado em um prazo de 98 anos, quando as economias estariam equitativamente distribuídas nos estratos de PIB per capita agropecuário elaborados para a análise do período de 1996 a 2009, revelando uma tendência ao empobrecimento, apesar da trajetória ascendente crescimento do PIB apresentado pelo setor durante o período de análise.
Nesse sentido, fatores como a orientação das políticas públicas para as culturas de exportação não contempladas por todas as unidades federativas do país, além dos movimentos migratórios da mão-de-obra agropecuária para os centros produtores agrícolas mais desenvolvidos, poderiam ser citados como possíveis causas responsáveis pela tendência regressiva das rendas per capita no meio rural brasileiro. A primeira, por revigorar as economias que apresentaram melhor desempenho agropecuário; a segunda, por fazer com que o crescimento do PIB não se traduza em crescimento das rendas per capita agropecuária, refletindo no empobrecimento do meio rural.
Contudo, os resultados deste estudo que teve o objetivo de identificar a existência de convergência/divergência da renda per capita agropecuária das unidades federativas do Brasil, são incapazes de identificar as causas que de fato levam as economias à trilharem uma trajetória de divergência, implicando na necessidade de novos estudos que busquem identificá-las, a fim de contribuir para a elaboração de políticas públicas melhor planejadas, que busquem de maneira mais eficiente a homogeneização da distribuição de renda no campo.
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1596 ANEXOS
Tabela 1 – Classificação das unidades federativas do Brasil segundo os níveis de PIB agropecuário per capita (1996-2009)
1597 Tabela 3 – Participação dos Estados no PIB Agropecuário do Brasil (1996-2009) –
valores em percentual Es tados 1996 2009 Acre 0,41 0,72 Alagoas 2,46 0,88 Amazonas 1,34 1,32 Amapá 0,75 0,14 Bahia 24,36 5,76 Ceará 9,04 1,82
Dis trito Federal 0,65 0,33 Es pírito Santo 8,07 2,25
Goiás 13,51 6,51
Maranhão 10,24 3,67
Minas Gerais 42,37 13,95
Mato Gros s o do Sul 14,04 2,98
Mato Gros s o 7,82 9,01 Pará 21,44 2,37 Paraíba 6,91 0,91 Pernambuco 13,60 1,99 Piauí 3,11 1,06 Paraná 37,24 7,87 Rio de Janeiro 4,79 0,92
Rio Grande do Norte 2,47 0,80
Rondônia 3,04 2,61
Roraima 0,12 0,18
Rio Grande do Sul 51,88 11,44
Santa Catarina 23,53 5,68
Sergipe 2,75 0,64
São Paulo 67,62 9,07
Tocantins 1,38 1,69
1598 DA QUESTÃO AGRÁRIA À CONSTRUÇÃO DA IDENTIDADE QUILOMBOLA NAS COMUNIDADES RURAIS: UMA APROXIMAÇÃO DA RESISTÊNCIA NEGRA
CAMPESINA
Miguel Ângelo Silva de Melo33 Manuella Alessandra Aleixo Costa34 Isaac de Oliveira Magalhães e Silva35
Resumo: O objetivo deste artigo é instigar o debate sobre a Questão Agrária no Brasil, utilizando, como marco teórico de análise, alguns pressupostos conceituais oriundos da Sociologia Rural e da Agricultura. Frisa-se que o presente não objetiva esgotar a temática, apenas fomentar uma nova leitura crítico-teórica que nos permita reavaliar “velhos e novos” paradigmas sobre o contexto Agrário brasileiro. O presente trabalho é, portanto, resultado de pesquisa que envolveu uma revisão bibliográfica sobre o tema da Questão Agrária e os Movimentos Negros de Contestação e de Autoafirmação Rural. Presenciamos nesta revisão bibliográfica, a contribuição de diferentes ciências – sociais, humanas, aplicadas, exatas, biológicas e jurídicas -, que nas últimas décadas do século XX, vêm travando e demarcando as fronteiras e as linhas de batalha que legitimaram e mistificavam os juízos e argumentações sobre os termos identidade negra e campesinato. Destacam-se aqui conceitos tais como: campesinato, pequena produção, produção de subsistência e/ou agricultura familiar, comunidades quilombolas e comunidades rurais negras. O que elas têm em comum? Responde-se a política pública e agrária de exclusão e de perseguição racial que marca a história dos movimentos rurais e negros brasileiros.
Palavras-chave: Movimentos campesinos, escravismo rural e resistência negra.
1. CONSIDERAÇÕES INICIAIS
O cenário da pesquisa se deu, por um lado, a partir da leitura transversal e interdisciplinar de teses de doutorado, dissertações de mestrado, livros e artigos sobre o tema. A leitura de clássicos da Sociologia Rural e da Agricultura, sobretudo marxistas e não marxistas, permitiu perceber que estes autores vêm travando (diante da heterogeneidade dos
33 Doutorando do Programa de Pós-Graduação em Sociologia/ UFPE. Mestre em Criminologia e Sociologia do Crime pela Universidade de Hamburgo/ Alemanha; Mestre em Ciências da Educação e Antropologia Jurídica pela Universidade de Hamburgo/ Alemanha; Coordenador -Pesquisador do LIEV (Laboratório Interdisciplinar de Estudos da Violência), Professor de Antropologia Jurídica, Sociologia do Direito e Direito Internacional Público do Curso de Direito; Filosofia - Ética e Questões Étnico-Raciais do curso de Administração a Faculdade Leão Sampaio. E-mail: [email protected].
34
Mestre em Administração pela Universidade Tecnológica Intercontinental do Paraguay/ UTIC. Coordenadora do Curso de Administração da Faculdade Leão Sampaio. Professora das disciplinas Gestão da Qualidade; Evolução do Pensamento Administrativo. E-mail: [email protected].
35 Aluno do 7. Semestre do Curso de Direito/ FAP. Aluno pesquisador do LIEV (Laboratório Interdisciplinar de Estudos da Violência). E-mail: [email protected].
1599 conceitos sobre o ‘ser camponês’, a condição e os modos de produção camponeses) e demarcando “as fronteiras e as linhas de batalha” que legitimaram e mistificavam os juízos e argumentações sobre o termo à tradição sociológica europeia (SHANIN, 1980, p. 45). Consequentemente, encontramos estudos clássicos sobre o campesinato brasileiro, realizados a partir da década de sessenta e setenta do século XX que não apenas discutiam a condição camponesa, mas também, os modelos desenvolvidos, sobretudo, pela escola europeia, que polarizavam a questão, ao colocar o camponês entre os extremos do proletariado e da burguesia.
Estes significativos estudos nacionais promoveram discussões e novas interpretações sobre o campesinato, quando entendiam que a realidade camponesa no Brasil não deveria mais ser tratada enquanto uma “categoria esquecida, espúria, em processo de diferenciação
social, em direção a uma das classes polares do capitalismo”, nem também como “sinônimo de atraso, de fragilidade política e de dependência” (WELCH/ MAGOLI/ CAVALCANTI/
WANDERLEY, 2009, p. 23), mas deveriam antes de tudo, buscar compreender a condição e a situação dos camponeses, principalmente nas últimas décadas do período escravista, a saber: regencial e imperial.
Por outro lado, buscamos embasamento epistemológico, nos estudos de cultura afro- brasileira ou estudos pós-coloniais. Foram realizadas leituras na Sociologia e Antropologia da Cultura, como também, em artigos advindos na História Social. Assim, se tornou possível à recuperação de fatos históricos que puderam auxiliar na compreensão da condição camponesa as comunidades rurais negras, como defendem alguns, ou comunidades tradicionais quilombolas, como afirmam outros estudos, conforme vermos ao longo desta revisão bibliográfica.
A proposta do presente artigo não pretende esgotar a análise de todos os trabalhos sobre o tema enquanto objeto de estudo da Sociologia Rural e da Antropologia Social, até por que, pesquisas mais especializadas e aprofundadas, como dissertações de mestrado e teses de doutorado, é quem de fato intentam lograr tal êxito. De modo que o objetivo deste artigo visa apenas conhecer e registrar algumas formas de resistência negra de comunidades quilombolas já observadas por outros estudos, e revistar como a temática vem sendo abordada pela Sociologia Rural (consequentemente, diante das naturais fronteiras disciplinares epistemológicas, por outras ciências sociais, tais como a Antropologia e História), para que erros do passado não recaíam no presente, como recomenda Silva (2003, p. 232) “Estudar o
1600
passado pode nos ajudar a observar o quanto diferentes práticas e manifestações culturais e políticas contribuíram para a organização dos negros no presente”. Assim, deseja-se aqui,
cumprir o papel acadêmico-empírico de compreender as dinâmicas sociais e a construção de categorias conceituais sobre o campesinato e a resistência de comunidades periféricas, sob o ponto de vista interdisciplinar.
2. UMA BREVE ANÁSLISE DOS MOVIMENTOS CAMPESINOS NO BRASIL
Ao se analisar a construção do processo evolutivo dos movimentos sociais campesinos no Brasil fica claro que as formas de vida social em que os atores sociais que protagonizam a cena principal não advêm do grupo dominante luso-europeu. Também, contata-se que estes não são exaltados pela historiografia tradicional brasileira como mereceriam, sendo este o objeto da presente revisão bibliográfica buscar compreender não apenas os mecanismos de resistência negra no campo, como também, a possibilidade de configurar enquanto legítima a condição camponesa à população quilombola.
Motta/ Zarth (2006, p. 17) ao organizarem o livro “Formas de resistência camponesa:
Visibilidade e diversidade de conflitos ao longo da história” buscaram apresentar os
resultados de pesquisas produzidas em diferentes universidades brasileiras, sitiadas nas distintas regiões do país com o intuito de sustentarem suas hipóteses e encontrarem evidências sobre a relação entre as rebeliões rurais contra a exploração de grandes latifundiários. Ao passo que as evidencias encontradas mostram por um lado, ausência de visibilidade à história das ações de resistência camponesas que dificilmente eram documentadas, e por isso, não deixavam marcas visíveis, impedindo assim, uma identificação de suas lutas; e por outro lado, quando estas eram documentadas, representavam a não observância às normas sociais de controle implementadas pelo Estado.
Os documentos existentes mostram uma dimensão de conflitos ilegais onde os camponeses e rebeldes aparecem como “inimigos do Estado” ou contrários “ordem social”, ordens e normas estas estabelecidas pelos grandes latifundiários, enquanto legítimos representantes do Estado que tentavam a partir destas experiências, demonstrar a passividade do povo brasileiro. Ferro (1983 apud. MOTTA/ ZARTH 2006, p. 18) apimenta este debate, quando acrescenta que a “história é escrita de acordo com os interesses dos diversos grupos
que compõem a sociedade ao longo do tempo e que em geral prevalece a visão dos grupos dominantes”. Utilizando esta argumentação cabe aqui salientar que a abordagem ‘oficial’ da
1601 Historia Rural nacional foi escrita de forma tendenciosa a partir do momento que referendava não apenas esconder os conflitos no campo, como também, estigmatizar e dissimular os atores sociais envolvidos em tais processos, ‘mascarando mocinhos e escrachando bandidos’. De modo que se percebe que os grupos rebeldes escravizados de afrodescendentes e ameríndios foram na grande maioria das vezes, deturpados pelos relatos e documentos oficiais sobre o processo de ocupação e de luta pela terra. Neste sendo Scott (2002, p. 13) e Cunha Jr (2012, p. 161) ressaltam que não se deve subtrair a este complexo processo sobre as estruturas rurais no período escravista, que uma das alternativas de resistência encontradas por muitas comunidades rurais (cansadas de enfrentamentos), teria sido justamente a fuga e o esconderijo. Assim, com o passar do tempo estas se transformaram em comunidades rurais de agricultura e de subsistência familiares, hoje chamadas de comunidades negras rurais, comunidades quilombolas e/ou comunidades rurais de afrodescendentes.
Rios (1979, p. 86) ao tentar definir a sociologia rural, destaca a necessidade de se entender não apenas os “fenômenos e os processos sociais na vida rural através dos tempos”, ou seja, as características da vida no campo e do campo, as práticas e conhecimentos sobre a agricultura, como também, o tipo de povoamento, a natureza dos títulos de propriedade, o sistema de demarcação da terra, os sistemas agrícolas, e toda série de traços sociais e culturais ligados à propriedade da gleba e ao trabalho agrícola e aos quais se atribui o adjetivo agrário.
Desta forma o autor intensifica sua argumentação sobre este ramo da sociologia, dizendo que a sociologia da vida rural seria
uma ciência ou um campo científico ligado à sociologia geral. Isto porque pretende aplicar ao estudo de seus problemas ou mesmo métodos, (..,) técnicas de pesquisa científica específicos da sociologia que visam o estudo sistematizado das relações
entre os homens, pelo fato de verem em coletividade ou grupos, e as mudanças
que daí decorem no seu comportamento. (IBID., p. 87)36.
Repensar paradigmas e conceitos a partir das abordagens difundidas foi o propósito deste capítulo, tarefa nada fácil, principalmente, quando se desejou inserir no debate um objeto de estudo tido por muitos teóricos enquanto “periférico”, principalmente quando se observa os debates acadêmicos travados em torno do reconhecimento ou não do campesinato durante o período escravista no Brasil, nas pesquisas que alicerçam o atual estágio de desenvolvimento da Sociologia Rural e da Agricultura (WELCH/ MAGOLI/ CAVALCANTI/
36
1602 WANDERLEY, 2009, p. 25). Neste sentido, Wanderley (apud BRUMER/ SANTOS, 2006, p.56), ao sintetizar as linhas temáticas em torno da agricultura familiar no Brasil, enfatizou os seguintes eixos de investigação, a saber:
1. O debate sobre a existência ou não do campesinato no Brasil, incluindo tanto os estudos que procuraram analisar o lugar do campesinato no interior da sociedade colonial e do sistema escravocrata como as análises sobre as formas tradicionais de produção e reprodução do campesinato brasileiro; 2. As perspectivas da agricultura familiar diante do processo de transformação modernizante do setor agrícola e as mudanças por ele provocadas na agricultura camponesa tradicional, as quais ocuparam grande parte das análises em sociologia rural, principalmente na década de 70; 3. O significado das fronteiras, isto é, a analise do processo de incorporação de novas terras À agricultura nacional, resultando na ampliação do processo de incorporação de novas terras À agricultura nacional, resultando na ampliação de atividades rurais (...); 4. Movimentos sociais dos grupos ou categorias rurais37. Com certeza não se intenta aqui reconstruir os fatos históricos que ensejaram na formação de movimentos sociais dos grupos ou categorias rurais, mas compreender a importância das lutas de resistência negra e a construção do conceito quilombola enquanto categoria social que por um lado, buscar o reconhecimento da condição camponesa que ensejaria em uma conquista de espaços rurais, posse e propriedade de suas terras para a execução de sua agricultura familiar em uma economia de subsistência; e por outro lado, intenta discutir as tendências contemporâneas da Nova Sociologia Rural sobre o processo de “revisitar o campo”, diante da necessidade de “tentar definir fenômenos ou situações antes
não considerados para análise; rever facetas diferentes de fatos já estudados; indicar novos problemas para investigação; apontar tendências e mais, especialmente, delinear características... para melhor conhecer o campo.” (CAVALCANTI, 1993, p. 61).
Principalmente no que diz respeito à agricultura de subsistência de comunidades rurais que desenvolvem atividades de baixa renda e de pequena produção em suas agriculturas, quase que exclusivamente, familiares ou comunais, como é o caso das comunidades negras rurais de quilombolas no Brasil.
3. ESCRAVISMO RURAL, RESISTÊNCIA NEGRA E LEGISLAÇÃO NO
SÉCULO XIX
37 Negrito do autor.
1603 Moura (1993, p. 67) destaca que o escravismo negro apresentava-se no Brasil com peculiaridades próprias, em tempos diferentes, obedecendo a ciclos e as necessidades regionais de cada Província, a saber: em Pernambuco, Alagoas e Paraíba verificava-se a utilização do trabalho escravo nas plantações cana de açúcar (Engenhos) e de algodão; na Bahia as atividades eram direcionadas as plantações de cana de açúcar, do fumo e do cacau; em Minas Gerais o trabalho do negro era utilizado na extração de minerais; no Rio de Janeiro e Guanabara as atividades ocupavam se das plantações de cana de açúcar e de café; no Espírito Santo destacava-se o trabalho escravo na produção da farinha de mandioca; já São Paulo o trabalho era utilizado nas plantações de café (CHIAVENATO, 1980, p. 39 – 43). Dentro desta linha de raciocínio, Cunha Júnior remete se a Caio Prado quando criticava o desenvolvimento da histórica econômica do Brasil ao entender que “a população africana e
afrodescendente não tinham importância na história brasileira, a não ser braçal” (2012, p.
160), onde qualquer possibilidade de se reconhecer as qualidades do negro e de suas contribuições no processo produtivo eram marginalizadas pelos teóricos escravocratas que difundiam concepções afirmativas da inferioridade racial advindas de suas peculiaridades históricas (CONRAD, 1975, p. 191).
Cunha Júnior ao tecer considerações sobre a história africana e afrodescendente e o tratamento destas pela historia social brasileira referenda não foi dada uma “satisfatória
notoriedade à especificidade dos africanos e dos afrodescendentes”, como também, o autor
verifica que não foi possível “retirar do eixo das lutas de classe uma formulação que
explicasse a particularidade da história e da cultura desenvolvidas pelos povos africanos e por seus descendestes.”(2005, p. 249- 250). Soma-se a isto o fato de que sendo o escravo a
base da economia pré-capitalista no Brasil - colonial e imperial -, onde a essência do trabalho capitalista se delineou somente a posteriori pela relação de exploração implementada nos latifúndios aos descendentes de escravizados nas diferentes regiões brasileiras, a historiografia nacional teria uma enorme dívida pela forma com que retratou os conhecimentos (técnicos e tecnológicos) dos africanos e afrodescendentes principalmente no que se refere às atividades produtivas no país durante o período escravista e as estratégias de resistência negra rural, principalmente durante o período que antecede o fim do tráfico negreiro em 1850.
Durante o século XIX – seja no período pré-regencial, regencial ou pós-regencial - variados conflitos advindos de insurreições e resistência negra se alastravam pelo Brasil, um exemplo clássico é descrito por Assunção (2006, pp. 171- 195) ao tratar da Balaiada e
1604
Resistência Camponesa no Maranhão (1838 – 1841)38. O autor ao analisar a formação do campesinato no Maranhão aponta para o fato de que as comunidades rurais rebeldes39 além de terem objetivos bem definidos “viviam em unidades familiares de produção, tinham uma
cultura específica decorrente do modo de vida em pequenas comunidades rurais e estavam sujeitos à dominação externa” (ibid., p. 173), também detinham conhecimento de técnicas
agrícolas que implementavam com o sistema de mutirão em suas atividades agrícolas.