PROJETO SOCIETÁRIO DO MST
5.1. Perfil socioeconômico do consumidor de leite
Conforme se observou pela pesquisa de campo, a maioria dos consumidores investigados é do gênero feminino, aproximadamente 61%, podendo ser atribuído ao fato de serem as mulheres que cuidam da compra dos gêneros alimentícios da família. Essa maior
1659 participação feminina dentre os consumidores de leite também foi observada no estudo de Nascimento e Dörr (2010) com os consumidores de leite em Santa Maria, no Rio Grande do Sul. Além dessa razão, ressaltam também que quando são abordados casais, a esposa é que tende a responder o questionário.
No tocante à faixa etária, verifica-se pela Tabela 1 que mais da metade dos consumidores entrevistados possui idade até 35 anos. Em contrapartida, os dados mostram que apenas 5,8% têm mais de 65 anos, revelando uma pequena participação de idosos na pesquisa. Entretanto, sabe-se que o leite assume papel essencial na alimentação, principalmente para os idosos, já que o leite apresenta grande teor de cálcio.
De acordo com os dados apresentados na Tabela 2, constata-se que parcela majoritária dos consumidores entrevistados recebe uma renda familiar de até dois salários mínimos, sendo que 45,7% contam com até um salário mínimo para sobreviver. Por outro lado, somente 7,6% dos consumidores pesquisados auferem uma renda acima de quatro salários mínimos.
1660 Esses dados indicam que a renda familiar, em geral, pode ser insuficiente para se obter alimentos que forneçam os nutrientes necessários para que o organismo exerça bem suas funções, além de não possibilitar a aquisição de alimentos de maior qualidade. Desta forma, um consumo alimentar abaixo do recomendado pode resultar em problemas de saúde. No caso da deficiência de cálcio, obtido no leite, pode ser muito danosa especialmente para crianças e idosos.
A situação é mais preocupante quando se verifica os dados descritos na Tabela 3 e percebe-se que mais da metade dos consumidores entrevistados moram na residência com pelo menos cinco componentes familiares, sendo que somente 32,4% não possuem crianças em seus lares. Portanto, a renda per capita é muito baixa, comprometendo sobremaneira a aquisição de alimentos.
1661 O nível de escolaridade dos consumidores analisados de leite pode ser visualizado na Tabela 4. Verifica-se que o percentual de entrevistados que não obteve nem o ensino fundamental completo compreende 33,3%, sendo que, dessa participação, 16,2% fizeram somente a alfabetização. Esse baixo nível de escolaridade pode influenciar negativamente a obtenção de uma dieta balanceada. Em contrapartida, apenas 3,8% dos consumidores pesquisados chegaram a concluir o nível superior.
1662 5.2. Preferências do consumidor de leite e a interação do consumo de leite com suas características socioeconômicas
A grande maioria dos consumidores entrevistados opta pelo leite in natura, conforme se observa pelo Gráfico 1a. Ao se investigar as razões desta preferência, verifica-se que, mesmo tendo consciência que o leite in natura possui higienização precária, já que não há uma fiscalização mais rigorosa, atribui a qualidade como determinante de sua escolha, visto que não se confia na qualidade do leite longa vida (UHT) nem do leite pasteurizado devido possuir elevado teor de conservantes. Para Nascimento e Dörr (2010), os consumidores preferem o leite UHT devido à praticidade da embalagem.
De acordo com Harding (1999) citado por Molina et al. (2010), a sigla UHT refere-se ao termo ultra-high temperature, pois consiste no método de esterilização do leite a altas temperaturas, por alguns segundos, com o objetivo de eliminar os microrganismos presentes no substrato. O leite pasteurizado, por sua vez, é submetido a um processo de pasteurização sob temperaturas mais brandas, tendo, dessa forma, um prazo de validade consideravelmente menor que o leite UHT.
A partir do Gráfico 1a, percebe-se também que 16% dos entrevistados preferem consumir leite em pó, justificando sua escolha devido aos problemas de saúde.
O Gráfico 1b mostra que parcela majoritária (64%) dos entrevistados consome leite entre 5 a 7 dias por semana, porém 13% consomem apenas 1 a 3 dias por semana, sendo insuficiente. O consumo de leite dos demais se enquadra na faixa entre 3 a 5 dias por semana.
1a 1b
Gráfico 1 – Participação relativa dos consumidores de leite e derivados segundo o tipo de leite mais consumido
(a) e a frequência semanal (b), na cidade de Exu, PE.
Fonte: Elaborado pelos autores com base nos dados da pesquisa. Leite in natura 75% Leite em pó 16% Leite UHT 9% Leite Pasteuri zado 0% 1 a 3 dias 13% 3 a 5 dias 23% 5 a 7 dias 64%
Frequência Semanal -
Consumo de Leite
1663 Os Gráficos 2 e 3 ilustram as preferências dos consumidores por tipo de leite mais consumido por gênero (2a), faixa etária (2b), por renda (3a) e por nível de escolaridade (3b) para verificar se essas variáveis socioeconômicas influenciam a preferência pelo tipo de leite adquirido. Conforme se verifica, nos tipos de leite UHT e in natura há uma participação maior do gênero masculino, enquanto o leite em pó é mais consumido pelas pessoas do gênero feminino. Esse resultado concernente ao consumo do leite em pó ser mais frequente em mulheres também é verificado no estudo de Magdalena et al. (2008).
No tocante à faixa etária, pode-se inferir que a maior participação relativa do leite UHT se encontra presente nos consumidores mais jovens, enquanto as pessoas de terceira idade não optam por esse tipo de leite. O leite em pó é mais consumido pelas pessoas com mais de 65 anos, enquanto os consumidores entre 25 a 65 anos preferem o leite in natura.
2a 2b
Gráfico 2 – Participação relativa dos consumidores de leite e derivados segundo o tipo de leite mais consumido
por gênero (a) e por faixa etária (b), na cidade de Exu, PE. Fonte: Elaborado pelos autores com base nos dados da pesquisa.
Como se observa pelo Gráfico 3, o leite UHT é mais adquirido por pessoas com renda média mensal familiar acima de 4 salários mínimos, enquanto o leite in natura é mais demandado pelos consumidores com renda entre 2 a 4 salários mínimos. Em relação ao nível de escolaridade, os dados ilustram que aqueles que possuem maior escolaridade preferem o leite UHT e leite em pó do que o leite in natura.
0,0 10,0 20,0 30,0 40,0 50,0 60,0 70,0 80,0
UHT Leite em Pó Leite in natura 9,5 11,9 78,6 7,9 19,0 73,0 % Masculino % Feminino 0,0 20,0 40,0 60,0 80,0 100,0 UHT Leite em Pó Leite in natura 12,1 30,3 57,6 7,5 7,5 85,1 0,0 40,0 60,0 15 ├┤25 anos 25 ┤65 anos > 65 anos
1664 3a 3b
Gráfico 3 – Participação relativa dos consumidores de leite e derivados segundo o tipo de leite mais consumido
por renda em salários mínimos (a) e por nível de escolaridade (b), na cidade de Exu, PE. Fonte: Elaborado pelos autores com base nos dados da pesquisa.
Conforme se observou no Gráfico 1b, o leite é consumido frequentemente, visto que 64% dos entrevistados consomem leite entre 5 a 7 dias por semana. No entanto, com base na Tabela 5, verifica-se que a quantidade ingerida é relativamente baixa. De acordo com a FAO (Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação), o consumo mínimo de leite diário é 500 ml por pessoa. Assim, ao analisar os dados da Tabela 5 e considerando que a média familiar encontra-se entre 4 a 6 membros, percebe-se que a quantidade consumida de leite é extremamente inferior, pois como 74,3% dos entrevistados consomem entre 1 a 4 litros, então, uma família constituída por 4 componentes consome, em média, 4 litros de leite. Sendo assim, cada indivíduo consome 1 litro/semanal, estando muito abaixo do recomendado pelo órgão mundial. Ademais, pode-se inferir que, para a amostra utilizada, apenas 7% atendem a recomendação do Órgão Mundial.
0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 UHT Leite em Pó Leite in natura 0┤2 sm 2┤4 sm > 4 sm 0,0 20,0 40,0 60,0 80,0 100,0 0┤8 anos de estudo 8┤11 anos de estudo 11┤15 anos de estudo
1665 6. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Os resultados da pesquisa indicaram que a maior parte dos consumidores de leite entrevistados pertence ao gênero feminino, possui idade até 35 anos, recebe uma renda familiar de até dois salários mínimos, mora na residência com pelo menos cinco componentes familiares e um terço não obteve nem o ensino fundamental completo.
Quanto ao tipo de leite preferido, parcela majoritária opta pelo leite in natura. O leite pasteurizado não é utilizado nessa amostra de consumidores entrevistados. Ao associar os tipos de leite mais consumidos com as características socioeconômicas desses entrevistados, verifica-se que o leite em pó é mais consumido pelas pessoas do gênero feminino e por pessoas de terceira idade. Por sua vez, o leite UHT é mais adquirido por pessoas com renda média mensal familiar acima de 4 salários mínimos e por consumidores mais jovens. Ademais, os consumidores que possuem maior escolaridade preferem o leite UHT e leite em pó do que o leite in natura.
Os dados também mostraram que apesar de consumirem o leite frequentemente, seu consumo está abaixo do consumo recomendado pela FAO. Portanto, é importante estimular as pessoas a ampliar o consumo desse produto, dada a sua importância para a saúde.
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1667 QUESTÃO AGRÁRIA: SUA CONFIGURAÇÃO NO GOVERNO PT E A ATUAÇÃO