Considerações gerais da pesquisa

No documento UNIVERSIDADE ANHEMBI MORUMBI ROSEMEIRE CALIXTO MASSARUTTO (páginas 105-110)

Capítulo 4. Considerações Finais

4.1 Considerações gerais da pesquisa

O presente estudo teve por objetivo uma análise preliminar da sustentabilidade da atividade do turismo em áreas protegidas, com foco nos meios de hospedagem da Parte Baixa do Parque Nacional do Itatiaia. Por meio do referencial teórico pesquisado sobre os critérios do desenvolvimento sustentável construídos por Sachs (1993), a discussão sobre a sustentabilidade do turismo (parâmetros social/cultural, econômico, político, ecológico e ambiental) de Murphy (1994) e a proposta de formas de administração do turismo sustentável de Swarbrooke (2000), construiu-se um conjunto de parâmetros e indicadores para o desenvolvimento da pesquisa de campo, como sugestão de desenvolvimento de uma avaliação dos critérios da sustentabilidade em meios de hospedagem demonstrou no quadro 15 alguns parâmetros para avaliação em pesquisa de campo:

Quadro 15 - Parâmetros e variáveis sustentáveis em meios de hospedagem Dimensões da

Dimensões da

Dimensões da

Com base nesse quadro, propõe-se um modelo preliminar referencial para ser aplicado em meios de hospedagem em Unidades de Conservação a partir do desenvolvimento de parâmetros e variáveis sustentáveis, conforme apresentado.

Os resultados se refletem na pesquisa desenvolvida em âmbito teórico/prático realizada no Parque Nacional de Itatiaia. Na discussão, observamos que a visão dos gestores entrevistados condiz com o problema proposto por essa dissertação, que é verificar como os meios de hospedagem em áreas protegidas se “comportam” em relação à sustentabilidade.

Nesse sentido, identificaram-se e analisaram-se os seus “comportamentos” perante os parâmetros criados: social e cultural, ecológico, ambiental, econômico e político.

Com relação aos parâmetros sociais, as pessoas que gerenciam os 3 meios de hospedagem (e residem no interior do parque) desde antes da instituição desta área como parque, em 1937, produzem uma relação diferenciada com o lugar, ao contrário dos que estão no local há pouco, cuja expressão mostra apenas o sentido de exploração comercial do seu empreendimento.

A legislação brasileira dispõe sobre a não permanência de populações habitando o interior de parques nacionais. De acordo com a legislação vigente, essas áreas são de domínio público e, por isso, devem ser utilizadas de forma a conservar seus recursos, e já que qualquer atividade “exploratória” deve gerar um ônus para o Estado. Com isso, a não regularização das propriedades no interior do parque provoca problemas sociais e conflitos no Parque Nacional do Itatiaia, o que pode ser um indício de situação que também ocorre em outras áreas protegidas no Brasil. Ressalta-se a importância de discussões realizadas em congressos mundiais, como os da IUCN, quanto à presença de populações tradicionais e não tradicionais nessas áreas, o que deveria ser debatido em eventos científicos no Brasil, inclusive no campo do turismo.

Entretanto, há a necessidade de analisar a sustentabilidade de forma mais aprofundada para discutir mais apropriadamente as diferenças entre as posturas dos meios de hospedagem frente ao meio ambiente social. Na pesquisa, ficou claro que o “nível” de responsabilidade dos meios de hospedagem apresenta-se variado quanto à conservação diante do tempo de permanência dos gestores na localidade. Com isso, considera-se importante ponderar o desenvolvimento de ações de gestão e manejo pela gestão do parque em conjunto a esses empreendedores como uma contribuição ao desenvolvimento social local e, principalmente, focado na valorização cultural.

Constatou-se, em relação aos parâmetros políticos analisados, que há uma informalidade no desenvolvimento das atividades dos meios de hospedagem na Parte Baixa do PNI. Esse contexto não contribui para uma gestão participativa dos gestores dos meios de hospedagem na gestão do parque, os quais não se constituem em um público assíduo nas reuniões do conselho consultivo do parque.

A pesquisa revelou também a escassez de informações que gestores dos meios de hospedagem possuem quanto à captação e utilização dos recursos básicos e ao gerenciamento

de ações no sentido de reduzir o consumo de água, da energia e resíduos sólidos. Como consequência, eles desenvolvem suas atividades com procedimentos muitas vezes impróprios, gerando a degradação ambiental. Tais procedimentos pouco adequados ou “tímidos” perante as possibilidades de gerenciamento sustentável propagadas na bibliografia pertinente ao tema podem refletir a pouca qualificação e formação profissional dos gestores dos meios de hospedagem. Ressalta-se ainda que estes apresentam um conceito errôneo sobre o zoneamento do parque, o que é um ponto importante a ser considerado para qualquer ação em prol do desenvolvimento sustentável de suas atividades na área.

Cabe propor investimentos a serem realizados pela gestão do PNI na divulgação do que sejam práticas ambientais sustentáveis adequadas, como também planejar, gerenciar, implantar e monitorar seus resultados. Assim, desenvolver nos gestores dos meios de hospedagem a sua real responsabilidade a partir de ações implantadas para cada atividade desenvolvida pelos empreendimentos, destacando o processo que pode degradar o ambiente caso não sejam adotadas medidas práticas adequadas.

As ações ambientais desenvolvidas pelos gestores dos meios de hospedagem da Parte Baixa do PNI indicam a necessidade de se desenvolver o planejamento e a fiscalização de procedimentos adotados pelos empreendimentos turísticos, e não apenas junto aos meios de hospedagem, de forma a tornar públicas as suas ações e a cobrar as suas responsabilidades diante do propósito de utilizar o espaço de uma unidade de conservação.

Pensar nos fatores econômicos como o potencial de permanência desses empreendimentos não justifica liberar indiscriminadamente a exploração privada nessas áreas.

A pesquisa demonstra que a preocupação dos gestores dos meios de hospedagem da Parte Baixa do PNI é essencialmente de rentabilidade financeira dos seus “negócios”, não considerando outros fatores, como sociais, culturais, ambientais, ecológicos e políticos, para o desenvolvimento da sustentabilidade econômica.

É importante, no entanto, esclarecer que há meios de hospedagem atuantes no PNI que, além de desenvolver suas atividades satisfatoriamente, poderiam aprimorar seus desempenhos sustentáveis mediante maior acesso a informações e participação na gestão do parque. Estes poderiam servir de exemplos a serem seguidos e devem se alinhar aos procedimentos do novo uso proposto pela gestão do parque para essa área. Entretanto, nem todos possuem esse perfil, conforme demonstrado nesta pesquisa.

Para os meios de hospedagem que estão no PNI desde antes de sua instituição, a concessão não é viável economicamente, porque diante da proposta da conservação, não poderiam aumentar os números de unidades habitacionais para venda e seus custos aumentariam com as regras de concessão desenvolvidas pelo Estado.

A proposta de um estudo que considere as particularidades da área e as especificidades dos empreendimentos turísticos nela atuantes poderia nortear o planejamento e desenvolvimento de novas formas de uso do parque, levando em conta a história, memória e, principalmente, os pressupostos da conservação. Diante disso, levanta-se a necessidade de criação de adequados critérios de “sustentabilidade legal”, que é o desenvolvimento de uma legislação pertinente à prática das unidades de conservação de forma que alie a conservação e a preservação dentro da legislação nacional e internacional. Isso porque o imposto pela legislação vigente para as unidades de conservação e, dentro destas, para os parques nacionais, não prevê as especificações do lugar e de seu uso público turístico com propriedade. Aqui fica clara a inter-relação entre as diferentes abordagens da sustentabilidade, que se integram e sofrem influência umas das outras, ou seja, não podem ser vistas isoladamente, mas sim em conjunto, em um sistema.

No documento UNIVERSIDADE ANHEMBI MORUMBI ROSEMEIRE CALIXTO MASSARUTTO (páginas 105-110)