Quando se confrontam os resultados consensuais coletados nos encontros de antecipação e revisão construtiva, verifica-se que as respostas do 1º CHD estavam restritas ao senso comum dos participantes. Não foi observado construto de conhecimento formal nas questões pesquisadas, diferentemente das mostras obtidas no encontro final, fase da revisão construtiva, durante o CHD no 15º dia. Observa-se que houve expressivo crescimento nas construções conceituais. Os alunos demonstraram desenvoltura nas discussões e as construções conceituais apresentadas foram satisfatórias para todas as questões. Entretanto, no encontro anterior de revisão construtiva da 14ª aula, (encontro anterior da coleta final), os alunos estavam mais descontraídos e se colocaram nas discussões com maior desenvoltura, o que leva a dizer que ao se sentir avaliado, a pessoa tende à inibição, ao retraimento. Frequentemente o medo de errar inibe o possível sucesso de qualquer ação. Assim, mesmo estando vivenciando uma metodologia de grande liberdade de expressão, houve demonstração de retraimento de alguns, não se comportaram com a naturalidade existente nas aulas
anteriores durante as outras fases kellyanas: investimento, encontro,
confirmação/desconfirmação e 14ª aula na fase de revisão construtiva.
No que diz respeito aos conceitos da arte, os alunos produziram suas peças considerando não o parâmetro de feio ou bonito, mas, o mais representativo, o mais expressivo, o que nessa visão, muda toda uma discussão conceitual sobre o tema.
Quanto aos conteúdos da Química foram mais significativos com relação à própria matéria- prima e as propriedades da matéria que seriam interessantes para as construções artísticas, os alunos testaram com calor o polietileno tereftalato, discutiram sua organização molecular, apresentaram um bom desenvolvimento nas suas colocações.
No aspecto da Biologia dentro do discutido em sala de aula durante o investimento, pode-se considerar que o desenvolvimento conceitual do aluno foi contemplado, embora que poderia ter sido uma experiência mais rica se trabalhada de forma interdisciplinar. Nas questões de abordagem científica, os alunos ficaram mais retraídos, pois suas construções certamente necessitavam de conhecimentos específicos; um professor especialista da área teria propriedade para subsidiar esses momentos.
No que trata das questões ambientais foi, sem dúvida, uma produtiva experiência: os alunos experimentaram durante o processo da intervenção, um laboratório de construção do conhecimento, no qual a sensibilização foi associada à cognição; o exercício conceitual uniu aspectos da Arte e da Ciência permitindo ao grupo uma conscientização ambiental possível de ser multiplicada em seu entorno social. Os participantes consensualmente mencionaram ser potencialmente capazes de atuarem como multiplicadores em atividades extensionistas, e em todas as considerações críticas sobre o desenvolvimento metodológico da intervenção e dos conteúdos trabalhado, os alunos deram parecer positivo.
De acordo com Kelly (1963), só há modificação nos sistemas de construtos ou nos processos de construção, quando os indivíduos estão verdadeiramente engajados na experimentação de um evento, entendendo-se por experimentação, conforme já visto, um processo complexo composto pelas etapas de antecipação, investimento, encontro, confirmação/desconfirmação e revisão construtiva; tal como explicitado no ciclo kellyano (1963) e vivenciado nas etapas de construção metodológica da pesquisa. O processo de experimentação se dá, se existir efetivamente na construção mental dos sujeitos. Assim, de forma subjetiva, pode-se supor que o conhecimento ocorra a partir de exercícios de conceituação, resultantes de discussões, planejamentos, elaborações espontâneas, contextualizações e atividades criativas, que busquem o máximo envolvimento dos alunos, evitando assim, os vícios da educação formal que levam os alunos a decorarem textos e fórmulas, e que por não terem participação construtiva dos alunos, acabam rapidamente esquecidas pelos mesmos, após as avaliações curriculares.
Houve de um modo geral, uma postura receptiva dos alunos com relação às etapas do ciclo, a participação no CHD e as aulas práticas que aproximaram a Arte da Ciência. Os textos disponibilizados com antecipação de um encontro também foram importantes, pois permitiu aos alunos, melhorarem seus processos de compreensão e discussão sobre os temas abordados em sala de aula. No contexto, mostrou que melhorou o entendimento, permitiu investimento para as discussões, e, efetivamente, aproveitou-se melhor o tempo.
A integração dos instrumentos, o ciclo de experiência de Kelly (1963) e o Círculo hermenêutico-dialético de Oliveira (2005) com as modificações propostas nesta pesquisa, contribuíram significativamente para os resultados obtidos. Conduzindo a intervenção para uma experiência construtivista, permitindo que todos os integrantes encontrassem seu momento de participação e de construção. De forma hermenêutica-dialética discutiram suas idéias, em um espaço de respeito à individualidade e a socialização construtiva; os envolvidos experimentaram o compartilhamento emocional e intelectual em um processo de construção e reconstrução que permitiu que todos se sentissem respeitados e contemplados.
Os alunos defenderam suas idéias e concluíram que, sem o necessário investimento de saberes, fica impossível se ter segurança e autonomia em suas próprias construções e reconstruções, nos conteúdos disciplinares e na vida como um todo.
Em sua teoria, Kelly (1963) descreveu um ciclo da criatividade para gerar novos construtos, para ele, essa seqüência começa no momento em que ocorre um afrouxamento pelo indivíduo das suas construções de mundo a fim de experimentar novas e flexíveis interpretações do mesmo. Supõe que de alguma forma a pessoa explora por “ensaio e erro, uma nova abordagem” (p. 339) isto ficou evidente no contexto da pesquisa quando os alunos discutiram sobre arte conceitual no primeiro CHD, quando arriscaram livremente conceituar seguindo pistas e acatando hipóteses, entretanto, nas outras questões de abordagem científica, eles se mostraram mais retraídos, identificaram que necessitavam de mais conhecimentos específicos.
Certamente o fato de construções conceituais de Ciência terem sido representadas por interpretações artísticas desenvolvidas pelos próprios alunos, nas quais associaram em suas construções mentais, tanto as construções representativas de mundo, as formas analógicas, quanto às propositivas, idéias expressadas verbalmente (JOHNSON-LAIRD, 1983), espera-se que essas associações sirvam para amparar as novas reconstruções mentais, sempre que os
alunos necessitarem recorrer às questões discutidas e antecipar eventos. Possivelmente, sempre haverá na mente dos envolvidos, um elemento de fácil memorização disponível para ajudá-los na fixação das idéias e das conceituações estabelecida ao final do processo de revisão construtiva, que evidentemente, serão úteis em um novo momento de experiência, quer antecipando eventos, ou revendo construtos (KELLY, 1963).
O tema de abordagem, conforme visto, trata de questões atuais, com enfoques importantes para a contextualização, construção de conceito e mudanças atitudinais. Requerem abordagem de diferentes áreas do saber. Foi aplicado de forma transdisciplinar, contudo, cabe perfeitamente para projeto interdisciplinar.
Sobre a experimentação de aproximar o Ensino da Arte do Ensino das Ciências através das Artes plásticas espera-se que tenha alcançado qualidade significativa em seus resultados, e que permita animar outros professores-pesquisadores a testarem novas aproximações.
Tendo em vista os resultados apresentados e discutidos nesta pesquisa pode-se concluir que os Instrumentos metodológicos foram de grande importância para a qualidade das construções obtidas. A organização dos conteúdos referenciados na seqüência do ciclo kellyano e a compreensão teórica sobre o ciclo da experiência de Kelly (1963) na construção da aprendizagem foram de absoluta valia para dimensionar todo o processo, bem como, a conjugação com o instrumento de coleta o CHD com a modificação na operacionalização proposta ao mesmo, estabeleceu uma harmonia valiosa, estimulou os processos cognitivos dos alunos, permitiu a construção conceitual com maior proximidade das concepções científicas e favoreceu ao crescimento individual ao estimular a comunicação e a expressão.