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Dilce Teresinha Assunção da Silva

CONSIDERANDO AS DIFERENÇAS PARA “AVALIAR”

Acredita-se que é preciso considerar a avaliação como meio de reflexão sobre as inúmeras vias de discussões e estratégias para que o estudante construa o seu conhecimento, levando em conta as suas condições de aprendizagem.

Para Esteban (2000, p.8), o processo de avaliação de resultados escolares dos estudantes “tem sido marcado pela necessidade de criação de uma nova cultura sobre avaliação que descortine os limites da técnica e incorpore em sua dinâmica a dimensão ética”.

Os instrumentos de avaliação utilizados como provas, exames e todo um aparato que tem por finalidade “medir” e não “mediar” o conhecimento têm promovido massacres, principalmente para estudantes com NEE. É comum ouvir dos professores a dificuldade (ou a negação) para fazerem uma avaliação que leve em conta as potencialidades do estudante com NEE, bem como os seus saberes e o modo como pode apresentar tais saberes.

É importante que o professor permita-se compreender como determinados estudantes podem apresentar o conteúdo que está sendo abordado. Na prática, principalmente com estudantes da EJA, observa-se que para alguns é interessante escrever, fazer cartazes ou apresentar o conteúdo (a seu modo) para os colegas. Para outros, é importante que façam relação do conteúdo com algo do cotidia- no, da vida em família ou do trabalho. Outros ainda gostam de realizar atividade avaliativa acomodados em dupla, porque se sentem mais à vontade para poder “errar” ao falar, segundo eles próprios. Alguns se sentem mais seguros com o grupo. Assim, a avaliação se dá de diferentes formas, levando em conta a maneira como um determinado perfil de estudante pode dar um feedback sobre o que foi visto em aula, justamente porque a prática avaliativa precisa reconhecer de que forma o conteúdo foi abordado e o que é preciso modificar para que os estudantes sin- tam-se à vontade diante do desafio de aprender e dar um significado ao aprendido. O professor mediador precisa compreender que os instrumentos de avaliação devem estar em consonância com as finalidades da avaliação e do ensino propriamente dito. Avaliar não pode restringir-se a dar uma nota. É muito mais que isso, porque implica fazer um levantamento de dados e de dificuldades. O professor precisa observar criticamente a sua própria atuação, pois em muitos casos é o professor que não se faz compreender, seja por dificuldades na fala (má dicção), seja na interpretação das necessidades dos estudantes ou ainda, por falta de empatia.

A gestão escolar (Direção, Orientação e Supervisão) precisa estar atenta ao alunado e igualmente ao professor e às suas dificuldades de comunicação, que não são poucas, dado que é um ser humano e, portanto, precisa de suporte.

Para Carvalho (1996, p.113), a formação de nossos professores infelizmente ainda não contempla de forma ampla o respeito à diferença e as matérias do currículo.

A prática de ensino e a avaliação são, geralmente, programadas para pessoas ditas normais. E neste universo, os estudantes da EJA comumente sentem-se constrangidos em não atingirem numericamente aquilo que o professor esperava. A inabilidade de muitos professores na compreensão da necessidade de criar uma forma diferenciada para avaliar o conteúdo faz com que muitos estudantes da EJA acabem evadindo, uma vez que se sentem desestimulados a continuarem em um lugar onde as suas dificuldades não são transformadas em potencialidades, mas assinaladas como falhas, seja do próprio currículo, seja da aprendizagem, como é comum ouvir-se dos professores.

Dito isso, como empreender nas escolas (as inúmeras) formas de avaliar uma pessoa com NEE? Acredita-se que esse desafio necessite principalmente de um olhar ético sem descuidar-se das teorias de ensino e aprendizagem, que seguramente podem dar suporte às necessidades da escola. Por outro lado, os professores também necessitam compreenderem-se nas suas práticas para avançarem nos resultados ou nas avaliações, que são, de certa forma, padronizados. Uma vez que o professor consiga mediar a aprendizagem dentro da esfera da inclusão, as avaliações podem ser transformadas em aberturas para discursos baseados no assentamento do prazer em estudar, no aprender a estar junto, levando-se em conta que é no respeito às diferenças que está o desafio e a forma genuína de ser pessoa.

CONCLUSÃO

O limite do desenvolvimento da pessoa não pode ser predeterminado pela sua condição de deficiente intelectual. A educação, em suas práticas humanizadas, deve levar em conta as especificidades de cada pessoa, sem deixar de lado os princípios básicos da educação, que também são propostos aos demais estudantes. Finalmente, deve-se considerar que neste artigo faz-se apenas um recorte de uma pesquisa ainda em desenvolvimento. Pode-se depreender que há muito a ser feito, uma vez que esta perspectiva de incluir o estudante com deficiên- cia, na modalidade EJA, deve ser um ato contínuo de todos os envolvidos no processo de ensinar e aprender. Os processos avaliativos desses estudantes podem ser determinantes na permanência e sucesso destes no sistema edu- cacional, daí a importância de conhecer os preceitos educacionais para esses estudantes e refletir sobre como pode ser uma avaliação que contribua para a aprendizagem e ensino.

O RG A N I Z A D O R A S

I

A N A C L Á U D I A PAVÃO S I L U K

I

S Í LV I A M A R I A D E O L I V E I R A PAVÃO

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