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constitui o menor escalão em que os processos de

ensino e aprendizagem

encontram sua coerência,

é a unidade onde é possível

desenvolver a mudança

em educação

relação com o saber que sejam adequados para atender à diversidade de todos os seus alunos, respeitando suas características particulares quanto às formas com que se apropriam dos conteúdos e às habilidades que se lhes ensina. Nesse sentido, Ranciere dizia que duas faculdades se põem em jogo no ato de aprender: por um lado, a inteligência e a vontade e, por outro, a confiança na capacidade intelectual de todo ser humano.

Diante destes grandes desafios apresentados aos docentes –de procurar ser agentes que facilitem a apropriação dos saberes, acompanhar os alunos para legar-lhes os símbolos da cultura da humanidade, ser modelos de referência na construção de identidades–, encontramo-los, no entanto, em muitos casos, desaparecidos na rotina e sobrecarregados com a tarefa cotidiana, razão pela qual optam, de maneira consciente ou inconsciente, por reproduzir, definitivamente, suas próprias biografias e rotinizam o seu agir. Seu trabalho, que está sob o escrutínio permanente das autoridades, da comunidade, dos pais, da imprensa, dos diretores institucionais, lhes traz muitas vezes mal-estar e estresse profissional. Diante disso, o que acontece na classe se distancia significativamente do que vemos como favorável para o processo de aprendizagem dos alunos dentro dela.

DA CLASSE ao centro educacional...

A esse respeito, nos parece oportuno recordar que, a nosso ver,, o centro educacional constitui o menor elo no qual os processos de ensino e aprendizagem encontram sua coerência, é a unidade onde é possível desenvolver a mudança em educação. O trabalho do docente em sua classe não pode, nem deve, dissociar-se da tarefa que se realiza em todo o centro educacional, de maneira a estabelecer um projeto. Perrenoud (2001) diz, quanto a isto, que se deveria visualizar a instituição educacional como um lugar no qual se visa a democratizar o acesso aos saberes, a desenvolver a autonomia dos sujeitos, seus sentido crítico, suas competências de atores sociais, sua capacidade de construir e defender um ponto de vista.

Propor uma formação de docentes de secundária através da pesquisa não significa incluir nos planos de formação uma nova disciplina, como seria a metodologia de pesquisa, ou assegurar através das propostas a capacidade de pesquisa dos docentes, sem dúvida necessária mas não suficiente.

Esta proposta que fazemos sobre a possibilidade de pensar uma formação de docentes de secundária a partir da pesquisa significa buscar uma efetiva interação entre os centros de secundária, as instituições formadoras e a pesquisa. Como dizia Ribeiro (1988), reflete-se assim a necessidade de que a tarefa docente requeira um trabalho em equipe, no qual se dê a proposta da docência como uma tarefa de pesquisa coletiva, de produção de conhecimento sobre o ensino e a

aprendizagem.

Nas classes das instituições de secundária de nossa região, no entanto, a necessária reflexão para otimizar a formação docente vem sendo postergada, havendo mais preocupação e ocupação com a acumulação de disciplinas e conteúdos nos currículos existentes do que com a descoberta dos caminhos necessários para incentivar nos alunos a curiosidade para transitar pelos trajetos que lhes permitam relacionar-se e apropriar-se dos saberes que são considerados valiosos, ou com a formação de docentes para gerar essas situações. Nossos estudantes necessitam dispor de espaço e tempo para poder desenvolver suas capacidades e suas potencialidades; necessitam ser escutados, compreendidos, estimulados a desenvolver-se como pessoas; necessitam desenvolver sua auto-estima. E nossos docentes requerem a necessária formação para atingir essas metas.

Ao docente, cuja tarefa na secundária tem sido

tradicionalmente caracterizada, na maioria dos casos, por “dar aula”, pede-se-lhe hoje um papel muito mais abrangente, que inclui sua integração às equipes institucionais para desenvolver o projeto de centro, a preocupação por gerar cenários na classe que formem em valores, que trabalhem habilidades para a vida, assim como associar-se a tarefas de inovação e pesquisa. Por sua vez, o bem-vindo crescimento da matrícula determinou que os docentes devam prestar atenção a crianças, adolescentes e jovens com histórias, trajetórias, situações, capacidades e expectativas muito diferentes. Partimos da convicção, como faz Frigerio, que é possível discutir a noção de destino, que devemos erradicar a popular concepção de que há crianças e jovens incapazes de estabelecer uma relação construtiva com o conhecimento, incapazes de re-criar a cultura. Mas, para isto, é fundamental contar com docentes que pesquisem e procurem levar à classe os modelos de

Precisamos de centros educacionais que sejam capazes de recolher e de oferecer uma proposta educacional dotada de unidade de critérios com base nos acordos alcançados entre todos os protagonistas da tarefa que se leva adiante. O sucesso desta unidade implica, em primeiro lugar, uma nova concepção do currículo da secundária, superando sua estruturação com base na justaposição de disciplinas, assim como do próprio trabalho docente no seio do centro

educacional, superando posturas fortemente arraigadas na educação média (trabalho solitário), para dar passagem a um trabalho de equipe e grupal. Hoje em dia está muito claro que os espaços de aprendizagem ampliaram-se. Todo centro educacional constitui um grande ambiente de aprendizagem, e esta realidade impõe talvez uma nova definição do que entendemos por classe. A “classe de aprendizagem” deveria ser reconceitualizada com relação a espaço, a tempo e a atores envolvidos nos processos de ensino e aprendizagem.

Estudos sobre a qualidade da educação que se oferece nas instituições deixam claro que os fatores que se associam a ela não são unicamente os resultados acadêmicos dos alunos, mas que se deve levar em grande consideração o compromisso das pessoas que constituem a comunidade educacional (muitas vezes mais importante que os recursos didáticos ou as boas instalações). A importância deste “fator institucional” pode ser compreendida quando comprovamos que pode ser

intermediário entre a situação de partido do aluno e seus resultados, marcando a diferença no destino de um jovem e se dirigindo para a igualdade. Dentro desse “fator institucional”, hierarquizamos tudo que se relaciona com os processos institucionais e os processos de classe, mas, muito em particular, com as pessoas que têm a ver com esses processos (docentes, diretores, pessoal de apoio), com seus vínculos, com seu

compromisso, com sua capacidade para gerar um ambiente de aprendizagem rico e estimulante, com sua força para liderar projetos educacionais que tendam a formar os alunos respeitando sua diversidade, sob todos os aspectos: conteúdos acadêmicos, estratégias de aprendizagem, atitudes e valores. Neste sentido, temos podido apreciar, em nossas análises em instituições de educação secundária, que há fatores determinantes na formação de nossos jovens e seus sucessos; entre eles, as atitudes que se valorizem neles dentro do colégio, o clima que percebem, as expectativas de seus docentes com relação a seus sucessos, os níveis de participação que lhes é permitido, os recursos que se põe à sua disposição, os níveis de acompanhamento dentro da instituição, as expectativas e a participação que percebam de suas famílias.

Pelo contrário, os estabelecimentos de educação secundária tiveram enormes dificuldades para conseguir essa cultura interna, assim como uma necessária unidade e coesão, já que têm sido visualizados e vividos tradicionalmente como lugares de trânsito para os professores e, para os alunos, como uma sucessão de disciplinas com professores diferentes, cada um deles com formações diferentes, exigências e modalidades também muito diferentes. As pesquisas trouxeram com total clareza provas de que melhorar as aprendizagens nas instituições educacionais da secundária implica mudar essa modalidade de trabalho por outra que aponte para a coerência da proposta e que atenda aos elementos que fazem o clima e a cultura do centro.

Deve-se levar muito em