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2. Reflexão Pessoal

2.10. Constrangimentos que podem influenciar a atividade docente e

Apesar do muito trabalho efetuado reconhecemos ter havido alguns constragimentos, de várias naturezas.

Um desses constrangimentos está relacionado com a componente letiva e não letiva atribuída ao professor, que aumentou, e o elevado número de alunos por turma. A carga horária atribuída a Ciências Naturais, no 3.º Ciclo do Ensino Básico (dois blocos de 45 minutos – passando para três blocos no ano letivo 2012/2013), o pouco tempo pós-letivo disponível para um maior atualização, e quase inexistência de ações de formação, na região, foram os constrangimentos mais sentidos. O tempo destinado à aprendizagem de conteúdos científicos e à execução de trabalhos experimentais, essenciais para que os discentes alcancem as competências científicas almejadas para o final de ciclo, é muito curto. Assim, os conteúdos científicos não podem ser trabalhados de forma tão aprofundada como seria necessário para uma maior consolidação dos mesmos.

Por outro lado, entre a componente letiva e a não letiva que foi atribuída e aceite, o restante tempo é dedicado a planificar e elaborar materiais para as aulas, e a preparar as aulas e trabalhar para os projetos em que estamos envolvidas. Saliento que muito desse trabalho é efetuado no pouco tempo livre, o que leva a um maior cansaço, não nos restando muitas horas livres fora do horário de lecionação.

Como em Lamego não tem havido ações de formação temos de nos deslocar a outras localidades para podermos participar nas mesmas.

As formas encontradas para contornar estes constrangimentos relacionam-se com a organização e gestão do tempo disponível, e com o trabalho colaborativo com os pares (não só dessa escola como de outras escolas do país). A troca de ideias,

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experiências, e de materiais elaborados tem sido uma constante ao longo do nosso percurso profissional, bem como uma mais-valia para o processo de ensino- aprendizagem.

Temos que apostar na formação integral dos alunos. Para isso, é essencial que a nossa ação ultrapasse a sala de aula. Um minuto “perdido” no corredor, em viagens de estudo, em trabalhos de campo são horas que “ganhamos” ao longo do ano: ganhamos a confiança dos alunos e com isso criamos um clima favorável à aprendizagem na sala de aula.

Nem sempre a nossa ação é fácil: muitos problemas surgem – alguns tão graves que ultrapassam o nosso âmbito. Muitas vezes, apesar de cansados, ainda vamos para casa a pensar no que poderíamos ter feito mais. Virão alturas de desânimo e de cansaço. Mas também teremos momentos de felicidade, de emoção e de satisfação pessoal e profissional!

Um professor deve estar consciente do ambiente dinâmico que o rodeia, deve ser crítico e reflexivo sobre as suas práticas educativas e, acima de tudo, deve gostar do que faz…

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3. Conclusões

“Sendo a Educação um tema que remete para muitos outros, trata-se por isso de algo que deve ser estudado com rigor, evitando facilitismos no tratamento das questões educativas. Muitas pessoas julgam poder falar com certezas sobre os problemas (e as soluções das questões educativas). Trata-se de um enorme engano. Engano só possível porque são poucos os que se dedicam ao estudo da Educação (sob várias abordagens) não sendo de esquecer a desvalorização social que tem sofrido a classe docente. É muito difícil encontrar um leigo disposto a falar sobre electricidade, construção de pontes ou medicina. É fácil encontrar pessoas com "diagnósticos" sobre os problemas que a Educação enfrenta, bem como os "remédios" para esses problemas. E, no entanto, a Educação envolve precisamente o estudo da electricidade, da construção de pontes ou da medicina! Quanto mais estudamos questões educativas mais nos apercebemos de como é difícil resolver os problemas educativos, até pelo facto de eles estarem ligados a muitos outros problemas.” (Mota, 2003).

O Homem, pela própria definição de Morin, é um ser educável. O conhecimento, em sentido clássico, é dividido entre “Ciências da Natureza” e “Ciências Humanas”. Isto é um problema que Morin identifica, porque em geral, as pessoas “pertencem” apenas a um dos grupos de conhecimento. É preciso colmatar essa falha. (Morin, 2000). “Há sete saberes “fundamentais” que a educação do futuro deveria tratar em toda sociedade e em toda cultura, sem exclusividade nem rejeição, segundo modelos e regras próprias a cada sociedade e a cada cultura. Acrescentemos que o saber científico sobre o qual este texto se apoia para situar a condição humana não só é provisório, mas também desemboca em profundos mistérios referentes ao

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Universo, à Vida, ao nascimento do ser humano. Aqui se abre um indecidível, no qual intervêm opções filosóficas e crenças religiosas através de culturas e civilizações. Existe um problema capital, sempre ignorado, que é o da necessidade de promover o conhecimento capaz de apreender problemas globais e fundamentais para neles inserir os conhecimentos parciais e locais. A supremacia do conhecimento fragmentado de acordo com as disciplinas impede frequentemente de operar o vínculo entre as partes e a totalidade, e deve ser substituída por um modo de conhecimento capaz de apreender os objetos em seu contexto, da sua complexidade e do seu conjunto. É necessário desenvolver a aptidão natural do espírito humano para situar todas essas informações em um contexto e um conjunto. É preciso ensinar os métodos que permitam estabelecer as relações mútuas e as influências recíprocas entre as partes e o todo em um mundo complexo.

O ser humano é a um só tempo físico, biológico, psíquico, cultural, social, histórico. Esta unidade complexa da natureza humana é totalmente desintegrada na educação por meio das disciplinas, tendo-se tornado impossível aprender o que significa ser humano.

É preciso restaurá-la, de modo que cada um, onde quer que se encontre, tome conhecimento e consciência, ao mesmo tempo, da sua identidade complexa e da sua identidade comum a todos os outros humanos. Desse modo, a condição humana deveria ser o objeto essencial de todo o ensino. É possível, com base nas disciplinas atuais, reconhecer a unidade e a complexidade humanas, reunindo e organizando conhecimentos dispersos nas ciências da natureza, nas ciências humanas, na literatura e na filosofia, e põe em evidência o elo indissolúvel entre a unidade e a diversidade de tudo que é humano.

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Ser professor é, pelo que referimos, uma profissão de suma importância. Para se desempenhar as tarefas inerentes à profissão tem que se ter uma boa formação inicial, que será, mais tarde, complementada coma formação contínua e com a prática pedagógica.

A humanidade precisa de professores com visão emancipada, críticos, reflexivos, que possibilitem transformar as informações em conhecimento e em consciência crítica, para formar cidadãos sensíveis e que procurem um mundo mais justo, mais produtivo e mais saudável para todos.

Novos desafios se colocam aos professores atuais que devem estar preparados para ensinar num mundo onde nada é dado como certo ou adquirido, num mundo de constante mutabilidade e competitividade. Há que ensinar para a humanidade mas também para a competitividade.

Perante os constrangimentos que se sentem atualmente no exercício da docência é necessário que os próprios professores sejam agentes de mudança.

“As ciências permitiram que adquiríssemos muitas certezas, mas igualmente revelaram, ao longo do século XX, inúmeras zonas de incerteza. A educação deveria incluir o ensino das incertezas que surgiram nas ciências físicas (microfísicas, termodinâmica, cosmologia), nas ciências da evolução biológica e nas ciências históricas. Seria preciso ensinar princípios de estratégia que permitiriam enfrentar os imprevistos, o inesperado e a incerteza, e modificar seu desenvolvimento, em virtude das informações adquiridas ao longo do tempo. É preciso aprender a navegar em um oceano de incertezas em meio a arquipélagos de certeza.

A fórmula do poeta grego Eurípides, que data de vinte e cinco séculos, nunca foi tão atual: «O esperado não se cumpre, e ao inesperado um deus abre o caminho».

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O abandono das conceções deterministas da história humana que acreditavam poder predizer o nosso futuro, o estudo dos grandes acontecimentos e desastres de nosso século, todos inesperados, o caráter doravante desconhecido da aventura humana devem-nos incitar a preparar as mentes para esperar o inesperado, para enfrentá-lo. É necessário que todos os que se ocupam da educação constituam a vanguarda ante a incerteza de nossos tempos.” (Morin, 2000)

Como afirma esse autor, “A educação deve conduzir à “antropo-ética”, levando em conta o caráter ternário da condição humana, que é ser ao mesmo tempo indivíduo/sociedade/espécie. Nesse sentido, a ética indivíduo/espécie necessita do controlo mútuo da sociedade pelo indivíduo e do indivíduo pela sociedade, ou seja, a democracia; a ética indivíduo/espécie convoca, ao século XXI, a cidadania terrestre.

A ética não poderia ser ensinada por meio de lições de moral. Deve formar-se nas mentes com base na consciência de que o humano é, ao mesmo tempo, indivíduo, parte da sociedade, parte da espécie. Carregamos em nós esta tripla realidade. Desse modo, todo o desenvolvimento verdadeiramente humano deve compreender o desenvolvimento conjunto das autonomias individuais, das participações comunitárias e da consciência de pertencer à espécie humana. Partindo disso, esboçam-se duas grandes finalidades éticopolíticas do novo milénio: estabelecer uma relação de controlo mútuo entre a sociedade e os indivíduos pela democracia e conceber a Humanidade como comunidade planetária. A educação deve contribuir não somente para a tomada de consciência de nossa Terra-Pátria, mas também permitir que esta consciência se traduza em vontade de realizar a cidadania.

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Fonte: Mota (2010)

O que sucede é que a Sociedade engloba a Educação (ou Sistema Educativo) pelo que a visão de Rousseau é, hoje, excessiva (Mota, 2010).

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Pensamos assim, que, nos nossos dias a escola não vive isolada, nem pode, por si só, mudar, de forma decisiva e suficiente a sociedade em geral. Mas também pensamos que os docentes devem trabalhar com amor, dedicação e – evidentemente – com preparação científica e pedagógica, pois se a escola por si só não pode tudo, pode e deve preparar os que a frequentam e dotá-los de capacidades “skills” que os tornem mais aptos a enfrentar os desafios de um mundo em profundas mudanças e com concorrência à escala planetária. Os professores sabem que podem perder o seu desafio, mas parece-nos que devem tentar vencê-lo.

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4. Bibliografia

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Legislação consultada:

Lei de Bases do Sistema Educativo (LBSE) – lei n.º 46/86 de 14 de outubro Estatuto da Carreira Docente (ECD)

Estatuto do Aluno e Ética Escolar - lei n.º 51/2012 de 5 de setembro

Internet:

http://educar.no.sapo.pt/formcontinua.htm www.priberam.pt

http://pt.wikipedia.org/wiki/Guerra_Fria#Corrida_Espacial http://pt.wikipedia.org/wiki/Sputnik

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