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3 FUNÇÃO SOCIAL DAS CIDADES: POLÍTICA DE DESENVOLVIMENTO

3.3 CONSTRUINDO CIDADES INCLUSIVAS E SUPERANDO

A cidade inclusiva apresenta como objetivo solucionar não apenas a exclusão econômica, relacionada à concentração de renda, mas também a exclusão de acesso a

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BARAT, Josef. Política de desenvolvimento urbano: aspectos metropolitanos e locais. 2 ed. Rio de Janeiro: IPEA, 1979, p. 15.

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MEIRELLES, Helly Lopes. Direito Municipal Brasileiro. 6.ed. Malheeiros, 1993, p.377

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ERIKSSON, KARL-ERIK. Ciência para o desenvolvimento sustentável. Traduzido por Mary de Araújo. In: CAVALCANTI, Clóvis (org.). Meio Ambiente, desenvolvimento sustentável e políticas públicas. 4 ed. São Paulo: Cortez, 2002, p. 99.

serviços básicos, como saúde e educação, além da própria exclusão de exercício integral da cidadania e a vivência cultural plena em todos os segmentos da cidade.

Porém, é preciso ser esclarecido que a sensação de exclusão surge e alimenta- se de forma diferente nos indivíduos, de acordo com o país, com o ambiente socioeconômico. Por isso, a abordagem sobre exclusão social deve ocorrer de forma multidimensional, envolvendo, a desigualdades políticas, econômicas, culturais e de acesso à prestação de serviços públicos, de uma forma geral.

Não há uma definição clara do que realmente significam igualdade e inclusão para os povos de todas as religiões, raças e gênero, por serem valores afetados pela cultura179. Da mesma forma, é preciso distinguir-se a sensação da efetiva exclusão. Nos países mais ricos, dotados de mecanismos públicos de bem-estar eficientes, o conceito de exclusão relevante é afastado, em alguma medida, da definição de pobreza, o que não ocorre nos países em que os indivíduos não contam com uma rede pública de proteção. Além disso, conforme já mencionado, os elementos utilizados para determinar o grau de exclusão deve variar, conforme os costumes, os hábitos e as expectativas de cada comunidade180.

Entretanto, é possível traçar pontos universais sobre a análise e vivência da exclusão. Na ótica urbana, uma cidade inclusiva deve abranger quatro dimensões: social, política, econômica e cultural - que coincidem, portanto, com os eixos de sustentabilidade, conforme exposição do subtítulo anterior. Nesse sentido, o relatório produzido pela ONU- Habitat181constatou que “a inclusão econômica genuína que leva à alocação justa de oportunidades e renda é determinada, em grande parte, pelos

parâmetros de igualdade política, cultural e social que são específicos para cada cidade.”

Disso, aufere-se empiricamente que não é possível falar-se em real desenvolvimento, sem a perspectiva de que este conceito envolve necessariamente vários eixos de inclusão imbricados, ou seja, condicionados um ao outro. Sem que haja respeito a todos eles, não é possível um Estado considerar-se desenvolvido. Na ótica do

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SAMPATH, Padmasheree Gehi. Cidades inclusivas: uma perspectiva asiática. Traduzido por Emannuel Cavalcanti Porto. In: Desafios do Desenvolvimento. Brasília: IPEA, fev/mar 2010, PP.30, p.30.

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DUPAS, Gilberto. Economia global e exclusão social: pobreza, emprego, Estado e o futuro do capitalismo. 3° Ed. São Paulo: Paz e Terra, 2001, p. 23.

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ONU-HABITAT, Estado das Cidades do Mundo 2010/2011. Unindo o urbano dividido: Resumo e principais constatações. Brasília: IPEA, 2011, p. 22. Disponível em http://www.ipea.gov.br/portal/ images/stories /PDFs/ 100408_cidadesdomundo _portugues.pdf , consulta realizada em 19/08/2011.

meio urbano, esse é o sentido que deve nortear a interpretação do princípio da função social das cidades, significando direito “às cidades” e não “das cidades”.

Falar em direito das cidades, é direcionar a perspectiva dos Municípios como sujeitas de direitos, na qualidade de pessoas jurídicas de natureza pública. Já o direito às cidades é o direito que a população em geral tem de usufruir daquela em toda a sua plenitude, é o direito de viver e de conviver no meio urbano, tendo respeitados pelo Estado todas as condições que envolvam os mais diversos aspectos da dignidade dos indivíduos e, por conseguinte, da coletividade.

Assim, esclarece-se previamente que a inclusão econômica está relacionada ao nível de emprego gerado pelo estado, à garantia legal e contratual do ambiente geral de negócios, à presença de incentivos fiscais para as atividades econômicas, à liberdade de expressão e liberdade de imprensa. O microcrédito para os pobres e desassistidos mostra-se como uma das medidas mais importantes para o aumento da inclusão política, embora a sua concepção tenha sido inicialmente feita como uma medida econômica, pois fortalece socialmente o empreendedor, ressaltando seu senso de dignidade e de membro ativo da comunidade182.

Edgar Peterse183, estabelece proposta para se alcançar resultados inclusivos nas cidades, as quais passam basicamente três eixos de ações: i) verificar quais os fatores causadores da desigualdade urbana;ii) institucionalizar compromissos públicos que assegurem medidas práticas para que os assentamentos mistos e as áreas residenciais de renda mista possam coexistir e cooperar; iii) estimular um movimento cultural amplo que apoie coalizões de iniciativas de caráter de intergrupo e de inter-classe, a fim de traçar objetivos coletivos comuns, focados na sustentabilidade, na solidariedade social e no desenvolvimento econômico. Tais diretrizes comprovam que a chave do desenvolvimento está em estimular a comunidade e as instituições democráticas para que trabalharem juntas a fim de reafirmar o direito às cidades.

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SAMPATH, Padmasheree Gehi. Cidades inclusivas: uma perspectiva asiática. Traduzido por Emannuel Cavalcanti Porto. In: Desafios do Desenvolvimento. Brasília: IPEA, fev/mar 2010, PP.30, p.30.

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PIETERSE, Edgar. Tornando as cidades africanas mais inclusivas. Traduzido por Emmanuel Cavalcante Porto. In: Desafios do desenvolvimento, fevereiro/março de 2010, n°59, IPEA, PP.32, p.32

Segundo a ONU-CEPAL184, o fortalecimento da proteção social contribui para a criação de sociedades mais inclusivas e justas, nas quais todos os cidadãos podem exercer seus direitos econômicos, culturais e sociais. Porém, para isso é necessário realizar distribuição de renda, bem como investir nas capacidades humanas, em todos os ciclos da vida, para que se construa um ambiente de produtividade e de coesão social.

Do mesmo modo, Currie185 explica que a política urbana adotada pelos países em desenvolvimento interfere na criação de círculos gerados pelas forças econômicas, que podem ser viciosos ou benignos. Assim, a intervenção estatal, realizado pelo planejamento governamental, deve romper os círculos viciosos para pôr em movimento forças autogestoras, capazes de reduzir a exclusão socioeconômica e reduzir a vulnerabilidade dos indivíduos.

Comprovando esse entendimento, ONU-HABITAT, no relatório “Estado das

Cidades do Mundo 2010/2011: unindo o urbano dividido”186

, constatou que as cidades podem ser abertas ou fechadas tanto ao concernente à capacidade de seus habitantes de acessar, ocupar e usar e produzir espaços urbanos para atender a suas necessidades, tanto em relação da capacidade de seus habitantes para ter acesso às decisões e participar dos diferentes tipos de interação e troca. Ou seja, o meio pode tanto se apresentar de forma aberta, como lugar de inclusão e de participação, como de forma fechada, sendo lugar de exclusão e de marginalização.

Diante dessa constatação, indaga-se de que forma o Estado pode atuar a fim de realizar programas que possibilitem a abertura das comunidades e o rompimento da exclusão para os círculos de desenvolvimento. Sem dúvida, a expressão democrática e a união de forças são imprescindíveis para isso, devendo o direito atuar buscando a integração e legitimação entre os sistemas cultural, social, político, econômico. É a análise e integração desses sistemas que se buscará demonstrar nos capítulos a seguir.

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ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS. COMISSÃO ECONÔMICA PARA A AMÉRICA LATINA E O CARIBE - ONU-CEPAL. Protección social inclusiva:una mirada integral: um enfoque de derechos. Santiago de Chile: CEPAL, 2011, 18.

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CURRIE, Lauchlin. Aceleração do desenvolvimento. Traduzido por Luiz Aparecido Caruso.São Paulo: Mestre Jou, 1969, p.85.

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ONU-HABITAT, Estado das Cidades do Mundo 2010/2011. Unindo o urbano dividido: Resumo e principais constatações. Brasília: IPEA, 2011, p. 5.