CAPÍTULO 2. REVISÃO DE LITERATURA
2.3. CONSTRUINDO E RECONSTRUINDO A COMPETÊNCIA
Demo (1995) define competência como “o processo de formação da capacidade inovadora permanente”. Ele caracteriza algumas marcas de competência que são: habilidade de encontrar para novos problemas novas soluções; interesse habitual em atualizar-se diante dos desafios do conhecimento; aptidão para criticar e refazer as práticas; insistência sobre a marca formativa e os aspectos axiológicos da educação, como os valores universais; formação sempre renovada do sujeito histórico capaz e rejeição da condição de objeto de projetos alheios ou invasores.
Perrenoud (1996) afirma: “Dize-me o que fazer ou permite-me te observar durante teu trabalho e eu te direi que competências tens”.
A referência ao bem comum conduz à definição da competência como conjunto de saberes e fazeres de boa qualidade. A competência guarda o sentido de saber fazer bem o dever, revelando-se na ação e abrigando em seu interior uma pluralidade de propriedades, conjunto de qualidades de caráter positivo, técnico, estético, ético e político.
Na verdade, o conceito de competência vai-se construindo, a partir do mesmo da práxis, do agir concreto e situado dos sujeitos (ROSA & SOUZA, 2002).
2.3.1. O Espaço Democrático
Em um encontro descrito nesta obra, os integrantes (NOGUEIRA et al., 2003) comentaram que “é impossível imaginar uma escola que viva a democracia sem que nesse estabelecimento os princípios não façam parte do cotidiano. O principal deles é a defesa da educação pública de qualidade, com o reconhecimento da instituição como espaço público e a serviço público”.
2.3.2. Processos Eletivos
A principal proposta dos participantes quanto a este ponto é a possibilidade de eleições para o gestor, indo do mais tradicional (diretor) a outras alternativas, como: conselhos deliberativos e direções colegiadas, pois assim a democracia seria fortalecida na escola.
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2.3.3. Autonomia
A escola deve ter autonomia para tomada de decisões, nas áreas administrativa e pedagógica, para assim fortalecer o projeto político- pedagógico e os currículos escolares. Todavia, este fortalecimento escolar terá maior chance de ocorrer se houver a democracia econômica do estabelecimento.
Para os participantes do grupo da pesquisa discutida por este autor, “os resultados destes exames poderiam permitir fazer projeções sobre a qualidade do ensino a serem verificadas mediante a análise dos fatores que, segundo estudos, são determinantes para a melhoria da aprendizagem, dentre estas melhorias eles apresentam algumas idéias.” (NOGUEIRA et al. 2003).
• Condições de infra-estrutura e de equipamentos de apoio didático (laboratório, bibliotecas, etc);
• Condições do ambiente escolar em termos físicos (localização, sonoridade, iluminação, ventilação) e sociopolíticos (gestão democrática, valorização dos trabalhadores, auto-estimados, dos alunos, envolvimento da comunidade, etc.)
• Adoção de livros didáticos e possibilidades do acesso a eles e a outras fontes impressas de conhecimento pelos alunos; • Características da organização curricular e do trabalho pedagógico;
• Valorização dos professores, considerando a qualidade da formação inicial, as oportunidades de formação continuada, o estímulo à participação no projeto pedagógico da escola, os princípios norteadores da carreira e as condições de trabalho;
• Características socioeconômicas e culturais dos alunos.
2.3.4. Gestão Democrática
Conforme o artigo 14 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) – Lei nº 9394/96:
“Os sistemas de ensino definirão as normas da gestão democrática do ensino público na Educação Básica, de acordo com as suas peculiaridades e conforme os seguintes princípios:
I – participarão dos profissionais da educação na elaboração do projeto pedagógico da escola; II – participação das comunidades escolar e local em conselhos escolares ou equivalentes.”
Ao analisar o art. 14 da LDB, fica clara a necessidade da participação da comunidade e do corpo docente de uma escola na formulação e implementação da gestão democrática.
Em acréscimo, deve-se ter um projeto político-pedagógico nas escolas, voltado para a idéia da inclusão, que possa atender à diversidade de alunos, sem discriminação socioeconômica, não observando acúmulos intelectuais ou expectativas educacionais. A escola deve pensar no coletivo, proporcionando a integração dos estudantes e todos os outros envolvidos com a instituição, fazendo com que todos opinem e ajudem a melhorar, cada vez mais, o estabelecimento.
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Tanto a escola quanto o projeto político-pedagógico estão fundados em princípios norteadores na sua organização como um todo. São estes os princípios que irão contribuir para sua elaboração, execução e participação.
• Gestão democrática é um princípio constitucional que abrange a dimensão pedagógica, administrativa e financeira. A gestão democrática é uma ruptura histórica na prática administrativa da escola. Implica repensar a estrutura de poder da escola, buscando a ampla participação dos representantes dos diferentes segmentos da escola.
• Igualdade de acesso e permanência na escola. Igualdade de oportunidades, expandindo a quantidade de ofertas e ampliação de atendimento simultâneo de qualidade.
• Qualidade colocada no projeto político-pedagógico da escola é um desafio, pois não pode ser privilégio para os instrumentos e métodos e a técnica, diante do desenvolvimento, tendo como obrigação evitar as possíveis repetência e evasão (DEMO, 1995). Implica garantir a permanência dos que nela ingressarem.
• Liberdade é outro princípio constitucional. É uma autonomia sem a influência de imposições externas. São regras e orientações criadas pelos sujeitos da ação educativa. A liberdade deve ser considerada como liberdade para aprender, ensinar, pesquisa e divulgar a arte e o saber direcionados como uma intenção definida. Demo afirma: “A liberdade é sempre liberdade para algo e não apenas liberdade de algo. (...) a liberdade é uma relação e, como tal, deve ser continuamente ampliada (1995)”.
• Valorização do Magistério é o eixo do projeto político-pedagógico. Implica no aperfeiçoamento profissional permanente. A formação continuada é um direito de todos os profissionais que trabalham na escola. A valorização do magistério começa por aí, pela formação continuada do profissional, sendo que possibilita a progressão funcional e seu desenvolvimento dentro da escola e em seus projetos. É competência da escola dar acesso a essa formação e a mesma deve fazer parte do projeto político-pedagógico, procedendo ao levantamento de necessidades de formação continuada de seus profissionais e elaborando assim um programa de formação, contando com a participação e o apoio dos órgãos superiores. A formação continuada dos profissionais tem um compromisso com a construção do projeto político pedagógico não se limitando aos conteúdos dos currículos e sim discutir com a escola como um todo. Veiga acrescenta: “A importância desses princípios está em garantir sua operacionalização nas estruturas escolares, pois uma coisa é estar no papel, na legislação, na proposta, no currículo, e outra é estar ocorrendo na dinâmica interna da escola, no real, no concreto” (2002, p. 82).
A escola, para se desvincular do tradicionalismo histórico, precisar criar condições para gerar uma outra forma de organizar a escola. Toda essa organização deve ser buscada de dentro para fora. É preciso entender que o projeto político pedagógico é uma reflexão sobre o cotidiano, precisando de tempo, reflexão e ação para tal consolidação.