LONGO DA GESTAÇÃO
3. RESULTADOS E DISCUSSÃO
3.5. Consumo e digestibilidade aparente de
ovelhas aos 140 dias de gestação. Na Tabela 24 estão os valores de consumo e DMS e matéria orgânica em função dos tratamentos.
Tabela 24. Consumo de matéria seca (CMS) em g/dia, g/kg de peso vivo e g/kg0,75, consumo de matéria seca digestível (CMSD) , consumo de matéria orgânica (CMO) em g/dia e os coeficientes de DMS (DMS) e matéria orgânica (DMO) por ovelhas aos 140 dias de gestação, em função dos tratamentos
Manejo
Nutricional CMS CMSPV CMSPM DMS CMSD CMO DMO
Sem restrição 1400,56 a 2,35 65,27 0,67 a 949,68 a 1358,24 a 0,69 Restrito 1224,88 b 2,40 64,08 0,62 b 771,42 b 1173,03 b 0,65 Número
de fetos CMS CMSPV CMSPM DMS CMSD CMO DMO
1 feto 1231,53 2,27 61,64 b 0,65 801,14 1192,54 0,67
2 fetos 1393,91 2,47 67,70 a 0,65 919,95 1338,74 0,67
Média geral 1312,72 2,37 64,67 0,65 860,55 1265,64 0,67
CV (%) 12,35 9,23 8,26 0,65 19,53 12,64 7,72
Médias seguidas de mesma letra na coluna não diferem estatisticamente pelo teste SNK a 5%.
Verifica-se que o manejo nutricional afetou de forma significativa o consumo de matéria seca, evidenciando consumo superior pelos animais do grupo não restrito. Esta superioridade pode ser explicada pela redução das exigências de PB e energia imposta ao grupo com restrição nutricional. Esta diferença existente entre o grupo restrito para o não restrito foi de 12,54%, valor este abaixo do previsto, que foi de 15%. É factível admitir que nesta fase da gestação fatores que limitam o consumo, como a
compressão imposta pelo útero gravídico sobre o rúmen e fatores endocrinológicos (Forbes; França, 1999), possam ter reduzido o consumo dos animais que não sofriam restrição reduzindo assim a diferença entre os grupos. Viana et al. (2007) trabalhando com ovelhas gestantes (1 e 2 fetos) em várias épocas da gestação observaram que aos 140 dias houve redução na capacidade física do estômago (rúmen, retículo, omaso e abomaso) das ovelhas. Os mesmos autores destacaram que as capacidades do rúmen e
retículo reduziram aos 140 dias de gestação. Os autores também observaram que o número de fetos reduziu o tamanho do estômago total e do rúmen. Outro possível fator de interferência seja a quantidade de energia presente na dieta dos animais não restritos, que possivelmente esteja acima das necessidades. O que acaba limitando o consumo por fatores lipostáticos (Van Soest, 1994; Mertens, 2002; Macedo Junior, 2004) e dessa forma reduzisse a diferença entre o consumo dos diferentes tratamentos.
O consumo de MS em função do peso metabólico sofreu influência do tipo de gestação de forma que os animais com dois fetos apresentaram maior consumo de matéria por kg0,75. Este resultado vem a corroborar com o exposto acima, pois evidencia a maior exigência dos animais com dois fetos no final da gestação, isto porque o metabolismo desses animais é elevado em função da maior exigência imposta pelo desenvolvimento fetal. Porém, como não houve diferença entre as ovelhas com um e dois fetos para consumo de MS em gramas e em função do peso vivo. Infere-se que o tipo de gestação, nesse caso os animais com dois fetos, tenha interferido no consumo, reduzindo a capacidade ingestiva, em função da compressão ruminal, feita pelo útero gravídico. Forbes (1970) ao avaliar o consumo em ovelhas, com três dietas distintas, ao longo da gestação, observou que durante a fase inicial da gestação houve correlação positiva com o peso do cordeiro ao nascimento. Entretanto a partir do terço final de gestação há comportamento inverso do consumo com o peso do cordeiro. Contudo, a queda no consumo ao longo da gestação ocorreu independentemente do tipo de dieta oferecida, volumoso ou concentrado, levando o autor a ponderar uma possível depressão metabólica do consumo, além do efeito físico do útero sobre o rúmen. As interações do rápido crescimento uterino associado ao aumento de estrógenos e corticoesteróides na circulação colaboram para a redução do consumo de alimento no final da gestação (Convey, 1973; Mellor, 1987; Forbes, 1995 citados por Charismiadou, 1999).
Para o NRC (1985), ovelhas no terço final de gestação com peso vivo médio de 55 kg com um ou dois fetos devem consumir 1,65 e 1,75kg/dia em MS, respectivamente. No presente estudo este consumo foi de 1,31 e 1,48kg/dia para animais com um e dois fetos, respectivamente. Nota-se que os valores obtidos nesse estudo foram inferiores aos preconizados pelo NRC (1985). O NRC (2006), por sua vez, recomenda que ovelhas com gestação simples ou dupla e peso vivo médio de 55 kg no terço final de gestação devam consumir cerca de 1,76 e 1,78kg/dia, respectivamente de MS, valores estes
próximos dos encontrados nesse estudo especialmente para ovelhas com gestação, dupla. Chama-se a atenção que as raças e o padrão genético além do clima e tipo de alimentos utilizados para fazer as recomendações feitas por esse comitê, nos distintos anos, são diferentes das condições aqui do Brasil. Outro fator que pode ter contribuído para esta diferença e que, em geral, os animais lanados apresentam vísceras maiores que animais deslanados, desta forma aumentando a capacidade ingestiva desses animais. Nesse sentido, Gracia et al. (2003) trabalhando com mestiços de Texel x Bergamáscia, Texel x Santa Inês e Santa Inês puro verificaram menor peso para o retículo, abomaso e intestino grosso para cordeiros da raça Santa Inês.
A DMS foi maior para os animais do grupo não restrito, conforme mostra a Tabela 24. Esta reposta pode ser explicada pela grande quantidade de grãos presentes na dieta desses animais, elevando assim o coeficiente de digestibilidade da MS. Segundo Valadares Filho, (1985), carboidratos não estruturais possuem coeficiente de digestibilidade aparente total acima de 90% e carboidratos estruturais próximo a 50%, fato este que pode ter elevado o coeficiente de digestibilidade da MS. Macedo Junior (2004) observou aumento na digestibilidade da MS e MO trabalhando com ovelhas da raça Santa Inês não gestantes, à medida que se elevava a quantidade de FDNf nas dietas.
Segundo Rattray et al. (1974) e Minola e Goyenechea (1975) citados por Perez e Gerassev (2002) o metabolismo da ovelha sofre profundas modificações, principalmente nos últimos 45 dias ou terço final da gestação, quando os tecidos fetais têm maior desenvolvimento. Neste período o feto desenvolve em torno de 70% do seu peso. Quando se alimenta animais não gestantes e gestantes são alimentadas sob níveis nutricionais similares, a quantidade de energia e nitrogênio retidos será diferente, mesmo em fases iniciais da gestação, devido à alteração anabólica do metabolismo materno.
Dias et al. (2007) trabalhando com ovelhas da raça Santa Inês em diferentes fases da gestação com 1, 2 e 3 fetos verificaram que a massa do fígado aumentou com o avanço da gestação, número de fetos e em função do manejo nutricional, de forma que ovelhas que consumiam dietas sem restrição apresentaram maior massa hepática. Segundo Kaneko (1997), a massa do fígado está diretamente relacionada com a capacidade de metabolização dos nutrientes ingeridos. Cavalcanti et al. (2007) trabalhando com esses mesmos animais observaram que o peso dos intestinos vazios
foram maiores para o grupo que estava consumindo dieta sem restrição. A capacidade absortiva do intestino está relacionada com o comprimento do mesmo e vilosidades presentes (Kaneko, 1997). Desta forma, podemos inferir que a fase gestacional interfere diretamente sobre o metabolismo digestivo e absortivo do animal. O consumo de matéria seca digestível foi maior para os animais do grupo não restrito, acompanhando os mesmos resultados do
consumo de matéria seca e da digestibilidade da mesma. Esta variável é uma relação entre o consumo de matéria seca e o coeficiente de digestibilidade da mesma, por isso seguiu a mesma resposta apresentada por essas variáveis. O consumo de FDN foi diferente para o manejo nutricional e para o número de fetos, conforme apresentado na Tabela 25.
Tabela 25. Consumo de fibra em detergente neutro (CFDN) em g/dias, em g/kg de peso vivo (CFDNPV), em g/kg0,75 (CFDNPM), consumo de fibra em detergente ácido (CFDA), digestibilidade da FDA (DFDA), consumo de hemiceluloses (CHECL), digestibilidade aparente das hemiceluloses (DHECL), consumo de celulose (CCEL), digestibilidade aparente da celulose (DCEL) por ovelhas aos 140 dias de gestação, em função dos tratamentos
Manejo Nutricional CFDN CFDNPV CFDNPM DFND CFDA Sem restrição 706,16 b 1,20 b 33,30 b 0,58 312,60 b Restrito 845,58 a 1,66 a 44,40 a 0,63 396,43 a Número de fetos CFDN CFDNPV CFDNPM DFND CFDA 1 feto 827,39 a 1,55 41,89 a 0,64 a 385,71 a 2 fetos 724,35 b 1,31 35,80 b 0,56 b 323,32 b Média geral 775,87 1,43 38,85 0,60 354,51 CV (%) 13,04 18,19 16,10 11,19 15,08 Manejo
Nutricional DFDA CHECL DHECL CCEL DCEL
Sem restrição 0,55 401,89 b 0,61 260,49 b 0,59
Restrito 0,62 449,14 a 0,63 330,94 a 0,65
Número
de fetos DFDA CHECL DHECL CCEL DCEL
1 feto 0,64 a 441,68 0,65 321,71 a 0,67 a
2 fetos 0,54 b 409,36 0,69 269,72 b 0,57 b
Média geral 0,59 425,52 0,62 295,72 0,62
CV (%) 14,52 9,77 9,87 14,75 16,21
Médias seguidas de mesma letra na coluna não diferem estatisticamente pelo teste SNK a 5%.
Observa-se que ovelhas sob restrição alimentar e com gestação simples apresentaram maior consumo de fibra do que os demais. Na Tabela 5 observa-se que esses animais tinham em suas dietas maiores concentrações de FDN o que, possivelmente, elevou o consumo desta fração fibrosa. Pode-se dizer que por falta de alimentos mais fermentescíveis (grãos), os animais buscaram na fibra uma fonte de energia e PB para suprir suas carências nutricionais. No caso de animais com gestação dupla especula-se que a compressão exercida pelo útero gravídico sobre o rúmen possa ter causado algum tipo de desconforto físico o que, possivelmente, gerou menor consumo da porção fibrosa da dieta. Esses animais consumiram maior quantidade de MS, porém, como citado antes, suas dietas continham grande quantidade de grãos. Assim, esses buscaram nos grãos, suprir as necessidades de energia e PB.
Macedo Junior et al. (2005) observaram influência do útero gravídico sobre o rúmen, causando depressão no consumo da fibra. Esses mesmos autores verificaram que o consumo médio de FDN foi 28,19 g/kg0,75. No presente estudo, o consumo médio foi 38,85g/kg0,75 sendo superior ao encontrado pelo referidos autores. Viana et al. (2007) observaram que aos 140 dias houve redução na capacidade física do estômago (rúmen, retículo, omaso e abomaso) das ovelhas. Os mesmos autores destacaram que a capacidade do rúmen e retículo reduziu aos 140 dias de gestação. Os autores também observaram que o número de fetos reduziu o tamanho do estômago total e do rúmen. Desta forma, pode-se inferir que o desconforto físico provocado pelo útero gravídico possa também ter influênciado no menor consumo de FDN das ovelhas com gestação dupla. O consumo de FDA também seguiu a mesma tendência apresentada pelo consumo de FDN.
As digestibilidades da FDN e da FDA foram influênciadas pelo número de fetos de forma que as ovelhas com gestação simples apresentaram maiores coeficientes. Na Tabela 5 observa-se que animais com gestação simples recebiam grande aporte de grãos em sua dieta. Este tipo de carboidrato (solúvel) apresenta rápida degradação, o que pode provocar queda no pH ruminal, interferindo na degradação da fibra. Muitos fatores da dieta, tais como: FDN indigestível, interação com o limite de consumo e taxa de fermentação de carboidratos rapidamente fermentáveis, são importantes. A interferência dos carboidratos não-estruturais na digestão da fibra tem sido observada freqüentemente. Os principais efeitos são a redução do pH ruminal (Tamminga et al., 1990) e um efeito negativo na digestão da fibra, que pode ser decorrente da preferência dos microrganismos por CNE, através da sobreposição das bactérias amilolíticas em relação àquelas que digerem a fibra, na competição pelos mesmos substratos ou pelas enzimas que degradam a fibra, que podem ser inibidas pelos CNE ou pelos produtos de sua digestão (Hoover, 1986). A diminuição na digestibilidade da fibra pode reduzir o consumo da fibra quando o enchimento ruminal é o fator limitante, tal como ocorre no final da gestação (Macedo Junior, 2004). Esta afirmação está de
acordo com os resultados encontrados para o consumo de FDN em ovelhas com gestação dupla.
Os consumos de hemiceluloses e celulose foram maiores para os animais do grupo restrito. O consumo de celulose também foi influênciado pelo número de fetos, de forma que ovelhas com gestação simples apresentaram maior consumo. Estes resultados estão diretamente associados aos consumos de FDN e FDA, pois estas frações fibrosas, além das hemiceluloses e celulose, estão diretamente ligadas a FDN e a FDA. Couto et al. (2007) observaram que os animais do grupo restrito apresentaram maiores consumos de FDN, FDA, hemiceluloses e celulose. Além disso, puderam verificar que os coeficientes de digestibilidade para as frações fibrosas estudadas foram maiores para os animais do grupo restrito. No presente estudo, a digestibilidade das hemiceluloses não foi afetada, entretanto observa-se que as digestibilidades da celulose para ovelhas com dois fetos foi menor, provavelmente pelos mesmos motivos que reduziram a digestibilidade da FDN e FDA. Na Tabela 26 encontram-se os consumos de nitrogênio, PB e o balanço de nitrogênio.
Tabela 26 Consumo de proteína bruta (CPB) em g/dia e em g/kg de PV (CPBPV), digestibilidade aparente da proteína (DPB), consumo de nitrogênio (CN) em g/ dia, nitrogênio fecal (NFECAL) em g/ dia, nitrogênio urinário (NURINA) em g/dia, balanço de nitrogênio (BN) em g/dia e nitrogênio retido/nitrogênio ingerido (NRET/NING) por ovelhas aos 140 dias de gestação, em função dos tratamentos Manejo Nutricional CPB CPBPV DPB CN Sem restrição 173,90 a 0,29 a 0,67 27,82 a Restrito 124,56 b 0,24 b 0,64 19,93 b Número de fetos CPB CPBPV DPB CN 1 feto 132,94 b 0,24 b 0,65 21,27 b 2 fetos 165,52 a 0,29 a 0,66 26,48 a Média geral 149,23 0,26 0,65 23,87 CV (%) 16,75 10,39 7,76 16,75 Manejo
Nutricional NFECAL NURINA BN NRET/NING
Sem restrição 8,87 a 5,68 13,26 a 0,46
Restrito 7,09 b 4,31 8,52 b 0,42
Número
de fetos NFECAL NURINA BN NRET/NING
1 feto 7,09 b 4,73 9,43 0,43
2 fetos 8,87 a 5,26 12,34 0,45
Média geral 7,98 4,99 10,89 0,44
CV (%) 14,70 41,34 37,87 23,37
Observa-se que ovelhas sem restrição alimentar e com gestação dupla apresentaram maiores consumos de PB e nitrogênio. Estes dois tratamentos recebiam maior aporte protéico na dieta, o que possibilitou esse maior consumo apresentado. Ovelhas com dois fetos apresentam maior exigência em PB devido à grande demanda desse nutriente pelo útero gravídico. O NRC (1985) recomenda para ovelhas com peso vivo médio de 55kg, no terço final de gestação, com um e dois fetos, consumos de 179,5 e 200,5g/dia, respectivamente. Já o NRC (2006) recomenda para ovelhas nessa mesma situação, consumos de 169,5 196,5g/dia para ovelhas com um e dois fetos, respectivamente. No presente estudo, o consumo para ovelhas com um e dois fetos foi de 158,49 e 189g/dia, respectivamente (valores obtidos com ovelhas mantidas sem restrição nutricional). Observa-se que em todos os casos o consumo pelos animais desse estudo, esteve abaixo do preconizado. Como as Tabelas de recomendações desse comitê utilizam animais geneticamente superiores, pode-se inferir que a taxa de crescimento fetal, bem como a demanda de PB pelo útero gravídico sejam maiores impondo assim maior exigência em PB por essas ovelhas. Nesta fase da gestação, também se deve levar em conta a demanda de PB pela glândula mamária que esta produzindo o colostro e preparando o tecido mamário para a lactação. A digestibilidade da PB não foi alterada pelos tratamentos. É conhecido que a degradação da PB pela microflora do rúmen sofre influência do nível energético da dieta. Dietas com baixo nível de concentrado (alta proporção de volumoso) não fornecem quantidades suficientes de energia para o crescimento dos microrganismos do rúmen, o que afeta a degradabilidade dos nutrientes. Porém, dietas com altas proporções de carboidratos solúveis também podem prejudicar a digestibilidade da fração protéica. Macedo Junior, (2004) trabalhando com diferentes níveis de FDN para ovelhas não gestantes, verificou que não houve alteração na digestibilidade da PB.
As ovelhas não restritas nutricionalmente apresentaram maior retenção de nitrogênio. Segundo Andrigueto et al. (1990), o balanço de nitrogênio pode ser indicativo do metabolismo protéico animal, sendo mais eficiente que a digestibilidade e o consumo de PB, para evidenciar se há perdas ou não de PB pelo organismo.
O nitrogênio fecal foi afetado pelo manejo nutricional e pelo número de fetos, de forma que ovelhas sem restrição e com dois fetos apresentaram maiores perdas fecais de nitrogênio. Animais que recebem grande aporte de grãos na dieta tendem a apresentar aumento
na taxa de passagem da digesta pelo rúmen (Van Soest, 1994), provocando assim mudança no sítio de digestão, passando essa a ocorrer no intestino delgado e grosso (Van Soest, 1994 eForbes; França, 1999). Como a absorção no intestino grosso é baixa, grande parte do que foi fermentado, sai nas fezes, principalmente microrganismos, elevando a quantidade de nitrogênio fecal. Porém, alimento parcialmente digerido ou não digerido também pode ser encontrado, elevando também o teor de nitrogênio nas fezes. Não houve alteração na excreção de nitrogênio (N) urinário. O metabolismo do N encontrado na urina depende da taxa de reciclagem do mesmo no organismo, do aporte nutricional e consumo hídrico. Assim, infere-se que os animais possivelmente lançaram mão de recursos fisiológicos para aumentar a reciclagem de nitrogênio, especialmente aqueles do grupo que sofria restrição nutricional. A relação entre o nitrogênio retido em função do ingerido não sofreu alteração em função dos tratamentos. Essa igualdade pode ser reflexo dos possíveis mecanismos utilizados pelos animais do grupo restrito para manter, em níveis normais, a quantidade de nitrogênio para metabolização no organismo.
A Tabela 27 mostra os consumos de energia bruta, digestível e metabolizável por ovelhas aos 140 dias de gestação, em função dos tratamentos. Somente o consumo de energia bruta foi influênciado pelos tratamentos, de forma que os animais do grupo não restrito apresentaram maior consumo. Segundo o NRC (1985), ovelhas com peso vivo médio de 55 kg, no terço final de gestação, com um e dois fetos devem consumir 3,5 e 4,1 Mcal/dia, respectivamente. Para O NRC (2006), o consumo diário deve ser de 4,54 e 5,12Mcal/dia para ovelhas com um e dois fetos, respectivamente. No presente estudo, os consumos médios de energia metabolizável foram de 3,76Mcal/dia e 4,14Mcal/dia para os animais com um e dois fetos respectivamente (valores oriundos de ovelhas sem restrição nutricional). Verifica-se que em ambas as recomendações, o consumo de energia metabolizável dos animais desse estudo foram menores, com exceção das ovelhas com gestação dupla, quando compradas com as recomendações do NRC (1985), no qual foram iguais. Desta forma, dietas que sigam as recomendações propostas pelo NRC (1985; 2006) podem estar superestimando as necessidades em energia dos animais utilizados aqui no Brasil, impondo maior custo ao sistema de produção. O fato de ter havido igualdade tanto no consumo de energia digestível quanto no de metabolizável pode estar atrelado a grande quantidade de energia fornecida aos animais, pois suas dietas foram
baseadas no NRC (1985) que superestima sua real necessidade energética.
Tabela 27. Consumos de energia bruta (CEB) em kcal/dia, energia digestível (CED) em kcal/dia, kcal/kg de PV (CEDPV), kcal/kg0,75 (CEDPM) e energia metabolizável (CEM) em kcal/dia, kcal/kg de PV (CEMPV), kcal/kg0,75 (CEMPM) por ovelhas aos 140 dias de gestação, em função dos tratamentos
Manejo
Nutricional CEB CED CEDPV CEDPM
Sem restrição 6354,77 a 4341,45 72,55 201,53
Restrito 5604,57 b 3656,69 71,41 190,82
Número
de fetos CEB CED CEDPV CEDPM
1 feto 5629,60 3725,92 68,37 185,44
2 fetos 6329,75 4272,22 75,59 206,91
Média geral 5979,67 3999,07 71,98 196,18
CV (%) 11,86 18,62 11,75 12,42
Manejo
Nutricional CEM CEMPV CEMPM
Sem restrição 3954,11 66,04 183,49
Restrito 3323,70 64,91 173,44
Número
de fetos CEM CEMPV CEMPM
1 feto 3388,47 62,17 168,63
2 fetos 3889,34 68,78 188,31
Média geral 3638,90 65,48 178,47
CV (%) 19,29 12,36 13,10
Médias seguidas de mesma letra na coluna não diferem estatisticamente pelo teste SNK a 5%.
3.6. Consumo e digestibilidade aparente de