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110 dias 5590,85 3589,62 3290,49 130 dias 5402,69 3497,50 3173,86 140 dias 5989,80 4001,06 3640,88 Média geral 5532,76 3614,06 3297,39 CV (%) 17,32 21,24 21,90

FETO* CEDPV CEDPM CEMPV CEMPM

1 feto 69,12b 181,32b 62,89b 165,00b

2 fetos 74,21a 199,50a 67,81a 182,29a

Média geral 71,67 190,41 65,35 173,64

CV (%) 15,42 15,78 15,83 16,30

INTERAÇÕES**

CEDPV CEDPM CEMPV CEMPM

NR R NR R NR R NR R

90 dias 75,30aA 60,25bB 203,58aA 155,37bB 69,23aAB 54,68bB 187,20aA 141,07bA 110 dias 85,28aA 64,52bB 220,79aA 172,14bB 78,34aA 58,90bB 202,87aA 157,17bA 130 dias 69,90aB 73,64aA 185,84aA 192,66aA 63,44aB 66,85aA 168,63aA 174,90aA 140 dias 72,96aAB 71,52aA 201,86aA 191,08aA 66,39aB 64,99aA 183,71aA 173,64aA

** médias seguidas de letras minúsculas compara na linha e seguidas de letras maiúsculas compra na coluna. *médias seguidas de letras minúsculas compara na coluna. Teste SNK a 5%. NR (não restrito), R (restrito).

O fato do peso vivo desses animais ter aumentado com a gestação pode estar associado ao aumento no peso útero gravídico, conforme Borges et al. (2007). Desta forma, é possível que o consumo de energia metabolizável ao longo da gestação não tenha sido adequado para os animais desse estudo. O consumo de MS foi menor no final da gestação (Tabela 32), provavelmente, por causa da compressão provocada pelo útero gravídico e fatores endocrinológicos. No caso das ovelhas com dietas restritas nutricionalmente o consumo foi maior ao final da gestação. Porém, nesse período, esses tiveram menor peso vivo quando comparados aos que receberam dietas não restritas.

Não houve diferença no consumo de energia metabolizável em função do peso metabólico

para os animais com e sem restrição ao longo da gestação. O consumo em função do peso vivo foi maior somente aos 90 e 110 dias de gestação para os animais do grupo não restrito. Em função do peso metabólico, esses consumiram mais aos 110 dias. O consumo de energia digestível em função do peso metabólico foi igual para os animais sob manejo alimentar não restrito. Já para os submetidos à restrição nutricional houve aumento no consumo com o avanço da gestação. 3.8. Valor da glicemia basal e da curva glicêmica de ovelhas da Raça Santa Inês em diferentes fases as gestação

A Tabela 36 mostra o valor da glicemia basal de ovelhas da raça Santa Inês em função dos tratamentos.

Tabela 36. Valor da glicemia basal (mg/dL) de ovelhas da raça Santa Inês ao longo do período gestacional, em função dos tratamentos

Período gestacional /

Número de fetos 1 Feto 2 Fetos

90 50,06aBC 50,79aA 100 48,64aC 48,25aA 110 51,90aB 47,06bB 120 49,28aBC 46,74bB 130 57,10A 50,76bA 140 51,26aB 48,90bA 145 53,93aA 51,35bA Manejo Nutricional/

Número de fetos 1 Feto 2 Fetos

Restrito 46,91bB 51,82aA

Não restrito 50,87bA 52,61aA

Média geral 50,54

Coeficiente de variação (%) 13,09 Horário da colheita Glicemia basal

0 48,63 B 3 48,43 B 6 52,12 A 9 52,62 A 12 49,33 B 15 53,06 A 18 53,28 A 21 49,31 B 24 48,09 B

Médias seguidas de letra minúsculas na linha não diferem, assim como médias seguidas de mesma letra na coluna diferem estatisticamente pelo teste SNK 5%.

Houve interação entre o manejo nutricional e o número de fetos. A restrição nutricional reduziu a glicemia basal das ovelhas com gestação simples. Estes resultados indicam que o metabolismo da glicose é diferente para ovelhas com um e dois fetos, já que às ovelhas com gestação dupla sem restrição nutricional apresentam maior glicemia basal quando comparadas com fêmeas gestantes de um feto, sendo isto possivelmente relacionado ao maior metabolismo energético.

Verifica-se que a restrição nutricional reduziu a taxa glicêmica de ovelhas com gestação simples quando comparadas àquelas que não sofreram restrição. No caso de ovelhas com gestação dupla não foram encontradas diferenças na glicemia basal. Desta forma, infere-se que o metabolismo glicêmico sofre maior influência do tipo da gestação que pela restrição de 15% imposta aos animais. Porém, em casos de restrição mais severa pode-se encontrar maior influência do manejo nutricional sobre a glicemia basal. Para Kozloski (2002) mesmo em dietas ricas em grãos, uma parcela alcança os intestinos e é provável que, na maioria das vezes, a glicose originada da hidrólise desse amido, além daquela

que chega com o sangue arterial, seja utilizada pelo intestino para suprir suas necessidades de energia. O monitoramento da glicemia basal dos animais pode indicar possíveis transtornos alimentares. O status nutricional é a soma da ingestão de nutrientes no passado e presente, refletidos no peso vivo e na condição corporal (Jochle; Lamond, 1980). Assim, as mudanças de peso e da condição corporal refletem o nível nutricional ao longo do tempo, enquanto os níveis de alguns parâmetros sanguíneos representam medidas mais imediatas do status energético (Russel e Wright, 1983). A avaliação da condição nutricional pelo estudo da variação nas concentrações plasmáticas de diversos componentes do sangue tem sido estudada em ruminantes (Erfle et al., 1974; Coccgins; Field, 1977; Parker e Lewis, 1977; Gagliostro e Cocimono, 1987; citados por Ferreira e Torres, 1992). Glicose, ácidos graxos livres (AGL) e corpos cetônicos no sangue de animais ruminantes têm sido sugeridos como indicadores do estado nutricional (falta ou excesso de nutrientes) (Russel; Wright, 1983) e podem variar entre animais em crescimento, gestantes ou lactantes. A possibilidade de usar níveis

plasmáticos de glicose como indicadores do estado energético vem sendo investigado, mas os resultados são contraditórios (Reid; Hinks, 1962; Gardner, 1969; Ross; Ketts, 1969; McClure, 1970a; Rodrigues et al, 1987; Short e Adans, 1988, citados por Ferreira; Torres, 1992). Brito (2004) citando Prior e Christenson (1976) que trabalharam com ovelhas alimentadas recebendo dietas representando 60%, 100% e 140% da exigência de mantença observaram valores diferentes na glicemia basal (43, 50 e 59 mg/dL, respectivamente) no terço final de gestação, indicando influência do manejo nutricional. Macedo Junior et al. (2006) também verificaram influências da dieta na glicemia basal de ovelhas gestantes no terço final ao trabalhar com diferentes relações volumoso:concentrado. Verificou-se interação entre o período gestacional e o número de fetos sobre a glicemia basal. Observou-se que a partir dos 110 dias de gestação a glicemia das ovelhas com gestação dupla reduziu, permanecendo menor até os 145 dias, quando comparada a de animais com gestação simples. Essa resposta indica que esses animais estavam com o metabolismo energético elevado e o aporte energético não estava de acordo com suas necessidades. O nível de glicose nos ruminantes tende a ser menor no terço final de gestação do que nos períodos anteriores. Sabe-se que o feto in útero demanda glicose como fonte de energia. No período posterior ao parto os níveis caem novamente, especialmente na primeira semana e em animais de alta produção (González; Silva, 2002).

O consumo de energia metabolizável caiu a partir dos 110 dias de gestação (Tabela 35), provavelmente, influênciado pela queda no consumo de matéria seca. Dessa forma, os animais não estavam consumindo energia suficiente para manter o nível basal. Conforme discutido anteriormente, o consumo de energia dos animais desse estudo foi menor do que o preconizado pelo NRC (1985; 2006), sendo mais um indício de que os animais não estavam consumindo energia suficiente. Entretanto, segundo Kaneko (1997) a glicemia basal de ovelhas varia de 50 a 80 mg/dL. No presente estudo, a média geral foi de 50,54 mg/dL, valor este muito próximo ao mínimo estipulado pelo autor. No entanto, Bacila (2003) citou que a glicemia de ovinos varia de 35 a 60 mg/dL. Neste caso, a glicemia dos animais desse trabalho encontram-se dentro da faixa preconizada pelo autor. Brito et al. (2006) trabalhando com carneiros em jejum obteve média de 48,12 mg/dL, Os autores concluíram que um eficiente mecanismo manteve a glicemia em patamares normais mesmo depois de 96 h de jejum de sólidos. Quando se compara a glicemia

de ovelhas com um feto ao longo da gestação observa-se certa tendência de aumento no valor glicêmico ao final da mesma, porém os dados apresentam-se muito variados, impedindo uma conclusão precisa. Já no caso de ovelhas com gestação dupla verifica-se claramente aumento na glicemia basal a partir dos 130 dias. Este aumento na glicemia basal de ovelhas com parto duplo no final da prenhes pode ser indicativo da alta mobilização de glicose para o útero gravídico, acarretando em utilização de recursos fisiológicos para manter normal o nível glicêmico. Desta forma, pode-se concluir que animais com gestação simples apresentaram glicemia mais elevada quando comparados com ovelhas com dois fetos a partir dos 110 dias de gestação. Esta resposta pode ser em função de que a partir desse período, o crescimento fetal ocorre de forma exponencial, demandando grande quantidade de energia e PB, principalmente, para ovelhas com dois fetos. Macedo Junior et al. (2007) trabalhando com ovelhas da raça Santa Inês com gestação simples e dupla em diferentes fases, observaram que os animais com dois fetos aos 110 dias apresentavam maior exigência em energia líquida que aos 90 dias de gestação. Conclui-se que ovelhas com gestação dupla elevam a glicemia basal com o avançar da gestação, provavelmente por algum mecanismo que tente compensar a grande demanda de glicose pelo útero gravídico.

A glicemia basal oscilou de acordo com o horário de colheita de sangue. O primeiro horário de colheita (zero hora) correspondia ao exato momento em que era fornecida a primeira refeição do dia (7 h). A segunda refeição do dia era feita às 17 h. Desta forma, verifica-se que o maior pico ocorreu entre seis e nove h a partir da primeira refeição. Observa-se também que entre seis a nove horas após a segunda refeição ocorreu outro pico na glicemia basal. O tempo 9 corresponde a uma hora após a segunda refeição, desta forma os tempos 15 e 18 correspondem a 7 -10 h após segunda refeição. Estes resultados estão de acordo com Gonzáles e Silva (2003), relataram que o pico de absorção dos ácidos graxos voláteis (AGV) ocorre seis h após a ingestão do alimento. Dentre os AGV, o ácido propiônico representa cerca de 50% da glicose formada no fígado. Observa-se que os tempos 0, 3, 21 e 24 apresentaram menor glicemia, o que vem a corroborar com as informações anteriores. 4. CONCLUSÕES

O consumo e a digestibilidade aparente variam em função do manejo nutricional, número de fetos e a fase da gestação.

O número de fetos influência no consumo e digestibilidade aparente dos nutrientes.

Sugere-se que o consumo de matéria seca sofre influência da compressão uterina sobre o rúmen, independentemente da fase gestacional, especialmente em ovelhas com dois fetos e menor tamanho corporal.

A restrição nutricional reduz o consumo e, consequentemente, a digestibilidade aparente dos nutrientes.

A glicemia basal é sensível ao manejo nutricional, número de fetos e à fase gestacional. Os últimos trinta dias de gestação elevam a glicemia dos animais.

As recomendações feitas pelo comitê norte- americano subestima às necessidades das ovelhas no terço inicial da gestação (até 110 dias). Entretanto, na fase final ocorre efeito inverso. O uso das recomendações feitas por comitês internacionais, pode trazer prejuízos econômicos, por não estarem atendendo corretamente às reais necessidades dos animais usados no Brasil. 5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AGRICULTURAL AND FOOD RESEARCH COUNCIL - AFRC. 1993. Energy and protein requeriments of ruminants. Wallingford: Commonwealth Agricultural Bureaux International. 159p.

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Capítulo 3 - PESO DE ÓRGÃOS ,VÍSCERAS E FETO DE OVELHAS SUBMETIDAS OU NÃO À

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