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ContaBilidade Gerencial

No documento PLANEJAMENTO E CONTROLE FINANCEIRO (páginas 38-51)

O papel de um instituto contábil sólido é importante no ambiente empresarial para que se possa ter transparência na gestão das empresas e uma certeza de que estas estão agindo conforme as regras do jogo. Entretanto, esse papel contábil é também importante para o sucesso do próprio negócio. Verifi camos que uma das funções de um administrador fi nanceiro é o planejamento fi nanceiro, como recorda Antonik (2016). Este planejamento visa estabelecer uma previsão de uma situação futura desejada para o empreendimento, elencando os custos, despesas e receitas necessários para o alcance deste objetivo. Em termos fi nanceiros, o planejamento se traduz em um orçamento, uma planilha que permite simular as operações fi nanceiras da companhia no curto, médio e longo prazo. No entanto, de nada adianta planejar se o empreendedor não acompanhar o desempenho da sua companhia. Essa é uma parte fundamental do processo de planejamento:

a mensuração e controle dos resultados. A partir disso, o empreendedor poderá ajustar a sua mira para atingir o alvo. Utilizando-se de mecanismos de controle, é possível rever o planejamento inicial com vistas a alcançar o objetivo.

Lembre-se de que o planejamento é um exercício de prever situações futuras, que estão sujeitas a todos os tipos de mudança. Por exemplo, às vezes, a demanda estimada para determinado produto poderá variar, e você necessitará ajustar os preços para atingir seu objetivo, seja para manter a rentabilidade ou livrar-se de um estoque excedente. Antonik (2016) divide o planejamento empresarial em três fases: planejamento, apuração dos resultados e análise de desempenho, como podemos verifi car na fi gura a seguir. Esse ciclo é contínuo, pois a análise de desempenho permite comparar a nossa meta traçada com aquela executada e, assim, ajustar novamente nosso planejamento para chegar mais próximo do alvo. Caso esta meta tenha sido atingida, pode-se, então, traçar metas mais desafi adoras e melhorar ainda mais o desempenho da empresa. Financeiramente, a aferição destas metas utiliza de ferramentas contábeis, hoje harmonizadas de acordo com regras internacionais.

Na relação entre a necessidade de um instituto contábil sólido e a apuração do desempenho da empresa, ressaltamos: com uma instituição de normas e regras contábeis fortes, as empresas contam com uma ferramenta que dá credibilidade na apuração de seus resultados, sabendo que estes são medidos através de um critério padrão, podendo, então, agir para realizar mudanças na gestão da companhia que resulta em dados de entrada diferentes, que proporcionem resultados distintos.

Com uma instituição de normas e regras contábeis fortes, resulta em dados de

entrada diferentes, que proporcionem resultados distintos.

DEMONSTRAÇÃO DE RESULTADOS Capítulo 2

Imagine que você tem por objetivo perder peso, por exemplo, e que sua balança não é confi ável, pois dependendo da condição climática pode pesar dois quilos a mais ou a menos. Assim, por mais que você modifi que sua alimentação, não saberá exatamente se está diminuindo ou aumentando o seu peso. A contabilidade é como se fosse uma balança, precisa ser confi ável e estável, de modo que as empresas possam aferir seu resultado, sabendo que ao aplicarem seus esforços em determinada ação que o altere, este será corretamente identifi cado pelas demonstrações contábeis.

Figura 6 – Fases do planejamento empresarial

Fonte: Antonik (2016, p. 111).

No próximo tópico, iremos identifi car os principais relatórios contábeis que devem ser compreendidos e utilizados por empreendedores que atuam nas micro e pequenas empresas.

DemonstraçÕes de Resultado AtravÉs da ContaBilidade

Evidenciar o resultado de uma determinada empresa não é tarefa simples.

Como já abordamos, para termos um resultado confi ável, é preciso adotar normas e critérios amplamente aceitos, assim, tanto o empreendedor quanto outras pessoas e entidades interessadas na empresa poderão ter certeza de que a empresa está traçando um caminho virtuoso ou necessita de ajustes em sua rota para melhorar o desempenho. A utilização deste arcabouço de normas exige profi ssionais capacitados e dedicados, mas o empreendedor deverá saber ler e interpretar o resultado destes relatórios contábeis, de modo que possa ter a exata noção do caminho que estão tomando as fi nanças da sua empresa. Antonik (2016) afi rma que as peças fundamentais para análise de desempenho de uma organização são as seguintes:

Planejamento

Apuração de resultados

Análise de desempenho

PLANEJAMENTO E CONTROLE FINANCEIRO

a) Demonstrações do Resultado do Exercício (DRE)

Segundo Gitman (2002), a demonstração de resultados segue a lógica do regime de competência para projetar o lucro/prejuízo e refl ete a posição fi nanceira geral da companhia.

Como o próprio nome defi ne, a Demonstração do Resultado do Exercício - DRE - é um dos instrumentos mais comumente utilizados quando falamos em aferir o desempenho de uma empresa.

Antonik (2016) afi rma que este instrumento também pode ser conhecido como demonstração de lucros e perdas, pois uma das suas funções principais é demonstrar o lucro ou prejuízo aferido em um determinado exercício (período de tempo geralmente coincidente com o calendário civil, de 1 de janeiro a 31 de dezembro). Este instrumento é baseado no conceito de competência, ou seja, para a DRE, o importante é o fato gerador do lançamento contábil, independente de este ter uma contrapartida imediata que represente uma entrada ou saída no caixa da companhia. Utilizaremos o Quadro 6, que traz uma DRE da empresa NIW Produtos Florestais Ltda., explorando as principais contas que compõem este demonstrativo.

Segundo Gitman (2002), a demonstração de resultados segue a lógica do regime de competência para

projetar o lucro/

prejuízo e refl ete a posição fi nanceira geral da companhia.

Quadro 6 – Demonstração do Resultado do Exercício NIW Produtos Florestais Ltda.

Demonstrações de Resultado do Exercício, 31 de dezembro de 2012 (R$) 2012

Receita operacional líquida (1) R$ 257.772,46 Custo da mercadoria vendida (2) R$ 149.508,03

Margem Bruta R$ 108.264,43

Salários e benefícios R$ 58.464,25

Despesas de comercialização R$ 16.994,70

Outras despesas R$ 12.098,76

Despesas operacionais (3) R$ 87.557,72

Depreciação (4) R$ 7.850,84

Total das despesas operacionais R$ 95.408,56

Lucro operacional R$ 12.855,87

Despesas fi nanceiras (5) R$ 4.413,59

Lucro líquido do exercício R$ 8.442,28

Fonte: Tracy (2007 apud ANTONIK, 2016, p. 113).

DEMONSTRAÇÃO DE RESULTADOS Capítulo 2

Receita Operacional Líquida (1): na receita operacional líquida temos aquilo que a empresa realmente recebeu pelas suas vendas, descontados os tributos incidentes sobre a venda, e eventuais descontos ou abatimentos realizados.

Custo da Mercadoria Vendida (2): no custo da mercadoria vendida, teríamos os custos diretamente relacionados à fabricação do produto, como mão de obra aplicada diretamente na produção, o valor da matéria-prima, gastos gerais relacionados à produção, exemplo, aluguel da unidade fabril, energia elétrica da unidade fabril, manutenção do maquinário etc. Lembre-se de que o custo aqui apurado refere-se às mercadorias efetivamente vendidas, então deve-se somar o estoque inicial e descontar o estoque fi nal, pois, se a mercadoria está no estoque, não foi vendida. Importante salientar que estes custos não se misturam com outras despesas administrativas, e mão de obra não relacionada à produção. Aqui temos uma conta específi ca para apurar o custo da mercadoria vendida.

Despesas Operacionais (3): na conta do Custo das Mercadorias Vendidas temos a apuração direta do custo daquilo que é fabricado e efetivamente vendido, mas quando falamos em resultado de uma empresa, esse processo fabril é gerenciado e possui, portanto, uma administração, e nem todos empregados da empresa trabalham na sua linha de produção, muitos trabalham na área de vendas, na área administrativa, recursos humanos etc. Assim, nas despesas operacionais, temos englobado o montante de despesas relacionadas diretamente à operação da companhia. Não confunda operação da companhia com processo de fabricação.

Depreciação (4): a depreciação também é considerada uma despesa operacional, mas convém tratarmos dela em separado, dada a sua complexidade. Muitos dos custos e despesas referentes à confecção dos produtos e operação da companhia são adquiridos e consumidos num curto espaço de tempo. Utilizaremos como exemplo a compra de papel e tinta para impressão de documentos na empresa NIW Produtos Florestais.

Eles se referem a despesas operacionais e são totalmente consumidos à medida que os documentos são impressos, o que não ocorre com um maquinário adquirido para corte de madeiras, por exemplo. Vamos supor que este maquinário possua um valor de R$ 100.000,00, e sua vida útil esteja estimada em 5 anos (60 meses). No ano da aquisição é lançado na contabilidade o valor de aquisição da máquina, um desembolso de caixa, mas a cada ano da vida útil da máquina, é possível lançar um valor referente a 1/5 do seu custo de aquisição como despesa de depreciação

PLANEJAMENTO E CONTROLE FINANCEIRO

(os lançamentos mensais correspondem a 1/60 do valor de aquisição do bem). Assim, anualmente, durante cinco anos, a empresa lança uma despesa de R$ 20.000,00 referente à depreciação deste bem, que é utilizada como abatimento da base de cálculo do imposto a pagar para aquelas empresas que se utilizam do regime tributário de lucro real.

Na fi gura a seguir, Antonik (2016) cita um exemplo do passo a passo do lançamento de uma despesa a ser depreciada.

Figura 7 – Bens depreciáveis

Fonte: Antonik (2016, p. 116).

Quem defi ne a duração de um bem para fi ns de depreciação é a Receita Federal, através do Regulamento do Imposto de Renda – RIR. Para compreender melhor como os bens são depreciados, verifi que a Subseção II – Depreciação de Bens do Ativo Imobilizado do RIR, acessando o site: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/

decreto/d3000.htm>.

1º passo

Compra de máquina por

R$ 6.000,00

Contador lança a compra no

imobilizado

Todos os meses o contador lança 1/60 na despesa (R$100,000) 2º passo 3º passo

Compra de material de escritório por

R$82,00

O contador lança a compra

diretamente no resultado Nada

Bens de alto valor com vida útil controlada pela Receita

Bens de baixo valor, sem vida útil controlada pela Receita

DEMONSTRAÇÃO DE RESULTADOS Capítulo 2

Despesa Financeira (5): a despesa fi nanceira, segundo Antonik (2016), refere-se aquelas despesas realizadas com atividades que não estão relacionadas à atividade da empresa, mas sim na aquisição de capital e também em investimentos realizados pela empresa em produtos fi nanceiros. Vejamos, por exemplo, uma empresa que toma um empréstimo para o capital de giro. Esta companhia arcará com custos de juros e encargos sobre esta dívida, que podem ser bastante representativos para o resultado da empresa. Outro exemplo pode ser a aplicação fi nanceira da sobra de caixa da companhia. Essa receita auferida também deve ser contabilizada em separado. Assim, poderemos saber e diferenciar as receitas e os custos de produção e operação, vinculados à atividade empresarial exercida pela companhia, daqueles custos e receitas oriundas da atividade da companhia junto ao mercado fi nanceiro. Uma empresa que possui uma receita fi nanceira alta e um receita operacional baixa, não está executando bem a atividade para a qual foi criada, apesar de poder estar sendo lucrativa.

Como pudemos verifi car no quadro anterior, a NIW Produtos Florestais Ltda.

apurou um lucro líquido do exercício no valor de R$ 8.442,28 e, para chegar neste valor, foram subtraídas da receita operacional líquida, o custo das mercadorias vendidas, as despesas operacionais, a depreciação e as despesas fi nanceiras.

Veja que o lucro bruto corresponde a R$ 12.855,87, praticamente 50% superior ao lucro líquido, o que signifi ca dizer que se não houvesse despesas fi nanceiras, a empresa teria um lucro um tanto quanto mais elevado.

b) Balanço Patrimonial (BP)

Segundo Gitman (2002), o Balanço Patrimonial representa uma posição fi nanceira da empresa em uma determinada data, que geralmente coincide com o fi nal do calendário civil, 31 de dezembro.

Ele iguala os Ativos (bens e direitos), com a soma de fi nanciamentos realizados com terceiros e de seus proprietários (sócios). A fi gura a seguir demonstra uma síntese de um Balanço Patrimonial, separado em duas semiesferas, representando que o lado do Ativo deve ter igual contrapartida com a soma do Passivo e do Patrimônio Líquido.

Gitman (2002) ensina que o Balanço Patrimonial deve segregar as contas conforme a sua liquidez, ou seja, a rapidez com a qual se pode transformar os Ativos em entrada de caixa, e os Passivos, em saída

de caixa. Temos uma primeira separação no balanço a ser assim apresentada:

Ativos e Passivos de curto prazo e Ativos e Passivos de longo prazo. Os Ativos e Passivos com liquidez prevista para serem realizadas em até um ano, são denominados de Ativos e Passivos Circulantes ou Ativos e Passivos Correntes, como afi rma Antonik (2016).

Segundo Gitman

PLANEJAMENTO E CONTROLE FINANCEIRO

Os demais Ativos e Passivos são considerados de longo prazo, com realização superior a um ano. Os Ativos se denominam realizáveis no longo prazo e os Passivos, exigíveis a longo prazo. Assim, na conta dos Ativos, o caixa é o ativo mais líquido, e representa as disponibilidades em dinheiro da companhia e é sempre a primeira conta a ser descrita no Balanço Patrimonial. Na sequência, são descritas as contas de Ativo em ordem decrescente de liquidez.

Figura 8 – Balanço Patrimonial - Síntese

Fonte: Adaptado de Gitman (2002).

Podemos verifi car no quadro a seguir, que os Ativos permanentes imobilizados, como o próprio nome já diz, são os menos líquidos e, portanto, os últimos listados. Assim ocorre no Passivo, os empréstimos de longo prazo representam as dívidas que mais demorarão a serem exigidas, portanto, são as últimas a serem listadas, em detrimento das contas a pagar, que apresentam as dívidas com fornecedores que devem ser logo quitados.

Quadro 7 – Balanço Patrimonial NIW Produtos Florestais Ltda.

Balanço Patrimonial, 31 de dezembro de 2012 (R$)

2011 2012 Diferenças

Caixa R$ 30.695,41 R$ 51.550,75 R$ 20.855,34

Duplicatas a receber R$ 12.024,27 R$ 13.131,95 R$ 1.107,68

Estoques R$ 19.870,70 R$22.124,45 R$ 2.208,30

Despesas pré-pagas R$ 5.757,28 R$ 5.404,68 -R$ 352,60 Total dos ativos correntes R$ 67.767,78 R$92.211,83

• Ativo Passivo • Passivo

Circulante

DEMONSTRAÇÃO DE RESULTADOS Capítulo 2

Imobilizado R$ 68.367,17 R$ 79.121,80 R$ 10.754,63 Depreciação acumulada -R$ 14.782,44 -R$ 22.633,27 -R$ 7.850,84 Imobilizado líquido R$ 53.584,73 R$ 56.488,53

Total dos ativos R$ 121.352,52 R$ 148.700,35 Passivo

Contas a pagar R$ 25.282,44 R$ 23.074,14 -R$ 2.208,30 Despesas provisionadas R$ 5.943,95 R$ 7.199,03 R$ 1.255,08 Empréstimos de curto prazo R$ 8.826,13 R$ 17.652,25 R$ 8.826,13 Total dos passivos correntes R$ 40.052,52 R$ 47.925,42

Empréstimos de longo prazo R$ 26.478,38 R$ 35.304,50 R$ 8.826,13 Capital social MB R$ 44.130,63 R$ 46.337,16 R$ 2.206,53 Lucros retidos R$ 10.691,00 R$ 19.133,27 R$ 8.442,28 Patrimônio Líquido R$ 54.821,62 R$ 65.470,43

Total dos passivos R$ 121.352,52 R$ 148.700,35 Passivo

Contas a pagar R$ 25.282,44 R$ 23.074,14 -R$ 2.208,30 Despesas provisionadas R$ 5.943,95 R$ 7.199,03 R$ 1.255,08 Empréstimos de curto prazo R$ 8.826,13 R$ 17.652,25 R$ 8.826,13 Total dos passivos correntes R$ 40.052,52 R$ 47.925,42

Empréstimos de longo prazo R$ 26.478,38 R$ 35.304,50 R$ 8.826,13 Capital social R$ 44.130,63 R$46.337,16 R$ 2.206,53 Lucros retidos R$ 10.691,00 R$ 19.133,27 R$ 8.442,28 Patrimônio Líquido R$ 54.821,62 R$ 65.470,43

Total dos passivos R$ 121.352,52 R$ 148.700,35 Fonte: Tracy (2007) apud Antonik (2016, p. 119).

No Patrimônio Líquido, segundo Gitman (2002, p. 38), fi cam “os direitos dos proprietários da empresa, portanto, contém as contas de capital social, reservas de capital, e reservas de lucro, por exemplo”. No caso da empresa NIW Produtos Florestais Ltda., o Patrimônio Líquido é composto pelas contas de

capital social e lucros retidos.

Com a DRE e o Balanço Patrimonial em mãos, o administrador fi nanceiro possui ferramentas importantes para começar a elaborar a demonstração do Fluxo de caixa, que também se apoia em outros relatórios fi nanceiros gerenciais.

c) Demonstrações do Fluxo de Caixa (DFC)

Segundo Gitman (2002), a demonstração de fl uxos de caixa representa o resumo das entradas e saídas de dinheiro em uma companhia, em um determinado período, sempre de acordo com o momento exato em que ocorrem, ou seja, o regime adotado é o regime de caixa.

PLANEJAMENTO E CONTROLE FINANCEIRO

Vamos explorar o exemplo da empresa NIW Produtos Florestais Ltda., que nos apresenta uma DRE, já apresentada acima (Quadro 6), um Balanço Patrimonial (Quadro 7) para montarmos um demonstrativo do fl uxo de caixa (Quadro 10). Para compreender o conceito destes três instrumentos, nós iremos transitar entre esses, portanto, fi que atento para não se perder quando mencionarmos um determinado quadro, ele pode não ser o quadro que está na sequência. Vamos partir das contas da DRE para montarmos a nossa demonstração de fl uxo de caixa.

Receita Operacional Líquida: você já verifi cou que a nossa DRE traz uma Receita Operacional Líquida no montante de R$ 257.772,46.

Antonik (2016) nos lembra que nem todas as receitas ali mencionadas, estão disponíveis no caixa da companhia. No quadro anterior, pudemos verifi car que temos a conta duplicatas a receber, no valor de R$

13.131,95, ou seja, parte das vendas realizadas, da receita do ano de 2012, não foi recebida. Isso não é sinônimo de inadimplência, mas, sim, da estratégia de venda da empresa, que foi a de conceder um prazo para pagamento de seus clientes. Veja que assim como você sempre procura comprar de seus fornecedores a prazo para melhorar o seu ciclo de caixa, como vimos no Capítulo 1, os seus clientes também tenderão a comprar mercadorias a prazo. Podemos apurar que faltou R$ 1.107,68 no caixa da companhia. Ao aferir Balanço Patrimonial (Quadro 7) a conta Duplicatas a Receber, que no ano de 2011 era de R$ 12.024,27, teve uma majoração para R$ 13.131,95, ano de 2012. Antonik (2016) afi rma que a empresa está fi nanciando os clientes em R$ 1.107,68 no ano de 2012. Assim, a empresa deixou de obter este montante em caixa devido a sua estratégia de venda, mas em termos contábeis, no regime de competência, esse valor ajuda a empresa a obter um lucro maior, pois está presente na conta de receita operacional líquida.

Custo da Mercadoria Vendida (2): quando falamos em Caixa, na demonstração do Resultado do Exercício (Quadro 6), podemos verifi car que a empresa teve uma despesa contabilizada de R$ 149.508,03 como Custo das Mercadorias Vendidas, mas na verdade o desembolso de caixa foi na ordem de R$ 4.462,05, isto porque tivemos um aumento no valor dos estoques, de R$ 19.870,70 (2011) para R$ 22.124,45 (2012), e uma diminuição no contas a pagar de R$ 2.208,30, de 2011 para 2012, isto signifi ca que a empresa fi cou devendo menos de um ano para o outro. Somando-se a diferença do valor dos estoques (R$ 2.253,75) mais a diferença em contas a pagar, temos um excedente de desembolso de caixa no total R$ 4.462,05.

Despesas Operacionais (3): como afi rma Antonik (2016, p. 115), quando transpomos estas despesas operacionais para ótica de um fl uxo de

DEMONSTRAÇÃO DE RESULTADOS Capítulo 2

caixa, temos que ter o cuidado de observar que “algumas despesas são pagas depois de incorridas, pois quando compramos insumos ou outros bens necessários à produção ou à prestação de serviços negociamos um prazo com os fornecedores”. Isso pode ocorrer também com os salários dos funcionários, pois algumas empresas pagam a remuneração de seus colaboradores no quinto dia útil do mês seguinte ao mês trabalhado. Os salários são contabilizados no mês a que se referem, mas o desembolso de caixa ocorre no mês subsequente. Pode ocorrer também o inverso, algumas despesas operacionais podem incorrer antecipadamente, como o pagamento de um sinal para um pedido de mobiliário para área administrativa. Essa informação pode ser difícil de encontrar nos relatórios contábeis, devendo haver registros específi cos de todas despesas incorridas na empresa. No caso da NIW Produtos Florestais, foi possível verifi car em outros relatórios gerenciais que, do valor contabilizado de R$ 87.557,72 em 2012, R$ 916,15 fi cou para ser pago em 2013, ou seja, do valor de R$ 23.074,14, de Contas a Pagar, existente no Balanço Patrimonial (quadro 7), R$ 916,15 são referentes a despesas operacionais.

Depreciação: ainda, como despesa operacional, temos a depreciação, que teve uma variação, entre 2011 e 2012, de R$ 7.850,84, como demonstrado no Quadro 8. Esse valor é acrescido ao fl uxo de caixa, pois ele está descontando a nossa base de receitas, contudo ele é um valor meramente contábil e não há efetivamente um desembolso de dinheiro para pagar a depreciação.

Quadro 8 – Imobilizado e Depreciação

Itens do balanço 2011 2012 Diferença

Imobilizado R$ 68.367.17 R$ 79.121,80 R$ 10.754,63 Depreciação -R$ 14.782,44 -R$ 22.633,17 R$ 7.850,84 Acumulada

Fonte: Antonik (2016, p. 117).

Despesas Financeiras: algumas das despesas fi nanceiras também podem ocorrer em períodos distintos daqueles contabilizados na DRE.

Assim, Antonik (2016) aponta que a empresa registrou R$ 4.413,59 em despesas fi nanceiras, como juros de fi nanciamento, por exemplo, que ocorreram no ano de 2012. Destes valores realizados, verifi cou-se que R$ 111,65 não foram efetivamente pagos no ano, sendo originados no mês de dezembro de 2012 e com pagamento previsto para janeiro de 2013.

PLANEJAMENTO E CONTROLE FINANCEIRO

O Quadro 9 traz um resumo das diferenças entre a DRE 2011 e 2012, dos quais podemos destacar os itens que compõem o cômputo do fl uxo de caixa mencionado acima. Entram nesta conta, a margem bruta (R$ 5.569,73, que são as variações das contas Receita Operacional Líquida e Custo da Mercadoria Vendida), o total das despesas operacionais, acrescentando a depreciação e as despesas fi nanceiras.

Quadro 9 – Comparativo entre regime de Caixa e Competência NIW Produtos Florestais Ltda

Demonstrações de Resultado do Exercício, 31 de dezembro de 2012 (R$)

2012 Diferenças

Receita operacional líquida (1) R$ 257.772,46 -R$ 1.107,68 Custo da mercadoria vendida (2) R$ 149.508,03 -R$ 4.462,05

Margem Bruta R$ 108.264,43 -R$ 5.569,73

Salários e benefícios R$ 58.464,25 Despesas de comercialização R$ 16.994,70

Outras despesas R$ 12.098,76

Despesas operacionais (3) R$87.557,72 R$ 916,15

Depreciação (4) R$ 7.850,84 R$ 7.850,84

Total das despesas operacionais R$ 95.408,56 R$ 8.766,99

Lucro operacional R$ 12.855,87

Despesas fi nanceiras (5) R$ 4.413,59 R$ 111,65 Lucro líquido do exercício R$ 8.442,28

Diferença entre regime competência

e caixa (2) R$ 3.308,91

Fluxo de caixa gerado pelas atividades

operacionais (1) R$ 11.751,19

(1) Lucro líquido do exercício + Fluxo de caixa líquido (R$8.442,28 + R$3.308,91 = R$11.751,19)

(2) Diferença entre regime competência e caixa = -R$5.569,73 + R$8.766,99 + R$ 111.65 = R$ 3.308,91

Fonte: Adaptado de Tracy (2007 apud ANTONIK, 2016, p. 113).

DEMONSTRAÇÃO DE RESULTADOS Capítulo 2

Assim, temos que o Fluxo de Caixa Líquido é a soma do lucro líquido com a diferença das apurações entre o regime de caixa e as competências das contas: Margem Bruta, Despesas Operacionais (Somada a Depreciação) e Despesas Financeiras.

Assim, temos que o Fluxo de Caixa Líquido é a soma do lucro líquido com a diferença das apurações entre o regime de caixa e as competências das contas: Margem Bruta, Despesas Operacionais (Somada a Depreciação) e Despesas Financeiras.

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