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Contexto da Prática de Ensino Supervisionada

Dimensão I: Desenvolvimento do Ensino e da Aprendizagem

3. Processo Ensino-Aprendizagem – Como Pôr Mãos à Obra

3.1. Contexto da Prática de Ensino Supervisionada

Neste momento, após ter a minha PES concluída, consigo entender que fui uma felizarda. Felizarda na medida em que tive sorte nas pessoas que se cruzaram comigo ao longo de todo este caminho. Desde as condições da escola, o GEF e os próprios funcionários. De forma ainda mais direta, o professor orientador, o professor Sérgio Magalhães e o professor João Padilha, posteriormente, passando pelos meus colegas de estágio, considero que tive todo o apoio necessário para que tivesse sucesso ao longo desta etapa. Assim, em seguida, farei uma análise pormenorizada de todos estes aspetos.

Contudo, na altura não tinha esta capacidade de análise e tinha algumas dúvidas em relação à forma como iria reagir a todas as novidades que iam surgindo.

Novidades essas relacionadas com a cidade de Évora, que se tornou minha, mas que não conhecia como aluna de escola, o ensino na cidade e a forma como as pessoas olhavam para a escola, até a forma como seria o próprio ensino da EF nesta cidade e, mais concretamente nas escolas onde desenvolvi a minha PES. Mas apesar de todas estas dúvidas e apreensões as coisas foram fluindo e os objetivos foram sendo alcançados com o tempo, bem como todas as questões que tinha inicialmente.

Em seguida, farei toda a caracterização da escola que me acolheu durante a maior parte da PES.

3.1.1. Escola Básica Conde de Vilalva – Onde Tudo Aconteceu

O conhecimento da escola foi essencial na minha adaptação ao meio em viria a desenvolver a minha PES. Não apenas em termos práticos, o conhecer os espaços, o material e toda essa dinâmica que cada escola cria, mas também em termos da realidade que ali se vivia.

Isto porque a EBCV trata-se de uma escola construída em 1999/2000, inserida no Agrupamento de Escolas Nº4 de Évora, que acolhe alunos das aldeias com menor número de população ao largo da cidade de Évora, como os bairros das Pites, Coronheiras, Bacelo, Canaviais, Malagueira e ainda das freguesias de S.

Bento do Mato, Nossa Senhora da Graça do Divor, Nossa Senhora de Machede e S. Miguel de Machede.

Este simples facto poderá explicar a realidade que se vivia naquele ambiente escolar. Isto é, o facto de existirem muitos alunos que não são residentes em Évora e, por isso, têm outras realidades sociais, é algo natural e comum na EBCV. Não que este facto seja impeditivo do que quer que seja, mas poderá explicar o facto de alguns dos alunos terem um acesso mais restrito a determinadas realidades. Realidades estas que, para quem vive numa cidade Capital de Distrito como Évora, acabam por se tornar banais e sem grande importância. Falo do facto de não terem acesso a desporto federado, por exemplo, ou caso disponham desse tipo de oferta, estará muito centrado naquele que será mais fácil de desenvolver tendo em conta a realidade de cada zona.

Neste caso, a maior parte dos alunos não teriam acesso a mais nenhum desporto federado a não ser o futebol. Esta realidade poderia, eventualmente, trazer algumas condicionantes naquele que seria o domínio de outras matérias.

Apenas e só pelo menor à vontade que os alunos pudessem ter.

Contudo, nenhum destes pormenores se tornou impeditivo do que quer que fosse ao longo da minha prática. Os alunos foram sempre recetivos a todas as matérias que partilhei com eles.

3.1.1.1. Recursos Físicos da Escola

No que diz respeito aos recursos físicos da EBCV, esta trata-se de uma escola com um pavilhão gimnodesportivo (G1), um anexo ao pavilhão gimnodesportivo (G2) e o espaço exterior (P1, P2 e P3). Este pavilhão anexo constitui uma mais valia no que diz respeito à lecionação de matérias que exigem montagem e desmontagem de um maior e mais complexo material, como por exemplo, a ginástica. Assim, em termos práticos a escola contava com três espaços distintos, sendo que um deles, o exterior, se dividia em dois.

No pavilhão principal, o G1, tinha à disposição todo e qualquer material que pudesse eventualmente ser necessário à aula, desde balizas, tabelas de basquetebol, cestos de corfebol, redes de voleibol e badminton, etc. Não existindo qualquer tipo de condicionamento no que diz respeito ao piso, assim, foi possível realizar qualquer modalidade neste espaço.

No que diz respeito ao pavilhão anexo, o G2, os recursos existentes estariam mais relacionados com o material associado à prática da ginástica, como a ginástica de solo, a ginástica acrobática, ginástica rítmica, mas também foi possível desenvolver atividades como dança e atletismo, sendo mais específica, na disciplina de salto em altura.

Em relação ao espaço exterior, além de todas as marcações no campo, existia uma pista circundante de 200 metros, com quatro pistas de corrida. Tinha também as marcações de uma pista de velocidade, uma caixa de areia e uma zona destinada aos lançamentos. Assim, este espaço podia ser utilizado para a prática de qualquer matéria associada aos desportos coletivos, adicionando a vantagem de ter imensas condições para a prática e desenvolvimento do atletismo.

No que diz respeito ao material que tinha ao meu dispor, considero que havia imenso material e em ótimo estado de conservação. Este fator é, só por si, um ponto motivador não só para o professor, mas também para os alunos que entendem ter ao seu dispor todo o material necessário à sua evolução.

No que diz respeito à rotação destes espaços, o GEF disponibilizou no início do ano letivo, um mapa anual, apresentado em anexo (Anexo B), que definia o local onde cada professor deveria lecionar, ao longo de um determinado número de semanas. Tendo por base este mesmo mapa, todos os professores saberiam

exatamente onde iriam lecionar e, por isso mesmo, quais as matérias que poderiam abordar.

3.1.2. Caracterização da Turma – Afinal de contas, quem eram os meus alunos?

A turma do 7º ano era composta por 22 alunos, sendo 12 rapazes e 10 raparigas.

Seriam alunos provenientes das aldeias que rodeiam a cidade de Évora. Tendo em conta este ponto, existiam alguns alunos que se conheciam há muitos anos, apesar de serem provenientes de turmas distintas.

Era composta por quatro alunos com necessidades educativas especiais (NEE), contudo, vários alunos apresentavam dificuldades a nível cognitivo, segundo a diretora de turma. Existiam também quatro alunos repetentes, demonstrando, mais uma vez, as dificuldades que os alunos da turma teriam vindo a demonstrar.

Apesar de ser uma turma nova, os alunos demonstravam estar bem integrados, tendo uma boa relação entre os pares.

No âmbito das aulas de EF, os alunos demonstraram várias dificuldades a nível motor naquelas que foram as matérias avaliadas ao longo das primeiras semanas de aulas. Para além destas dificuldades, os alunos apresentavam também dificuldades ao nível do saber estar e saber ouvir, isto é, eram alunos muito conversadores e que não tinham a capacidade de fazer silêncio quando necessário.

Aproveito para partilhar a primeira reflexão acerca da turma, anotada após a primeira aula em que assumi a turma:

“Senti-me segura, apesar de ter notado desde início os alunos que me poderiam dar mais dores de cabeça ao longo do ano.”

(Reflexão da aula nº 22 e 22 – 15/11/2016).

Parte da caracterização da turma foi efetuada com recurso a uma ficha, ficha essa que será apresentada em anexo (Anexo C). Nessa mesma ficha biográfica, criada pelo GEF da escola, os alunos respondiam a questões sobre a sua identificação, bem como do encarregado de educação, questões sobre os hábitos alimentares, sobre as suas atividades extra curriculares/tempos de lazer e ainda a um ponto sobre a saúde/higiene e a sociabilidade dos jovens.

No que diz respeito às atividades extracurriculares/tempos de lazer, apesar de existirem várias hipóteses para os alunos assinalarem, como desportos coletivos e individuais, as opções mais assinaladas foram o ‘’jogar ps3/4 ou outros’’, assim como o ‘’estar com os amigos’’ e ‘’ouvir música’’. Esta alínea do questionário indica-nos claramente a visão que a maioria dos alunos da turma tem sobre aquilo que é o desporto ou a prática de qualquer tipo de AF. Apenas alguns alunos colocaram no questionário que faziam algum desporto fora da escola, com algumas horas de treino semanal. O ‘’BTT/Ciclismo’’ foi a modalidade que mais alunos afirmaram praticar, com 5 praticantes. Ainda assim, um número muito reduzido tendo em conta os 22 que constituem a turma.

É possível concluir que apenas um número reduzido de alunos (9), do total da turma (22) praticava alguma modalidade fora da escola.

Tudo isto poderá ter a ver com o meio em que os alunos estão inseridos, uma vez que são alunos provenientes da periferia da cidade.

Para além de todos estes pontos abordados, tivemos também acesso a dados importantes fornecidos pela diretora de turma. Tratavam-se de alunos (cerca de 8) com imensos problemas a nível social, cognitivo e relacional. Qualquer um dos alunos acaba por estar sinalizado por uma situação ou outra, daí ser uma turma com um número anormal de alunos com NEE, quatro alunos, bem como o número de alunos repetentes, também quatro alunos.

No geral aparentam ser alunos pouco interessados na escola e com grandes dificuldades nas restantes disciplinas. Em relação à disciplina de EF existe uma maioria de alunos que se encontra abaixo daquilo que é esperado para o ano de escolaridade e uma minoria que é capaz de cumprir com os objetivos estabelecidos pelos PNEF para o 7º ano.

3.1.3. Trabalho em Parceria com o colega da ESGP

Nesta fase da minha PES, já no final do ano letivo, foi necessário trabalhar em equipa. A equipa era composta por mim, enquanto professora da EBCV e pelo meu colega de estágio da ESGP. Com este trabalho de equipa, foi possível estruturar melhor a minha prática e todo o processo de ensino-aprendizagem, uma vez que tive a possibilidade de recorrer aos documentos criados pelo meu

colega de estágio. Isto aconteceu, pois, apenas conheci esta turma numa fase final do ano letivo.

Assim, tivemos necessariamente de trabalhar em parceria. Eu partilhei com ele documentos como o relatório de avaliação inicial (RAI) e o plano anual de turma (PAT) e ele fez o mesmo. Graças à análise desses mesmo documentos, fui capaz de conhecer a turma muito antes daquela que viria a ser a minha intervenção.

Aproveito para relembrar a primeira reflexão sobre a turma do 11º ano:

“A turma, apesar de estar um pouco desmotivada, acaba por ser uma turma com poucos problemas de indisciplina. Muito pelo facto de serem alunos mais velhos e com outro tipo de maturidade.”

(Reflexão da aula nº 105 e 106 – 2/05/2017)

No capítulo 5 do presente relatório farei uma análise a toda esta intervenção, apresentando de forma detalhada a forma como foi desenvolvida a parceria com o colega de estágio.