Dimensão I: Desenvolvimento do Ensino e da Aprendizagem
3. Processo Ensino-Aprendizagem – Como Pôr Mãos à Obra
3.3. Planeamento – O Guião da Prática
3.3.1. PAT – A importância de um bom planeamento
Se consideramos que o planeamento é o guião da prática, o PAT assume-se como o mapa do processo de ensino-aprendizagem. Isto porque será nesta ferramenta que vamos ter noção daquilo que será a operacionalização de todo o processo. Isto é, quando faremos o quê, onde e porquê. Será graças às respostas dessas mesmas questões que o PAT será enriquecido.
Assim, segundo Bento (1998), o processo de planeamento em EF acaba por englobar todos os conteúdos programáticos e toda a situação pedagógica do professor. Contudo, todo este planeamento pressupõe-se que seja tão específico quanto possível, em relação à turma, fruto daquelas que foram as conclusões obtidas no RAI (Jacinto, et al. 2001).
Tendo estes vários autores e as suas conclusões como ponto de partida, penso que fará todo o sentido enumerar aqueles que foram os documentos que sustentaram a criação do PAT da minha PES, foram eles:
• O modelo de planeamento adotado pela escola no ano letivo da minha PES, por etapas, modelo esse que irei aprofundar no subcapítulo seguinte;
• O documento que deve guiar qualquer professor de EF no que diz respeito a conteúdos, os PNEF;
• A planificação anual do planeamento por etapas, também definido pelo GEF (anexo E);
• O planeamento anual de atividades do GEF (anexo F);
• Aqueles que foram os resultados obtidos ao longo da avaliação inicial e consequentes conclusões retiradas no RAI;
• O calendário escolar e todas as interrupções letivas programadas previamente;
• O ciclo das estações do ano, pois pode alterar todo o planeamento;
• O mapa de rotação de espaços, pois define algumas das matérias que podem ou não ser abordadas numa determinada aula;
• O material disponível na escola, pois é com base naquilo que temos disponível que o PAT deve ser elaborado;
• Aquela que foi a caracterização da turma, pois também dela dependerá a ponderação que daremos às diferentes matérias.
Assim, tendo por base todos estes documentos e, pensando mais especificamente naquele que será o calendário escolar e todos os pontos citados em seguida do mesmo, foi possível elaborar de forma precoce um planeamento daquele que seria o ano letivo da turma em questão. Isto é, graças ao mapa de rotação de espaços, assente no calendário escolar e todas as interrupções letivas, foi possível saber em que espaço estaria a minha turma e, por isso, saber quais seriam as matérias que iria então desenvolver.
Graças à análise dos vários documentos supracitados, cheguei então à tabela 4, que apresento em seguida. Esta tabela mostra aquele que terá sido o número de aulas de cada matéria, clarificando que existem matérias que mereceram algum destaque em relação a outras. Esta diferenciação acontece por estarem categorizadas por nível de prioridade, como já referi anteriormente. Contudo, além desta priorização das matérias, em prioritárias e menos prioritárias, existem ainda matérias que são demasiado específicas e, devido à rotação de espaços, possuem limitações em relação a outras. Quero com isto dizer que existem algumas matérias que apenas podem ser desenvolvidas num determinado espaço e, por isso, o seu número de aulas poderá vir a ser reduzido consoante aquilo que o mapa de rotação de espaços ditar.
Tabela 7 - Número de Aulas por Matéria
Número de Aulas por Matéria
Matérias 2ª Etapa 3ªEtapa Total
Atletismo 3 2 5
Basquetebol 5 2 7
Andebol 3 2 5
Futebol 3 1 4
Voleibol 7 2 9
Badminton 7 1 8
Gin. De Solo 5 2 7
Gin. Aparelhos 5 2 7
Gin. Acrobática 4 - 4
Dança 3 2 5
Patinagem 3 - 3
Tendo em conta tudo aquilo que referi anteriormente, é altura de entender o que é, na prática, o PAT. Além de todos os documentos em que se baseia, conforme enumerei, como se transfere isso para a prática. Assim, como mostram Jacinto e colegas (2001) temos que o plano anual deverá ter em consideração alguns aspetos importantes, tais como:
• A atividade da turma ao longo de todo o ano letivo deve sempre orientar-se orientar-segundo aqueles que foram os objetivos definidos, orientar-sempre de acordo com aquelas que foram as decisões do GEF e tendo em conta as capacidades dos alunos;
• O dar a conhecer aos alunos os objetivos que o professor pretende deles.
Com isto poderá estabelecer metas intermédias geridas pelos próprios alunos;
• As atividades assumirem-se tão globais1 e analíticas2 quanto possível;
• Ao longo do ano letivo, devem prever-se momentos que existirá uma aprendizagem concentrada, existência de uma matéria predominante, mas também garantir que existem momentos de aprendizagem distribuída, isto é, maior número de matérias. Tudo isto de forma a, no final de cada ano, os objetivos serem alcançados;
• O PAT deve seguir uma linha em que seja possível a evolução das capacidades de todos os alunos. Contudo, o princípio da inclusão não deve ser descurado, permitindo que todos consigam ter sucesso consoante as suas capacidades;
• O nível de desenvolvimento motor, que resulta daquela que foi a avaliação inicial, deve permitir ao professor a proposta de situações que garantam a evolução dos alunos nas capacidades motoras que apresentem mais dificuldades ou, pelo contrário, evoluir aquelas que estão mais à vontade.
Deve ainda recuperar níveis de aptidão física aceitáveis após períodos de interrupção letiva;
• No processo de avaliação formativa daqueles que são os níveis de aptidão física, a ZSAF, deve ser uma meta a atingir pelos alunos. Não só pelo que representa para a sua avaliação, mas principalmente para aquilo que representa no que diz respeito à saúde e bem-estar. Deve então ser fundamental atingir a zona saudável;
• É possível e desejável que a diferenciação de objetivos para determinadas atividades ou tarefas deve ser tão coletiva quanto possível e tão individualizada quanto necessário;
• A formação de grupos assume-se como um elemento de extrema importância, devendo considerar-se diferentes formas de o fazer, bem como garantir que não são formações estanques;
• No que diz respeito à inclusão das diferentes áreas da EF, como os conhecimentos e aptidão física, devem ser tratadas ao longo de todo o
1 Atividade formativa global: “organização da prática do aluno segundo as características da actividade referente - jogo, concurso, etc.” (Jacinto et al., 2001, p.23)
2 Atividade formativa analítica: “a exercitação, o aperfeiçoamento de elementos críticos (parciais) das diferentes competências técnicas ou técnico-tácticas, em situações simplificadas ou fraccionadas da
ano, por forma a evitar que haja a necessidade de existência de aulas exclusivamente ‘’teóricas’’.
Em suma, o PAT deve realmente assumir-se como o guião daquela que será a prática do professor. Contudo, na sua génese, terá de contar com a análise de várias componentes conforme referenciado anteriormente.
Fazendo agora a ponte para aquela que foi a minha PES, a criação do PAT da minha turma teve todas estas premissas como ponto de partida. Assumimos, por exemplo, após a avaliação inicial que existiam duas matérias que se destacavam de todas as outras devido aos seus baixos níveis de sucesso, o badminton e o voleibol. Assim, soubemos desde início que essas seriam duas das matérias que deveriam ter um maior número de aulas, algo que aconteceu conforme prova a tabela 5.
Também após esta avaliação inicial, que nos deu todos os dados que necessitávamos para elaborar o nosso PAT, entendemos e verificamos que existiam alguns alunos com níveis muito desfasados comparando com aquilo que os PNEF esperavam, a partir daí também fizemos a nossa gestão, tendo sempre isso como ponto de partida. Tendo tudo isto em conta, surgiu o quadro que apresento em anexo (Anexo F).