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Contexto do Centro Educacional Comunitário São José (CEC)

No documento JOSÉ HAMILTON ALVES DE OLIVEIRA (páginas 71-76)

2 EDUCAÇÃO ESTÉTICA: POSSIBILIDADE DE DESENVOLVIMENTO DE EMANCIPAÇÃO E AUTONOMIA

3.3 Contexto do Centro Educacional Comunitário São José (CEC)

A sigla CJ do antigo Centro de Juventude era a forma que a comunidade do entorno chamava o lugar, com as mudanças de governos municipais esta sigla passou a ser de CJ para Núcleo Sócio Educativo (NSE), de NSE para Centro da Criança e do Adolescente (CCA). O CEC São José oferecia um ensino complementar ao da escola, atendendo os alunos no contra fluxo da escola pela manhã e à tarde.

A oferta do serviço era para faixa etária de 6 a 14 anos e 11 meses de baixa renda, residentes da região do Parque São Lucas, Vila Ema, Vila Alpina, Vila Industrial, Jardim Guairacá.

Havia oficinas pedagógicas, atividades de capoeira, grafite, violão, canto coral, danças culturais, teatro, reforço escolar. A ação pedagógica dava-se por meio de projeto que abordava temas transversais.

O CEC São José era conhecido como um depósito de crianças e adolescentes. Ali as crianças iam para brincar, comer, passar o tempo e não ficar na rua enquanto os pais iam trabalhar, era o que pensava a comunidade como um todo. O trabalho desenvolvido na unidade não se constituía em uma prática educacional com méritos. O atendimento oferecido fortalecia o paradigma da organização social que não desenvolve uma ação pedagógica eficaz.

A coordenadora do CJ se aposenta e sai da Instituição indo morar numa cidade do interior. A nova coordenadora do CJ Juliana Paiva Pereira de Souza assume o cargo e entre a troca de coordenação a Instituição é selecionada para participar do Programa Crescer. A nova coordenadora constitui um novo quadro de professores e assistente técnico da coordenação para atender as demandas do Programa, sendo contratados professores de música, artes, capoeira, dança.

A chegada do Programa Crescer foi impactante, pois as propostas da Educação Interdimensional tinham o objetivo de desenvolver os sujeitos integralmente, ofertando novas atividades pedagógicas e atividades diferenciadas no processo formativo. O Programa também visava combater o número considerável de evasão e uma baixa procura de novos usuários.

Com as mudanças no quadro da coordenação e de educadores do Espaço, o CJ ganhou pintura nova e desenhos elaborados pelos alunos, dando uma identidade de espaço jovem. Neste momento, foi essencial a reflexão crítica sobre a prática, uma vez que “reflexão crítica sobre a prática se torna uma exigência da relação Teoria

/Prática sem a qual a teoria pode ir virando blábláblá e a prática, ativismo”. (FREIRE, 2011, p. 24)

Os educadores foram instigados a sair do seu lugar e se permitir experimentar, inovar suas práticas pedagógicas. Pouco a pouco o desafio foi sendo aceito. De acordo com Delors (2006, p. 16), “é preciso começar por se conhecer a si próprio, numa espécie de viagem interior guiada pelo conhecimento, pela meditação e pelo exercício da autocrítica”.

Entendia-se neste momento que era essencial que aquele espaço educacional pudesse ir além da dimensão do pensamento da razão, como enfatiza Costa (2001), pois a Educação Interdimensional não privilegia apenas a dimensão intelectual, mas o desenvolvimento equilibrado entre esta e as dimensões física, espiritual e emocional. Esta concepção requer uma ressignificação da educação, que esteja imbuída de uma ética de amor, zelo e respeito pela vida em todas as suas manifestações.

3.3.1 Caracterização dos sujeitos da pesquisa

A região em que foi realizada a proposta educacional da Educação Interdimensional, entre 2005 e 2007, era considerada como de vulnerabilidade social pela Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (SAED) do Governo do Estado de São Paulo. Os sujeitos que moram numa região periférica, de vulnerabilidade social, pensando na análise que Kaztman (2001) apresenta, é resultado do modo como se deu a ocupação do solo urbano nas grandes cidades da América Latina. Este processo de urbanização gerou um fenômeno de sobreposições de desigualdades que leva ao distanciamento de populações dos códigos e normas que predominam no restante da cidade, acentuando o isolamento social.

Para apresentação das narrativas produzidas e compreensão das mesmas, os sujeitos da pesquisa apresentam-se caracterizados com os seus codinomes e os quadros de caracterização dos sujeitos. Vale ressaltar que estes codinomes foram escolhidos pelas participantes e cada um deles possui um determinado significado. Majú selecionou este nome por ser a forma carinhosa como chama sua filha Maria Júlia, e destaca que a família para ela é um porto seguro. Tracy elegeu este codinome porque no filme Aos treze a protagonista fez com que ela refletisse muito, levando-a a perceber que estava fazendo tudo para agradar os grupinhos das meninas para ser

aceita, logo viu que não precisava disso. Olga foi o codinome selecionado pensando na mulher forte guerreira que lutava pelos seus ideais a ponto de morrer numa câmara de gás concebendo assim a mulher como não ser frágil. Por fim, Cris relaciona-se a professora de capoeira da participante, esporte que ela ama muito, inclusive está presente em seu retalho.

Quando perguntados a respeito de como se consideravam em relação à cor, tivemos as seguintes respostas:

Cor Porcentagem

Negra 50%

Parda 25%

Branca 25%

Tabela 2: Declaração de cor Fonte: Elaborado pelo pesquisador.

Gráfico 1: Declaração de cor

Fonte: Elaborado pelo Google Forms

O questionário inicial trazia também questões referentes à faixa etária, estado civil, filhos e religião, os dados estão na tabela a seguir:

Perfil etário 50% 20 a 23 anos 50% 24 a 30 anos Estado Civil 50% Solteira 50% Casada Religião 25% Evangélica 75% Católica Tem filhos? 50% não 50% 1 filho Tabela 3: Caracterização dos sujeitos

Fonte: Elaborado pelo pesquisador.

Gráfico 2: Perfil etário

Fonte: Elaborado pelo Google Forms

Em seguida, questionamos a respeito da escolarização, modalidade de Ensino Médio, rede de ensino, período do curso, época da conclusão do ensino Médio, conforme a tabela a seguir.

Modalidade 50%

Profissionalizante

50% Regular Rede de ensino 25%

Pública maior parte do tempo

75%

Todo em escola pública Período que cursou 50%

Todo diurno

50%

Maior parte noturno

Conclusão 50%

3 a 6 anos

50% 7 a 10 anos Tabela 4: Escolarização dos sujeitos

Fonte: Elaborado pelo pesquisador.

Fonte: Elaborado pelo Google Forms

Gráfico 4: Rede de ensino

Fonte: Elaborado pelo Google Forms

Em seguida, apresentamos questões relativas à conectividade dos participantes de modo a entender como e onde era realizado o acesso à internet, o que poderia influenciar as plataformas selecionadas.

Gráfico 5: Equipamentos de acesso à internet Fonte: Elaborado pelo Google Forms

Fonte: Elaborado pelo Google Forms

Através dos gráficos acima, pudemos perceber que as plataformas que realmente proporcionariam maior facilidade seriam as de acesso pelo celular, ou smartphone, o que corroborou nossa decisão pelos meios utilizados na pesquisa.

No documento JOSÉ HAMILTON ALVES DE OLIVEIRA (páginas 71-76)