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1.1 CONTEXTO ECONÓMICO E FINANCEIRO INTERNACIONAL

No documento RELATÓRIO ANUAL 2013 VERSÃO RESUMIDA (páginas 34-36)

O contexto económico e financeiro caracterizou-se em 2013 por uma recuperação progressiva da atividade a nível mundial. Depois de um ligeira melhoria no primeiro semestre, a atividade económica consolidou-se durante a segunda metade do ano 2013, sob o efeito da procura final nos países industrializados e da retoma das exportações dos países emergentes. Segundo as estimativas do Fundo Monetário Internacional (FMI), a taxa de crescimento da economia mundial fixou-se em 3,2% em 2013 contra 3,5% em 2012.

Nos países industrializados, a melhoria das condições financeiras contribuiu para apoiar a atividade económica. De acordo com o FMI, o crescimento foi, principalmente, estimulado pela alta das variações de existências, que estabeleceu-se em 1,3%. Nos Estados Unidos, depois de ter progredido de 2,8% em 2012, o Produto Interno Bruto aumentou de 1,9% em 2013, em ligação com a boa prestação da procura doméstica final. No Japão, o crescimento económico passou de 1,4% em 2012 para 1,5% em 2013, devido às medidas de estímulo orçamental implementadas pelas autoridades japonesas. Na Zona euro, a atividade económica consolidou- se gradualmente na Alemanha e, em menor grau, na França, que registaram respetivamente um crescimento de 0,5% e 0,3% em 2013. No entanto, o produto interno da Zona, considerada na sua globalidade, recuou de 0,4% em 2013, devido ao fraco desempenho das economias em dificuldade, nomeadamente a Itália e a Espanha.

A nível dos países emergentes e em desenvolvimento, o crescimento económico desacelerou. Devido principalmente à fraca procura doméstica na maioria dos Estados e ao endurecimento por alguns países, das condições monetárias. Globalmente, a atividade económica progrediu de 4,7% em 2013, ou seja 0,4 ponto percentual a menos do que em 2012. Todavia, esta situação global masca o dinamismo da economia chinesa, caracterizada principalmente pela prossecução dos investimentos públicos. O produto interno bruto da China registou um aumento de 7,7% em 2013, de acordo com as estimativas do FMI. A Índia e o Brasil registaram igualmente uma melhor expansão económica, sob o efeito da consolidação das exportações. Neles, o crescimento estabeleceu-se respetivamente em 5,0% e 2,5% em 2013, contra 4,7% e 1,0% em 2012.

Neste contexto, a África subsariana mostrou-se resiliente. O crescimento económico desta região estabeleceu-se em 5,4% em 2013, contra 5,1% em 2012.

O ritmo das destruições de empregos recuou na maioria dos países industrializados, em ligação com a retoma da atividade registada durante os últimos meses do ano 2013. Assim, a taxa de

desemprego fixou-se nos Estados Unidos em 6,7% em 2013, em baixa de 1,2 ponto percentual

em relação a 2012. No Japão, esta taxa situou-se em torno de 3,7% em finais de 2013, contra 4,3%, no ano anterior. Em contrapartida, na Zona euro, a taxa de desemprego manteve-se num nível elevado de 12,0%.

A inflação continuou a sua desaceleração durante o ano 2013, em relação à redução dos preços mundiais dos produtos alimentares. Nos países industrializados, a taxa de inflação estabeleceu-se em 1,4% em 2013, depois de 2,0% em 2012. No seio dos países emergentes e em desenvolvimento, situou-se em volta de 5,9% em 2013 contra 6,1% em 2012.

No plano da política monetária, os bancos centrais dos principais países industrializados, exceto a Reserva Federal Norte-Americana (FED), conservaram, num contexto marcado pela ausência de tensão inflacionista, a sua política de apoio ao crescimento económico e à luta contra o desemprego. O Banco Central Europeu afrouxou a sua política monetária ao reduzir duas vezes de 25 pontos básicos, a 2 de maio e 7 de novembro de 2013, a sua principal taxa diretora, diminuído para 0,25%. A taxa de cedência de liquidez e a da facilidade de depósito foram respetivamente fixadas em 0,75% e 0%. Por outro lado, ao manter ao mesmo tempo até meados de 2015 a duração de provisão ilimitada de liquidez aos bancos através das suas principais operações de refinanciamento, o BCE pretendeu tomar, caso necessário, novas medidas de complacência da sua política monetária, para combater a deflação. Por sua vez, a Reserva Federal norte-americana (FED) implementou a sua decisão de reorientar a sua política

monetária conciliante, em função da melhoria das condições económicas, nomeadamente a baixa da taxa do desemprego. Ela reduziu assim de 10,0 mil milhões de dólares, o montante de suas aquisições de ativos, ao reduzir de 85,0 mil milhões para 75,0 mil milhões de dólares mensais em finais de 2013. Todavia, a FED reiterou o seu compromisso a manter as suas taxas de juro a curto prazo de zero (0-0,25%), apesar da taxa de desemprego passar acima dos 6,5% visados.

O Banco do Japão (BOJ) mudou fundamentalmente a orientação da sua política monetária em março de 2013, virada, doravante, para a luta contra a deflação. Ao 3 de abril de 2013, fixou-se como objetivo prioritário a meta de 2% de inflação, a alcançar dentro de dois anos. Nesta perspetiva, decidiu aumentar as suas compras de títulos com vista a duplicar a sua base monetária no mesmo período. Ela pretende comprar cada ano cerca de 420 mil milhões de euros de obrigações de Estado japonês, para influenciar para baixa as taxas de juro de longo prazo.

No seio dos países emergentes, os bancos centrais deram à sua política monetária uma orientação diferenciada em função das perspetivas de inflação. No Brasil, face à subida da inflação que se situou em 6,6% em março de 2013 para um alvo de 4,5% (+/-2%), o Banco Central aumentou por três vezes, entre abril e julho de 2013, a sua taxa diretora que passou de 7,25% em março de 2013 para 8,50% a 9 de julho de 2013. Em dezembro de 2013, esta taxa atingiu 9,5%. O Banco de Reserva da Índia, depois de três baixas sucessivas de 25 pontos básicos (pdb) da sua taxa diretora principal reduzida para 7,25% em maio de 2013, decidiu aumentar duas vezes de 25 pdb a mesma taxa diretora a 20 de setembro, e a 29 de outubro de 2013, para fixá-la em 7,25%, com vista a conter as pressões inflacionistas. O Banco Popular da China comprometeu-se a manter a orientação prudente da sua política monetária, a partir do momento em que a inflação permaneça na linha com o objetivo de 3,5% fixado para 2013. No entanto, orientou-se para um ajuste de liquidez bancária para assegurar um crescimento estável do crédito.

Nos mercados dos câmbios, o euro valorizou-se em relação às principais divisas durante o ano 2013, a favor da retoma progressiva da atividade no seio da Zona euro. O valor da moeda única europeia passou, em média de 1,2848 dólar em 2012 para 1,3281 dólar em 2013, ou seja um aumento de 3,4%. Em relação ao iene, à libra esterlina e ao yuan, o euro progrediu respetivamente de 26,5%, 4,7% e 0,7% no mesmo período.

O franco CFA, devido à sua vinculação nominal ao euro, conheceu em relação às principais moedas dos países industrializados, uma evolução similar à da moeda europeia.

Em 2013, os mercados financeiros internacionais foram globalmente bem orientados. Os principais índices bolsistas melhoram-se gradualmente. Nos Estados Unidos, apesar dos receios causados pela decisão da FED de reduzir o seu apoio à economia, os principais índices da bolsa de Nova Iorque, o Dow Jones e o NASDAQ, aumentaram de 9,6% e 10,7% respetivamente entre setembro e dezembro de 2013. No Japão, o índice Nikkei, terminou o ano 2013 com um novo máximo ao estabelecer-se em 16.291,3 pontos contra 14.455,8 pontos em finais de setembro de 2013. No Reino Unido, o índice Footsie 100 consolidou, durante o último trimestre do ano 2013, A alta notada no trimestre anterio em finais de dezembro de 2013, estabeleceu-se em 6.749,1 pontos, em aumento de 4,4% em relação ao seu nível em finais de setembro de 2013. Na Zona euro, o índice EuroStoxx 50 progrediu de 215,6 pontos em relação ao seu nível em finais de setembro fixaando-se em 3.109,0 pontos em finais de dezembro de 2013.

Em relação às matérias-primas, os preços dos produtos básicos orientaram-se, no seu conjunto, para baixa, devido à fraca procura proveniente dos países emergentes.

Os preços dos produtos alimentares e dos metais registaram uma baixa em relação à queda da procura mundial. Os índices calculados pelo FMI indicam, em variação homóloga em finais de dezembro de 2013, baixas respetivas de 3,5% e 7,1%. Em contrapartida, os preços dos produtos energéticos, singularmente os do petróleo bem como os dos produtos agrícolas registaram um acréscimo, em relação retoma da atividade nos países industrializados. Em variação homóloga em finais de dezembro de 2013, os índices dos produtos agrícolas, energéticas e do petróleo aumentaram respetivamente de 6,0%, 3,0% e 4,1%.

Relativamente aos preços das matérias-primas exportadas pela União, predominadas pelos produtos agrícolas e mineiros, registaram na sua maioria uma forte baixa. Em média, ao longo do ano 2013, os preços mundiais destes produtos recuaram de 27,9% para a castanha de caju, 22,7% para a borracha, 19,1% para o óleo de palmiste, 14,0% para o óleo de palma e 8,2% para o café.

O preço do ouro baixou também de 15,5%, devido ao recuo da procura mundial resultante das medidas coercitivas tomadas pelas Autoridades indianas para limitar as importações de ouro, com vista a reduzir o défice da conta corrente da balança de pagamentos do país. A orientação baixista dos preços mundiais do ouro justifica-se igualmente pelo novo interesse dos investidores para os ativos financeiros em dólar americano, de que adiantam um aumento das remunerações, caso a FED cessar a sua política monetária conciliante.

Em contrapartida, os preços de algodão e do cacau consolidaram-se, respetivamente de 5,3% e 1,9%, durante o ano 2013.

Quadro 1 : evolução das taxas médias anuais de câmbio (FCFA por unidade monetária).

2012 2013 Variação (%)

Direito especial de saque (1 DTS) 782,0216 750,6864 -4,01

Dólar americano (1 USD) 510,5518 493,9063 -3,26

Franco suíço (1 CHF) 544,2272 532,8219 -2,10

Libra esterlina (1 GBP) 808,9546 772,3865 -4,52

Iene japonês (1 JPY) 6,4002 5,0591 -20,95

Fontes: BCE, FMI

Quadro 2 : evolução das taxas médias trimestrais de câmbio (FCFA por unidade monetária).

ANO 2012 1º trimestre 2º trimestre 3º trimestre 4º trimestre

Direito especial de saque (1 DTS) 771,2048 782,6354 796,7789 777,4745

Dólar americano (1 USD) 500,4249 511,9065 524,6817 505,8664

Franco suíço (1 CHF) 543,0108 545,9484 545,0411 543,0108

Libra esterlina (1 GBP) 786,0668 809,8435 828,7203 812,4313

ene japonês (1 JPY) 6,3079 6,3940 6,6730 6,2401

ANO 2013 1º trimestre 2º trimestre 3º trimestre 4º trimestre

Direito especial de saque (1 DTS) 756,2361 755,9277 750,0576 740,5241

Dólar americano (1 USD) 496,7113 502,1873 495,3610 481,9669

Franco suíço (1 CHF) 533,9930 532,6488 531,2253 533,5586

Libra esterlina (1 GBP) 770,7077 771,2060 767,6231 780,2139

ene japonês (1 JPY) 5,3855 5,0822 5,0065 4,8063

Fontes: BCE, FMI.

1.2 – CONTEXTO ECONÓMICO E FINANCEIRO DA UMOA

No documento RELATÓRIO ANUAL 2013 VERSÃO RESUMIDA (páginas 34-36)