3.4.1 - Sistema de Transferência Automatizada e de Pagamento na UEMOA (STAR-UEMOA)
O Sistema de Transferência e de Pagamento na UEMOA (STAR-UEMOA) é o sistema que permite tratar, em tempo real, as operações de importância sistémica designadamente, as transferências e as operações compensadas de SICA-UEMOA, da monética interbancária regional e da Bolsa Regional dos Valores Mobiliários (BRVM).
A 31 de Dezembro de 2013, o balanço do funcionamento de STAR-UEMOA é globalmente satisfatório e ressalta as principais estatísticas seguintes:
- uma nova instituição bancária foi admitida no sistema elevando assim o número de participantes para 108;
- o número total de operações pagas progrediu, evoluindo de 521.592 em 2012 para estabelecer-se em 557.655 em 2013;
- o valor das operações pagas passou de 145.163 mil milhões em 2012 para 188.458 mil milhões em 2013, ou seja um aumento de 29,82%;
- o número total de operações inter-países pagas progrediu, evoluindo de 213.255 em 2012 para estabelecer-se em 239.577 em 2013;
- o valor das operações inter-países aumentou de 25,81%, passando de 13.533 mil milhões em 2012 para atingir 17.026 mil milhões em 2013;
- a taxa de rejeição por insuficiência de provisão fixou-se em 0,12%, permanecendo assim abaixo da norma máxima de 1%;
- o prazo médio de pagamento das transações fixou-se, em média, em 48 segundos em 2013. Durante o ano 2014, prevê-se ações com vista a melhoria da eficiência de STAR-UEMOA com nomeadamente :
- a instalação dos Adiantamento Intra Diários (AIJ, sigla em francês) na sequência do arranque, durante o ano 2014, da aplicação TRESOR que é uma plataforma integrando instrumentos que facilitam o acesso dos bancos e Instituições financeiras aos recursos interbancários e ao refinanciamento do Banco Central.
Quadro 25 : evolução de indicadores de STAR-UEMOA em 2013
Meses Número total de pagamento s efetuados Valores dos pagamentos efetuados (em mil milhões de FCFA) Número de pagament os inter- países Valor dos pagamento s inter- países (em mil milhões de FCFA) Liquidez média dos bancos (em mil milhões de FCFA) Taxa média de rejeições financeiras (em %) Prazo médio de pagamento das transações (em segundos) janeiro 44 487,0 15 148,5 18 995,0 1 428,1 1 021,6 0,14 41 fevereiro 42 356,0 12 692,8 18 236,0 1 089,1 996,9 0,12 43 março 45 122,0 13 814,2 19 374,0 1 313,5 1 097,1 0,11 41 abril 45 189,0 16 343,7 19 504,0 1 312,5 1 100,1 0,12 49 maio 47 042,0 15 107,9 20 197,0 1 502,2 1 031,6 0,14 50 junho 43 136,0 13 810,6 18 722,0 1 223,0 1 035,7 0,13 42 julho 52 316,0 16 867,7 22 176,0 1 493,3 980,5 0,10 35 agosto 45 098,0 14 512,5 18 798,0 1 363,4 1 034,4 0,13 83 setembro 44 434,0 14 394,1 19 137,0 1 316,8 Dez.1 008, 5 0,12 31 outubro 48 699,0 17 231,7 20 842,0 1 514,8 980,4 0,07 46 novembro 45 772,0 16 661,3 20 321,0 1 590,9 996,5 0,08 59 dezembro 54 004,0 21 873,2 23 275,0 1 878,6 906,0 0,19 61 Fonte: BCEAO
3.4.2 – Sistema Interbancário de Compensação Automatizado na UEMOA (SICA-UEMOA)
SICA-UEMOA é o sistema de compensação de massa em que são tratados o desconto de cheques as transferências de montantes insignificantes (menos de 50 milhões de FCFA), as notas promissórias, as letras de câmbio e os avisos de cobrança.
No termo do ano 2013, a atividade de SICA-UEMOA registou uma evolução significativa marcada pelo aumento dos volumes de operações e do seu valor.
A título da participação, o número de instituições passou de 120 a 121 participantes com a entrada em produção de CORIS BANK na Côte d’Ivoire.
Tratando-se das operações, elas registaram um aumento de 12,92% em volume e 12,09% em valor. O número total das trocas estabeleceu-se em 10.199.708 operações num valor de 33.777 mil milhões de FCFA com progressões ressaltadas a nível de todos os países. Em particular, as
operações regionais registaram uma evolução de 88,13% em número e de 144,35% em valor. O cheque permanece o instrumento mais trocado, o seja 73% do volume das operações.
As evoluções do volume das operações de trocas no SICA-UEMOA
Quadro 26 : dados característicos das trocas no SICA-UEMOA em 2012/2013
Países Número Valor (em mil milhões de FCFA)
Ano 2012 Ano 2013 Variação% Ano 2012 Ano 2013 Variação%
Benim 370 323,0 403 277,0 8,9 2 060,0 2 204,0 7,0 Burkina Faso 796 064,0 1 018 285,0 27,9 3 274,0 3 961,0 21,0 Côte d'Ivoire 4 189 068,0 4 822 059,0 15,1 11 810,0 13 647,0 15,6 Guiné-Bissau 11 901,0 13 216,0 11,1 53,0 55,0 4,1 Mali 493 101,0 545 907,0 10,7 3 049,0 3 210,0 5,3 Níger 149 651,0 165 268,0 10,4 799,0 943,0 18,1 Senegal 2 677 199,0 2 831 789,0 5,8 7 681,0 8 012,0 4,3 Togo 331 258,0 373 667,0 12,8 1 324,0 1 539,0 16,2 Régional 13 948,0 26 240,0 88,1 84,0 205,0 144,4 Total UEMOA 9 032 513,0 10 199 708,0 12,9 30 134,0 33 777,0 12,1 Fonte: BCEAO
Para o ano 2014, o número de participantes deveria aumentar, com a entrada em produção dos bancos recentemente autorizados e de alguns Tesouros Públicos Nacionais.
Por outro lado, as ações apontadas visam essencialmente a prossecução dos projetos de melhoria e de maximização do funcionamento do sistema bem como a sua segurança nos planos operacional e técnico. Neste sentido, prevê-se:
- a entrada em produção efetiva do Fundo de garantia cujas convenções estão para ser assinados:
- a elaboração do caderno de encargos do projeto de centralização dos sistemas nacional e regional na Sede do BCEAO. Esta centralização responde à necessidade de melhorar a eficiência e a gestão do sistema, bem como à redução do custo ligado à sua exploração e à criação de um dispositivo de socorro.
3.4.3 - Central dos Incidentes de Pagamento
A título da Central dos Incidentes de Pagamento (CIP), as ações levadas a cabo envolveram: - o seguimento das declarações e o suporte das solicitações bem como das reclamações dos Estabelecimentos Detentores de Conta (ETC, sigla em francês);
- a gestão do dossier relativo ao fenómeno de recrudescência da emissão de cheques sem provisões nos Estados membros da UEMOA;
- a prosseguição de diligências de estabilização da aplicação da CIP com base nos disfuncionamentos assinalados e pedidos de melhoria formulados pelos utentes.
A 31 de dezembro de 2013, o número de contas apoiadas em instrumentos de pagamento declarados na CIP à escala da UEMOA situa-se em 4.760.328 contra 3.187.777 em 2012 e 3.140.620 em 2011.
A taxa de homonímia para o ano 2013 continua aceitável e situa-se em 0,20% contra uma norma de 1%.
O seguinte quadro faz a síntese das taxas de declaração e de homonímia bem como do número de consulta da CIP a 31 de dezembro de 2013.
Quadro 27 : dados saídos da aplicação da CIP em 31 de dezembro de 2013 Países Número de contas declaradas (1) Número de contas detidas (2) Taux de déclaration en % Número de consulta Taxa de homonímia em % Benim 451 545 558 245 80,89 19 364 0,48 Burkina Faso 797 938 909 299 87,75 21 079 0,14 Côte d'Ivoire 1 736 029 2 395 296 72,48 12 101 0,11 Guiné-Bissau 31 814 51 122 62,23 119 0,03 Mali 729 942 792 642 92,09 4 093 0,10 Níger 243 430 285 950 85,13 1 952 0,32 Senegal 561 274 617 736 90,86 38 484 0,10 Togo 208 356 245 035 85,03 2 510 0,32 TOTAL 4 760 328 5 855 325 81,30 99 702 0,20 Fonte: BCEAO
(1) contas baseadas em instrumentos de pagamentos e declaradas na CIP (2) contas baseadas em instrumentos de pagamentos nos livros de ETC
3.4.4 – Vigilância dos sistemas de pagamento
Os artigos 9 e 21 dos Estatutos do Banco Central estipulam que o BCEAO tem de velar pelo bom funcionamento e pela segurança dos sistemas de pagamento, ao tomar todas as medidas requeridas com vista a assegurar a eficiência, a solidez bem como a segurança dos sistemas de pagamento através da compensação interbancária e de outros sistemas de pagamento no seio da UMOA e com os países terceiros.
Neste aspeto, o Regulamento nº 15/CM/2002/UEMOA de 19 de Setembro de 2002 relativo aos sistemas de pagamento nos Estados membros da UEMOA atribui ao BCEAO, no seu artigo 3, o papel de supervisor dos sistemas de pagamento, com vista a contribuir para manter a estabilidade financeira da União através do reforço da segurança e eficiência dos referidos sistemas. O principal objetivo prosseguido pelo BCEAO através da missão de vigilância dos sistemas de pagamento é o de manter a estabilidade financeira, a promoção da eficiência, da fiabilidade e da segurança dos sistemas de pagamento no seio da União.
Para o exercício 2013, as atividades de vigilância dos sistemas de pagamento concentraram-se em:
- o seguimento contínuo do bom funcionamento dos sistemas de pagamento geridos pelo BCEAO (STARUEMOA e SICA-UEMOA)
- a supervisão das instituições de moeda eletrónica.
A título do bom funcionamento dos sistemas de pagamento geridos pelo Banco Central, o seguimento efetuou-se com base nos princípios fundamentais editados pelo Banco dos Pagamentos internacionais, através da análise dos indicadores de funcionamento e dos incidentes. Neste quadro, foram formuladas e comunicadas recomendações aos gestores destes sistemas com vista à sua implementação.
Relativamente à supervisão das instituições de moeda eletrónica, ela consistiu na análise no local da atividade destas estruturas. Foram criados, pelas instituições de moeda eletrónica interessadas, planos de ação corretivos dos pontos não-conformes e regulamentares.
O ano 2014 será consagrado ao reforço da vigilância dos sistemas e meios de pagamento, através a atualização da política de vigilância dos sistemas de pagamento bem como do quadro operacional conexo, ao olhar do balanço desta atividade executada desde 2008 e do surgimento de novas normas internacionais estabelecidas na matéria.
Nesta base, as principais ações identificadas em 2014 para finalizar o novo quadro de vigilância dos sistemas de pagamento articulam-se em torno da atualização da política e do referencial de vigilância dos sistemas de pagamento.
3.4.5 – Quadro jurídico e regulamentar.
Em relação ao quadro jurídico e regulamentar, as reflexões incidiram, em 2013, sobre a revisão da Instrução nº 01/SP/2006 de 31 de julho de 2006 vigente, relativa à emissão de moeda eletrónica e às instituições de moeda eletrónica (EME).
Neste aspeto, foram propostas orientações com base nos ensinamentos tirados das evoluções do contexto, da análise recente da situação das Instituições de Moeda Eletrónica, dos constrangimentos de aplicação da Instrução de 31 de julho de 2006 bem como das experiências de alguns países em que a atividade desenvolveu-se de modo aceitável.
Em 2014, as orientações validadas traduzir-se-ão na revisão da Instrução. Ressaltar-se-á principalmente o reforço da segurança e da credibilidade das soluções implementadas bem como a proteção dos utentes dos serviços financeiros eletrónicos, nomeadamente os baseados no celular.
IV – SISTEMA BANCÁRIO E FINANCEIRO