CAPÍTULO 2. TEORIA DO LABELLING APPROACH
2.1. CONTEXTO HISTÓRICO-SOCIAL DO NASCIMENTO DA TEORIA
Acontecimentos de grande relevância marcaram a década de 1960 em todo o mundo, especialmente nos Estados Unidos, país, como já aludido no capítulo anterior, berço da Criminologia sociológica e da teoria do labelling approach266
.
Diante disso, mister seja realizada uma análise mais acurada da realidade norte- americana no referido período, visando à compreensão do momento social encorajador de avanços em diversas áreas do saber.
Foi justamente no âmbito e em decorrência dos acontecimentos dessa década que surgiram e solidificaram-se movimentos de desconstrução e radicalização no campo social e de algumas ciências humanas e sociais, tal qual a Criminologia, especialmente porque se tornaram evidentes a opressividade do sistema e a necessidade impostergável de combater o status quo.
A crise do Estado de Bem-estar social veio acompanhada da politização da Filosofia social, das Ciências Humanas e, sobretudo, da Criminologia e de mudanças bastante significativas em suas teorizações. Na seara penal e criminológica, esse momento recebeu de Cohen os nomes de impulso desestruturador ou desconstrução dos modelos penais fundamentais e de Zaffaroni a denominação de marcos teóricos fundamentais da deslegitimação do sistema penal267.
Para Andrade podem-se verificar duas dimensões distintas nesse movimento: a da crítica historiográfica, sociológica e criminológica do moderno sistema penal e a das políticas criminais alternativas e dos movimentos de reforma. Para a autora, o labelling
approach insere-se na primeira dimensão referida, sendo que da crítica sociológica
realizada pela teoria resultou o câmbio de paradigma na Criminologia268.
266 A despeito dos Estados Unidos serem seu nascedouro, o labelling approach foi divulgado para além dele,
na Europa, especialmente na Alemanha e na e Inglaterra.
267 ANDRADE, Vera Regina Pereira de. A ilusão da segurança jurídica: do controle da violência à violência
do controle penal. 2. ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2003.
268 ANDRADE, Vera Regina Pereira de. A ilusão da segurança jurídica: do controle da violência à violência
Como ocorrências histórico-sociais marcantes, destacam-se, de antemão, a polêmica política externa norte-americana; o nascimento das contraculturas; a conscientização acerca da existência de crimes mais graves do que os tradicionais, tais quais os de colarinho branco e os transnacionais; a desproporcional violência dirigida aos movimentos sociais contestatórios surgidos no período; entre outras269.
De suma importância foram ainda as lutas pelo reconhecimento da igualdade de direitos dos negros e das mulheres, as manifestações contrárias à guerra do Vietnã e a proposição de estilos alternativos de vida pelos jovens da época.
A relevância dessas inovações foi tamanha a ponto de ser considerada como “a única invenção revolucionária contemporânea verdadeiramente original”270.
A constatação fática foi a de que um abismo separava a geração de 1960 de suas antecessoras mais próximas. Esta, progressista, autoconfiante, autônoma; aquelas, inseguras, traumatizadas pela guerra e pelas oscilações econômicas.
Assim, os jovens de 1960 iniciaram embates contra o autoritarismo e contra as instituições em que ele mais se fazia presente: a família, as empresas, as escolas e as universidades. Difundiram ainda comportamentos contraculturais como a desobediência civil, a participação em manifestações contra o governo, a defesa aberta ao pacifismo, a queima de convocações do serviço militar, bem como o repúdio à sociedade de consumo271, fatores esses que agravaram a crise dos Estados de Bem-estar social, cujo
desinteresse pelos grupos excluídos e prejudicialidade a eles tornava-se cada vez mais evidente.
A ruptura de muitos jovens com a velha ordem vigente e seu estilo de vida alternativo encorajaram também novas interações entre grupos sociais distintos, tais como brancos e negros, homens e mulheres, policiais e civis272.
Desse modo, os movimentos de reforma iniciados nesse momento caracterizavam- se, precipuamente, “pela idade dos jovens manifestantes e por uma nova ética e estética
269
CASTRO, Lola Aniyar de. Criminologia da reação social. Tradução de Ester Kosovski. Rio de Janeiro: Forense, 1983.
270 REVEL, Jean-Francois. A revolução imediata. Tradução de Maria Emília Mauhin. Lisboa: Bertrand, 1970.
p. 46.
271 ZAPPA, Regina; SOTO, Ernesto. 1968: eles só queriam mudar o mundo. Rio de Janeiro: Jorge Zahar,
2008.
272 NEVINS, Allan; COMMAGER, Henry Steele. Breve história dos Estados Unidos. Tradução de Luiz
reativa, na qual entrariam em jogo esquemas religiosos e morais e também de pensamento social, político e até criminológico”273.
Um dos principais agrupamentos de jovens conformado no período foi o dos
hippies, grandes representantes do movimento contracultural norte-americano. Fato é que
eles defendiam um estilo de vida radicalmente diferente do que vigia em seu país. Pregavam o pacifismo, o respeito à natureza, a alimentação natural, inclusive sem o consumo de carnes, a defesa dos direitos das minorias, a prática do amor livre, a crítica a sociedade de consumo, a assimilação de religiões e filosofias orientais, o tarô, a astrologia e o consumo de drogas.
O uso dos cabelos compridos, uma de suas marcas, tornou-se uma obsessão dos jovens norte-americanos. Enquanto o musical Hair fazia um enorme sucesso na Broadway, uma ampla campanha publicitária era veiculada pelo governo através da reprodução de cartazes com os dizeres “embeleze a América, corte o cabelo”274.
É certo que a postura altamente autoritária, capitalista e consumista dos Estados Unidos permitiu o nascimento da filosofia hippie, avessa a todos esses valores. Também, em decorrência da política externa que adotou, tornou-se alvo de críticas de praticamente toda a sociedade norte-americana, e não apenas dos jovens hippies, situação que se tornou insustentável diante das barbáries cometidas na guerra contra o Vietnã.
A hostilidade norte-americana em relação à China surgiu quando esta despontou como, potencialmente, a mais forte das nações comunistas, pronta inclusive para desbancar a União Soviética.
O Vietnã já tinha seu território bastante destruído no ano de 1964 quando se iniciou a guerra entre este país e os Estados Unidos, já que desde 1946 lutava pelo controle de seu território com a França275.
O estopim para a guerra entre o país que vivia do plantio de arroz e a grande potencial mundial, posição na qual já havia se consolidado os Estados Unidos, foi um
273
ANITUA, Gabriel Ignacio. Histórias dos pensamentos criminológicos. Tradução de Sérgio Lamarão. Rio de Janeiro: Revan, 2008. p. 571.
274 ZAPPA, Regina; SOTO, Ernesto. 1968: eles só queriam mudar o mundo. Rio de Janeiro: Jorge Zahar,
2008.
275 No mesmo ano em que declararam guerra ao Vietnã os Estados Unidos apoiaram o golpe contra o
Presidente da República brasileira João Goulart, considerado pelo país simpatizante do comunismo. Cf. ZAPPA, Regina; SOTO, Ernesto, 1968: eles só queriam mudar o mundo. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2008.
alegado ataque a dois destróieres seus, concretizado por lanchas norte-vietnamitas, investida esta realizada nas águas internacionais do golfo de Tonquim276.
Tal evento foi fraudulentamente usado pela Resolução do Golfo de Tonquin, que permitia ao Presidente da República declarar guerra, se autorizado pelo poder Legislativo. Após aprovação unânime pela Câmara e com apenas duas dissonâncias no Senado, Lyndon Johnson determinou o início dos bombardeios a região.
Antes mesmo de seu término, os Estados Unidos já haviam atingido o sudeste da Ásia com o triplo das bombas lançadas durante todo o período da Segunda Guerra Mundial e o efetivo combatente americano no território inimigo alcançara a cifra de quinhentos e cinquenta mil277.
A guerra estendeu-se por longos anos e sua cruenta revoltou os norte-americanos, que protestavam pelo seu término.
Ainda outra manifestação social paradigmática do período foi a luta dos negros pelo reconhecimento e afirmação de seus direitos civis, impulsionada por um acontecimento ocorrido em primeiro de dezembro de 1955, quando, em Montgomery, Alabama, a costureira negra Rosa Parks se negou a ceder seu lugar no ônibus a um homem de pele branca, desrespeitando assim a lei do apartheid racial.
Em decorrência desse fato, em cinco de dezembro do mesmo ano, com a organização da Associação pelo Progresso de Montgomery, iniciou-se na cidade o boicote dos negros aos transportes públicos, negando-se eles a utilizá-los devido à obediência das empresas do setor às leis estaduais e citadinas de segregação racial. Tal protesto contou com o apoio de quase todos os cinquenta mil negros de Montgomery, os quais, por quase um ano, abarrotaram as ruas da cidade ao locomoverem-se, em sua maioria, a pé.
A partir desse evento, Luther King, que havia sido escolhido para presidir a referida Associação, emergiu como um novo modelo de líder – não violento –, o que foi determinante para a faceta pacifista dos movimentos antissegregacionistas procedentes278.
276 ZAPPA, Regina; SOTO, Ernesto. 1968: eles só queriam mudar o mundo. Rio de Janeiro: Jorge Zahar,
2008.
277 NEVINS, Allan; COMMAGER, Henry Steele. Breve história dos Estados Unidos. Tradução de Luiz
Roberto de Godói Vidal. 7. ed. São Paulo: Alfa-Omega, 1986.
278 Luther King, dando início aos trabalhos da Associação pelo Progresso de Montgomery, discursou: “Mas
aqui nos reunimos, em especial, devido à situação dos ônibus de Montgomery. Aqui nos reunimos porque estamos determinados a corrigir essa situação, que, definitivamente, não é nova. O problema existe há muitos e muitos anos. Por muito tempo agora, os negros de Montgomery e de tantas outras regiões suportaram a paralisia incapacitante do medo, nos ônibus de nossa comunidade. [...] Nenhuma cruz arderá em chamas nas paradas de ônibus de Montgomery. Nenhum branco será arrancado de sua casa, levado ao longo de uma estrada distante e linchado por não cooperar. Nenhum de nós se erguerá para desafiar a Constituição de nossa
Fato é que a revolução dos negros, que se iniciara timidamente com a Segunda Guerra Mundial, tomou maiores proporções a partir de três realizações importantes: o início de uma série de decisões da Suprema Corte em defesa de seus direitos de igualdade; a conscientização crescente dos Estados do Norte e a percepção do poder político potencial representado pelo voto dos negros; a tomada da liderança na luta por seus direitos civis279.
Após 1960, contudo, a citada luta ganhou mais força e dimensão, já que grande descontinuidade ocorreu na substituição da luta legal, realizada nos Tribunais, pelas massivas manifestações dos próprios negros.
No dia primeiro de fevereiro de 1960 quatro calouros da A&T, em Greensboro, aos quais houve recusa em servir-lhes a refeição em virtude da cor de suas peles, decidiram, como forma de repúdio ao ato, permanecer no refeitório por todo aquele dia. Daí seguiram- se protestos em outras universidades e escolas norte-americanas, sendo que em setembro de 1961 podiam ser identificadas manifestações do tipo em mais de cem cidades do país280.
Conforme foi anteriormente mencionado, a luta em favor da igualdade social foi encabeçada, em sua maioria, por organizações pacifistas, tal como a Southern Christian
Leadership Conference, também fundada por Luther King. Não obstante, erigiram-se
movimentos com atuações mais violentas, a exemplo do Black Power e do Black Panther
Party.
Este último grupo foi fundado no ano de 1966, na cidade de Oakland. Sua composição e método de atuação diferiam dos demais que estavam engajados na causa. Era formado por jovens dos guetos e das camadas mais pobres da população que defendiam, somente aos negros, entre outras propostas, o uso de armas, a isenção de impostos, a libertação dos recolhidos ao cárcere e o pagamento de indenizações, por serem vítimas, durante séculos, da exploração branca281.
nação. Somente nos reunimos aqui movidos pelo desejo de que o direito prevaleça. Meus amigos, quero que no fundo se saiba que nós íamos para o trabalho com a firme e corajosa determinação de levar a justiça aos ônibus desta cidade”. Cf. KING, Martin Luther. Discurso no primeiro comício da Associação pelo Progresso de Montgomery. In: CARSON, Clayborne; SHEPARD, Kris (Org.). Um apelo à consciência: os melhores discursos de Martin Luther King. Tradução de Sérgio Lopes. Rio de Janeiro: Zahar, 2006. p. 23-24. Importante ainda ressaltar que além do envolvimento de Luther King com os protestos em Montgomery, sua participação foi também fundamental na Marcha sobre Washington, ocorrida em 1957, bem como na concentração em Chicago, em 1966.
279 NEVINS, Allan; COMMAGER, Henry Steele. Breve história dos Estados Unidos. Tradução de Luiz
Roberto de Godói Vidal. 7. ed. São Paulo: Alfa-Omega, 1986. Dentre alguns dos principais líderes negros pode-se destacar Martin Luther King, Philip Randolph, Thurgood Marshall e James Baldwin.
280 OBERSCHALL, Anthony. Social movements: ideologies, interests and identities. Nova Brunswick:
Transaction, 1997.
281 ZAPPA, Regina; SOTO, Ernesto. 1968: eles só queriam mudar o mundo. Rio de Janeiro: Jorge Zahar,
A despeito das citadas organizações – excepcionais – embaladas pelo uso da violência, o sucesso e a repercussão das manifestações antissegregacionistas deveu-se, além do apoio popular que amealharam, à postura de Luther King, seu grande líder. Para Revel, ele foi o exemplo completo de um herói carismático. Nasceu da vontade e espontaneidade popular, afastou qualquer rasgo de autoritarismo e culto a sua personalidade dos movimentos que dirigia e conseguiu significativas vitórias ao fazer votar e respeitar inúmeras leis em benefício dos direitos dos negros282.
Seus discursos difundiram-se e tocaram todo o mundo, sendo o objetivo de sua oratória
forjar um novo estado de justiça e misericórdia, por meio do poder da verdade e da não-violência – verdade que buscava unir homens e mulheres, reconhecidos como irmãos e irmãs. A verdade do amor e da misericórdia que acreditava que os conflitos do mundo se reconciliariam no poder do espírito humano283.
Sua base filosófica, evidenciada em todas as suas ações em prol do movimento negro, era a doutrina de resistência não violenta e pacifista de Gândi, característica da maioria das manifestações geridas em 1960284.
Entretanto, em quatro de abril de 1968 Luther King foi assassinado em Memphis, Tenesse, ao levar um tiro enquanto estava na varanda de um hotel, o que deu início a protestos em todo o país. O que se verificou foi que esse ato “não visava apenas suprimir um orador e um animador antirracista, mas toda uma concepção política”285.
282 REVEL, Jean-Francois. A revolução imediata. Tradução de Maria Emília Mauhin. Lisboa: Bertrand, 1970. 283 YOUNG, Andrew. Introdução. In: CARSON, Clayborne; SHEPARD, Kris (Org.). Um apelo à
consciência: os melhores discursos de Martin Luther King. Tradução de Sérgio Lopes. Rio de Janeiro: Zahar, 2006. p. 13-14.
284 LINK, Arthur S. História moderna dos Estados Unidos. Tradução de Waltensir Dutra Álvaro Cabral e
Fernando de Castro Ferro. Rio de Janeiro: Zahar, 1965.
285 REVEL, Jean-Francois. A revolução imediata. Tradução de Maria Emília Mauhin. Lisboa: Bertrand, 1970.
p. 174. No dia 2 de abril de 1968, um dia antes de sua morte, Luther King não se sentia bem e falava em tirar alguns dias de folga para submeter-se a exames. Em razão disso, decidiu não realizar o discurso que faria naquele dia, pedindo para Ralph Abernathy fazê-lo em seu lugar. Ocorre que ao ser avisado da multidão que o esperava na Igreja – cerca de onze mil pessoas – dirigiu-se ao local e, comovido com a bela introdução feita por seu amigo, decidiu proferir aquele que seria seu último discurso. Entre suas palavras professou: “Bem, não sei o que acontecerá agora. Dias difíceis virão. Mas não me importo. Pois eu estive no topo da montanha. E não me importo. Como qualquer pessoa, gostaria de viver uma vida longa. A longevidade tem o seu lugar. Mas não me preocupo com isso agora. Apenas desejo obedecer aos desígnios de Deus. E Ele me levou ao topo da montanha, olhei ao redor e contemplei a Terra Prometida. Posso não alcançá-la, mas quero que saibam, que nós, como povo, chegaremos à Terra Prometida. Estou tão feliz; não me preocupo com nada; não temo homem algum. Meus olhos viram a glória da presença do Senhor”. Cf. KING, Martin Luther. Eu estive no topo da montanha. In: CARSON, Clayborne; SHEPARD, Kris (Org.). Um apelo à consciência: os melhores discursos de Martin Luther King. Tradução de Sérgio Lopes. Rio de Janeiro: Zahar, 2006. p. 171.
Ainda de grande relevância foi o surgimento do movimento feminista contemporâneo, na segunda metade da década de 1960286. Pode-se considerar, na
realidade, a existência de duas vertentes do feminismo desse período: uma postuladora da igualdade das mulheres e outra de sua diferença.
A primeira, defendida nos Estados Unidos, reflete o anseio das mulheres pela igualdade em relação aos homens, tendo em vista a opressão masculina ao gênero oposto. Já a segunda, majoritária na França, pretende o reconhecimento das diferenças entre os sexos e alerta para a necessidade de dar visibilidade à experiência feminina, historicamente negligenciada287.
Ressalvadas as mencionadas diferenças, o que o movimento feminista busca é a superação das relações conflituosas entre homens e mulheres, recusando-se estas a assumir qualquer estigma de inferioridade288.
O que se pode destacar dos acontecimentos descritos é que eles geraram novas formas de conflito social, o que exigia também da Criminologia formas de interpretação e ação diferenciadas.
Não podia mais ser admitida uma Criminologia condescendente com tais violações e discriminações sociais, mantenedora, pois, do status quo e a serviço do poder estabelecido. Algo tinha que ser mudado, até porque a sociedade já havia se atentado para opressividade do sistema social – mormente o penal –, que autorizava a exacerbada punição da criminalidade tradicional em cotejo com a maior tolerância diante da criminalidade “dos poderosos”.
Também como efeito dessa percepção diversas revoltas eclodiram nas prisões da época, tais quais as ocorridas em San Quentim, Les Tombs, Tolsom, Soledad e Attica, as quais contribuíram para que a população se sensibilizasse com a brutalidade predominante no cárcere, onde se recolhiam, especialmente, negros e pobres.
Entre as rebeliões citadas, uma das mais significativas foi a de Attica, em Nova Iorque, na qual trinta e três reclusos e dez guardas foram mortos.
286 Esse movimento é também denominado de segunda fase do feminismo, sendo a primeira representada pela
luta das mulheres em busca da igualdade de direitos políticos, civis e educativos ocorrida no seio da Revolução Francesa.
287 NARVAZ, Martha Giudice; KOLLER, Sílvia Helena. Metodologias feministas e estudos de gênero:
articulando pesquisa, clínica e política. Disponível em < http://www.scielo.br/pdf/pe/v11n3/v11n3a20.pdf > Acesso em 29 out. 2009.
288 Destaque-se que esta segunda geração do movimento feminista caracteriza-se pela liderança de mulheres
intelectuais, consequência das maiores oportunidades sociais, políticas e educativas que estavam ao alcance das mulheres após a primeira fase do feminismo.
O labelling approach surgiu, pois, nesse contexto de crítica à mantença das desigualdades, em que se evidenciou que uma mudança de postura não podia mais ser adiada.