A instituição em que se realizou a pesquisa foi o Instituto Federal de Educação,
Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul – IFRS. Os Institutos Federais foram criados pela
Lei n.º 11.892/08. Segundo esta lei, os Institutos Federais: são instituições de educação
básica, profissional e superior, pluricurriculares e multicampi. A especialidade apresenta uma
oferta de educação profissional e tecnológica nas diferentes modalidades de ensino, com base
na conjugação de conhecimentos técnicos e tecnológicos com as práticas pedagógicas
desenvolvidas (SILVA et al., 2009). Em sua concepção, os Institutos Federais incluem
elementos que deveriam melhorar a qualidade do ensino em todos os níveis. Esta orientação
pode ser verificada em Silva et al. (2009, p. 12), que ressaltam:
[...] seus projetos pedagógicos [...] deverão adotar como diretrizes:
- a necessidade de atuar no ensino, na pesquisa e na extensão, compreendendo as especificações destas dimensões e as interrelações que caracterizam sua indissociabilidade;
- a compreensão da pesquisa ancorada nos princípios científicos – que se consolida na construção da ciência e desenvolvimento da tecnologia – e no educativo – que diz respeito à atitude de questionamento diante da realidade – entendendo-a como
essencial para a construção da autonomia intelectual e, portanto, potencializadora de uma educação que possibilita ao indivíduo o desenvolvimento de sua capacidade de gerar conhecimentos a partir de uma prática interativa com a realidade;
- [...] a compreensão de que o conhecimento deve ser tratado em sua completude, nas diferentes dimensões da vida humana, [...] na perspectiva de ultrapassar o rígido limite traçado pelas disciplinas convencionais [...]
No Rio Grande do Sul, uma destas instituições é o Instituto Federal de Educação,
Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul (IFRS). Organizado através de uma estrutura
multicampi, surgiu a partir da integração de diversas instituições, que foram transformadas,
respectivamente, em Campus Bento Gonçalves, Campus Porto Alegre, Campus Rio Grande e
Campus Sertão. Ao todo, atualmente são 12 campi que integram o IFRS, sendo que a pesquisa
foi realizada em uma destas unidades, situada na cidade de Feliz.
O Campus Feliz foi projetado a partir de uma instituição sem fins lucrativos: a
Fundação Educacional do Vale do Rio Caí. Esta fundação construiu uma escola técnica, que
atenderia a região do Vale do Caí, no Rio Grande do Sul. Em 24 de março de 2008, foi
firmado o compromisso com o Governo Federal para a federalização da Escola Técnica,
através da assinatura de um “Termo de Compromisso de Federalização”. Este novo perfil
jurídico possibilitou o repasse da escola técnica para a rede federal de ensino, sob
responsabilidade então do CEFET (Centro Federal de Educação Tecnológica de Bento
Gonçalves), com a denominação de “Unidade de Feliz”. Em 2008, com a criação dos
Institutos Federais, a unidade passou a ser da responsabilidade do IFRS – Campus Bento
Gonçalves, transformando-se no Campus Feliz.
As aulas do primeiro curso deste campus foram no curso de Técnico em
Administração Subsequente, iniciando no dia 7 de agosto de 2008. Em 2009, o campus contou
com quatro turmas, com aproximadamente 120 estudantes, sendo que, em 2010, já contava
com cursos técnicos e superiores. As áreas de atuação do Campus Feliz eram, na época da
realização da pesquisa, as seguintes: Gestão Empresarial, Meio Ambiente, Cerâmica,
Agronegócios e Tecnologia da Informação. Estas áreas estão plenamente integradas com as
necessidades da comunidade educacional e empresarial da região em que se inserem.
A atuação se dá na modalidade presencial, com cursos técnicos subsequentes, cursos
técnicos integrados ao ensino médio e superiores de graduação tecnológica. A instituição
atendia a uma população formada por aproximadamente vinte municípios da região do Vale
do Rio Caí, no Rio Grande do Sul, atingindo uma população regional que se aproximava dos
200.000 hab.
O contexto da pesquisa foi o dos ensinos técnico e tecnológico em Administração.
Para a realização da pesquisa foram escolhidas duas disciplinas de cursos técnicos e
superiores de tecnologia: Teoria Geral da Administração (TGA). e Planejamento Estratégico
(PE). Realizou-se o estudo em situações reais de ensino, a partir do Modelo Construtivista que
foi elaborado para o Ensino de Administração.
3.1.1 Atores da Pesquisa
Fizeram parte desta pesquisa dois tipos principais de atores, que interagiram nas
atividades. Primeiramente, o pesquisador, que atua como docente da área de Administração,
tendo lecionado em universidades e faculdades, nas áreas de Administração geral, sistemas de
informação e gerenciamento de projetos. Os demais atores foram os estudantes das turmas de
Teoria Geral da Administração e de Planejamento Estratégico dos cursos Técnico em
Administração e Superior de Tecnologia em Processos Gerenciais.
Os cursos são noturnos, e o número estimado de estudantes que participaria da
pesquisa seria de 180. No entanto, o total de estudantes foi reduzido para 163, em virtude de
desistências e, em alguns casos, de aproveitamento de estudos nas disciplinas em que se
realizou a pesquisa. Todos os estudantes já possuíam ensino médio completo e a maioria era
trabalhadora.
3.1.2 Disciplinas em que se realizou a pesquisa
O Modelo Construtivista para o Ensino de Administração foi aplicado em duas
disciplinas, as de Teoria Geral da Administração (TGA) e de Planejamento Estratégico (PE).
Ambas as disciplinas eram ministradas com metodologia semelhante, tanto no curso técnico
quanto no superior. A primeira disciplina é oferecida, geralmente, na fase inicial dos
currículos da área de Administração. Por ser uma disciplina básica, geralmente o seu conteúdo
é extenso e repassado de forma tradicional, com aulas expositivas através de apresentações
eletrônicas, com a indicações de textos e bibliografias, com o repasse de informações e
realização de provas. Em alguns destes cursos, a disciplina é dividida em dois semestres
(TGA1 e TGA2).
A disciplina de Planejamento Estratégico, oferecida no último semestre do curso,
geralmente possui uma parte teórica, com a aula expositiva e repasse de leituras,
apresentações eletrônicas, indicações de textos e bibliografias e aplicação de provas, baseadas
nos conceitos anteriormente vistos. Por outro lado, apresenta também um enfoque prático,
usualmente exigindo-se a elaboração de um planejamento estratégico para uma empresa. As
ementas elaboradas pelos professores das disciplinas eram semelhantes, tanto no curso
Técnico em Administração quanto no curso superior de Tecnologia em Processos Gerenciais.
Os conteúdos de algumas destas ementas são apresentados a seguir:
1) Teoria Geral da Administração (TGA)
4:
Objetivos:
- Fornecer elementos conceituais básicos na área da Ciência Administrativa;
- Auxiliar os estudantes no desenvolvimento da reflexão teórico–empírica com base na
evolução do pensamento administrativo.
Bases Tecnológicas:
- Introdução: objetivo do estudo da Administração; aspectos históricos da
Administração; aspectos teóricos da Administração;
- Teoria Geral da Administração; abordagem clássica; abordagem da teoria das
relações humanas; abordagem neoclássica; abordagem estruturalista; abordagem
comportamentalista; abordagem sistêmica e contingencial; novas tendências em
Administração.
4
As ementas aqui apresentadas são as ementas que foram aprovadas nos respectivos cursos. Não foi tarefa do pesquisador, em primeira instância, modificar os projetos pedagógicos dos cursos, apesar da mudança em termos metodológicos.