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CONTRATO E SESSÕES DE AVALIAÇÃO

No documento PSICOPEDAGOGIA CLÍNICA (páginas 33-36)

PRIMEIRO CONTATO (AGENDAMENTO)

ANAMNESE PSICOPEDAGÓGICA Data: ___/___/_____

6.4 CONTRATO E SESSÕES DE AVALIAÇÃO

6.4 CONTRATO E SESSÕES DE AVALIAÇÃO

Mesmo que os dados solicitados no primeiro contato telefônico sejam informados pelo psicopedagogo, é imprescindível que o mesmo retome esses dados para que seja firmado o contrato de trabalho. Os itens necessários para esse contrato constam na primeira parte da anamnese sugerida. Nesse momento, o psicopedagogo já sabe se pode atender esse caso ou não, o valor das sessões a serem cobradas, se concederá ou não desconto, a duração das sessões, os horários disponíveis para atendimento e os prazos para desmarcar as sessões em caso de imprevistos.

Não há necessidade de contrato em papel, mas caso queira realizar, também é possível. O não cumprimento do contrato por parte dos clientes também é terapêutico, pois conseguimos ver, por meio dessas atitudes, outras que são tomadas no dia a dia do indivíduo, trazendo outras dificuldades. Também é importante sempre passar o feedback dessas situações, para que sejam ocasionados momentos de reflexão.

Os pais, às vezes, apresentam alguma decepção quando falamos do período de avaliação diagnóstica. Eles querem que imediatamente olhemos para seus filhos e digamos o que os impede de aprender. Para aliviar essa ansiedade é necessário que o psicopedagogo diga a eles que o processo de avaliação é terapêutico, ou seja, durante esse processo, mesmo sem saber o que a criança ou adolescente tem como dificuldade de aprendizagem, algumas posturas serão modificadas, pois a criança ou adolescente vê que seus pais estão preocupados com essa dificuldade e enxergam uma possibilidade de sanar ou amenizar seus problemas.

FIGURA 20 – Processo de Avaliação.

FONTE: Disponível em: <http://www.flickr.com/photos/fotosdoacre/>. Acesso em: 25 ago. 2010.

Da mesma forma, o contrato deverá ser elaborado com a criança no primeiro dia de atendimento. Após recebê-la de forma afetuosa, pergunte se sabe por que está ali.

Normalmente elas sabem, pois os pais já foram orientados a dizer, mas querem ouvir a versão do terapeuta; outras vezes, os pais não dizem o porquê de a criança estar indo ao consultório, falam que vão brincar um pouco. Independente se houve ou não informação, o terapeuta deve perguntar à criança ou adolescente porque ele acha que está ali. Esta é a queixa proveniente do cliente. Após esse momento, devem ser colocadas as informações pertinentes à criança ou adolescente no que se refere ao contrato realizado com a família (horários, duração da sessão) e também as regras para as sessões, ou seja, como será a forma de trabalho, se o psicopedagogo sempre dirá o que deve ser feito (período de avaliação) ou se existem momentos nos quais o cliente poderá escolher (acompanhamento psicopedagógico), quais os objetivos e a importância de sua colaboração no processo.

FIGURA 21 – Contrato.

FONTE: Disponível em: <http://www.flickr.com/photos/ana_cotta/>. Acesso em: 25 ago. 2010.

As primeiras sessões são muito importantes para a criação do vínculo entre psicopedagogo e cliente, pois é preciso que este veja o adulto como alguém que poderá ajudá-lo em suas dificuldades. Uma forma de facilitar o processo é utilizar uma linguagem próxima da faixa etária, no que diz respeito à temática e ao vocabulário. Dessa forma, o atendimento flui de forma gostosa e os resultados aparecem rapidamente. Caso haja resistência, verifique junto ao cliente o que ele estaria fazendo neste horário caso não tivesse que ir à sessão. Às vezes, descobrimos que a família está utilizando o recurso psicopedagógico de forma punitiva, tirando a criança de uma aula de esporte a qual ela gostava, por exemplo. Faz-se necessário, diante de situações como essa, reunir os pais e a criança para que seja discutida essa atitude e novas opções de horário colocadas à disposição.

Após as sessões com a criança, segundo Weiss (1994), temos como chegar ao “Modelo de Aprendizagem”:

Entendo como Modelo de Aprendizagem o conjunto dinâmico que estrutura os conhecimentos que o sujeito já possui, os estilos usados nessa aprendizagem, o ritmo e áreas de expressão da conduta, a mobilidade e o funcionamento cognitivo, os hábitos adquiridos, as motivações presentes, as ansiedades, defesas e conflitos em relação ao aprender, as

relações vinculares com o conhecimento em geral e com os objetos de conhecimento escolar, em particular, e o significado da aprendizagem escolar para o sujeito, sua família e a escola.

Quando o terapeuta consegue chegar ao esboço do Modelo de

Aprendizagem do sujeito, ele já atingiu um nível de integração dos dados obtidos que lhe permite refletir e levantar hipóteses sobre a causalidade do problema de aprendizagem e/ou fracasso escolar e traçar direções do que fazer para mudar a problemática existente, sempre considerando os diferentes níveis de orientação à escola, à família, e de tratamentos especializados (psicopedagógicos ou outros). Dessa integração de dados é que surge o Prognóstico e o conteúdo para a entrevista de Devolução.

responsáveis é “devolvido” em forma de diagnósticos e/ou orientações. Caso a escola seja a solicitante da queixa, é importante que o psicopedagogo faça uma visita no início da avaliação e após a sua realização para levar os resultados ao conhecimento de quem for de direito (professores, coordenação e direção). Neste momento, é importante ter cuidado com o sigilo ético, levando informações necessárias ao bom desenvolvimento escolar do cliente e desprezando os fatos íntimos, que podem “vazar” dentro de uma instituição escolar, trazendo constrangimentos ao cliente. Esses dados só serão passados aos pais do cliente se este autorizar. Por isso é tão importante a devolutiva com a criança, que deve ocorrer antes das realizadas à família e à escola.

Imagine a criança ao passar por um atendimento psicopedagógico, quantas coisas não passam por sua cabeça: os momentos frustrantes, nos quais não conseguiu realizar uma atividade ou completá-la; os momentos em que ganhou jogos e que foram divertidos realizá-los. Tudo isso confunde a cabeça da criança, que passa por um conflito: se eu continuar vindo aqui será sinal de que não sou inteligente; porém, se eu deixar de vir aqui, vou ficar triste, porque gosto deste momento.

No documento PSICOPEDAGOGIA CLÍNICA (páginas 33-36)

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