2 O COLAPSO DA ESFERA PÚBLICA NO NOVO CAPITALISMO: DESAFIOS
4.3 CONTRIBUIÇÕES APROXIMADAS DE ARENDT E DE SENNETT
A partir da pesquisa e do estudo sobre Arendt e Sennett na tese, pesquisamos e refletimos sobre contexto, conceitos, desafios e contribuições para a educação contemporânea. Entre as contribuições, o que mais aproxima o pensamento de Arendt e de Sennett é o viés crítico do capitalismo moderno e contemporâneo. Sennett (1988; 2001; 2006; 2010) por meio de estudo e análise sociológica em seus escritos aponta para as mudanças do capitalismo da era moderna e contemporânea. Arendt (2013; 2014) via filosofia política, escreve e analisa o declínio do espaço público, do mundo comum que chega a atingir o campo pré-político, a família e a escola. Ambos criticam a prática política do liberalismo, posteriormente, o neoliberalismo que promove o eu privado, o individualismo e a cultura do consumismo. Tal política conduz para a corrosão do caráter, a fragmentação do conhecimento e a diluição das relações no trabalho, na família, na política, na questão da autoridade, no ensino público e nas relações sociais. É a política gestada pelo capitalismo industrial, posteriormente, capitalismo flexível, no qual seus interlocutores e seus defensores, para manter a hegemonia e controle, investem na propagação das relações produtivas e consumistas e a consequente precarização da formação humana, intelectual e científica.
Assim, as práticas ficam distantes do compromisso público com a educação, a solidariedade e a cidadania. O descaso com a educação pública e a superficialidade na aprendizagem podem facilitar uma educação na direção do mercado consumidor e a formação alienada ao trabalho. Tanto Arendt quanto Sennett defendem o mundo público e a formação humana por meio da educação. Defendem que os adultos, o Estado e a instituição escola tenham a responsabilidade pública no cuidado e na formação das crianças, dos jovens, enfim, das novas gerações. Segundo os dois pensadores, o caminho a ser construído no contexto histórico-social das novas gerações passa pelo comprometimento dos professores, da escola, da família, do Estado em prol do ensino público e da formação humanista da nova geração. Cada instituição tem seu papel distinto e em conjunto no processo de formação do aprendizado através do diálogo, do compromisso e da solidariedade com o outro no espaço público.
O conhecimento pesquisado e construído na sala de aula, nas relações pedagógicas entre professores, professores e alunos, precisa ocorrer numa dinâmica plural que se realiza no diálogo e nos espaços educativos que refletem e pensam as decisões deliberadas no espaço comum. Na possibilidade de vínculos, em direção ao mundo comum, pode-se exercer um processo de formação altamente democrático. Portanto, sem uma prática determinista,
imposta e agressiva. A partir de um amplo partilhar e compartilhar das heranças do passado, no exercício do ensino público, os jovens e as novas gerações podem assumir como sujeitos sua própria formação. E, assim, podem não só compreender os mecanismos da sociedade em que vivem, mas assumirem e enfrentarem os desafios que a sociedade capitalista lhes impõe. Posicionarem-se com espírito crítico em relação aos processos de imposição cultural, provocados pelo capitalismo flexível (com suas práticas consumistas e solipsistas, que se manifestam nas relações pessoais e sociais), é algo que emerge como aspecto potencial de uma formação aprofundada e alargada na vida real dos jovens do século XXI.
Os jovens com atitudes contextualizadas na vida, nas relações pessoais e familiares, no trabalho, nas relações culturais e sociais, podem administrar melhor a vida e a realidade em que vivem. Acreditamos que, esse protagonismo via educação e via aprendizagem escolar, auxilia na construção subjetiva da identidade e no compromisso com o mundo público. Igualmente, serve como um afronte aos processos de globalização que atingem o mundo do trabalho, via a imposição de uma cultura alienante e consumista, que instaura por meio de processos burocráticos a corrosão do caráter e o desprezo por tudo àquilo que é público e não utilitário (SENNETT, 2006).
Nesse entendimento, o conceito de educação se pauta por um “contar o mundo como ele é” e não “como o mundo deveria ser”. A compreensão desse conceito da educação é pertinente, pois remete para a responsabilidade dos adultos em mostrar o mundo como ele é para as crianças e os jovens. No entender de Fry (2010, p. 108), “para Arendt, a verdadeira educação deveria ter respeito pelo passado e preparar as crianças para, no futuro, participarem do mundo, assumindo-lhe a responsabilidade”. Pensamos, assim, que o conceito de educação arendtiano nos faz dimensionar um sentido mais amplo, para além dos espaços meramente formais. Além disso, Arendt parece ter um posicionamento político mais radical do que Sennett em defesa da educação pública. Parece-nos que a preocupação de Sennett está mais relacionada com a perspectiva da análise sociológica das mudanças da sociedade capitalista a partir da revolução industrial até a compreensão do novo capitalismo, do capitalismo tardio. Mesmo Sennett não descrevendo uma defesa da educação pública, parece possibilitar pressupostos imprescindíveis para o entendimento da sociedade contemporânea a qual abre horizontes para pensarmos a educação pública. A radicalidade arendtiana corrobora e evidencia a realidade analisada pelo sociólogo, no sentido da dignidade da esfera pública e da vida política. Acreditamos que a partir daí sinaliza-se a possibilidade do entendimento da responsabilidade da formação educativa como conhecimento do mundo, da vida, do homem e suas relações na vida cotidiana.
A educação pode contribuir com a formação que tenha como pano de fundo uma responsabilidade ética com a qualidade do ensino, da aprendizagem e da solidariedade humana. Por isso, a esfera pública é um lugar das deliberações e tomadas de decisões coletivas. Um posicionamento político, na esfera pública, se faz necessário, em prol da defesa da educação pública e da sua importância para a formação e constituição da geração atual e das novas gerações na escola. Ambos em campos diferentes (a política e a educação), mas que se complementam no compromisso com a educação escolar das crianças e dos jovens. Hoje, como pensar o lugar da escola? Qual o sentido da escola na educação das novas gerações?
Contextualizar as tradições, pensar os conceitos é tarefa da educação. Igualmente do colegiado dos educadores. Para além dos muros da escola, a responsabilidade também é dos adultos e do Estado que deve oferecer condições para que os educadores possam assumir com dignidade e autoridade a dimensão educativa. Não dizer o que está certo ou errado, em absoluto, nem determinar como deve ser a educação ou o futuro do mundo de forma fechada, mas abrir possibilidades a partir do diálogo e da reflexão emerge como forma concreta de responsabilidade educativa e política. Gradativamente como docentes, podemos pensar as demandas pedagógicas do dia a dia em sala de aula, com os alunos, na escola, no colegiado de professores, como tarefa e responsabilidade implicada na ação pedagógica que se percebe como parte do mundo pelo qual se torna responsável.
Embora em instâncias distintas – política e educação se relacionam (ARENDT, 2013). A educação precisa do amparo da política. A educação não é pré-requisito para questões políticas enquanto educação formal. No entanto, o papel que cumpre, ajuda a criar as condições para pensar no alargamento da capacidade de juízo, uma vez que conserva as heranças do passado e permite ao humano conservar e cuidar do mundo para além do mecanismo de sua transformação metabólica (produtiva e consumidora). A deliberação política não está expressa somente na educação formal. A tarefa da educação é uma responsabilidade pública em prol da formação humana intelectual, científica e cidadã. É um caminho a ser percorrido de modo permanente, sempre com dinamismo em relação à sua responsabilidade pelo mundo.
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CONCLUSÃO
O processo teórico-metodológico desta tese procurou conhecer, interpretar e refletir sobre alguns pressupostos da educação e da responsabilidade pelo mundo no cenário do capitalismo moderno e contemporâneo a partir dos escritos de Sennett e de Arendt. Destacamos a relevância do estudo na medida em que conhecer o contexto da sociedade na qual vivemos pode auxiliar no enfrentamento das principais questões implicadas nas transformações culturais, políticas, sociais e educacionais que tencionam as relações de nosso tempo. Deste modo, o estudo desenvolvido na tese, abre possibilidades para pensar e conceber a educação pública e sua responsabilidade pelo mundo comum. Em nossa época, a defesa do ensino público se vincula diretamente com a defesa da democracia e da expansão da noção de esfera pública como uma forma de compromisso com as novas gerações e a continuidade do mundo.
Concluímos que a educação pública e estatal está amparada na constituição brasileira por influência do pensamento liberal-iluminista, instituinte das concepções modernas de Estado, cidadania, ordem e regulação. Nestes princípios assentam-se, igualmente, as compreensões de república que marcam os primeiros debates na organização brasileira dos séculos XIX e XX. Contudo, o boicote aos processos de educação e cidadania que viabilizariam projetos de cultura intelectual, científica e formação da população, promovidos pelas elites aristocráticas, parece ter abdicado do compromisso público. Este enfoque parece ter direcionado as políticas da educação na atualidade para um dualismo discriminatório entre as classes abastadas e a massiva parcela da população. De acordo com nossa investigação, a tendência atual do mundo no capitalismo flexível, tem influenciado a cultura individualista e consumista, e favorecido fragilmente a cultura pública e responsável.
A partir das análises baseadas nas teorias de Arendt e de Sennett concluímos que os impactos positivos e concretos de uma docência ressignificada sobre as bases de uma educação republicana considera o cenário do capitalismo contemporâneo, buscando a sua superação. Isso significa pensar em indivíduos reconciliados com o mundo, na pluralidade humana, no reconhecer do valor da ação que se realiza no “espaço público”. O espaço escolar, para nós, torna-se (também) espaço de reconhecimento das reciprocidades e lugar das diversidades que agem e falam uns com os outros, ou seja, um espaço pré-político, que prepara para a agência da política.
A atitude educadora indica a necessidade de pensar a problemática educacional com uma reflexão sobre a realidade público-privada e o compromisso da educação com a continuidade da humanidade. Estas reflexões sugerem proposições de amor e de resistência, tanto enquanto atitude humana, quanto ação educacional, no sentido da formação dos indivíduos para dinamizar a formação humana num lastro ético e numa processualidade participativa e pública. As propostas teóricas de Arendt e de Sennett são perspectivas que abrem horizontes na direção de contribuir no processo de ensino e aprendizagem das novas gerações, sem, contudo, descuidar das gerações no atual momento. O espaço comum, o lócus coletivo da formação educacional, precisa oportunizar condições para que as crianças e os jovens teçam sua aprendizagem, ancorados no pensar e na ação que legue condições de autoria de vida e de conhecimento do mundo.
Aprendemos com Sennett, a dinâmica dialética e histórico-social, a abertura às necessárias mudanças e as contradições que envolvem a vida moderna em geral. O pensador desenvolve conceitos que auxiliam na compreensão da dinâmica social, a qual afetou o espaço do domínio público e, por conseguinte, da educação. As obras de Sennett (1988; 2001; 2006; 2010) assinalam dois momentos fortes que indicam transformações da sociedade pelas vias do sistema capitalista. Primeiro, o período da modernidade clássica, do capitalismo industrial, que promete um ideal de indivíduo e de sociedade nos séculos XIX e XX. Um ideal importante de homem público comprometido com o coletivo, mas que não saiu da retórica devido à erosão da esfera pública na modernidade, tendência que registra o domínio do mundo público pela esfera do mundo privado. No entender de Sennett e Habermas parece corroborar o sentido, a família burguesa torna-se o lócus de referência que constitui o sentido da vida e sinaliza para o individualismo e o afastamento do sentido público. Temos na modernidade, uma tendência enaltecedora da intimidade e dos interesses individuais que entram como vetores que colonizam a esfera pública. O Estado privatizado se configura não pela força do “nós” (eu público), da vida social e da esfera pública, mas da vida íntima do indivíduo (do eu privado). Esta modernidade desencadeia uma perda das referências do passado, da experiência, da tradição, da autoridade e do espaço público. O eu privado e o intimismo passam a ser o valor maior. Ao longo da primeira metade do século XX, Sennett, imagina que o capitalismo assume uma feição social e burocrática, racionalizando a vida ao modo militar, conforme pontua a partir de Weber.
Richard Sennett, na continuidade da análise, naquilo que denomina o segundo momento da modernidade, pontua desdobramentos do capitalismo flexível. Para ele, trata-se da cultura do novo capitalismo, a qual foi gestada após a crise do estado do bem-estar social,
tendo seu início nas últimas décadas do século XX. O sistema de produção é administrado em modelos gerenciais de empresas que funcionam em forma de redes, com produção a curto prazo. Há uma nova racionalidade que reinventa a maneira gerencial das empresas – os donos não moram mais nos locais, não sabem o nome dos empregados; ocorre uma reestruturação do tempo e do local de trabalho, atingindo e desestruturando a vida pessoal dos indivíduos, da família e da sociedade. Enfim, ao final do século, se desenvolve, financiado pelo capitalismo flexível, algo radical que altera a ética de trabalho e das relações sociais em geral. O intimismo e o individualismo passam a ter outra lógica: vive-se uma liberdade aparente, o indivíduo se imagina livre, mas está preso em novas formas de poder que são controladas pelos meios eletrônicos. Nesta linha de pensamento, Sennett nos questiona, enquanto educadores, acerca da “dinâmica” do capitalismo na atualidade e parece indicar a tarefa de conhecermos os mecanismos do sistema e instaurarmos nossa ação educativa na perspectiva de potencializar a ação educacional que não fuja da profundidade e da amplitude de compreender e agir na realidade em que os indivíduos estão inseridos.
Neste sentido, a pesquisa que esta tese desenvolve, nos possibilita compreender a dinâmica do mercado consumista como princípio que rege a vida do indivíduo e das relações sociais no mundo moderno e contemporâneo. Há, na atualidade, uma volatilidade e uma flexibilidade na maneira de administrar a produção, produzindo, como produto final, consumidores cegos e vorazes. A economia de mercado cria um imaginário para que o indivíduo se sinta igual ao ídolo, às pessoas que possuem mais poder aquisitivo e, com isso, comprem os produtos que o sistema lhes oferece. O indivíduo fica, por um lado, maleável ou vulnerável em seu emprego e nas relações de trabalho, por outro, se sente inseguro, ansioso e angustiado pela sua instabilidade permanente e constante das alterações da legislação que desobrigam o grande capital a ter responsabilidades com os indivíduos.
Em termos de educação se desenvolve a substituição do sistema padronizado e militarizado (weberiano), centralizado e de controle da primeira modernidade, por uma educação na qual o indivíduo e sua formação seja autoajustável e oriente-se para o mercado de trabalho e de consumo. Por mais que Sennett não tenha escrito uma obra específica sobre educação, sua teoria se torna pertinente para pensar as características do novo capitalismo em relação ao indivíduo (SENNETT, 2006), à cultura e à corrosão do caráter (SENNETT, 2010), pois fornece elementos aos educadores e à sociedade em geral, para refletir sobre a problemática da educação contemporânea.
Hannah Arendt, por sua vez, ajuda a compreender de um ponto de vista da filosofia política, a análise histórico-social que Sennett faz da cultura do novo capitalismo, da realidade
do intimismo, do individualismo e do indivíduo. Arendt (2013) alerta que a crescente velocidade das transformações no mundo moderno ocasiona uma relativização da tradição, da memória, da autoridade, do bem público e do espaço público. Na perspectiva da crise da tradição, da perda de seu sentido político e do lugar de seu espaço público, a era moderna parece ter perdido essa herança: os ideais de cultura e os ideais republicanos de espaço público. Nesta direção, Arendt (2013), se “espelha” na concepção de autoridade, de cultura dos romanos e de polis dos gregos. A experiência da tradição auxilia a entender o espaço público relacionado com aquilo que constitui a liberdade no campo da ação, dos discursos e dos atos nos quais os indivíduos podem ser ouvidos e vistos no mundo plural e no espaço comum.
Na interpretação de Almeida (2011), Arendt não apenas relata um conjunto de acontecimentos passados, mas também os interpreta e os avalia com base em determinados princípios. Arendt parece, deste modo, sinalizar a perda do fio condutor da tradição, a instabilidade como fenômeno da crise que se amplia para além das relações na sociedade, fragmentando as instituições, o conhecimento e fragilizando os indivíduos em sua singularidade. A perda de sentido do humano, de Arendt, se aproxima da perda de sentido das coisas, em Sennett, e ela adentra no campo pré-político, na família, na cultura e na escola para evidenciar como a perda dos fundamentos e a crescente velocidade do mundo coloca o próprio mundo em risco. Adepta do pensamento de Benjamim, Arendt, enfatiza a necessidade de compreender, de retomar as ideias romanas e gregas como imaginário ideal de constituição do espaço público. Trata-se de retomar o passado como forma de pensar o futuro.
A reflexão arendtiana proporciona entender a instabilidade global que interfere na vida cotidiana do indivíduo, tornando-o um mero “personagem” do sistema privatista e consumista da sociedade moderna. Quanto à educação, evidencia a difícil tarefa da instituição escolar em permitir a passagem ou certa transição da família para o mundo público (ARENDT, 2013). Assim como, Sennett, Arendt tem no horizonte não só a crise da tradição e da autoridade, no que diz respeito à relação entre adultos e crianças, como também a emergência do capitalismo e a sua relação entre o privado e o público. A prática da cultura burguesa moderna tem aprofundado o declínio dos valores públicos e evidenciado suas consequências na vida e no caráter dos indivíduos. Emerge desta reflexão, não só a preocupação com a formação das novas gerações, com a qualificação do professor, mas a responsabilidade dos adultos pelo amor ao mundo e sua correspondência em assumir a tarefa educativa das crianças e dos jovens. Esta tarefa é pertinente para o âmbito da política e de sua
dignidade, bem como, com o cuidado do mundo público e das novas gerações, sem perder de vista a atual geração.
Arendt (2013), nos ensaios, A crise na cultura e, principalmente, em A crise na
educação, na obra Entre o passado e o futuro pontua elementos conceituais da crise na
educação moderna. Nestes ensaios, reflete sobre o declínio da educação pública, o descalabro na formação e a responsabilidade com a educação das novas gerações. Arendt abre perspectivas para pensar a crise da educação, na natalidade e elevar a ação educacional como responsabilidade pelo mundo. Desafia-nos a buscar pressupostos ético-políticos para uma educação pública, responsável pela formação das gerações. Indica, em nossa compreensão, que a tarefa dos educadores é assumir a experiência do conhecimento na ação pedagógica escolar, na reflexão e na compreensão teórica como processos dialógicos. Enquanto educadores, então, podemos pensar a problemática educacional atual com estudo, pesquisa, postura política, ética, filosófica, científica, epistemológica e democrática. Nisto parece consistir o ideal de educação pública. Deste modo, introduzir os novos sujeitos no mundo, protegendo-os do mundo, sem afastar-se dele, parece o enunciado de fundo, tanto de Sennett quanto de Arendt. É inevitável que, enquanto educadores e pesquisadores, nos questionemos acerca de como desenvolver e potencializar a formação da nova geração, a prática pedagógica, a preparação e a participação no espaço público, com responsabilidade ética. Como tecer um processo de ensino e aprendizagem na realidade vivencial da nova geração para sujeitos individualistas, no cenário do capitalismo contemporâneo, que valorize o compromisso com o público e com a continuidade do mundo? Esses são nossos desafios, como tecer?
A aposta na formação educacional do indivíduo nos domínios da vida pública, nas relações de trabalho, da família, da cultura e na sociedade, comprometida com ver e compreender a realidade parece apontar uma possibilidade. O desafio, então, está em fomentar a construção do conhecimento e da identidade do sujeito no contexto do capitalismo