• Nenhum resultado encontrado

CAPÍTULO III O SISTEMA BRASILEIRO DE CONTROLE

10. Controle de Constitucionalidade e as emendas constitucionais

176 V. redação anterior do art. 156, RISTF.

177 Obra das emendas constitucionais 03/93 e 45/04, consoante acima afirmado. 178 Julgamento em 06 de fevereiro de 2013, fls.

Um ponto que não é muito explorado no Brasil com relação ao controle de constitucionalidade é a força que as emendas constitucionais possuem. A reforma do texto constitucional, por ser obra de poder constituído – e não verdadeiramente constituinte (poder de reforma é constituído, ou não, pelo constituinte originário), pode ser limitado e condicionado pelo seu criador, ou seja, pelo poder constituinte originário.

Dentre as limitações constitucionais ao poder de reforma, interessa a este estudo a limitação material, que reside, atualmente, no art. 60, §4º. da Constituição Federal de 1988179.

A primeira constituição republicana trouxe o a possibilidade de controle difuso para o Brasil (art. 59, §1º, CF/1891). A possibilidade efetiva de realização do controle difuso por todos os juízes (estaduais e federais), foi regulamentada pelo art. 13, §10 da Lei 221 de 20 de novembro de 1894.

A emenda Constitucional 3 de 1926 atribuiu a função uniformizadora de jurisprudência em matéria de direito constitucional e federal ao STF180. Na CF de 1934 foi

prevista a possibilidade de suspensão pelo Senado da norma declarada inconstitucional pelo STF. Até então, o controle de constitucionalidade brasileiro era unicamente difuso e concreto.

Em 1965, a Emenda 16 previu a possibilidade da realização do controle abstrato. Ou seja, o controle abstrato foi introduzido no Brasil por meio de emenda constitucional.

E mais, em 1977 foi emendada a Constituição de 1967/1969, com a Emenda Constitucional n. 07 de 13 de abril de 1977, a qual introduziu a arguição de relevância com disciplina pelo Regimento Interno do STF181 e a representação interpretativa182, viabilizando assim a possibilidade de efeito vinculante, que veio a ser regulamentado pela emenda regimental 07/78 do RISTF.

179 “Art. 60. A Constituição poderá ser emendada mediante proposta: (...) § 4º - Não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a abolir: I - a forma federativa de Estado; II - o voto direto, secreto, universal e periódico; III - a separação dos Poderes; IV - os direitos e garantias individuais.”

180 Redação dada pela EC 03/1926 aos parágrafos 1º e 2º. do art. 60: “§ 1º Das sentenças das justiças dos Estados em ultima instancia haverá recurso para o Supremo Tribunal Federal: a) quando se questionar sobre a vigencia ou a validade das leis federaes em face da Constituição e a decisão do Tribunal do Estado lhes negar applicação; b) quando se contestar a validade de leis ou actos dos governos dos Estados em face da Constituição, ou das leis federaes, e a decisão do tribunal do Estado considerar válidos esses actos, ou essas leis impugnadas; c) quando dous ou mais tribunaes locaes interpretarem de modo differente a mesma lei federal, podendo o recurso ser tambem interposto por qualquer dos tribunaes referidos ou pelo procurador geral da Republica; quando se tratar de questões de direito criminal ou civil internacional. § 2º Nos casos em que houver de applicar leis dos Estados, a justiça federal consultará a jurisprudencia dos tribunaes locaes, e, vice-versa, as justiças dos Estados consultarão a jurisprudencia dos tribunaes federaes, quando houverem de interpretar leis da União.

181 § 3º O regimento interno estabelecerá: a) a competência do plenário, além dos casos previstos nas alíneas a, b,

c, d, i, j, l e o do item I dêste artigo, que lhe são privativos; b) a composição e a competência das turmas; c) o

processo e o julgamento dos feitos de sua competência originária ou recursal e da argüição de relevância da questão federal; e d) a competência de seu Presidente para conceder o exequatur a cargas rogatórias e para homologar sentenças estrangeiras.

182Art. 119: (...) l) a representação do Procurador-Geral da República, por inconstitucionalidade ou para interpretação de lei ou ato normativo federal ou estadual;

Em 1988 foi criado um sistema complexo e misto de controle de constitucionalidade, englobando o controle político prévio183, o controle político repressivo184, o controle judicial repressivo concreto (atribuído a todos os juízes e tribunais, por meio de seus órgãos especiais ou plenários185, além do controle judicial repressivo abstrato186. Ou seja, as três funções estatais foram contempladas com a possibilidade de realização do controle de constitucionalidade (executivo: veto; legislativo: comissões de Constituição; e judiciário: controle concreto e abstrato).

Entretanto, o constituinte originário mais uma vez deixou de tratar do efeito vinculante e da eficácia contra todos das decisões judiciais relativas ao controle de constitucionalidade. Então em 1993 o constituinte reformador promulgou a Emenda constitucional n. 03, que trouxe a previsão da Ação Declaratória de Constitucionalidade, bem como a eficácia erga omnes e o efeito vinculante das decisões proferidas em controle abstrato pelo STF187.

Em 2004, nova emenda, desta vez a EC 45/2004, trouxe novos arranjos institucionais em sede de controle de constitucionalidade. Através da chamada “Reforma do Judiciário188”, foi instituída a “súmula vinculante”, estudada acima, que representou

significativa alteração na atividade desempenhada pela Corte até então.

Percebe-se, assim, que as emendas de reforma da Constituição possuem, no Brasil, um considerável papel na estrutura do controle de constitucionalidade.

183 Comissões de Constituição do Senado e da Câmara dos Deputados e o veto presidencial, previsto no art. 66, §1º. CF.

184 Não aprovação de Medida Provisória por não atendimento dos pressupostos constitucionais - art. 62, §5º., CF 185 art. 97, CF.

186 Art. 102, I, ‘a’ e parágrafo único, na redação original: “a) a ação direta de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo federal ou estadual; (...) Parágrafo único. A argüição de descumprimento de preceito fundamental, decorrente desta Constituição, será apreciada pelo Supremo Tribunal Federal, na forma da lei.”

187 Art. 102, I, ‘a’ com a redação dada pela EC 03/93, ainda vigente, e §2º., com a redação dada pela EC 03/93, que foi posteriormente alterada pela EC 45/04: “a) a ação direta de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo federal ou estadual e a ação declaratória de constitucionalidade de lei ou ato normativo federal; (...) § 2.º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, nas ações declaratórias de constitucionalidade de lei ou ato normativo federal, produzirão eficácia contra todos e efeito vinculante, relativamente aos demais órgãos do Poder Judiciário e ao Poder Executivo.”

188 A mesma emenda criou o Conselho Nacional de Justiça (art. 103-B) e o Conselho Nacional do Ministério Público (art. 130-A), além de efetivar diversas modificações de menor impacto no cenário jurídico.