4. AS AGÊNCIAS REGULADORAS NO DIREITO POSITIVO BRASILEIRO
4.5 O CONTROLE DAS AGÊNCIAS REGULADORAS
4.5.2 Controle Administrativo
4.5.2.2 Controle Social
A democratização da administração pública é um processo que está afeto, também, à regulação estatal. Assim, com uma aproximação cada vez maior entre Estado e sociedade, percebe-se uma aplicação mais sólida do princípio da publicidade, consagrado pelo caput do art. 37 e seu § 3º, além do princípio democrático, parágrafo único do art. 1º, todos da CR/88.
Neves, (2009, p. 156) ressalta que os mecanismos da audiência pública e consulta pública também são utilizados como forma de participação popular na
atividade regulatória, em que, no primeiro caso, a sociedade e representantes de classe comparecem à audiência e formulam críticas e sugestões para o incremento da política econômica anteriormente formulada. Já na consulta pública, a sociedade e entidades de classe, representando consumidores e agentes econômicos, participam dando suas contribuições formalmente, até determinado prazo. Nos casos as sugestões recolhidas serão avaliadas e, sendo ou não acolhidas, haverá motivação da decisão em acolher ou rejeitar tal ou qual sugestão.
O controle social é exercido pela sociedade pela participação nas ações de fiscalização dos atos praticados pelas agências reguladoras.
Assim, Moreira Neto (2003, p. 16) estabelece que este controle é muito importante na regulação,
(...), pois este instituto tem vocação para o atendimento imediato dos administrados no âmbito de seus respectivos setores de modo que, por isso, é desejável e até necessário que participem intensamente dos processos regulatórios.
O autor destaca a relevância da participação:
Além da especialidade, flexibilidade, independência e celeridade, estas entidades se caracterizam, sobretudo, pela proximidade e abertura social de sua ação em relação aos administrados interessados, e a possibilidade de promover negociações em procedimentos participativos e, não menos importante, de atuar, em certos casos, com poderes ‘parajurisdicionais’ para evitar intermináveis conflitos entre administrado e Estado. Em teoria, o princípio da participação tem plena avaliação em vários aspectos em que o instituto pode ser analisado, mas a sua importância sobressai principalmente pela criação de uma conexão administrativa imediata e despolitizada, às vezes bastante interativa, entre a agência e o administrado interessado.
Souto (2002) propõe que este controle social seja obrigatório da seguinte forma:
Frise-se que a consulta específica a tais grupos (além de lhes ser facultada a participação em audiências públicas) pode representar condição de validade e/ou legitimidade da norma reguladora.
Afinal, não há como se presumir legítima a atividade regulatória se não resulta de uma ponderação entre os interesses em tensão, publicamente revelados e sopesados. Daí a proposta de ser obrigatória manifestação do controle social pela
via da participação.
Feldman (2004, p. 46) observa que:
Um modelo bem sucedido de agência depende de meios democráticos de participação e do permanente acompanhamento de seus atos, determinante para o verdadeiro controle social.
Nas agências reguladoras o controle social poderá ser exercido por meio da participação da sociedade em consulta pública, audiência pública, e através do exercício do direito de petição.
Na consulta pública é aberto prazo para comentários públicos sobre determinado ato regulatório, podendo a sociedade contribuir por meio de sugestões fundamentadas. Assim, fica disponibilizado no site da respectiva agência reguladora o ato regulatório para que a sociedade se manifeste.
Tais contribuições deverão ser encaminhadas por meio de formulário eletrônico, carta ou fax, acompanhados de texto sugerido, seja para alterar ou substituir o proposto pela agência. Terminado o referido prazo, caberá à Agência Reguladora analisar as contribuições apresentadas e responder, de forma motivada, quanto à adoção ou não das sugestões propostas e, por fim, editar a norma.
Nas palavras de Mello (2004, p. 287) “a audiência pública é aberta ao público para discutir, esclarecer e colher presencialmente contribuições e sugestões sobre determinada matéria e norma regulatória”.
Esta audiência pública visa dar conhecimento prévio dos atos aos administrados, dando-lhes a possibilidade de fazer sugestões e críticas, além de controlar os atos que o regulador expedir. Cabe frisar que a audiência pública é de natureza consultiva.
Trata-se da oportunidade em que as Agências Reguladoras poderão tomar conhecimento da opinião e tendência da sociedade, possibilitando, desta forma, avaliação sobre tais contribuições para a melhor decisão quanto à intervenção no setor regulado, diante da publicidade e transparência assegurada.
Cumpre ressaltar que a audiência pública visa dar oportunidade a que os interessados possam ser informados, com especificidade, sobre todas as questões que afetem seus direitos. Daí poderá manifestar suas opiniões e críticas sobre determinado assunto, assegurando, portanto, o cumprimento do princípio
democrático (MELLO, 2004).
É importante observar que a regulação é ponderação de interesses, portanto, estes devem ser ouvidos, para que a ponderação seja eficiente e atinja o ponto de equilíbrio. Para que os interesses sejam conhecidos é necessário haver a participação. Este processo faz parte do método de regular.
Cabe observar que deverá a agência reguladora motivar a rejeição da contribuição recebida, tanto na audiência pública quanto na consulta pública. Note- se que, se não houver esta motivação, os princípios democráticos e da motivação não estarão sendo assegurados.
O controle social também poderá ser exercido por meio do direito de petição, que está consagrado no artigo 5º, inciso XXXIV, da Constituição da República Federativa do Brasil, sendo exercido quando houver ilegalidade e abuso de poder.
Moreira Neto (2003, p. 12) conceitua o direito de petição:
A petição é, portanto, em conclusão, um instituto polivalente de participação política, de amplo espectro subjetivo, pois se estende a toda a sociedade, visando precipuamente à ilegalidade, pelo qual, de modo formal, reconhece- se o direito de acesso aos Poderes Públicos para denunciar ameaça ou lesão de direitos, ilegalidade objetiva ou abuso de poder, suscitando prestação corretiva do Estado.
Assim, a sociedade poderá provocar o controle dos atos das agências reguladoras por meio do direito de petição, denunciando ilegalidade ou abuso de poder praticado no âmbito da Agência Reguladora.
O autor ensina que a participação social não precisa estar prevista na lei criadora da agência, tendo em vista que a Constituição já a assegura em seus dispositivos. Destaca, ainda, que tanto a lei criadora como o regimento de cada agência deverá prever o acesso dos interessados e definir os processos participativos.
Observa-se, então, a importância deste controle social, que possibilita a contribuição da sociedade para um controle eficiente das atividades das agências reguladoras.