CAPÍTULO 6. ISO 22000:2005
6.7. CONTROLO DA NÃO CONFORMIDADE
Sempre que se verifiquem desvios nos limites críticos do(s) PCC(s) identificados e/ou perda de controlo do(s) PPRO(s), deve existir internamente um procedimento documentado para a realização de correções, onde conste a identificação e avaliação dos produtos não conformes, para que seja concedido o tratamento adequado. De notar que as correções visam atuar apenas no sentido de eliminar uma não conformidade detetada (NP EN ISO 22000:2005).
Sempre que se registe um desvio nos limites críticos estabelecidos para o(s) PCC(s), os produtos são identificados como potencialmente não seguros, e seguir o procedimento estabelecido para o
143 tratamento dos produtos potencialmente não seguros (subcláusula 7.10.3 da ISO 22000:2005). Por sua vez, quando se verifique que o(s) PPRO(s) se encontram foram de controlo, os produtos devem ser, neste caso, avaliados quanto às consequências em termos de SA e, sempre que a(s) pessoas(s) responsável(is) considere(m) necessário tendo em conta o princípio da precaução, devem seguir o procedimento para o tratamento de produtos potencialmente não seguros (NP EN ISO 22000:2005).
As ações corretivas, por sua vez, visam caracterizar a natureza e atuar sobre a causa da não conformidade, evitando a sua recorrência e/ou repor o controlo do processo, depois de ter sido detetada a não conformidade (Delgado, 2006; APCER, 2011). Deste modo, as ações corretivas são desencadeadas aquando da deteção de desvios nos limites críticos ou perda de controlo do(s) PPRO(s). Cabe assim à organização possuir procedimentos documentados que especifiquem os requisitos utilizados para o seu estabelecimento, tais como a revisão ao sistema onde seja identificada uma tendência para a perda de controlo e a revisão das não conformidades (NP EN ISO 22000:2005). Alerta-se para a importância da definição de um prazo e responsabilidades pelo encaminhamento das ações corretivas, assim como o controlo do estado (i.e., a implementação de ações corretivas pode ser faseada em, por exemplo, “investigação”, “proposta de solução”, “execução” e “verificação”). É de notar que para a conclusão de uma ação corretiva esta deve ser devidamente revista e ser comprovada a sua eficácia. No caso de serem identificadas ações corretivas não eficazes, deve proceder-se à sua reanálise e, se necessário, à definição de nova(s) ação(ões) corretiva(s) (APCER, 2011). Não obstante, é ainda recomendada a existência de um registo das correções efetuadas, da natureza, das causa(s) e consequência(s) da não conformidade, assim como do controlo dos lotes de produto potencialmente não conforme, para efeitos de rastreabilidade (NP EN ISO 22000:2005).
6.7.1. Tratamento dos produtos potencialmente não seguros
Um produto é identificado como potencialmente não seguro quando o(s) perigos(s) excedeu(ram) os níveis de aceitação ou, não tendo excedido, se verifique uma tendência nesse sentido (NP EN ISO 22000:2005). Por produtos potencialmente não seguros entendam-se os PA e as MP afetados, devendo existir um acompanhamento dos mesmos desde a sua identificação até ao seu destino final. Cabe às organizações não permitir a colocação de produtos não conforme em circulação, devendo ser aplicadas medidas de retenção desse produto, a não ser que seja possível
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assegurar que este cumpre os limites de aceitação definidos, i.e., sempre que haja evidências, para além do sistema de monitorização, que as medidas de controlo são eficazes, sempre que se demonstre que as combinações de medidas de controlo identificadas para determinado produto satisfazem o desempenho desejado ou ainda quando os resultados de análises e/ou outras atividades de verificação demonstram a conformidade com os níveis de aceitação definidos (APCER, 2011; Delgado, 2006; NP EN ISO 22000:2005). De notar que, por vezes, a libertação de um produto considerado como potencialmente não seguro apenas é possível após correção do mesmo, de modo a assegurar que o mesmo cumpre os requisitos para a sua aceitabilidade (APCER, 2011). Os produtos potencialmente não seguros devem ser identificados como não conformes, e serem segregados para local próprio para o efeito, onde devem aguardar avaliação quanto ao seu destino. No entanto, se estes já não se encontrarem sobre a responsabilidade do fabricante, devem ser informadas as partes interessadas e deve proceder-se à retirada do mesmo da circulação (NP EN ISO 22000:2005). Para tal, é de extrema importância a existência de um sistema eficiente que permita garantir a rastreabilidade. Para que decorra o processo de retirada a gestão de topo deve, primeiramente, delegar responsabilidades e autoridades para dar início à retirada, assim como para proceder à recolha do produto potencialmente não conforme. Para a execução dos processos de retirada deve existir internamente um procedimento escrito que possibilite agilizar a comunicação das partes interessadas, o tratamento dos produtos afetados e os passos a desencadear (NP EN ISO 22000:2005).
Salienta-se para a importância de todos os produtos possuírem número de lote rastreável, que permita a identificação rápida e inequívoca da localização do(s) lote(s) do produto afetado. As empresas devem ter registos das medidas de controlo adotadas e as respetivas respostas dadas, assim como os documentos que demonstrem a(s) autorização(ões) para lidar com este tipo de produtos (Delgado, 2006). Os resultados da investigação das causas, da dimensão e do resultado do processo de retirada devem estar devidamente documentados e ser remetidos à gestão de topo (como entrada para a revisão pela gestão (cláusula 5.8.2 da ISO 22000:20005)).
Na Nanta Portugal, todas os produtos potencialmente não seguros (MP e PA) são registados informaticamente como PNC. É também preenchido, pelo Garante da Qualidade, um inquérito por cada PNC, onde consta, para além de outras informações, o motivo pelo qual o produto é identificado como PNC e o destino a dar ao mesmo (que pode ser, por exemplo, a sua eliminação e/ou indisponibilização, devolução ou reprocessamento que permita assegurar o cumprimento dos
145 níveis de aceitação). A ISO 22000:2005 refere-se à necessidade da organização realizar regularmente exercícios de rastreabilidade, como forma de avaliar o funcionamento do programa de retirada. Neste sentido, na Nanta Portugal é realizado regularmente, pelo Garante da Qualidade, um exercício de rastreabilidade, em conformidade com o disposto no ponto 5.7. RASTREABILIDADE, RETIRADA E RECOLHA DOS PRODUTOS.
6.8. VALIDAÇÃO, VERIFICAÇÃO E MELHORIA DO SISTEMA DE GESTÃO DA SEGURANÇA