• Nenhum resultado encontrado

Coorte com doadores de sangue

No documento alinedealmeidaperes (páginas 122-127)

receptores de hemocomponentes

4.6.3 Coorte com doadores de sangue

Antecedendo ao proceso de coleta de dados da coorte propriamente dita com os doadores de sangue, foi realizado estudo piloto. O teste piloto consistiu na utilização dos métodos adotados na investigação em uma parcela da população amostral, e sua finalidade foi testar a adequação dos instrumentos e a preparação do pesquisador33.

Ele oportunizou assegurar que a entrevistadora se familiarizasse com a técnica de abordagem dos participantes e que os itens previstos no projeto tivessem abordagem pertinente para o perfil dos potenciais participantes. A amostra populacional empregada no estudo piloto compreendeu uma fração dos participantes e seus resultados nortearam a adequação do instrumento para o perfil dos participantes, bem como proporcionaram experiência à entrevistadora para que seu conteúdo fosse abordado de forma homogênea na coorte33.

O processo de coleta de dados ocorreu da seguinte forma: diariamente, foi utilizado o número da senha de chegada dos participantes como critério inicial para compor a lista de potenciais integrantes da investigação.

O potencial participante era convidado a integrar a investigação e, caso ele concordasse, receberia um código. O critério utilizado para composição desse código de identificação foi composto por um número contendo três dígitos precedidos por letra ―D‖, cuja numeração foi sequencial pela ordem de inclusão na coorte. Cabe considerar que outro participante somente era convidado a integrar a coorte após o acompanhamento do anterior ter se encerrado e, em caso de exclusão ou recusa do participante, foi prevista a abordagem do subsequente, segundo o ordem das senhas de chegada, que se encontrasse no recipiente para acompanhamento desde o início do processo.

Para operacionalizar a coleta de dados, foi adotada a Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE), que é regulamentada em âmbito nacional pela Resolução n. 358/2009 do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen)194. A SAE ainda não é realidade prática de todos os

serviços de saúde, mas vem se incorporando como metodologia com bases científicas, favorecendo a segurança dos usuários, qualidade da assistência ofertada e autonomia do enfermeiro195; 196; 197.

Para preservar a autonomia do usuário e assegurar um cuidado embasado em conhecimentos, os enfermeiros devem buscar apropriação de conteúdos que vão além das teorias específicas de enfermagem, incluindo a semiologia, fisiologia e patologia. Assim, serão conferidas ao profissional habilidades de reconhecer manifestações iatrogênicas e gerar indicadores de saúde que reflitam a realidade da qualidade da assistência prestada195.

Assistir sistematicamente implica a aplicação do processo de enfermagem (PE), que se operacionaliza pela sequência das etapas, sintetizadas a seguir: 1) investigação com coleta de informações em nível individual ou coletivo, visando identificar as necessidades dos usuários; 2) diagnósticos de enfermagem (DE), que consistem na interpretação das informações adquiridas; 3) planejamento, apontando prioridades de demandas do(s) indivíduo(s) ou grupo(s); 4) implementação, com execução prática das ações e 5) avaliação, acompanhamento das respostas dos usuários e cuidados implementados pela equipe de enfermagem195.

Foram seguidas as etapas de investigação, focando as manifestações de interesse, utilizando técnicas semiológicas padrão ouro de inspeção, palpação, mensuração, verificação de registros de enfermagem e evidenciação do DE ―risco de trauma vascular‖, conforme preconizado no processo de enfermagem.

Com relação às manifestações de interesse, essas são referentes à ocorrência de trauma vascular periférico, destacando-se: dor, alteração na coloração da pele, alteração de capacidade funcional da estrutura puncionada, alterações da integridade da pele e de temperatura9.

Com o intuito de explicitar como foi realizada a aferição das características definidoras de trauma vascular9, essas estão apresentadas a seguir.

A dor é concebida como relato referente a sensação desagradável ou dolorosa na região que foi puncionada ou se encontra em uso para terapia IV. A aferição, de caráter subjetivo, é viabilizada pela atribuição de valor em escala gradativa, sendo esse valor, diferente de zero9.

Ao exprimir fisionomia de desconforto diante da manipulação do sítio puncionado, ou adjacências, é possível inferir que o participante está manifestando a ocorrência dolorosa, sendo apreendida mediante a escada visual analógica9.

Incapacidade funcional refere-se à condição de restrição ou comprometimento parcial ou total da mobilidade da estrutura puncionada9. É possível aferir tal parâmetro com base na escala de Rossi e

Mistrorigo, 1993.

A diminuição da elasticidade das paredes venosas consiste na redução da distensão dessas estruturas, sendo possível constatar a formação de um cordão venoso. Nesse sentido, cabe a aplicação de uma escala de três pontos, na qual o pesquisador caracteriza o vaso avaliado quanto à sua elasticidade9.

Quanto à coleção de secreção serossanguinolenta ou purulenta coincidente com o sítio de inserção ou adjacências, essa pode ser detectada espontaneamente, ou ao se comprimir o local. Nesse sentido, o profissional deve caracterizá-la quanto ao seu aspecto, quantidade, espessura e odor9.

Ao haver ruptura da integridade da pele no local puncionado, ou em suas proximidades, em decorrência de inserção ou manutenção de cateter IV, sua identificação pode ocorrer pela caracterização da solução de continuidade evidenciada, com o auxílio do emprego de referenciais básicos9.

Cabe mencionar que a solução de continuidade refere-se à ocorrência de orifícios puntiformes, ou formação de relevo por crosta, coincidente com o sítio de inserção do cateter IV, durante sua manutenção, ou após sua retirada. É possível apreender tal característica, ao se descreverem os sítios de cicatrização em membros puncionados, pelo pesquisador ou pelo pesquisado9.

O edema consiste em alteração de integridade devida ao acúmulo de líquido nos interstícios ou interior celular, desencadeando aumento do diâmetro da estrutura na qual foi realizada a punção. Sua apreensão pode ocorrer mediante relato daquele que é examinado, ou constatação de cacifo, ou mensuração do diâmetro do membro em comparação ao seu contralateral9.

O ingurgitamento de rede venosa colateral após sua punção pode ser identificado a partir do relato da pessoa examinada, ou quanto à sua inspeção e caracterização quanto a ingurgitamento ausente, presente, preservado ou intensificado9.

A temperatura da localidade circunscrita ao sítio de inserção de cateter IV, ou após sua remoção, pode ser investigada com base no relato da pessoa avaliada, ou mediante a palpação do pesquisador, constatando temperatura aumentada, diminuída ou semelhante9.

A ocorrência de depressão persistente da área inspecionada mediante sua compressão pode caracterizar a formação de sinal de cacifo positivo, em escala de quatro cruzes, que vai da ausência de depressão(-/4+) a depressão intensa (++++/4+)9.

Caso haja formação de endurado em local circunscrito à inserção de cateter IV, este pode ser caracterizado por espessamento de pele, ocorrência de relevo, dilatação de poros, aumento de consistência cutânea e sinal de cacifo negativo. Sua constatação pode ser apreendida pelo relato do pesquisado, bem como pela detecção dessas alterações pela inspeção do pesquisador9.

Em decorrência de drenagem intensificada pelos linfonodos próximos ao local no qual foi realizada uma punção no indivíduo, a palpação da estrutura pode evidenciar essa alteração9.

A modificação da coloração da pele circunscrita ao local puncionado, caracterizando a ocorrência de hematoma, eritema, cianose, acastanhamento, esverdeamento ou palidez, pode ser evidenciada pela comparação do padrão de coloração do indivíduo, pelo emprego da paleta cromática9.

O extravasamento de líquidos acumulados decorrente de transfixação de vaso puncionado pode ser apreendido de forma similar à mencionada com relação à detecção do parâmetro de edema. A alteração de circunferência do membro puncionado pode ser apreendida pela medição de seu membro contralateral9.

A ocorrência de trombose ou flebite consiste em processo inflamatório, com possível formação de trombos, os quais podem decorrer de utilização da rede venosa, estendendo-se às adjacências, caracterizando sinais flogísticos e alteração de capacidade funcional, podende durar semanas. Sua apreensão pode ocorrer por aferição de escore doloroso e alteração de sensibilidade ao toque9.

A infecção ou formação de abscesso decorrente de processo inflamatório ou infeccioso circunscrito ao sítio puncionado ou seu trajeto venoso pode decorrer de transfixação do vaso, com deslocamento de líquidos, sangue ou soluções administradas, devido à inserção, manutenção ou remoção de cateter IV. Pode ser evidenciado por relato do indivíduo, aferição de escore doloroso,

caracterização de alteração de coloração da pele próxima ao local puncionado, indo da normalidade de cor e temperatura, à sua alteração para aumento/diminuição9.

Foi acompanhado o processo de punção de veias e realizadas até três avaliações posteriores do sítio anatômico puncionado em dias consecutivos, documentados a partir de protocolo de avaliação do sítio de inserção do cateter e áreas adjacentes segundo instrumento de coleta de dados anteriormente descrito.

Realizaram-se registros fotográficos daqueles critérios que foram passíveis de documentação indicativos de manifestações de trauma vascular que ocorreram. Esses registros foram feitos de modo semelhante ao empregado na construção dos estudos de caso.

Em seguida, foi definido local para encontro da pesquisadora com o usuário que teve seu vaso puncionado para acompanhamento e avaliação do sítio de punção, conforme conveniência do entrevistado (domicílio, trabalho, instituição de ensino etc.).

Cabe ressaltar que, na impossibilidade de se definir um local para o encontro, foi proposto ao usuário realizá-lo na instituição de ensino que atua como referência na região onde os dados foram coletados. No entanto, esta instituição não foi cenário desta pesquisa. A pesquisadora teve o cuidado de empregar técnicas comunicacionais e relacionais no intuito de amenizar os possíveis desconfortos para o participante, acarretados pelo processo de coleta de dados.

O acompanhamento do usuário iniciou-se em um período inferior a 24 horas decorridas da realização da punção para fins de doação de sangue, tendo se estendido até 48 horas, em virtude da constatação da evolução de característica definidora de tauma apresentada. No caso do participante ter apresentado manifestações de trauma vascular, ele foi orientado sobre a adoção de medidas para minimização de reações, compreendendo aplicação de compressa fria no local, bem como o retorno ao hemocentro para contatar a equipe.

Na ausência de ocorrência de manifestações de trauma vascular, o usuário recebeu orientações sobre sua preparação às vésperas do ato de doar de sangue, tais como o aumento da ingesta hídrica, a realização de repouso e a escolha de dias com temperaturas mais altas, com a finalidade de favorecer a visualização do vaso a ser puncionado. Essas orientações reforçadas pela pesquisadora foram apreendidas com os próprios profissionais do hemocentro. Constituem informações que têm orientação de serem fornecidas aos usuários no momento da doação de sangue pela equipe assistencial.

4.6.4 Survey com profissionais que puncionam vasos: instituição hospitalar e

No documento alinedealmeidaperes (páginas 122-127)