• Nenhum resultado encontrado

Coronel Paulo César Romero Castelo Branco

No documento 1964 – 31 de Março (páginas 156-168)

Inicialmente, entendo revolução como uma transformação de costumes, uma evolução de comportamentos, uma mudança cultural, uma mudança em política, seja econômica ou social, e a chamada Revolução de 31 de Março de 1964 não foi isso. Ela foi, sim, um movimento de socorro a um país que estava indo para o abismo. Então eu prefiro chamar de Movimento de 31 de Março de 1964. Muitos analistas, jornalistas, professores, enfim, pessoas que tentam explicar o Movimento – se eu chamar Revolu-ção me perdoem, mas eu já defini o que é que eu penso – remontam a causas de antes da Revolução de 1930. Eu prefiro dizer que, pelo seu significado traumatizante, o antecedente mais distante do Movimento de 31 de Março foi a Intentona Comunista de 1935. Porque foi ali que a ideologia comuno-marxista, pela primeira vez, deu um sinal trágico ao Brasil e à nossa sociedade e fez com que analisássemos a perversida-de perversida-de que era capaz o Movimento Comunista Internacional (MCI). Bom, perversida-depois tive-mos o fenômeno da Segunda Guerra Mundial (II GM), que foi uma luta da democra-cia, do sistema democrático contra o sistema nazi-fascista e, logo em seguida, a guerra fria. Mas, por que é que eu estou citando esses dois acontecimentos? Porque, no bojo desses dois eventos, o de 35 e a II GM, escondia-se a intenção comunista de domínio do mundo, e o meio fundamental para o MCI passar da intenção à prática era a guerra fria. A guerra fria iria estabelecer duas opções à sociedade brasileira e, principalmente, às Forças Armadas: a partir daí, ou se era comunista ou democrata.

O panorama político-administrativo do País, a partir do governo de Juscelino Kubitschek, apresentou alguma estabilidade política até 1960; era, entretanto, completamente carente de um planejamento administrativo, o que levou a empreenderem-se obras de uma maneira atabalhoada e muito onerosa aos cofres públicos. Depois de Juscelino e dos sete meses do governo de Jânio Quadros, houve muita instabilidade política devido à renúncia deste (25 de agosto de 1961) e à desconfiança generalizada com que contava o Sr. João Goulart que, na qualidade de Vice-Presidente, deveria assumir a Presidência da República. Essa desconfiança, inspirada na sua demagogia populista, nos seus comprometedores conchavos político-partidários e, sobretudo, na sua aliança e compromissos com os comunistas, levou os demais Poderes do País a adotarem uma forma que lhe reduzisse o poder. Foi assim que se introduziu na política brasileira a forma parlamentarista, que permitiu a posse de Jango. Durou pouco a forma parlamentarista. Os aliados de Jango, em particular os comunistas, tanto fizeram que conseguiram o retorno ao presidencialismo, com Jango investido de todo o poder que a Constituição lhe facultava e de outros que a má-fé lhe recomendava.

Daí para frente, os desatinos, as desordens, os tumultos estimulados e dirigidos pelos comunistas, com o aval do Presidente da República se sucederam em cascata,

diariamente. Os empreendimentos estavam parados; os dinheiros públicos, desviados, sumiam; os impostos subiam; a dívida externa aumentava; a inflação galopava; a Nação empobrecia e o povo se desesperava. Este era o quadro, pintado em março de 1964, que me permite afirmar existir um Brasil antes da Revolução e um outro Brasil, depois da Revolução. Antes da Revolução, para se ter uma comunicação com o Rio de Janeiro, tinha-se que ir ao posto dos Correios e Telégrafos, lá no centro da cidade de Fortaleza, e pedir a ligação para o Rio. No setor de transportes, entre as cidades do Nordeste – só para exemplificar – não havia uma estrada asfaltada, não havia uma ponte. Quem quisesse se deslocar para Natal-RN, como eu fiz várias vezes, demoraria 48hs em estrada lamacenta; e, se estivesse chovendo, o rio não permitiria a passagem. No setor de comunicações de massa, o que é que existia? Somente os Diários Associados de Assis Chateaubriand. Enfim, nós éramos “los macaquitos” da América do Sul. Nós não éramos um país: éramos um exportador de bananas que tinha uma pequena fábrica ou montadora de fusca. Essa é que era a realidade brasileira, antes da Revolução.

Vem o Movimento de 31 de Março e, a partir daí, o Brasil passou a ser outro. No setor das comunicações, em que se começou a ter televisão, surge a Rede Globo, que é filha da Revolução. No setor de transportes, as estradas foram asfaltadas e consideravelmente aumentadas. As comunicações telefônicas, via satélite, começaram a surgir. Enfim, o Brasil teve um desenvolvimento rápido e de qualidade. A inflação foi lá para baixo e passou a ser da ordem de 15%; o resultado final e benéfico foi um surto de desenvolvimento que, hoje, não se tem mais. Entretanto, há pessoas, sobretudo na mídia, que, por motivos inconfessáveis, continuam a querer negar tudo isso, dando às gerações futuras uma idéia de que a Revolução foi um mal e não um bem. Esta opinião malévola não me faz mudar o meu pensamento, segundo o qual, embora não tenha havido planejamento prévio de golpe, de derrubada de um governo ou mesmo de implantação de uma política especial, a Revolução foi um socorro mais que oportuno.

Todavia, houve um planejamento tático de última hora para resolver o problema imediato do Brasil, para ocupar esse vácuo político, econômico e social. Houve articulações em busca do apoio dos governadores, porque sem eles ficaria mais difícil uma solução rápida. A sociedade, angustiada mas altiva, veio ao encontro deste plano, estimulando-o com aquelas famosas Marchas da Família com Deus, pela Liberdade. Então, diante da iminente derrocada das instituições e da ordem política e social, provocada pela anarquia comuno-janguista, levantou-se o povo brasileiro, articularam-se as lideranças militares da ativa e da reserva entre si e com expressivas figuras políticas ainda não envolvidas na situação degenerescente de então. Daí, a

mobilização do autêntico poder militar e civil de que a Nação precisava, naquele momento crucial. Estreitaram-se os entendimentos entre Carlos Lacerda, Magalhães Pinto e Adhemar de Barros e destes com os generais Odylio Denys, Cordeiro de Farias e Castello Branco. Os acontecimentos se precipitaram e, no dia 31 de março de 1964, as tropas de Minas, ao comando do General Mourão Filho, coadjuvado pelos generais Carlos Luis Guedes e Antonio Carlos Muricy, com o apoio do Marechal Denys e do Governador de Minas, Magalhães Pinto, iniciaram o deslocamento na direção do Rio de Janeiro, sede do I Exército, cujo comando se suspeitava integrado ao esquema de Jango. Decisão idêntica à de Minas tomou o II Exército, ao comando do General Amaury Kruel que, deslocando-se de São Paulo, ao alcançar a cidade de Resende, já encontrou a Academia Militar das Agulhas Negras, comandada pelo General Emílio Médici, em posição, com seus cadetes na região de Resende/Barra Mansa, defrontando-se com tropas do I Exército. De quase todos os pontos do País, chegaram as adesões político-militares ao Movimento que, em pouco mais de 24 horas, já estava vitorioso, sem derramamento de sangue. Jango abandonara o posto, fugindo para local ignorado, e o Congresso declarou vaga a Presidência da República, ocupada, interinamente (30 dias), pelo Presidente da Câmara dos Deputados, Ranieri Mazzilli. Sob o comando do General Arthur da Costa e Silva, oficial-general mais antigo na ativa, organizou-se o Alto Comando Revolucionário, que iria deliberar sobre as medidas e procedimentos a serem observados daí para frente. Entre as deliberações estava a inovação do processo de eleição indireta, pelo Congresso, do Presidente da República. Por esse processo foi eleito, para completar o mandato de Jango, o General Humberto de Alencar Castello Branco, primeiro presidente do ciclo revolucionário.

Como a maioria dos integrantes do Exército Brasileiro, ele tinha uma educação fundamentalmente legalista. Por isso, achava que se deveria arranjar uma maneira de consertar as coisas, com o poder constituído. Bom, mas ele foi eleito, assumiu como uma missão a mais a ser cumprida e já com o tempo marcado para sair. E, segundo os analistas, fez um dos melhores governos que esse País já teve, no curto espaço de tempo que se impôs, porque o seu sonho era, depois de consertar aquilo que estava errado, passar o governo ao seu substituto, com um Brasil pacificado e constitucionalmente governável.

Durante o seu mandato, o Presidente Castello Branco esteve aqui, no Ceará, algumas vezes, quando tive o privilégio de participar de sua segurança, sob a orientação do Coronel Lívio Silva de França ou do Coronel Pouman, que eram do Gabinete da Presidência. Certa vez, conversava-se sobre o próximo Presidente da República, indagando-se quem poderia ser. Dessa conversa, além do Presidente, participavam o

General Ernesto Geisel, Paulo Sarasate e Virgílio Távora. Quando os comentários versaram sobre o General Costa e Silva, Castello Branco a ele se referiu nestes termos: “Costa e Silva é um bom Ministro da Guerra, mas será um péssimo Presidente da República”. Ele, que conhecia o seu ministro mais profundamente, podia ter dele essa visão. O fato é que Costa e Silva foi eleito seu substituto e, se a visão de Castello incluía seu estado de saúde, foi aí que ela se confirmou, pois Costa e Silva adoeceu gravemente, pouco tempo depois de assumir a Presidência da República, vindo a falecer.

Depois de um curto tempo de reajuste da situação, o Congresso elegeu o General Emílio Garrastazu Médici que, além de ter enfrentado, com sucesso, a chamada “luta armada” de esquerda, promoveu um surto de desenvolvimento no País como jamais se viu. Basta dizer que o Brasil passou da 48a para a 8a potência econômica do mundo. A popularidade do Presidente Médici era tal que, quando foi assistir a um Fla/Flu, no Maracanã, e o locutor anunciou a sua presença, 100.000 pessoas que lotavam aquele estádio o aplaudiram de pé. Por isso, parece-me que aquela foi a priparece-meira grande oportunidade de os militares entregarem o poder ou convocarem uma eleição geral, direta, em que o próprio General Médici, sendo candidato, certamente sairia vencedor. É um ponto de vista.

O certo é que o sucedeu, na Presidência da República, o General Ernesto Geisel, homem sério, discípulo do General Castello Branco, que, sendo legalista como seu mestre, iniciou um processo de abertura política, revogando o AI-5, instrumento adotado no combate à “luta armada”. Este processo teve continuidade com o seu sucessor, o General João Baptista Figueiredo, que no início de seu governo, em pesquisas realizadas na época, obteve 86% de aprovação. Isso mostra que o povo gostava de suas atitudes francas e decididas e não acreditava naquela imagem truculenta que os adversários costumavam passar. Ao Presidente Figueiredo coube a elaboração e promulgação da Lei da Anistia que, embora não cumprida pelos que mais a exigiram, é a expressão da boa vontade em pacificar a Nação, harmonizando as pessoas para uma convivência proveitosa. Assim, o final do governo do General Figueiredo, no começo de 1985, foi também o final do ciclo revolucio-nário dos governos militares. De lá para cá, o que se vê é a farsa enganosa: a “Nova República”, os governos civis ditos “democratas”, a “Constituição Cidadã” de 1988, a execração da Revolução como obra construtiva, buscando mascarar a desconti-nuidade e a inação que vem ocorrendo desde 15 de janeiro de 1985. Dentro deste contexto, comentarei algumas passagens que não dizem respeito à Revolução, mas revelam, contra ela, a insensatez e o desvario de alguns.

Ainda há pouco, num programa de TV a cabo, chamado de “500 anos do Brasil”, discutia-se o AI-5, pintado como a pior coisa que já aconteceu nesse País.

Fiquei pensando, com os meus botões: “Será que foi a pior coisa?”. Hoje em dia, temos os “Lalaus” da vida, o senador Luiz Estevão, pessoas declaradamente desonestas, que praticam roubos, ficam impunes e se foragem, porque não há um instrumento punitivo, como o AI-5. Não se nega que o AI-5 tenha sido um instrumento de força, pois foi criado para combater a “luta armada” comunista, produzida e imposta pelo terrorismo e pelas guerrilhas, a partir de 1968. Portanto, embasava a função punitiva, de uma Revolução que buscava a ordem, para realizar o desenvolvimento e a segurança que a Nação exigia.

Enquanto, hoje, a mídia investe contra o AI-5, a sociedade brasileira reclama, com razão, da insegurança contra bandidos, assaltantes, terroristas, seqüestradores, corruptos e ladrões de toda a natureza, inclusive os de colarinho branco, todos soltos, por falta de um instrumento destes que a Revolução usou no momento certo, exatamente para coibir essa revoltante situação. Ao contrário, para agravar, atualmente existem certas ONGs de “direitos humanos” pernetas, que só pendem para a esquerda, às quais parecem estar atreladas as atuais autoridades. Tudo isso, porém, é o resultado daquele 15 de janeiro de 1985, quando assumiu o Governo um intelectual que provocou a minha decepção, ao deixar o País com uma inflação de 80%. Depois, veio nova esperança num presidente jovem que, naquele parlatório do Palácio do Planalto, em Brasília, com o punho levantado, bradou que ia mudar este Brasil, que ia para a televisão dizer que daria um tiro no tigre e acabava com a inflação. Deu no que deu: cassado por corrupção, a esperança novamente se transformou em decepção.

Em seguida, elegeu-se um filósofo, sociólogo, poliglota, com experiência internacional. Porém, a esperança do povo ainda mais se esvaiu, quando as “políticas” articularam-lhe a reeleição. E a esperança cada vez mais se extingue. Não mais existem aquelas motivações construtivas que alimentavam a esperança do povo nos governos militares, quando se construíam estradas, hidrelétricas, portos, aeroportos, moderno sistema de telecomunicações, evoluía o sistema de educação e, sobretudo, cuidava-se da segurança pública. Se o desenvolvimento de hoje é mais visível do que antes de 1964, graças às realizações deixadas pela Revolução, a ambiência operacional é bem pior, porque nada se fez desde 1985, e o povo, marginalizado, alienado e desinformado, só tem o direito de ser enganado, sobretudo nas campanhas eleitorais. Isso tudo vem dando margem ao ressurgimento de movimentos de cunho ideológico que estão se propagando no meio popular e ameaçam a ordem política e social. Lideram tais movimentos o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) – bem mais grave que as “Ligas Camponesas”, enfrentadas desde antes da Revolução – e o Movimento dos Sem Teto que, além de

não respeitarem a lei, estimulam o desrespeito à autoridade constituída que, por sua vez, nem sabe ser autoridade.

Pois bem, houve outros absurdos, desprezou-se uma doutrina política que, persistentemente praticada, teria garantido o desenvolvimento permanente e crescente do País. A doutrina do desenvolvimento com segurança, criada e cuida-dosamente estudada na Escola Superior de Guerra, foi posta em prática pelos governos revolucionários. Daí o sucesso da Revolução e da sua ideologia genui-namente brasileira, em que se enfatiza a preocupação permanente com o bem-estar do povo e com a segurança nacional, através de um desenvolvimento autônomo e de um nacionalismo econômico, ordenado e ordeiro. Os derrotados de 1964 chamam o período em que se aplicou essa ideologia de “época da ditadura militar”. Eles, que queriam implantar ditaduras do tipo “estalinista” e “maoísta”, no Brasil, insistem em querer nivelar com elas a liberdade responsável que aqui se viveu, na época dos governos militares. Eu tive a honra de participar da representação do Brasil em Teerã, no Irã, que é uma ditadura xiita (islâmica). O que eu vi lá? O político e o profissional liberal – o médico, o dentista, o advogado – que, pela manhã, trabalhavam na sua profissão e, à tarde, iam para o Congresso Nacional, onde discutiam os problemas do país, trabalhando de graça. Direitos humanos, direito da mulher, não existem por lá. A mídia é proibida de se manifestar. Onde é que aqui, no nosso Brasil, o vereador, o deputado, o senador e o prefeito trabalham de graça para o País? Todos só pensam em alcançar o Poder, em conseguir um emprego político. Aqui se voltam para o interesse pessoal. No exemplo dado, apesar de ditadura, os interesses estão voltados para o interesse do Estado. Numa democracia consciente, deveriam voltar-se para os interesses nacionais.

Mas, até aqui, comentamos assuntos diversos que parecem distanciar-se do tema principal, que é a Revolução de 1964. Não. Não se distanciam; esses assuntos todos guardam fortes conotações com esse Movimento. Todavia, vamos continuar comentando certas situações que antecederam a Revolução de 1964, entre elas, a inflação.

Na verdade, a inflação moderada remonta ao Governo Dutra, que teve de investir para atender ao estágio de desenvolvimento que se impunha, depois da II GM. Citada inflação agravou-se no Governo Juscelino, que investiu em sua programação de governo, para dar continuidade ao desenvolvimento. Entretanto, falou-se, com muita freqüência, da prodigalidade do processo de distribuição e destinação de recursos para a construção de Brasília. De fato, Brasília estava dentro do programa de “50 anos em 5” com que Juscelino definia o seu plano de governo, o que exigia muita rapidez na execução das obras e aplicação dos recursos disponíveis para

atender aos compromissos. Aí é que deve ter ocorrido o desvio dos recursos, o que contribuiu, de certa forma, para inflacionar a vida nacional. Em 1960, Brasília estava concluída, mas ninguém queria mudar-se para lá: toda a administração do País continuava no Rio de Janeiro. Só a partir de 1964, já no Governo Castello Branco, é que a maioria da administração pública passou, definitivamente, para Brasília, que começou a desenvolver-se como capital do Brasil. Não tenho dúvidas de que essa inflação, agravada no Governo Juscelino, associada à decepção e aos prejuízos com a renúncia de Jânio, acentuou-se ainda mais a partir de 1961 e, juntando-se à anarquia e às desordens praticadas pelos comunistas, nos anos 1962-1963 e começo de 1964, levou o País, o povo brasileiro, a um estado de angústia generalizada. Portanto, inflação, mais renúncia de Jânio, mais anarquia comunista, somaram-se para criar um quadro caótico a exigir medidas corretoras da situação criada. Foi aí que se impôs a Revolução de 31 de Março de 1964.

Embora já tenha comentado a anarquia generalizada que impôs a eclosão da Revolução de Março de 1964, detalho a seguir as causas imediatas que, ao violentarem a consciência nacional de civis e militares, foram determinantes ao seu desencadeamento: o apogeu da pregação subversiva, ocorrida no comício da Central do Brasil, no dia 13 de março de 1964; a quebra da disciplina militar, demonstrada no levante dos marinheiros, chefiados pelo Cabo Anselmo com o apoio do Almirante Cândido Aragão, Comandante dos Fuzileiros Navais, realizado a 26 de março no Sindicato dos Metalúrgicos do Rio de Janeiro; novamente, a quebra da disciplina militar, levada a efeito por sargentos, cabos e soldados ao oferecerem um almoço ao Presidente Jango e a todo o seu ministério, no Automóvel Clube do Brasil, no Rio de Janeiro, no dia 30 de março. As Forças Armadas não podiam esperar mais. Já dispunham do apoio do povo. Só lhes restava desencadear o Movimento. Jango abandona o cargo e foge para local ignorado. O Congresso declara vaga a Presidência da República. Portanto, não houve subversão da ordem constitucional, não houve golpe, houve reação à subversão da ordem; não houve usurpação do poder, houve abandono do cargo de presidente. Venceram: a Nação, o povo e suas Forças Armadas.

Nos dias atuais, a má-fé, a virulência e o revanchismo não permitem que a mídia e certos políticos reconheçam esta realidade; por isso, omitem a verdade dos fatos perante a opinião pública. Atitude idêntica assumem com relação às figuras de maior destaque nacional que lideraram a Revolução de 1964, como os governadores da Guanabara, Carlos Lacerda e de Minas, Magalhães Pinto; e de São Paulo, Adhemar de Barros e os generais Odylio Denys, Cordeiro de Farias, Castello Branco, Costa e Silva, Mourão Filho e muitos outros. A esses líderes militares se

deve, em grande parte, a harmonia de pensamento que norteou os comportamentos uniformes no irrompimento da Revolução e que, posteriormente, evitou a pulverização da ação por grupos de tendência política própria, como havia no passado. Essa harmonia de pensamento, associada à necessidade e às circunstâncias do momento para a deflagração da Revolução, robusteceu, sobremodo, a união e coesão nas Forças Armadas.

Contrastando com a mídia de hoje, a grande imprensa de então, liderada pelos Diários Associados de Assis Chateaubriand, apoiou o Movimento de 1964, destacando-se ainda a Rede Globo de Roberto Marinho, a Rede Manchete de Adolpho Bloch, o Estado de S. Paulo da família Mesquita, a Folha de S. Paulo, o Jornal do Brasil e outros. Aqui no Ceará, sobressaíram-se as figuras de Paulo Cabral de Araújo, Manoelito Eduardo e João Calmon. Este último, apesar de não ser cearense,

No documento 1964 – 31 de Março (páginas 156-168)