Para falar sobre a Revolução de Março de 1964, somos levados a abordar, pelo menos, três fatores preponderantes. O problema de ordem econômica, pois àquela época a inflação atingia níveis galopantes; em conseqüência, o povo vivia as agruras do custo de vida, que estava em alta. A corrupção, que grassava em toda a vida nacional e, por fim, o aspecto ligado à ideologia. Não se pode negar que havia o desejo explícito de se implantar, no nosso País, uma república comunista. Antes de 1964, o quadro político brasileiro era caótico. Enfrentávamos as greves, as passeatas, as depredações, as invasões no campo, os saques nas cidades, atos de puro vandalismo. Depois, existiam os apelos freqüentes para que se implantassem as reformas de base, que levariam, necessariamente, o País ao comunismo. O clima de insatisfação não só existia, como era crescente. O povo sofria, tinha medo, vivia apavorado. A sociedade, essencialmente católica, temia o que seria do Brasil com o comunismo; e, com a renúncia do Presidente Jânio Quadros, implantou-se o populismo. Infelizmente, vivemos essa época. Sem dúvida, a inflação herdada do Governo Juscelino Kubitschek contribuiu para agravar todos esses fatores que desencadearam a Revolução.
A expectativa que o Presidente Jânio Quadros conseguiu gerar no seio da sociedade, realmente, foi muito grande. Esperava-se que ele promovesse as reformas moralizadoras de que o Brasil carecia, até porque a bandeira que ele elegeu foi a bandeira do combate à corrupção. Mas, inesperadamente, depois de sete meses de governo, eis que renuncia, atitude que frustrou os brasileiros, até hoje sem uma explicação convincente.
E os adeptos do comunismo – o qual vive e se alimenta de antagonismos, sobretudo de ordem sócio-econômica – aproveitaram-se duplamente da conjuntura vigente à época. De um lado, denunciando as precárias condições dos assalariados e, de outro, apregoando o ideal de uma república sindicalista, tarefa bastante facilitada pela insensibilidade que caracteriza o patronato nacional diante dos problemas de natureza social.
Há que se considerar, ademais, a posição desfavorável da Igreja em relação ao governo anárquico de João Goulart, que assumira a Presidência da República em setembro de 1961, após a renúncia de Jânio Quadros. A Igreja nunca foi comunista; podemos até dizer que ela é anticomunista, apesar de conhecer os males provocados pelo capitalismo, principalmente pelo capitalismo desumano. Depois, a população brasileira é, na sua grande maioria, católica apostólica romana, de tal forma que a posição da Igreja foi decisiva. Sabemos que, em Belo Horizonte e em São Paulo, aconteceram as Marchas da Família com Deus, pela Liberdade e, no Rio de Janeiro, contou com o apoio do seu cardeal-arcebispo.
A inquietude que permeava o tecido social chegara aos quartéis e ressoava como um alerta geral, associado à Intentona Comunista de 1935, episódio que permanece vivo na memória dos militares brasileiros. Existia um quadro típico de guerra revolucionária, mas, em oposição, havia a reação da sociedade. Haja vista, por exemplo, o manifesto que os professores universitários lançaram, inclusive subscrito pelo professor Sobral Pinto. Cerca de quatrocentos professores denun-ciavam a complacência do Governo ante a tentativa de comunização do País. Não se pode olvidar o ultimato da Confederação Geral dos Trabalhadores. A CGT deu um prazo de trinta dias para que o Congresso, “na lei ou na marra“, promovesse as reformas, em que o Governo tinha interesse. Agora, quero crer que os fatos que promoveram o desencadear da Revolução foram o Comício da Central do Brasil, em 13 de março, a rebelião dos marinheiros, amotinados no Sindicato dos Metalúrgicos, em 26 de março, que culminaria com a demissão do Ministro da Marinha e, por fim, a gota d’água: o almoço no Automóvel Clube, no dia 30 de março de 1964, com o presidente rodeado por sargentos das três Forças Armadas. Ora, duas das coisas que os militares prezam mais são a hierarquia e a disciplina, princípios que vinham sendo dilapidados há algum tempo; por isso, estavam profundamente ofendidos na sua alma. Como se não bastasse, no auge da anarquia o pioneiro marxista no Brasil, solidário a Moscou, Luís Carlos Prestes, disse textualmente: “Os comunistas estão no Governo, falta-nos apenas o Poder”. Depois de uma declaração dessas, não há mais o que comentar; isto simplesmente veio a ratificar a decisão dos comunistas da tomada do Poder, o que, por sinal, era de domínio da opinião pública.
A respeito da divulgação de opiniões e conceitos sobre a Revolução, observa-se o início de retaliações a partir do período de transição política, principalmente depois da Lei da Anistia. Comentários de jornais e de outros meios de comunicação referem-se àquele Movimento como tendo sido um golpe militar articulado, imposto e conduzido pelos americanos por meio da guerra fria contra a Rússia, ou seja, para combater o comunismo. Trata-se, evidentemente, de uma insinuação malévola; até mais que insinuação, uma provocação. Se admitíssemos essa hipótese como verdadeira, seríamos levados a aceitar o fato de que, onde houvesse guerra fria ou reflexo da mesma, no mundo, o golpe militar seria iminente. Em contrapartida, estaria ausente, ou sob controle, a intenção comunista de tomada do Poder.
A Intentona Comunista de 1935 foi a primeira tentativa de tomada do Poder, pela força, mesmo sem guerra fria. Os militares sabiam dessa intenção, razão por que não se pode pensar em imposição de americano, absolutamente. Daí, terem-se antecipado ao golpe comunista com a Revolução de 1964 que, se não tivesse trazido outros benefícios, bastariam apenas dois, para justificá-la: evitar a implantação, no
Brasil, de um governo comunista, satélite da então União das Repúblicas Socialistas Soviéticas e, depois, devolver a paz e a tranqüilidade ao povo brasileiro, condições indispensáveis, em qualquer parte do mundo, para que haja desenvolvimento. A esse respeito, cabe destacar a valiosa contribuição prestada pelos órgãos de informação que, como é notório, existem em todos os países do mundo ou em quase todos. Os órgãos de informação prestam excelente assessoria aos governos e, até, eu diria, fornecem elementos que permitem a sobrevivência das Nações. No caso brasileiro, não só eram uma necessidade, como uma lacuna, até imperdoável, na estrutura orgânica do Estado. Foi por intermédio da eficiência do sistema de informação, por exemplo, que se chegou à necessidade do endurecimento da Lei de Segurança Nacional, decorrência do acirramento da luta armada. E a Revolução precisaria implementar as medidas que deveriam ser realizadas nesse campo.
Da vinculação direta ou indireta dessas medidas de Segurança Nacional com a Segurança Pública, e na qualidade de policial-militar, gostaria de me reportar aos benefícios que a Revolução proporcionou às Polícias Militares. Antes, no entanto, permitir-me-ia lembrar que a origem destas instituições remonta à época do Império, tendo como embrião a Divisão Militar da Guarda Real de Polícia – criada pelo Decreto Regencial de 13 de maio de 1809 – atual Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro. Ao criá-la, D. João VI o fez à semelhança daquela que existia em Lisboa e os seus integrantes foram escolhidos entre os soldados do Exército português. O comandante da Guarda Real submetia-se, de um lado, ao governador das Armas da Corte, como chefe militar e, de outro, vinculava-se ao Intendente Geral de Polícia. A característica policial-militar, no Brasil, decorre, pois, de razões históricas. As corporações responsáveis pela segurança pública surgiram como força militar de elite – modelo vigente, até hoje, na Europa – acorde com o descortino de estadistas e em respeito aos sentimentos e anseios da população. Comparativamente, basta dizer que, no Ceará, por exemplo, entre o decair do Império, em 1889, e o ano de 1947, a denominação do Corpo de Segurança sofreu quatorze alterações. Em termos nacionais, a única força de apoio repousava sobre a legislação federal de interesse do Exército, conformando-as à condição de reserva e força-auxiliar e, por isso, voltadas para as operações típicas da Força Terrestre. Constitucionalmente, a sua missão não estava definida; não sabendo orientar-se, as suas atividades desenvolviam-se empiricamente.
Com o advento da Revolução, um dos seus primeiros atos foi a criação da Inspetoria Geral das Polícias Militares (IGPM), no Estado-Maior do Exército que, ao reorganizar as Polícias Militares e os Corpos de Bombeiros Militares, conferiu-lhes uma estrutura cientificamente organizada e, pari passu, estabeleceu-lhes “um quadro
de competência tipicamente policial, para emprego em suas atribuições específicas”. Responsáveis, com exclusividade, pelo policiamento ostensivo fardado, a partir da Constituição Federal de 24 de janeiro de 1967, essas corporações têm o seu próprio chão. Além da missão constitucional e da doutrina policial-militar, é justo observar a importância da IGPM na área de ensino e instrução que, no afã de aperfeiçoar o conhecimento técnico-profissional, efetivou o intercâmbio entre as próprias Organizações Policial-Militares e entre estas e as Forças Armadas, tornando possível a participação de oficiais e praças em vários cursos e estágios oferecidos pelo Exército, realizados no Centro de Estudos de Pessoal (CEP), e pela Marinha, destinados, sobretudo, aos integrantes dos Corpos de Bombeiros, ligados à busca e salvamento. Essa política permitiu que vários oficiais, de quase todos os Estados brasileiros, participassem, no exterior, de cursos promovidos por suas congêneres, sendo exemplo: a França, a Itália, o Chile e os Estados Unidos.
Sem dúvida, as Polícias Militares vivenciaram uma página nova na sua trajetória. Como órgão de assessoria do então Ministério do Exército, com atribuição normativa, a IGPM organizou o arcabouço de toda a legislação pertinente àquelas corporações, adequada às peculiaridades de cada Estado, a qual foi submetida à apreciação e aprovação das respectivas Assembléias Legislativas, possibilitando a unidade de doutrina em todo o território nacional. Concomitantemente, a IGPM elaborou e difundiu as diretrizes e normas correspondentes às áreas de pessoal, ensino e instrução, apoio logístico, informações e assuntos civis, consubstanciadas nos Manuais Técnicos que ficaram conhecidos como “os amarelinhos”. Promoveu, também, um Seminário de Ensino para a reforma do currículo escolar, adequando-o à natureza específica da missãadequando-o, até entãadequando-o atrelada à missãadequando-o adequando-operaciadequando-onal dadequando-o Exército. As visitas e inspeções bienais, realizadas regularmente pela IGPM, não se restringiam apenas à fiscalização do cumprimento da lei: permitiam conhecer e avaliar, in loco, aspectos de ordem prática, inerentes ao desempenho, à eficiência e às carências dos recursos materiais e humanos de cada instituição, ações que viabilizavam, rapidamente, a correção e/ou o aperfeiçoamento correspondente.
Convém ressaltar que essas visitas e inspeções eram chefiadas pelo próprio general-inspetor, que se fazia acompanhar do seu Estado-Maior e que, ao final, levava ao conhecimento do Governador, através de uma visita de cortesia, as suas impressões acerca das condições gerais em que se encontrava cada organização policial-militar. Posteriormente, a ligação com os governadores se fazia através dos comandantes-gerais. O estímulo era direto, diferentemente do que ocorre desde 1987, no Ceará: um dos seus governadores, mesmo em meio ao seu terceiro mandato, jamais visitou a Polícia Militar; sempre se fez representar, mesmo nas comemorações
de aniversário. Um outro dado relevante diz respeito ao emprego do efetivo na atividade-fim e na atividade-meio. Os documentos que tratam desse assunto estimavam que, no máximo, 15% do efetivo poderia ser utilizado em atividades diferentes do policiamento ostensivo, numa demonstração de cuidado e zelo pela ordem pública, em benefício do cidadão.
Em termos de perturbação da ordem, a Polícia Militar constituía a linha de frente da própria Revolução, dentro da missão que lhe era confiada; do mesmo modo que o é, hoje, em relação aos problemas ligados à segurança pública. A diferença consiste na disponibilidade dos recursos. A IGPM, por exemplo, repassou para os Estados – em particular aqueles situados nas regiões mais pobres – o equipamento e o material necessário à implantação de pelotões ou companhias responsáveis pela administração do controle de distúrbios. Somente na hipótese do agravamento da desordem, com a perda do controle da situação, é que o Exército assumiria o comando da operação. Aqui no Ceará, por exemplo, tal hipótese não chegou a ocorrer.
Atualmente, as Polícias Militares encontram-se “sucateadas”, enfrentando sérias dificuldades para exercer o seu mister constitucional – não obstante a configuração da “guerra civil” a que o País assiste – num contraste flagrante em relação à diligência constatada, pelo menos no Ceará, durante duas décadas, de 1964 a 1985.
Entre 1971 e 1975, por exemplo, no governo César Cals, a Polícia Militar viveu a sua fase áurea. Para se ter uma idéia da vontade política, à época, basta dizer que, em 1971, existia um único aparelho de ar-condicionado em toda a corporação; quatro anos depois, a Polícia Militar possuía uma formidável dotação de material bélico, material de comunicações, motocicletas e viaturas, e a área construída simplesmente dobrou. Nessa época a Academia de Polícia Militar mudou-se para as novas instalações, no bairro Água Fria, zona nobre da cidade. Construiu-se o quartel do Comando Geral, afora a construção da Companhia de Material Bélico, do quartel do Corpo de Bombeiros, na Esplanada do Mucuripe, dos quartéis do 2o
BPM, em Juazeiro do Norte e da 3a Cia/3o BPM, em Camocim. Além da construção do Clube dos Oficiais, na Praia do Futuro, sem falar na recuperação das instalações do hospital, do Centro Odontológico e das várias unidades e subunidades espalhadas pelo interior do Estado. Quer dizer, são mais do que eloqüentes o cuidado, o apoio e o prestígio conferidos às Polícias Militares. E é este o caso do Ceará, que, em última instância, demonstra a nossa preocupação com a ordem e a segurança pública, dirigidas, prioritariamente, para o respeito à dignidade do homem e, por extensão, ao bem-estar da população.
Mas houve também dificuldades, no estrito cumprimento do dever, inclusive com vítimas, na defesa da ordem pública. No município de Registro, no Vale da
Ribeira, em São Paulo, por exemplo, o jovem 1o Tenente PM Alberto Mendes Júnior, no comando de uma patrulha em perseguição a Carlos Lamarca e a seus guerrilheiros, foi, por estes, capturado, juntamente com os demais integrantes da patrulha. Em troca da própria vida, o Tenente Mendes negociou a liberdade dos companheiros e, ali, friamente, foi trucidado. Aqui mesmo, no Ceará, num dos municípios da Serra da Ibiapaba ou Serra Grande, um casal de fazendeiros foi seqüestrado e morto numa ação terrorista, fato sobejamente conhecido e amplamente noticiado pelos jornais da época. Deste episódio participaram, entre outros, um policial civil e uma mulher, esta eleita, posteriormente, deputada federal pelo Ceará. Vários outros casos existem, Brasil afora.
A propósito, certa mídia explorou a tortura como tema preferido; houve até a publicação de um livro, sobre o assunto, “Brasil, Nunca Mais”, sob os auspícios da Arquidiocese de São Paulo. À “ditadura” atribuem mais de quatro centenas de mortes; e, em oposição, foram mortos mais de cem militares. Comparados estes números, à luz dos objetivos de cada lado, é fácil depreender a desproporção dos resultados: enquanto todo o Estado matou terroristas para defender a lei, a ordem, os poderes constituídos e o povo brasileiro, grupos terroristas que lutavam pela tomada do Poder, impuseram pesadas baixas entre elementos do Exército e de outros órgãos responsáveis pela segurança.
A partir de 1983, as Polícias Militares passaram a ter comando próprio, coincidindo com o início da falta de apoio, falta de recursos e com o afastamento gradual da IGPM. Era o início da caça às bruxas, principalmente depois da promul-gação da Constituição Federal de 1988. A missão constitucional destas organizações atinge uma escala crescente de comprometimento, fato que se pode atribuir, entre outras causas, às deficiências de ordem material e de recursos humanos. A assistência social, praticamente, não existe e a assistência médico-odontológica deixa muito a desejar. No momento em que não se dispõe de homens e nem de recursos, a missão fica prejudicada; muito diferente de quando o policial-militar, na rua, de serviço, policiando, recebe uma boa instrução, uma boa assistência e, bem fardado, tem consciência de que alguém zela por ele, sem demagogia e sem publicidade falsa. É evidente que, em tais circunstâncias, o cidadão comum passa a respeitá-lo, enquanto o bandido passa a temê-lo. Não por acaso, o atual secretário de Segurança Pública e Defesa da Cidadania declarou ao jornal O Povo, de 30 de junho de 1997, página 12: “Nossos equipamentos são do tempo da ‘lili pistola’, o material de comunicação é da década de 1970. O policial fala aqui e o criminoso ouve lá”.
Hoje, fala-se muito na unificação das Polícias Militar e Civil ou na desmilita-rização da primeira, sob o argumento de que as Polícias Militares são violentas ou
incapazes. Ora, seria muita ingenuidade imaginar que a violência produzida no Brasil é resultante da ação das Polícias Militares. Se a Polícia Militar ou qualquer polícia é obrigada a agir com violência é porque ela atua num mundo de violência crescente; e essa violência crescente está subjacente aos problemas de ordem social. O descaso que se observa em relação à educação e à saúde, somado ao desemprego que grassa no País, são causas intrínsecas da violência. Nesse contexto, as Policias Militares sofrem e, infelizmente, encontram-se órfãs. E por serem a parte mais fraca, são exploradas pela mídia como responsáveis maiores, causa e efeito da violência. Não seria de bom alvitre devolvê-las ao controle e à supervisão da IGPM? Certamente, reverter-se-ia o clima de insegurança e o desequilíbrio que infelicita o País. Ademais, seria ótimo que os defensores da unificação e/ou desmilitarização buscassem exemplos e inspirações na Gendarmerie Nationale da França, uma força essencialmente militar, correspondente, no Brasil, à Polícia Militar, com atribuições consagradas de Polícia Judiciária, perfazendo cerca de 40% das suas atividades.
A propósito, existe uma preocupação permanente do Governo francês em relação à segurança da população, inferência resultante da participação da
Gendarmerie Nationale no Orçamento da Defesa Nacional: “A parte da Gendarmerie Nationale, em 1995, permanece estável em torno de 2,5%, ou seja, 13,3 bilhões de francos”, equivalentes a mais de US$ 2 bilhões de dólares, “e deverá crescer 5% até o ano 2000” (excertos do discurso de Monsieur Bernard Prévost, Diretor Geral da Gendarmerie Nationale, publicado na Revue de la Gendarmerie Nationale, 3o trimestre, 1996). Vale ressaltar que os valores acima correspondem aos investimentos específicos com a segurança pública: aquisição e manutenção de viaturas, motos, aeronaves, equipamento, material bélico e material de comunicação. Em 1995, os recursos com outras rubricas, inclusive pessoal e encargos sociais, foram mais de oito vezes superiores à parte destinada, especificamente, à defesa, ou seja, cerca de US$16 bilhões de dólares. Em termos comparativos, acredito que, no nosso País, nem o orçamento do Ministério da Defesa – englobadas as três Forças Singulares – aproxime-se desaproxime-ses valores, o que denota o desprezo a que foram submetidas.
Por oportuno, em carta de 16 de maio de 1806, dirigida ao Rei de Nápoles, disse Napoleão: “A Gendarmerie é a maneira mais eficaz de manter a tranqüilidade de um país; espalhada por toda a superfície (territorial), presta informações precisas. O único inconveniente é que custa um pouco caro”.
Finalmente, para ficarmos no Ceará, poderia citar pelo menos três providências adotadas pelo governo estadual, nestes últimos anos, associadas, intimamente, à auto-estima dos policiais-militares. O nível hierárquico do comandante-geral da Polícia Militar, na estrutura organizacional do Estado, equiparava-se ao nível de
secretário de Estado; hoje, equipara-se ao nível de terceiro escalão. A nossa Academia de Polícia Militar – responsável pela formação dos futuros oficiais – está localizada nas proximidades da Universidade de Fortaleza, na Água Fria, zona nobre da cidade, uma das razões por que ali se encontra aquartelada. Pois bem, recentemente perdeu uma parte do terreno em que se encontra encravada para, anexada ao Centro de Convenções, ampliar a área de estacionamento de veículos. A alegação apresentada é de que aquela área é muito nobre para ser usada pela Polícia. Por fim, uma lei