A mortalidade e as doenças dos vitelos neonatais relacionam-se com deficiente transferência de imunoglobulinas do colostro. (Heinrichs, et al, 2001). A transferência deficitária de imunidade passiva contribui para o aumento do risco de doença, no entanto, caso o vitelo esteja inserido num ambiente limpo e sem exposição a agentes patogénicos as baixas concentrações de imunoglobulinas não são determinantes. (Weaver, et al., 2000).
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O colostro proveniente de vacas com qualquer tipo de doenças, mamites ou que tenham sofrido abortos não deve ser usado como alimento dos recém nascidos nem deve ser armazenado. (Godden, et al, 2008). Tal como referido anteriormente a quantidade de imunoglobulinas séricas dos recém-nascidos varia de acordo com a estação do ano, e os vitelos nascidos em meses de Inverno em climas temperados, apresentam uma concentração mais baixa de IgG1 do que os nascidos na Primavera e no Verão que têm concentrações plasmáticas desta imunoglobulina mais altas. (Heinrichs, et al, 2001).
De modo a eliminar as deficiências da má qualidade do colostro é muitas vezes usado o Banco de Colostro que reúne amostras de diversas vacas, no entanto, a produção de colostro em grandes quantidades para armazenamento tente a influir na diminuição de concentrações de imunoglobulinas. (Maunsell, et al, 2008) desaconselham assim a utilização do banco de colostro, algo que é contrariado pelos autores (Vasseur, et al, 2010) que defendem que uso exclusivo de colostro fresco e a ausência de colostro congelado na exploração não é aconselhável pois pode dar origem à falta em momentos considerados fundamentais à sua administração. O colostro congelado deve ser de boa qualidade dado que deverá ser administrado em recém-nascidos que necessitam de suplementos pois não ingeriram quantidade ou qualidade suficiente. Deverá igualmente ter em conta que todo o colostro com mais de 2h deve ser refrigerado de modo a evitar o crescimento bacteriano e manter a sua viabilidade celular e a concentração de imunoglobulinas até uma semana. Verificou-se igualmente que os vitelos alimentados com colostro refrigerado têm menor risco de falha de transferência passiva do que quando alimentados com colostro congelado. (McGuirk, et al, 2004).
Uma higiene desadequada na recolha, armazenamento e administração do colostro pode conduzir ao aumento da exposição a agentes patogénicos e pode ter um impacto negativo na aquisição da imunidade passiva. (Maunsell, et al, 2008).
Para armazenamento de colostro com vista a posterior utilização deverá ser tida em conta a necessidade de pasteurizar a uma temperatura de 60ºC durante 60 minutos, de modo a manter a IgG intacta e as características líquidas eliminando agentes etiológicos como E.coli, Salmonella
enteritidis, Mycoplasma bovis e Mycobacterium avium subespécie paratuberculosis. (Godden, et al, 2008); (Ames, et al, 2007)
Todo o maneio/gestão correlacionado com o colostro é de extrema importância para a sobrevivência e saúde do vitelo. (Godden, et al, 2008).
24 2.4. - LEITE DE SUBSTITUIÇÃO
Os substitutos do leite foram desenvolvidos pela primeira vez há 50 anos em resposta às necessidades dos produtores de terem uma alternativa economicamente viável para que fosse possível a comercialização do leite bovino com maior margem de lucro. O desejo era permitir que o produtor vendesse o seu leite a preços de mercado e depois comprar um substituto que fosse mais económico, sem prejuízo no crescimento dos vitelos. (Raeth-Knight, 2009).
Nos dias de hoje leites de substituição de alta qualidade, quando correctamente combinados para sistemas de criação específicos de vitelos, fornecem vários benefícios para o produtor de leite e o crescimento dos vitelos. Esses benefícios incluem níveis mais elevados de biossegurança, melhoria no desenvolvimento do vitelo e mais-valias económicas. (Jorgensen, et
al, 2005); (Capel, et al, 2006); (James, et al, 2006).
Nas últimas duas décadas, tem havido mudanças significativas na formulação de substitutos do leite. Muitos dos produtos de hoje são o resultado de extensa pesquisa. Quando alimentado correctamente, os substitutos do leite de alta qualidade vão permitir o crescimento do vitelo e um desempenho igual ou até mesmo superior ao animal alimentado com leite materno. (Raeth- Knight, 2009).
A qualidade de leite de substituição deve ser similar à composição do leite em bruto. (Godden, et al, 2008). Deve conter nutrientes que os vitelos consigam digerir e possuir as quantidades correctas. A maioria dos leites de substituição deve formar um coalho no abomaso de modo a providenciar uma libertação lenta dos nutrientes para o duodeno. (Scott, et al, 2006)
O leite bruto em pó consiste basicamente em lactose (36-40%), gorduras (30-40%) e proteínas lácteas (28-32%). A proteína é constituída principalmente por caseína mas também inclui proteínas do soro do leite, albumina e globulina. O leite desnatado é produzido pelo subproduto da manteiga, o qual consiste principalmente em lactose e todas as proteínas do leite; só tem metade do valor energético do leite em bruto. Com o subproduto do queijo é produzido através do soro, consistindo apenas em lactose, albumina e globulina, e o seu valor nutritivo é ainda menor. Quando usado como base do leite de substituição, é necessária a adição de gorduras. Os leites de substituição comerciais possuem normalmente 20-24% de proteína. Os vitelos jovens só conseguem digerir proteínas originárias do leite como as do leite desnatado e coalho. O grau de processamento destes alimentos de substituição afecta a capacidade digestiva das proteínas por parte dos vitelos. O aquecimento excessivo desnatura as proteínas, levando a uma baixa coagulação no abomaso e a uma rápida passagem do leite para o duodeno. Os leites
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em pó obtidos por pulverização são produzidos a temperaturas mais baixas que os leites em pó produzidos por tambores, sendo os primeiros a fonte preferencial dos leites em pó de substituição. No passado, foi possível testar substitutos do leite a partir de leite em bruto e desnatado utilizando o coalho pela sua capacidade de coagulação, que pode ser obtido a partir de fábricas de queijo ou na forma de tabletes de coalho animal em supermercados. Os pós que não tenham sido excessivamente aquecidos formarão coalhada. (Godden, et al, 2008); (Jorgensen, et
al, 2005).
Os substitutos do leite geralmente contêm 15-20% de gordura - o tipo de gordura adicionada irá influenciar a capacidade de ingestão por parte dos vitelos. O sebo (um subproduto dos matadouros) é a uma das gorduras utilizadas ao invés dos óleos vegetais, que contêm altos níveis de gorduras polinsaturadas, podendo causar diarreia em vitelos jovens. O sebo é preferível porque tem uma composição em ácidos gordos semelhantes ao do leite e é economicamente mais acessível. O sebo é um dos poucos subprodutos animais que actualmente pode ser consumido por ruminantes. A gordura deve ser incorporada cuidadosamente para que o pó se dissolva facilmente na água e os glóbulos de gordura se tornem suficientemente pequenos para que eles não se separem da mistura. A Lecitina normalmente é incluída para ajudar com a incorporação de gorduras e melhorar a sua utilização de substitutos em leite em pó. (Capel, et al, 2006); (James, et al, 2006).
Os substitutos do leite de alta qualidade têm um teor de fibra inferior a 0,1%. As fibras obtidas a partir de plantas são usadas para aumentar os níveis de proteína nos substitutos do leite. Por cada aumento de 0,1% no teor de fibra nos substitutos, cerca de 10% da proteína total tem origem em plantas, em vez de fontes lácteas. (Godden, et al 2008).
Um leite de substituição típico contém cerca de 70-80% de sólidos lácteos, 17-20% de gorduras vegetais e animais (por exemplo sebo), 2% de lecitina, componentes minerais (cobre, zinco, manganês, ferro, cobalto e iodo) e vitaminas (A, D, B12, K e E). (2farm, 2011); (Godden,
et al, 2008).
Os pós à base de subprodutos do leite são caros e as tentativas de reduzir os seus custos através da utilização de proteínas de fontes alternativas de energia foram de grande insucesso. A farinha de soja ou a soja é uma proteína vegetal subproduto alimentício de muito sucesso com vários animais, mas que contém um inibidor da tripsina necessária para a digestão em vitelos alimentados com leite. Esta proteína anti-tripsina pode ser destruída por tratamento térmico prévio à inclusão nos pós de substituição, mas testes em produção de vitelos até à data não são
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promissores. Isto ocorre porque os vitelos jovens não conseguem digerir proteínas vegetais de forma tão eficiente quanto as do leite. Os vitelos não podem digerir o amido na dieta até o rúmen estar totalmente funcional. Mesmo uma pequena percentagem de amido (2%) nos leites de substituição reprime o crescimento e aumenta as diarreias em vitelos. Os pós de substituição com altos níveis de amido não são adequados para estes animais. O conteúdo de amido e a proporção da proteína do leite na proteína total deve aparecer detalhado no recipiente ou saco do pó de substituição. O leite em pó deve ser acondicionado adequadamente para evitar a entrada de ar e humidade. Devem ser conservados em sacos de plástico em vácuo sendo postos de seguida em sacos impenetráveis à luz. Mesmo com estes cuidados, deve-se utilizar estes pós até seis meses após a compra. Uma boa qualidade de pó inclui um antioxidante para reduzir a deterioração da gordura durante o armazenamento. (Dairymanufacturers, 2011).
Tabela 2 – Vantagens e Desvantagens do Leite de substituição. ( Jorgensen, et al., 2005); (Capel, et al., 2006); (James, et al, 2006).
Vantagens Desvantagens
Reduz a transmissão de doenças Necessidade de maneio intensivo
Melhora a taxa de aumento de peso Falha na pasteurização
Melhora a saúde animal Inadequada reserva de leite não
comercializável
Melhora a eficiência económica Composição nutricional inconsistente
Utilização de leite não comercializável Potencial preocupação com resíduos de antibióticos.