O Corredor Ecológico Cerrado-Pantanal abrange a bacia do rio Taquari (GO), interligando o bioma Pantanal com o bioma Cerrado na região do Parque Nacional de Emas, e vem sendo implantado sob a gestão da CI – Conservation International do Brasil, em parceria com a Fundação Emas, Secretaria Estadual de Meio Ambiente-MS, em parceria com o Ibama antes de ser desmembrado e criado o ICMBio, governos estaduais e proprietários rurais da região abrangida pelo corredor ecológico. O Projeto foi reconhecido como sendo de fundamental importância e altamente prioritário para a conservação pelos estudos realizados pela CI e MMA.
O Projeto Corredor Ecológico Cerrado-Pantanal objetiva as- segurar a conectividade entre os diferentes ambientes ecossistêmicos contemplados por áreas protegidas e RPPN para possibilitar que espécies da fauna e da flora troquem genes e mantenham seus ciclos biológicos. Neste sentido, o corredor ecológico (ou de biodiversidade) deve trabalhar para conectar áreas isoladas de mata, a partir do PARNA das Emas, no sudoeste de Goiás, até a região do Pantanal, para garantir o fluxo de espécies na região, evitando-se uma degradação maior da fauna e da flora, causada pela ocupação humana desordenada na região.
Um grupo de 25 pesquisadores brasileiros trabalha no projeto, sob a coordenação da CI. Os esforços têm sido direcionados com vistas a identificar áreas prioritárias de conservação, visando ao estabelecimen- to de uma rede de unidades de conservação, e à priorização de ações nos espaços considerados de extrema importância para a conservação ambiental (e da biodiversidade), especialmente naquelas áreas que ainda não foram contempladas com unidades de conservação.
A região abrangida pelo Corredor Ecológico Cerrado-Pantanal tem pontos comuns, o que justifica a importância de ser trabalhada a conexão entre as duas regiões, já que existem semelhanças de fauna entre o Cerrado e o Pantanal.
O avanço da fronteira agrícola na região do Cerrado (por ter relevo plano que facilita a mecanização) vem substituindo os espaços verdes com suas extensas plantações de soja e campos de gado ao redor
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do PARNA das Emas (com 132 mil hectares), controlado pelo ICMBio. O PARNA das Emas, em 2001, recebeu da UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura) o título de Patrimônio Natural da Humanidade.
Na região do Projeto Corredor Ecológico Cerrado-Pantanal, vem sendo alteradas importantes áreas de remanescentes. E as áreas protegidas criadas por lei – PARNA, REBIO, FLONA, APA, ARIE, entre outras, são cada vez mais vulneráveis diante das ações antrópicas (fogo, desmatamento, caça e pesca predatória).
Entre os objetivos do Corredor Ecológico Cerrado-Pantanal, um é buscar alternativas para minimizar o isolamento do PARNA das Emas, e de outros parques que estão nos limites do Corredor Ecológico, para proteger a fauna silvestre. Algumas espécies, como a ema e o veado-campeiro (espécies que ocorrem no Cerrado) cruzam campos de soja com facilidade, enquanto outras espécies têm dificuldade de conviver num ambiente alterado.
Corredor Ecológico Cerrado-Pantanal – GO, MT e MS Fauna
A fauna é típica do Cerrado, mas, no planalto, onde há maior contato com a floresta amazônica, há elementos de influência desse bioma, como na Chapada dos Guimarães. Hoje, um dos pontos mais bem estudados no enfoque de fauna silvestre e seus hábitats associados é a região do rio Manso, afluente do rio Cuiabá. Há abundância de aves aquáticas, como garças, colhereiros e cabeças-secas, que se agregam nos ninhais, na época seca, aproveitando a oferta de alimento. Tuiuiús são igualmente comuns. Capivaras e jacarés são observados com frequência. Diversas espécies de mamíferos listadas como ameaçadas de extinção, como cervos e tamanduás-bandeiras são vistas na região. O aspecto espetacular da abundância da fauna é apelo para o turismo no Pantanal.
Peixes e pesca
Há cerca de quatrocentas espécies de peixes na bacia no alto Paraguai, das quais, 263 são encontradas em áreas de planície. Os peixes constituem recursos ecológicos e econômicos fundamentais para a região. A pesca é um dos maiores atrativos do Pantanal, e a abundância de peixes, durante a seca, atrai as aves aquáticas em grande quantidade.
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O equilíbrio da região exige proteção constante, mediante meca- nismos de fiscalização (infelizmente, precários). Desde 1967, uma legislação específica protege a fauna e a flora do Pantanal, estabelecendo a proibição de utilização, perseguição, destruição e caça de animais de quaisquer espécies, em qualquer fase do seu desenvolvimento e que vivem naturalmente fora do cativeiro. A lei que protege a região do Pantanal estabelece que a fauna silvestre, bem como seus ninhos, abrigos e criadouros naturais são propriedade do Estado. Não obstante, é comum muitos animais serem contrabandeados, como o caititu, a capivara, a queixada, a lontra, a ariranha. Entre as aves mais visadas, encontramos as araras, principalmente a arara-azul.
O Projeto Corredor Ecológico Cerrado-Pantanal tem muitos desafios pela frente. E entre eles, o mais difícil é resolver o conflito de interesse no uso da terra com a preservação da vida silvestre, que já não encontra abrigos e remanescentes florestais para reprodução das espécies – muitas endêmicas – como ressalta o SBPC (2010).
Ameaças na área do Corredor Ecológico Pantanal/Cerrado
O bioma Pantanal (imensa planície sedimentar) é a maior região alagável do mundo, abrangendo parte dos estados do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Tem grande importância no contexto ambiental, sobretudo para a pesquisa científica, atividades turísticas e para
a pecuária no país. O Pantanal ocupa uma área de 140.000 km2,
possuindo importante ciclo de águas, com imensas planícies em áreas semialagadas, abrigando rica fauna, que necessita de proteção, como os jacarés e aves das mais diferentes espécies. O ecossistema tem sofrido muito com a ação antrópica, especialmente pelo desmatamento ao longo das margens dos rios que cortam a região, todos eles ligados à bacia hidrográfica do rio Paraguai. A região tem a maior concentração faunística de todas as Américas. A capivara, maior roedor do mundo, pode ser encontrada em grande quantidade e observada com extrema facilidade, ao lado de alguns cervos-do-pantanal. A ariranha, cuja pele tem alto valor comercial, não é mais encontrada devido à enorme pressão de caça ilegal e predatória. O jacaré é também alvo de caçadores, sua pele tem grande valor no mercado internacional e sua carne é apreciada. Ocorre também a pesca predatória. Há cerca de 230 espécies de peixes, destacando-se a piranha, o pintado, o pacu, o curimbatá e o dourado.
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Entre as ameaças identificadas para a bacia do alto Paraguai em geral e para o Pantanal em particular, destacam-se:
FOGO. Há a tradição de se atear fogo, na época seca, para limpar o pasto para o gado. E, muitas vezes, o fogo se alastra e destrói extensas
áreas. DESMATAMENTO. O desmatamento e as queimadas têm sido
a causa da transformação da vegetação nativa, principalmente do cerradão e do Cerrado, em pastagens implantadas para o gado. Essa prática milenar é ainda muito comum no preparo da terra para a agropecuária e tem avançado também nas áreas de matas ciliares.
CONTAMINAÇÃO DO MEIO AMBIENTE. O uso indiscriminado de insumos agrícolas, o mercúrio nos garimpos de ouro contaminam o solo e
toda a cadeia trófica. HIDROVIA. Essa atividade é de grande impacto
ambiental, sendo comumente apontada nos estudos realizados, como
um impacto negativo para o ciclo das águas no Pantanal. TURISMO.
O turismo na região tem sido praticado sem controle em seus vários aspectos, até mesmo quanto ao número de turistas em cada região,
que deixam dejetos nas áreas alagáveis. OCUPAÇÃO DESORDENADA.
Proliferação de áreas urbanas, com casas e loteamentos de forma
desordenada. ATROPELAMENTO DE ANIMAIS nas novas rodovias
que cruzam o Pantanal. ÁREAS PROTEGIDAS E ESPÉCIES AMEAÇADAS,
incluindo as áreas de corredores ecológicos que têm a finalidade proteger a biodiversidade pantaneira.