2.5 Função do Princípio da Subsidiariedade 93
3.3.2 Programa Bolsa Família
3.3.2.2 Critérios de elegibilidade e condicionalidades
Importante analisar neste tópico os critérios de elegibilidade, bem como
as condicionantes exigidas para se garantir a manutenção do Bolsa Família.
176
Importante repetir o disposto no artigo 10 da Recomendação n. 202 da OIT, já que nesta
verifica-se, além da implantação de um piso de proteção social, que se estabeleceu um incentivo à
promoção do emprego formal: “10. Ao conceber e implementar pisos nacionais de proteção social,
os Membros deveriam: (a) [...]; (b) promover a atividade económica produtiva e o emprego formal
considerando políticas que incluam regimes de compras do setor público, a concessão de créditos
públicos, a inspeção do trabalho, políticas do mercado de trabalho e incentivos fiscais, e que
promovam a educação, a formação profissional, capacidades produtivas e empregabilidade; e, (c)
assegurar a coordenação com outras políticas que fomentem o emprego formal, a geração de
rendimento, a educação, a alfabetização, a formação profissional, as qualificações e a
empregabilidade, que reduzam a precariedade e que promovam o trabalho seguro, o
empreendedorismo e empresas sustentáveis no âmbito do trabalho digno”.
Os critérios de elegibilidade estão relacionados ao tipo de vulnerabilidade
que atinge a unidade familiar, ou seja, se se trata de família pobre ou de família
miserável, que está abaixo da linha da pobreza. Dessa forma, exige-se, para a
inserção da família no Cadastro Único, que sua renda per capita seja de até R$
85,00. Para as famílias pobres, a margem utilizada para viabilizar sua inclusão no
mencionado cadastro é estabelecida entre R$ 85,01 e R$ 170,00. Importante,
salientar que para esta última ainda se exige que a família tenha como composição
familiar gestantes, nutrizes, crianças de 0 a 12 anos ou adolescentes até 15
anos
177.
A vulnerabilidade exigida como critério de elegibilidade não é só
econômica. Os beneficiários do programa Bolsa Família apresentam vulnerabilidade
social, verificada pelas equipes socioassistenciais que acompanham as famílias
beneficiárias, bem como conferem se estas estão cumprindo as condicionalidades
previstas em lei.
Com a ampliação dos critérios de elegibilidade, houve um aumento de
famílias cadastradas no CADÚNICO
178; por exemplo, o benefício de superação da
pobreza (BSP), inicialmente concedido apenas para famílias pobres que possuíam
filhos, a partir de 2013, foi estendido para todas as famílias que vivem abaixo da
linha da pobreza
179.
O valor do Bolsa Família dependerá do tipo de benefício a que a família
terá direito, bem como da sua condição de pobreza ou extrema pobreza, além de
levar em consideração a composição familiar. Assim, em se tratando de benefício
básico, o seu valor é de R$ 85,00 quando a renda per capita familiar é de até R$
85,00. Além desse benefício, existem dois tipos de benefício variável: a) para
famílias que têm como componentes mulheres grávidas, nutrizes, crianças de 0 a
177
Caso a unidade familiar não se enquadre em um desses critérios, não há que se falar em sua
inserção no cadastro do programa Bolsa Família.
178
O CADÚNICO é uma base de dados fundamental para o subsistema de assistência social, uma
vez que permite mapear as situações de vulnerabilidade social, a partir do cadastro das famílias.
179Artigo 2º-A, da Lei n. 10.836/2004, alterada pela Lei n. 12.817/2013.
12 anos e adolescentes até 15 anos – R$ 39,00 por filho, respeitando o limite de
cinco por família; b) para jovem – R$ 46,00, limitado a dois jovens por família.
Além desses critérios de elegibilidade, há que mencionar as
condicionalidades prescritas na legislação, que devem ser cumpridas sob pena, em
regra, de ser cancelada a percepção do benefício. As condicionalidades
180,
conforme já referido no tópico anterior, estão prevista no artigo 3º da Lei n.
10.836/2004. São elas: exame pré-natal, acompanhamento nutricional,
acompanhamento de saúde, frequência escolar de 85% em estabelecimento de
ensino regular para crianças e adolescentes até 15 anos e de 75% para
adolescentes de 16 e 17 anos.
Nesse sentido,
A concepção de condicionalidades adotada pelo bolsa família pode ser
entendida como uma espécie de “contrato” entre as famílias e o Poder
Público, pautado por três tipos de responsabilidades complementares. A
primeira delas seria a responsabilidade da família na garantia da
frequência escolar e no acompanhamento de saúde. A segunda seria o
compromisso do Estado na provisão dos direitos universais de educação e
saúde e na garantia de acesso a eles. O terceiro ponto seria o
acompanhamento das condicionalidades, propriamente dito, não de
maneira punitiva, voltada à suspensão dos benefícios (última etapa de um
longo processo de advertência e bloqueios temporários), mas de modo a
identificar as causas do eventual descumprimento e, assim, priorizar o
acompanhamento sócio-assistencial das famílias que nele incorrem
(CUNHA, 2008).
Essa condição constatada pelas equipes socioassistenciais, a partir da
nova instrução operacional determinada pelo Serviço de Proteção e Atendimento
Integral à Família – PAIF, permite que as unidades familiares que não cumprem
algumas condicionalidades, continuem usufruindo dos benefício do programa, sem
que sofram a penalidade do cancelamento do benefício. Isso ocorre porque “o
180