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Crit ´erios

No documento Engenharia Biológica (páginas 47-72)

Nesta secc¸ ˜ao apresenta-se a caracterizac¸ ˜ao exaustiva dos crit ´erios escolhidos para serem aplica-dos na ferramenta de selec¸ ˜ao.

Note-se que se estabeleceu o ano de 2019 como o ano de estudo para o preenchimento dos valores dos crit ´erios e na utilizac¸ ˜ao de dados na ferramenta, para todas as EG. Nos casos em que dois anos consecutivos de dados ou informac¸ ˜ao s ˜ao necess ´arios, usaram-se os anos de 2018 e 2019. Todos os

Figura 3.1:Esquema de funcionamento da ferramenta e respetivos crit ´erios a aplicar nos dois tipos de servic¸o de abastecimento de ´agua e saneamento de ´aguas residuais.

c ´alculos necess ´arios foram efetuados recorrendo a uma Folha de C ´alculo nosoftwareMicrosoft Excel.

3.2.1 Crit ´erios Vinculativos

O conjunto dos crit ´erios vinculativos difere entre os tipos de servic¸o de AA e AR, apresentando diferenc¸as nos crit ´erios a aplicar. Este conjunto ´e ent ˜ao composto por dois crit ´erios para cada tipo de servic¸o, como demonstra a figura 3.2:

Figura 3.2:Crit ´erios Vinculativos para os servic¸os de abastecimento de ´agua (AA) e de ´aguas residuais (AR).

Neste primeiro filtro da ferramenta, um subsistema ´e imediatamente selecionado caso se verifique qualquer um dos dois crit ´erios. Isto ´e, para o caso de abastecimento de ´agua por exemplo, basta que o sistema apresente gastos diretos superiores `a tarifa do sistema ou apresente abastecimentos alternativos de emerg ˆencia para ser selecionado automaticamente. Tal acontece pois considerou-se que os crit ´erios contemplados neste conjunto s ˜ao suficientemente importantes para que o cumprimento de apenas um valha que o subsistema seja estudado posteriormente.

3.2.1.A Gastos diretos

Aos gastos diretos de um subsistema referem-se os custos associados `a operac¸ ˜ao do mesmo (lamas, reagentes, transporte, energia, tratamento, etc.). A tarifa praticada ´e um valor fixo para o ano de estudo (2019) e diferente para cada entidade gestora, contemplando outros tipos de custos (viaturas, funcion ´arios, seguros, amortizac¸ ˜oes, etc.).

O c ´alculo dos gastos diretos para cada subsistema efetua-se conforme demonstrado nas equac¸ ˜oes 3.1, 3.2 e 3.3, onde:

• i = Ano inicial da amostra de dados;

• 7 = N ´umero de anos da amostra (de 2013 a 2019);

• C= Custo (e/m3);

• AA= Servic¸o de Abastecimento de ´Agua;

• AR= Servic¸o de saneamento de ´Aguas Residuais.

Gastos Diretossubsistema x=

i=2019

X

i=2013

Custo T otali(e/m3)

7 (3.1)

Custo T otaliAA(e/m3) =CT ratamento+CT ransporte+CEnergia+CReagentes (3.2)

Custo T otaliAR(e/m3) =CT ratamento+CT ransporte+CEnergia+CLamas (3.3) Considerou-se, para efeitos de c ´alculo, uma amostra de dados entre os anos de 2013 e 2019, aplicando-se a todo o universo de estudo.

3.2.1.B Abastecimento alternativo de emerg ˆencia

Este crit ´erio ´e relativo somente `a vers ˜ao da ferramenta de abastecimento de ´agua (AA). Este refere-se `a exist ˆencia de abastecimentos alternativos de emerg ˆencia, vulgarmente designados como abaste-cimento por autotanques. S ˜ao por isso considerados os subsistemas em situac¸ ˜oes que tenham sido reportados dados de abastecimento alternativo de emerg ˆencia, decorrente do levantamento feito no Grupo AdP.

Estipulou-se que qualquer subsistema onde se tenha recorrido a este tipo de abastecimento merec¸a ser estudado e por isso selecionado automaticamente neste conjunto de crit ´erios vinculativos.

A ferramenta converte os dados de entrada deste crit ´erio num formato de 0 ou 1, sendo que 1 corresponde aos subsistemas reportados por uso de abastecimento alternativo (causando a sua selec¸ ˜ao), e 0 aos restantes (de acordo com os dados mais recentes dispon´ıveis).

3.2.1.C Incumprimento normativo

Este crit ´erio ´e relativo somente `a vers ˜ao da ferramenta a aplicar nas empresas gestoras de servic¸os de saneamento de ´aguas residuais (AR).

Os subsistemas selecionados neste crit ´erio ser ˜ao os que se estiverem em incumprimento norma-tivo, ou seja, cujas ETAR no ano de 2019 se consideraram em:

• Incumprimento para os par ˆametros de desempenho definidos na legislac¸ ˜ao;

• N ˜ao conformidade face a outros Valores Limite de Emiss ˜ao (VLE) definidos.

A ferramenta converte os dados de entrada deste crit ´erio numformato de 0 ou 1, sendo que 1 corresponde aos subsistemas que estejam em incumprimento (causando a sua selec¸ ˜ao), e 0 aos que est ˜ao em conformidade nas suas licenc¸as de descarga, relativamente ao ano de 2019.

3.2.2 Crit ´erios Ponder ´aveis

3.2.2.A Considerac¸ ˜oes gerais

Tal como os crit ´erios vinculativos, tamb ´em o conjunto dos crit ´erios ponder ´aveis difere entre os tipos

de servic¸o de AA e AR, apresentando ligeiras diferenc¸as nos crit ´erios a aplicar. Este conjunto ´e ent ˜ao composto pelos crit ´erios apresentados na figura 3.3 para cada tipo de servic¸o:

Figura 3.3:Crit ´erios Ponder ´aveis para os servic¸os de abastecimento de ´agua (AA) e de ´aguas residuais (AR)

Este segundo filtro funciona de forma diferente, uma vez que o cumprimento de um dos crit ´erios n ˜ao ´e suficiente para a selec¸ ˜ao de um subsistema. Este ´e o conjunto de crit ´erios no qual se procede a uma avaliac¸ ˜ao quantitativa, normalizando depois os valores para uma escala de comparac¸ ˜ao comum, de 0 a 10. No final o resultado para cada subsistema corresponder ´a `a soma dos produtos dos valores atribu´ıdos a cada crit ´erio pela sua ponderac¸ ˜ao respetiva. Isto ´e:

Avaliac¸ ˜aosubsistema x=

n=N

X

n=1

P eson∗V alorn (3.4)

Onde:

x refere-se ao subsistema;

nrefere-se ao crit ´erio;

N refere-se ao n ´umero de crit ´erios no conjunto dos crit ´erios ponder ´aveis (sendo 5 para o servic¸o AA e 6 para AR);

Peso corresponde `a ponderac¸ ˜ao atribu´ıda a cada crit ´erio (num intervalo de 0 a 1), sendo que a soma das ponderac¸ ˜oes tem de obrigatoriamente totalizar 1;

Valor refere-se ao valor atribu´ıdo ao crit ´erio, ap ´os normalizado (isto ´e, numa escala de 0 a 10).

Da avaliac¸ ˜ao resulta um valor para cada subsistema entre 0 a 10, sendo 10 um resultado limite m ´aximo pois apenas se obt ´em no caso da pontuac¸ ˜ao atribu´ıda ser de 10 em todos os crit ´erios.

Para haver selec¸ ˜ao neste filtro ´e necess ´ario escolher um valor limite de avaliac¸ ˜ao (um limiar), a partir do qual todos os subsistemas com pontuac¸ ˜ao igual ou superior ser ˜ao selecionados. Isto ´e, imaginando escolher um limiar de valor 5, s ˜ao selecionados todos os subsistemas que apresentarem uma avaliac¸ ˜ao final dos crit ´erios ponder ´aveis de valor 5 ou superior.

A ponderac¸ ˜ao atribu´ıda a cada crit ´erio depende da vers ˜ao da ferramenta (se ´e AA ou AR), por haver n ´umero d´ıspar de crit ´erios neste filtro. Para efeitos desta dissertac¸ ˜ao, atribu´ıram-se ponderac¸ ˜oes o mais semelhantes poss´ıveis, sendo depois os valores das mesmas discutidos mais `a frente neste documento. Apresentam-se de seguida, na figura 3.4, as ponderac¸ ˜oes em percentagem usadas para cada crit ´erio, de acordo com o tipo de servic¸o prestado pela entidade gestora.

Figura 3.4:Pesos atribu´ıdos (em percentagem) a cada um dos crit ´erios ponder ´aveis, para os servic¸os de abaste-cimento de ´agua e de saneamento de ´aguas residuais

3.2.2.B Contiguidade

Este crit ´erio ´e relativo `a dist ˆancia entre as diferentes infraestruturas para cada uma das empresas.

O seu intuito ´e colocar a possibilidade de existirem duas infraestruturas suficientemente pr ´oximas para que fac¸a sentido estudar a sua eventual ligac¸ ˜ao. Por exemplo, o ganho de uma sinergia entre dois reservat ´orios de subsistemas diferentes, atrav ´es de uma ligac¸ ˜ao dos mesmos.

Note-se, contudo, que o objetivo deste crit ´erio n ˜ao ´e avaliar a exequibilidade das ligac¸ ˜oes entre subsistemas, mas simplesmente mostrar a situac¸ ˜ao atual e indicar os subsistemas que podem ser objeto de um estudo mais aprofundado.

Para a aplicac¸ ˜ao do crit ´erio da contiguidade define-se uma dist ˆancia raio, com centro nas infraes-truturas de cada subsistema, avaliando-se depois o n ´umero de intersec¸ ˜oes que surgem entre os dife-rentes subsistemas. Para melhor entendimento sugere-se uma consulta ao ap ˆendice A, que exemplifica atrav ´es de figuras o processo de aplicac¸ ˜ao do crit ´erio.

A dist ˆancia a definir ir ´a variar de EG para EG devido `a variabilidade geogr ´afica existente em Portu-gal. Naturalmente zonas do interior do Pa´ıs apresentar ˜ao maiores dist ˆancias entre infraestruturas, em oposic¸ ˜ao a zonas mais urbanizadas que estar ˜ao mais pr ´oximas (consultar figura A.2 no ap ˆendice A, onde se verificam diferenc¸as no n ´umero de intersec¸ ˜oes entre subsistemas, para um mesmo raio). A contiguidade ´e por isso um dos crit ´erios que constitui um bom exemplo da import ˆancia de adequar a ferramenta a cada empresa, de forma a obter resultados mais ´uteis.

Para as EG com atividade em abastecimento de ´agua, este crit ´erio possui ainda outra componente:

para al ´em de se avaliar a dist ˆancia entre infraestruturas de diferentes subsistemas, avalia-se ainda a proximidade dos reservat ´orios existentes dentro de um mesmo subsistema. Tamb ´em nestes se

consi-dera relevante estudar a possibilidade de ligac¸ ˜ao entre os mesmos, como oportunidade de otimizac¸ ˜ao.

Assim, ´e estipulada uma segunda dist ˆancia de forma a analisar poss´ıveis intersec¸ ˜oes dentro do mesmo subsistema, que pode ou n ˜ao ser igual `a dist ˆancia definida para a an ´alise entre subsistemas (depen-dendo dos resultados obtidos).

Para este crit ´erio a ferramenta converte os dados de entrada numformato de 0 ou 1, sendo que 1 corresponde aos subsistemas que, para o raio escolhido, apresentem pelo menos uma intersec¸ ˜ao com outro subsistema no que respeita ao tipo de infraestrutura Reservat ´orio, e 0 corresponde aos subsistemas que n ˜ao apresentem nenhuma. No caso da vers ˜ao AA da ferramenta, atribui-se ainda a classificac¸ ˜ao de 1 aos subsistemas que apresentem, para o segundo raio definido, pelo menos uma intersec¸ ˜ao entre dois dos seus reservat ´orios.

Tratando-se a Contiguidade de um crit ´erio ponder ´avel, o seu valor tem de ser normalizado de forma a cumprir a escala de 0 a 10 estabelecida. Assim, a ferramenta normaliza ainda os valores de 0 ou 1 para valores de 0 ou 10, multiplicando-os por um fator de 10. Note-se que a atribuic¸ ˜ao de valor 10 num subsistema n ˜ao o classifica negativamente neste par ˆametro, mas antes atribui-lhe um peso suficiente para que possa ser ponderado na sua eventual selec¸ ˜ao.

3.2.2.C Avaliac¸ ˜ao Funcional

Este crit ´erio funciona a par com o da percec¸ ˜ao dos operacionais, correspondendo a crit ´erios nos quais a entidade gestora interv ´em no seu preenchimento, atribuindo uma pontuac¸ ˜ao avaliativa `as suas infraestruturas de tratamento.

O crit ´erio da avaliac¸ ˜ao funcional pretende ir de encontro ao conceito do que s ˜ao os Relat ´orios de Aptid ˜ao Funcional (RAF) 1 elaborados pelas empresas do Grupo. Ou seja, pretende refletir uma avaliac¸ ˜ao feita pela entidade gestora, ponderando a condic¸ ˜ao f´ısica / mec ˆanica, de processo de trata-mento e de seguranc¸a das infraestruturas, estendendo a an ´alise destas para a totalidade do subsis-tema. Assim, pretende-se identificar os subsistemas que apresentem problemas ou limitac¸ ˜oes identifi-cadas pelas empresas, nomeadamente estruturais, processuais e de seguranc¸a.

O preenchimento deste crit ´erio ´e feito atribuindo umapontuac¸ ˜ao de 0 a 10 a cada subsistema, sendo que nesta escala se considera como 0 uma instalac¸ ˜ao em bom estado e como 10 uma instalac¸ ˜ao com uma muito fraca avaliac¸ ˜ao funcional.

Ainda que seja atribu´ıda uma pontuac¸ ˜ao de 0 a 10 a este crit ´erio (j ´a na escala de comparac¸ ˜ao comum com os restantes crit ´erios ponder ´aveis), h ´a que ter em considerac¸ ˜ao que ´e um crit ´erio sujeito a alguma subjetividade por parte da empresa que o preenche, pelo que ´e submetido tamb ´em a uma normalizac¸ ˜ao. Definiu-se assim que valores atribu´ıdos pela empresa ao subsistema inferiores a 5 n ˜ao

1Relat ´orios de avaliac¸ ˜ao das infraestruturas elaborados por todas as entidades gestoras do Grupo AdP, em resposta a um requisito legal e obedecendo a uma metodologia estabelecida.

seriam contabilizados por corresponderem `a parte positiva da escala e por isso a instalac¸ ˜oes em melhor estado, n ˜ao se considerando relevantes para a selec¸ ˜ao dos subsistemas. Para valores superiores a 5 ´e-lhes ent ˜ao correspondido um valor de dois em dois desde 0 a 10, como demonstrado na Tabela 3.1. Esta normalizac¸ ˜ao garante que apenas os subsistemas com fraca avaliac¸ ˜ao funcional s ˜ao considerados, atribuindo uma pontuac¸ ˜ao mais distribu´ıda aos mesmos e fazendo maior distinc¸ ˜ao entre as pontuac¸ ˜oes elevadas.

O valor normalizado ser ´a o valor que entrar ´a na avaliac¸ ˜ao ponderada do subsistema em an ´alise.

Tabela 3.1:Princ´ıpio de normalizac¸ ˜ao aplicado nos crit ´erios de avaliac¸ ˜ao funcional e percec¸ ˜ao dos operacionais.

Valor atribu´ıdo Pontuac¸ ˜ao normalizada

A semelhanc¸a do crit ´erio da avaliac¸ ˜ao funcional, tamb ´em o da percec¸ ˜ao dos operacionais depende` duma avaliac¸ ˜ao realizada pela entidade gestora.

Pretende-se com este crit ´erio considerar outros eventuais problemas que n ˜ao s ˜ao contemplados pela avaliac¸ ˜ao funcional. Ou seja, a avaliac¸ ˜ao das eventuais dificuldades dos operacionais que lidam diariamente com o subsistema em an ´alise. Tal acontece devido a situac¸ ˜oes ou entraves que nada t ˆem a ver com o estado de conservac¸ ˜ao das instalac¸ ˜oes do subsistema nem com o seu estado de funciona-mento, mas que podem tornar a sua gest ˜ao di ´aria problem ´atica. Tome-se como exemplo um operador de um ve´ıculo pesado que realiza a recolha de lamas e que v ˆe o seu trabalho dificultado ou at ´e mesmo impossibilitado devido a um acesso complicado ao local (muitas vezes at ´e causado por condic¸ ˜oes cli-mat ´ericas ou outros fatores externos). A instalac¸ ˜ao pode funcionar corretamente e apresentar uma boa avaliac¸ ˜ao funcional e ainda assim apresentar dificuldades e problemas aos operacionais que

diaria-mente lidam com estes.

O preenchimento deste crit ´erio ´e feito de forma id ˆentica ao da avaliac¸ ˜ao funcional, atribuindo uma pontuac¸ ˜ao de 0 a 10a cada subsistema, sendo que nesta escala se considera como 0 uma instalac¸ ˜ao com boa percec¸ ˜ao e como 10 uma instalac¸ ˜ao com uma muito fraca percec¸ ˜ao operacional.

Tamb ´em o crit ´erio da percec¸ ˜ao dos operacionais ´e sujeito ainda a uma normalizac¸ ˜ao, seguindo exatamente a l ´ogica aplicada em 3.2.2.C. Na tabela 3.1 encontra-se o princ´ıpio de normalizac¸ ˜ao usado, id ˆentico ao do crit ´erio da avaliac¸ ˜ao funcional.

3.2.2.E Problemas Hidr ´aulicos

O crit ´erio dos Problemas Hidr ´aulicos pretende identificar os subsistemas que durante um per´ıodo de tempo se revelem de gest ˜ao complexa, ou mesmo com problemas de funcionamento, muitas vezes causados pelo facto de as instalac¸ ˜oes estarem a operar na sua capacidade m ´axima, perto de atingir os seus pontos de rutura, e evidenciar com um maior valor os subsistemas onde o problema ´e mais gravoso.

Para o caso de sistemas de saneamento de ´aguas residuais, o crit ´erio est ´a relacionado com a ocorr ˆencia de aflu ˆencias invulgares (descargas indevidas nos sistemas de drenagem urbana, por via de pluviosidade intensa ou picos de consumo), enquanto que para os sistemas de abastecimento de

´agua, o crit ´erio pretende destacar os subsistemas com tipos de consumo dif´ıceis de gerir, relacionando-se com o crit ´erio de dimensionamento.

Os problemas que o crit ´erio pretende alcanc¸ar prendem-se, por exemplo, com a exist ˆencia de sub-sistemas que servem pequenas aldeias, mas que em datas comemorativas ou durante os meses de ver ˜ao, devido ao acr ´escimo de visitantes, apresentam picos nos caudais recolhidos ou exig ˆencias nos caudais a abastecer. S ˜ao subsistemas que muitas vezes funcionam corretamente e devidamente du-rante todo o ano, mas que apresentam dificuldades imensas em certos curtos per´ıodos de excec¸ ˜ao.

Para o preenchimento deste crit ´erio de problemas hidr ´aulicos ´e necess ´aria a coleta de dados relati-vos aos caudais mensais produzidos (no caso de AA) e caudais mensais tratados (no caso de AR) num per´ıodo consecutivo de 24 meses (tendo-se dado prioridade a informac¸ ˜ao mais recente, relativa aos anos de 2018 e 2019 para todas as empresas analisadas). Idealmente estes dados seriam di ´arios para maior detalhe nos per´ıodos pontuais destressnas instalac¸ ˜oes, contudo, por ser uma informac¸ ˜ao dif´ıcil de recolher para todos os subsistemas das entidades gestoras, estabeleceu-se uma an ´alise mensal.

A an ´alise realizada neste crit ´erio ´e feita atrav ´es da aplicac¸ ˜ao de v ´arios indicadores aos dados men-sais de cada subsistema. Os indicadores correspondem a r ´acios calculados, que permitem demonstrar situac¸ ˜oes limite. Na tabela 3.2 apresentam-se os par ˆametros que integram os indicadores e respetiva explicac¸ ˜ao.

Tabela 3.2:Par ˆametros pass´ıveis de integrar os indicadores testados para o preenchimento do crit ´erio de proble-mas hidr ´aulicos.

Par ˆametro Observac¸ ˜oes

Mediana Valor do caudal central para a amostra de 24 meses de dados.

M ´edia Caudal m ´edio da amostra de 24 meses.

M ´edias 3 Maiores M ´edia dos tr ˆes caudais mais elevados da amostra de 24 meses.

M ´aximo Caudal m ´aximo da amostra de 24 meses.

M´ınimo Caudal m´ınimo da amostra de 24 meses.

Qdim Caudal de dimensionamento do subsistema.

Inverno Mediana dos caudais dos 6 meses de Inverno (Novembro, Dezembro e Janeiro) dos dois anos.

Ver ˜ao Mediana dos caudais dos 6 meses de Ver ˜ao (Junho, Julho e Agosto) dos dois anos.

Com os par ˆametros apresentados na tabela 3.2 constroem-se os indicadores seguintes:

• M ´edia 3 Maiores / M ´edia;

Para cada empresa s ˜ao testados os diferentes indicadores apresentados e s ˜ao analisados os seus resultados, escolhendo no final apenas o que melhor refletir os problemas existentes nos subsistemas da empresa em estudo. Pretende-se que o indicador selecionado seja um que d ˆe origem a valores di-versificados entre subsistemas de forma a que haja uma distribuic¸ ˜ao e distinc¸ ˜ao na pontuac¸ ˜ao atribu´ıda no final da aplicac¸ ˜ao do crit ´erio.

Note-se que n ˜ao se aplica em nenhum indicador o par ˆametro ”M´ınimo”, por na an ´alise efetuada se ter considerado como pouco relevante nos resultados finais.

Aos valores obtidos dos r ´acios ´e necess ´ario aplicar uma normalizac¸ ˜ao para que sejam convertidos para a escala de 0 a 10 (compar ´aveis aos restantes crit ´erios ponder ´aveis). Contudo, para este crit ´erio n ˜ao ´e poss´ıvel definir um princ´ıpio de normalizac¸ ˜ao aplic ´avel a todas as empresas devido `a grande di-versidade de resultados obtidos, pelo que ser ´a ajustado caso a caso. Para melhor percec¸ ˜ao do princ´ıpio de normalizac¸ ˜ao apresenta-se na figura A.3, consult ´avel no ap ˆendice A, uma tabela com exemplos de resultados poss´ıveis de obter para diferentes indicadores.

Ainda que o princ´ıpio de normalizac¸ ˜ao aplicado seja adequado a cada empresa, este segue os mesmos moldes de aplicac¸ ˜ao: s ˜ao escolhidos intervalos de valores (de acordo com os valores obtidos dos diferentes indicadores) para os quais se atribui uma pontuac¸ ˜ao de 0 a 10, de forma a evidenciar os subsistemas com maiores problemas (consultar ap ˆendice A, secc¸ ˜ao A.2 para exemplos de princ´ıpios de normalizac¸ ˜ao).

Ser ˜ao depois os valores normalizados que ir ˜ao entrar na ponderac¸ ˜ao dos crit ´erios ponder ´aveis.

Este crit ´erio de problemas hidr ´aulicos ´e talvez o que possibilita maior liberdade no ajuste a cada enti-dade gestora, desde a escolha do indicador ao princ´ıpio de normalizac¸ ˜ao.

3.2.2.F Capacidade Instalada

Este crit ´erio aborda as quest ˜oes de subdimensionamento e sobredimensionamento das infraestru-turas do Grupo AdP, para o horizonte de 2050, tratando-se talvez do crit ´erio mais debatido trivialmente.

Pretende-se que o crit ´erio da capacidade instalada identifique os subsistemas que poder ˜ao revelar quest ˜oes de subdimensionamentos e sobredimensionamentos no longo prazo, sendo que apresenta diferenc¸as no seu preenchimento de acordo com o tipo de servic¸o praticado pela entidade gestora. Para os subsistemas de abastecimento de ´agua (AA) o dimensionamento ´e avaliado do ponto de vista do caudal e para os de saneamento de ´aguas residuais (AR) do ponto de vista da dimens ˜ao da populac¸ ˜ao servida, calculando-se a partir de uma raz ˜ao apresentada nas equac¸ ˜oes 3.5 e 3.6 respetivamente.

CapInstAA=Q2050

• CapInst= Crit ´erio da capacidade instalada;

• Q2050= Caudal distribu´ıdo para o ano de 2050;

• Qdim= Caudal de dimensionamento;

• P op2050= Populac¸ ˜ao servida no ano de 2050;

• P opdim= Populac¸ ˜ao servida de dimensionamento.

Entendem-se porQ2050e P op2050 os valores que se prev ˆeem distribuir (em termos de caudal) ou servir (em termos de populac¸ ˜ao) no ano de 2050, com base nos valores praticados atualmente. Os valores de Qdim e P opdim referem-se aos valores de capacidade instalada em termos de caudal e populac¸ ˜ao respetivamente, tendo sido projetados aquando da concec¸ ˜ao das infraestruturas, com base

Entendem-se porQ2050e P op2050 os valores que se prev ˆeem distribuir (em termos de caudal) ou servir (em termos de populac¸ ˜ao) no ano de 2050, com base nos valores praticados atualmente. Os valores de Qdim e P opdim referem-se aos valores de capacidade instalada em termos de caudal e populac¸ ˜ao respetivamente, tendo sido projetados aquando da concec¸ ˜ao das infraestruturas, com base

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