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5.2. A QUESTÃO DA DIVERSIDADE E DAS DIFERENÇAS NA ESCOLA: UM PROCESSO DE

5.2.4 Cruzando os dados e dialogando com a literatura

Ao cruzarmos os dados obtidos nos relatos comunicativos da professora Patrícia e das coordenadoras Jéssica e Débora, buscamos destacar alguns pontos que se aproximam (destacados em negrito) ou se distanciam ao pensar as contribuições da base teórica de Comunidades de Aprendizagem para um ensino que valorize a diversidade e as diferentes identidades. Dentre os elementos destacados como transformador na temática Comunidades de Aprendizagens tanto professora quanto coordenadoras apontam o fator transformador que a proposta de Comunidades de Aprendizagem traz à escola e às suas vidas. Além da alta expectativa em relação às crianças e à aprendizagem das mesmas. Apesar de não aparecer na fala das coordenadoras, vale destacar com base nos dados da professora que as Comunidades de Aprendizagem podem possibilitar a valorização da diversidade, a partir da participação de diferentes pessoas no espaço escolar.

Para viabilizar tal cruzamento, diferente dos itens anteriores, primeiramente apresentamos o quadro-síntese para depois dedicarmo-nos às análises, pois isto nos pareceu favorecer o acompanhamento de nossos argumentos por parte das leitoras e dos leitores. Assim, passamos ao quadro VI.

Quadro VI - Aspectos gerais das temáticas analisadas com base nos relatos comunicativos da professora Patrícia e das Coordenadoras Jéssica e Débora

Professora Coordenadoras

Temáticas Elementos

transformadores obstaculizadores Elementos transformadores Elementos obstaculizadores Elementos

Comunidades de Aprendizagem - Possibilidade de participação de todos/as envolvidos no processo educativo (professores/as, familiares, alunado, funcionários, - Falta mais envolvimento do corpo docente. - Falta momentos coletivos para aprofundar conhecimentos sobre Comunidades de - Traz transformação pessoal e profissional. - Aumenta as expectativas em relação a aprendizagem e as crianças. - Dificuldade em como proporcionar a transformação também para os/as alunos/as.

âmbitos sociais.

68 As citações em destaque referentes a Elboj, entre outros autores/as do CREA de origem européia a partir da versão em espanhol, são de tradução livre da pesquisadora.

comunidade de entorno e direção).

- Traz uma nova forma de pensar a escola e visa máxima aprendizagem a todos/as. - A diversidade enriquece a aprendizagem das crianças Aprendizagem. - Princípios difíceis de vivenciá-los. Diversidade de gênero, raça e classe

social - Altas expectativas em relação às crianças. - Percepção sobre os negros presentes na escola, reflexões e questionamentos frente a diversidade.

- A criança negra não tem sua identidade valorizada na escola. - Ainda permanece o discurso da igualdade. - Falar sobre a diversidade ainda é modismo.

- Falta formação para trabalhar com a diversidade e questão racial.

- A diversidade é um elemento positivo e as diferenças precisam ser faladas.

- Professora na escola trabalha com as diferentes culturas.

- Falta formação para trabalhar com a diversidade e a questão racial. - Falta momentos de de diálogo sobre a diversidade. - Há o discurso sobre diversidade, mas vive- se pouco.

- A diversidade é uma questão não priorizada na escola, às vezes causa estagnação.

- Para a coordenação fica difícil trabalhar tais questões. Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico- Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro- Brasileira e Africana – Lei 10.639/03 - Alei 10.639/03 é relevante na sua efetivação para a transformação.

- Falta uma formação mais aprofundada sobre a temática.

-O estudo da história ainda é limitado a datas comemorativas.

- A lei 10.639/03 ajuda a pensar uma nova forma para trabalhar o ensino de história, vai além de datas cívicas. - Fortalece a identidade negra. - Vai ao encontro da proposta de Comunidades de Aprendizagem.

Quanto aos obstáculos frente à temática, não houve uma aproximação entre o que pensa a professora e o que pensam as coordenadoras. A primeira, levanta questões bem pontuais sobre a participação dos/as colegas em relação a Comunidades de Aprendizagem e momentos para compartilhar e aprofundar estudos que contemplem a sua base teórica, além de colocar a dificuldade em viver o princípio de igualdade de diferenças. As coordenadoras apontam apenas a dificuldade em trazer a transformação também para o alunado.

Retomando idéias já apresentadas em capítulo anterior, a proposta de Comunidades de Aprendizagem, visa máxima aprendizagem para todos/as e uma convivência respeitosa, bem como, a transformação social e cultural da escola e do seu entorno. Dessa forma, constatamos com base nas falas das participantes que a proposta torna possível a mudança no pensamento e na ação das pessoas que fazem parte de uma Comunidade de Aprendizagem. No entanto, isso não significa uma mudança imediata da escola, requer

tempo, conhecimento e envolvimento por parte de todos/as os/as agentes educativos (professorado, alunado, funcionários/as, gestores/as, familiares e comunidade de entorno). É uma busca constante pela coerência, pela prática dialógica e pela transformação que implica outra forma de ser e fazer escola. Daí a importância de constantemente estar no processo de formação e avaliação sobre o trabalho numa Comunidade de Aprendizagem.

(...) toda mudança necessita de instrumentos novos e estes geralmente exigem uma formação diferente da que se tem recebido. É preciso organizar nas escolas momentos de formação e capacitação para os/as professores/as, especialmente para aqueles/as que estão iniciando o trabalho numa Comunidade de Aprendizagem. (GABASSA, 2009, p. 151)

Em acordo com Gabassa (2009), tornar-se Comunidade de Aprendizagem é sinônimo de mudança de todo o contexto escolar, o que implica formação e instrumentalização para o professorado e demais agentes educativos. Ser Comunidade de Aprendizagem é partir do princípio de que sozinho não é possível transformação e que o trabalho coletivo é o que ajuda a mover uma Comunidade de Aprendizagem, por isso, a participação dos familiares e do entorno são importantes, assim como a aceitação da proposta por parte de todos/as envolvidos/as na escola.

Outro fator importante em Comunidade de Aprendizagem que ganha destaque nas falas das participantes são os princípios que regem a aprendizagem dialógica, os quais não se dão separados, um complementa o outro e estabelece uma nova forma de relação entre escola/comunidade e as pessoas que interagem neste processo. Como já foi falado, viver os princípios da aprendizagem dialógica implica uma mudança primeiramente interna e depois externa. Através do diálogo igualitário se passa a ter outro tipo de relação, uma relação mais igualitária em que familiares e estudantes também são ouvidos e podem falar sobre a escola que desejam.

Mais que um sonho, Comunidades de Aprendizagem é uma realidade que busca transformação, a partir da inserção da família e pessoas do entorno, novas relações são estabelecidas. Com base no diálogo igualitário as interações se dão a partir de pretensões de validade. Ao dizer o que pensa sobre a educação escolar e apontar formas para a sua melhoria as relações entre escola/comunidade vão ganhando um novo sentido, uma vez que, a participação de diferentes pessoas traz diversas maneiras para analisar e resolver uma situação com base na validade dos argumentos. Todos/as têm direito ao conhecimento instrumental, assim como, têm algo a ensinar e a aprender, desta forma redes de solidariedade são formadas, tornando-se elemento da aprendizagem dialógica, por meio da qual, também se

estabelece o direito de cada pessoa fazer suas escolhas, criando-se o respeito às diferenças, na igualdade de diferenças.

“A aprendizagem dialógica se apresenta como recurso tanto para o trabalho

em sala de aula, como para as relações de organização e funcionamento da escola para garantir a aprendizagem máxima, para todos os estudantes e participantes”. (MELLO at al, 2004, p.286) Com base em Mello (ibid), a proposta de Comunidades de Aprendizagem efetiva a aprendizagem dialógica a qual oferece elementos importantes para a construção de alternativas de relações mais igualitárias entre escola/familiares/estudantes.

Comunidades de Aprendizagem, ao permitir novas relações entre escola, familiares e estudantes enriquece as interações e as aprendizagens. As atividades propostas são exemplos de que há a efetivação da aprendizagem dialógica e possibilidade de trabalho com a diversidade. Os grupos interativos, por exemplo, é uma atividade que permite a entrada de pessoas (familiares/comunidade) de fora da escola na sala de aula. São pessoas com diferentes saberes, formação escolar, hábitos, cultura, idade, etc., que entram na sala de aula para auxiliar a professora que é responsável pela turma. Os grupos interativos proporcionam uma variedade de pessoas no espaço da sala de aula, quanto mais variado o grupo, mais rica será as interações e as trocas de experiências. Por exemplo, na Comunidade Solano Trindade, já houve grupo interativo no qual havia duas estudantes universitárias, sendo uma delas negra, uma chilena e duas pessoas da comunidade de entorno o que possibilitou às crianças o contato com pessoas diferentes da sua cultura e modo de vida e conseqüentemente outras aprendizagens além das escolares.

Os grupos interativos possibilitam a prática da aprendizagem dialógica e a vivência de todos os seus princípios. Vale destacar que todos os saberes são valorizados, por isso não é preciso uma formação acadêmica para estar nos grupos interativos, porque as aprendizagens se dão de muitas maneiras. É interessante, quando uma voluntária universitária com sua formação de pedagoga, tenta explicar uma atividade de matemática para uma criança e não se faz entender, até que outra criança sentada ao lado no mesmo grupo ajuda a colega apontando os dedos das mãos e dizendo: “conta”, e imediatamente a criança realiza a atividade69. “O não saber ler e escrever se converte em verdadeira ânsia de solidariedade e

companheirismo para que todos e todas consigam aprender o máximo possível”. (ELBOJ, 2001, p. 238) Com base em Elboj (2001), as crianças nos grupos interativos aprendem o

respeito a outras culturas e com o objetivo que todo o alunado consiga os níveis de aprendizagem necessários, se constrói a base para uma educação anti-racista.

Segundo Elboj (ibid), Comunidades de Aprendizagem considera o que nos diferencia e o que nos une. O fato de sermos diferentes não pode ser considerado como um obstáculo para a luta por objetivos comuns que nos torna iguais. Ao encontro deste pensamento Freire (1992), também argumenta que as minorias podem reconhecer-se como maioria, uma vez que, o assumir-se enquanto maioria está no reconhecimento das semelhanças e não apenas das diferenças o que possibilita a unidade na diversidade.

Este é mais um desafio de tantos outros para àquelas/es que buscam uma sociedade mais igualitária. Da mesma forma, uma educação mais equânime a partir da qual todos/as poderão estar em condições de igualdade para lutar pelas mesmas oportunidades de saúde, educação, moradia e trabalho sem distinção de raça/cor, classe social, cultura, etc. Enfim estes são desafios que perpassam tanto o âmbito social quanto o educacional, viver a diversidade e o respeito às diferenças como já indicado em outros momentos não é fácil, é um desafio a todos/as, contudo há a busca de alternativas para uma sociedade mais democrática e igualitária, cabe a cada um/a de nós sempre fazermos a escolha.

A questão está em como transformar as dificuldades em possibilidades. Por isso, na luta para mudar, não podemos ser nem só pacientes nem só impacientes, mas pacientemente impacientes. A paciência ilimitada, que jamais se inquieta, termina por imobilizar a prática transformadora. O mesmo ocorre com a impaciência voluntarista, que exige o resultado imediato da ação, enquanto ainda a planeja. (FREIRE, 2006, p.48)

Dessa forma, ser uma Comunidade de Aprendizagem, não significa mudança imediata da escola e das pessoas que dela fazem parte. É um processo que exige uma paciência impaciente. É um exercício constante de avaliação interna e externa. Não é uma imposição, todos/as precisam estar de acordo. É a busca constante por coerência e por uma prática democrática.

Nesse sentido, passamos à temática da diversidade de gênero, raça e classe social. Tema que está diretamente ligado às questões até agora apresentadas e também faz parte do social, do cultural, do político e do ser histórico. Sendo assim, a diversidade também está no campo das lutas sociais, culturais e educacionais.

Analisar a diversidade sócio-étnico-cultural na sociedade e na escola significa entender, em primeiro plano, que na situação de classe agregam-se outras condições tais como: pertencimento étnico, diferenças etárias, de

gênero, geográficas, religiosas, de visões de mundo, projetos individuais, desejos, valores, experiências vividas e ressignificadas etc. As diferenças culturais encontram-se agregadas à condição de classe social, portanto não se trata de categorias que se opõem nem de categorias que possam ser substituídas uma pela outra. Existem situações entendidas como culturais que são usadas para manter certos segmentos sociais na exclusão. (CAPELO, 2003, p.108)

Portanto, gênero, raça e classe social fazem parte de uma totalidade que abarca as diferenças que muitas vezes são transformadas em desigualdades, mas não aparecem como tal. Assim, abordar a questão da diversidade e sua relação com a educação escolar significa identificar a presença ou ausência de mecanismos exclusores no interior da escola, camuflados por meio de processos ou discursos que se dizem includentes. (CAPELO, 2003)

Partindo dessa premissa, os fatores transformadores elencados a partir das falas da professora e das coordenadoras se complementam. Perceber a diversidade como algo positivo, que só tem a enriquecer as aprendizagens é um princípio básico para pensar práticas que valorizem e respeitem as diferenças de gênero, raça e classe social. Da mesma forma, enxergar no espaço escolar uma maioria negra, também se faz importante para pensar a constituição positiva das identidades e valorização da história e cultura do povo negro. Em suma, a valorização da diversidade e questionamentos frente à temática em relação à prática docente, é o primeiro passo para a percepção de outros elementos que fazem parte de uma educação anti-racista e intercultural.

Quanto aos fatores que aparecem como obstáculo para viver a diversidade no espaço escolar, as participantes aproximam suas falas, ou melhor, expressam exatamente a mesma coisa quanto à formação para trabalhar com a diversidade presente no espaço escolar e principalmente trabalhar a questão racial. Também apontam que a diversidade é muito falada na escola, no entanto, pouco se vive, há um modismo que acaba sendo seguido, mas não significa que o tema é refletido, discutido, analisado e posto em prática.

Como mencionamos em item anterior, a formação docente para a diversidade é necessária tanto no início da carreira quanto ao longo da mesma. Este é um fato que aparece em muitas falas da professora e das coordenadoras. A formação continuada dentro da temática é uma necessidade que as educadoras apontam a todo instante. Estas percebem a diversidade étnica e racial, no entanto, caem na estagnação em muitos momentos frente à temática, principalmente quando diz respeito a situações de preconceito e discriminação racial. As educadoras se vêem sem ação, o como fazer lhes persegue, apesar de relatarem algumas

experiências bem sucedidas em relação à questão racial, ainda ficam imobilizadas ao pensar práticas para uma educação anti-racista, que valorize as diferentes identidades.

A formação de professores/as para a diversidade não significa a criação de uma “consciência da diversidade”, antes ela resulta na propiciação de espaços, discussões e vivências em que se compreenda a estreita relação entre a diversidade étnico-cultural, a subjetividade e a inserção social do professor e da professora os quais, por sua vez, se prepararão para conhecer essa mesma relação na vida dos seus alunos e alunas. Assim, poderemos possibilitar momentos formadores na escola, nos centros de formação e na universidade em que estejam presentes as reflexões sobre o reconhecimento, a aceitação do outro, os preconceitos, a ética, componentes essenciais à educação. (GOMES & SILVA, 2002, p.29)

Nesse sentido, não podemos excluir da formação docente a diversidade, pois esta se faz presente em todos os âmbitos. Já pronunciamos em muitos momentos a importância da educação escolar frente à diversidade étnica, racial, de gênero, etc. Pois, entendemos que estas características fazem parte do universo humano e como tal, somos iguais, portanto, devemos compartilhar de iguais condições sociais e culturais. Com base em Gomes & Silva (2002), fica o desafio a educação escolar e mais especificamente aos educadores e as educadoras compreender melhor que o uno e o múltiplo, as semelhanças e as diferenças são condições próprias dos seres humanos, dessa forma, daremos passos significativos quando profissionais da educação reconhecer o outro como humano e como cidadão e tratá-lo com dignidade.

Portanto, tornar o espaço escolar de educação digna a todos/as é tê-lo como espaço para as diferenças, compreendendo que estas fazem parte da riqueza que é a diversidade humana e elas existem numa relação que não é sempre pacífica e amistosa, pois as desigualdades também fazem parte desta relação de forma que não podem ser ignoradas, mas podem ser dialogadas.

Não se podendo pensar em transformar a escola sem transformar a sociedade e descartando qualquer proposta reformista, faz-se necessário que seja aguçada a percepção dos educadores para o que vem ocorrendo fora da escola. Desse modo, os sujeitos engajados nesse processo poderão ter condições para avaliar, no interior da própria contradição, a possibilidade de construção de uma síntese que implique a compreensão de que a escola pode e deve mudar para responder aos desafios da realidade. (VALENTE, 2003, p.26)

Com base em Freire (1996), não podemos estar no mundo, com o mundo e com os outros de forma neutra. Precisamos sempre nos questionar frente a nossa posição a

favor de que, de quem e contra que se trabalha. “Há possibilidades para diferentes amanhãs.

A luta já não se reduz a retardar o que virá ou a assegurar a sua chegada; é preciso reinventar o mundo. A educação é indispensável nessa reinvenção”. (FREIRE, 2006, p.40)

Nessa perspectiva não consideramos a educação escolar como a salvação da humanidade, mas é caminho, meio e possibilidade. Quanto aos educadores/as estes/as são a ponte que conecta estudantes ao sistema e ao mundo da vida. Portanto, fica a opção de lutar contra as limitações do sistema e do próprio mundo da vida. Reconhecer que a escola é um dos muitos espaços que exerce práticas racistas e discriminatórias. Estes são pontos fundamentais ao pensar a formação de professoras e professores em relação à diversidade. Vivenciar uma educação anti-racista e intercultural requer reflexão, questionamento e avaliação constante dos conceitos, valores e verdades que temos enquanto pessoa que não está fora do mundo, portanto, carregada do político, do cultural, do social e do ideológico.

Diante da realidade cultural da educação e da escola brasileira e do quadro de desigualdades raciais e sociais do Brasil já não cabe mais aos educadores e às educadoras aceitarem a diversidade étnico-cultural só como mais um desafio. A nossa responsabilidade social como cidadãs e cidadãos exige mais de nós. Ela exige de todos nós uma postura e uma tomada de posição diante dos sujeitos da educação que reconheça e valorize tanto as semelhanças quanto as diferenças como fatores imprescindíveis de qualquer projeto educativo e social que se pretenda democrático. (GOMES & SILVA, 2002, p.31)

Seguimos aqui a argumentação a favor da formação dos professores/as, pois estes/as têm enquanto agentes educativos o compromisso de proporcionar uma formação digna aos/as seus/as alunos/as. Dessa forma, passamos a abordar o tema sobre as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana e a Lei 10.639/03 conforme as colocações da professora e das coordenadoras.

Ao compararmos os elementos transformadores obtidos nos relatos comunicativos da professora Patrícia e das coordenadoras Jéssica e Débora, eles se completam. As educadoras destacam as Diretrizes e a lei 10.639/03 com entusiasmo e positividade. Para as coordenadoras, a lei proporciona um novo estudo e ensino de história o qual está além das datas cívicas e livros didáticos, abarcando a cultura e história dos povos africanos, o que ajuda a pensar nas demais culturas dos povos que constituem o Brasil, como os indígenas. Para a professora a efetivação da lei tem sua validação ao transformar o ensino de história.

As coordenadoras consideram que a lei 10.639/03 fortalece a identidade negra, ao tratar da história e cultura do povo negro. Com base nas falas das participantes, consideramos que a lei 10.639/03 vem somar e contribuir para uma educação anti-racista, uma vez que, ao dedicar-se aos direitos educacionais da população negra nos leva a pensar também na valorização de todas as culturas, havendo o fortalecimento das diferentes identidades, já que a lei 10.639/03 nos ajuda a perceber que vivemos numa sociedade pluricultural e não está voltada a um etnocentrismo e tampouco a um afrocentrismo.

A relevância do estudo de temas decorrentes da história e cultura afro- brasileira e africana não se restringe à população negra, ao contrário, diz respeito a todos os brasileiros, uma vez que devem educar-se enquanto cidadãos atuantes no seio de uma sociedade multicultural e pluriétnica, capazes de construir uma nação democrática. (Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana, 2004, p.17)

Neste sentido, caímos novamente na escola como espaço de formação do