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Neste item, apresentamos falas da professora Patrícia que apontam o movimento de transformação do seu olhar sobre o ser negro, as diferenças e a diversidade na escola. Como já indicado, tanto a professora quanto as coordenadoras trazem em sua prática pedagógica momentos de valorização das identidades, assim como, da diversidade. Consideramos que o desenvolvimento deste trabalho, para a professora Patrícia,

proporcionou-lhe momentos de aprendizagem frente às questões raciais, ampliou sua prática em relação à diversidade e trouxe novos conhecimentos e questionamentos em relação à prática docente e às relações étnicas e raciais. Segue o quadro síntese que registra reflexões e questionamentos da professora em relação ao respeito às diferenças e valorização da diversidade e que dão base às nossas afirmações e análises.

Quadro VII - Relações étnicas e raciais/reflexões e questionamentos

Elementos transformadores Obstáculos

– Reflexão e atenção sobre as diferenças, tanto no espaço escolar, como fora.

– A professora se dá conta de que muitas vezes abordava temas referentes ao povo negro, apenas em datas comemorativas. – Reflexão sobre as relações entre brancos e negros, sobre as diferenças entre os mesmos e percepção de que elas existem.

– A professora aponta formas para trabalhar a temática racial.

– É importante falar sobre as relações étnicas e raciais desde o primeiro ano e dá continuidade ao trabalho nos seguintes. – É importante que as/os demais professoras/es saibam e d continuidade ao trabalhado pensando diversidade e respeito às diferenças.

– Reflexão também pessoal.

– A professora não se sente preparada para lidar com as questões raciais.

– Estagnação frente aos seus próprios questionamentos.

– Não acompanhar todo o processo da técnica do grupo de discussão.

– Etnocentrismo presente na sala de aula.

– A idéia de homogeneidade se faz presente nas relações dentro da escola e sala de aula.

– Falta a igualdade de diferenças nas relações. – Falta formação para lidar frente a situações de preconceito e discriminação.

– Ainda vivemos em uma sociedade que não sabe viver com respeito às diferenças.

– Professora precisa de mais ajuda para trabalhar com questões ligadas a diversidade e as relações étnicas e raciais.

7 elementos, 6 menções 8 elementos, 7 menções

Dentre os fatores transformadores destacamos os três primeiros elementos os quais refletem o pensamento da professora Patrícia a partir da investigação realizada na sua sala de aula. Com base em suas falas, consideramos que a professora Patrícia ficou mais atenta às suas ações diante do outro, daquele que julga ser diferente segundo o seu olhar.

(...) foi eu me policiar mesmo em relação ao que faço com as crianças e de repente das coisas que eu mesma falo, não só com as crianças, mas fora daqui ou aqui com as meninas, às vezes fazemos uma brincadeira e achamos que não tem nada a ver, é só uma brincadeira que ninguém vai ligar. E isso, que me coloquei muito a pensar, porque me relaciono bem com esse e não me relaciono bem com esse, tem alguma coisa a ver? Não tem? Com questões raciais ou com qualquer outro estereótipo dessa criança, entendeu? É porque ela é assim, ou é porque eu sei que a família dela é assim. Será que eu acho que ela é menos capaz, então isso é uma coisa, que eu particularmente comecei a pensar bastante! (§35.RC - Professora Patrícia)

Diante desta fala percebemos o quanto a professora passou a se questionar sobre suas ações em sala de aula e fora considerando as questões raciais e mesmo as diferenças e preconceitos que educadoras/es acabam criando em torno das crianças devido ao seu pertencimento étnico, racial e social. Percebeu que muitas vezes abordava temas referentes ao povo negro, apenas em datas comemorativas e que não trabalhava efetivamente a questão racial, tratando a temática com superficialidade o que acabava não contribuindo para a valorização e afirmação da identidade das crianças negras.

Inclusive da forma como eu tenho trabalhado. Pois, até então, eu cheguei à conclusão que eu nunca trabalhei essa questão porque eu falei, falei, falei, mas, eu não falei nada, entendeu? Que a gente até tentou, que fizemos, mas que nada contribuiu com as crianças, quando abordávamos o tema dos negros. Eu também às vezes cheguei a trabalhar essa coisa da abolição da escravatura, o 13 de Maio, falava, depois 20 de Novembro falava e depois nunca mais falava. (§36.RC - Professora Patrícia)

Patrícia não só se questiona e reflete sobre sua ação relacional com as crianças e outras pessoas dentro e fora do espaço escolar, mas passa, também, a refletir sobre sua prática em sala de aula, sua forma de trabalhar e abordar conteúdos sobre o povo negro. Conclui que seu trabalho era pouco diante das crianças negras que tinham um ensino de história voltado apenas a datas comemorativas. Também passa a observar mais os diferentes espaços e relacionar as diferenças raciais e sociais que existem em nossa sociedade. A partir das nossas conversas a professora expressa o quanto o trabalho desenvolvido em sua sala de aula lhe trouxe muitos questionamentos e reflexões tanto para o espaço escolar quanto o social.

(...) antes eu não me punha a pensar. É por isso que falo, é um trabalho que me fez pensar e refletir sobre isso, (...) porque ele fez várias coisas como eu falei, o que falamos, olha a feijoada, olha a capoeira, mas, puxa! Isso só não é importante! Quem come feijoada? Não é?! Se você for pensar, até esses dias eu estava pensando, mas será que quem vem de uma classe social bem alta come feijoada? Ou será que até isso não tem relação, porque assim você começa a ficar muito crítica, sabe? E aí às vezes eu falo: meu Deus estou ficando louca! Olha o que eu estou pensando! Até isso eu estou pensando! Que diferença faz se ele come ou não come. Se, é o branco, se é o negro, se é o rico, se é o pobre, mas aí, depois eu penso, faz diferença (rss) quem é que vai jogar capoeira? Esses dias quando fizemos a semana de 20 de Novembro que eu fui até o CPP conversar com o professor quando eu olhei aquela roda imensa de gente, puxa! Eu fiquei olhando quem estava ali. Eram pessoas de classe social mais simples! A maioria negra, descendente, até isso se você for pensar é diferente! Se você fosse de repente a um balé ou dança, outro tipo de dança, você ia encontrar outro tipo de população e era uma coisa que eu não tinha pensado, quando você começa a falar do assunto e ver sobre

isso, muitas coisas começam a incomodar. Não que eu saiba o que fazer com todas elas, mas elas começam a me incomodar, mas aí que fico preocupada, daí elas vão me incomodar e eu vou fazer o quê? É outra coisa que me deixa com a pulga atrás da orelha, elas me incomodam, me incomodam, me incomodam e o que eu vou fazer com isso? Vou deixar que me incomodem? (§37.RC - Professora Patrícia)

Apesar da extensão da fala, a destacamos pelo fato de expressar um pensamento que faz parte de muitos/as educadores/as. Acreditamos, também, que da sociedade em geral. Até então, a professora pouco relacionava questões étnicas com as raciais, não percebia as diferenças existentes entre brancos e negros, não observava os espaços e o lugar que cada um ocupa. O trabalho em sua sala foi um momento de descobertas, de desvelar um discurso de igualdade que mascara as diferenças e corrobora para as desigualdades. Anula as identidades e exerce mais uma prática que homogeiniza do que uma prática que valorize a diversidade.

Contudo, como explicitamos em outros momentos, ainda que não intencionalmente e sem pretensões de acabar com práticas racistas na sala de aula, acreditamos que esta pesquisa, a cada dia, foi transformando as relações, desvelando o véu do preconceito e abrindo espaço para o diálogo. Favoreceu a valorização das crianças negras, a constituição de muitas identidades e não apenas de uma identidade branca, católica e masculina. O diálogo igualitário se fez presente em todos os momentos com tensão, olhares desconfiados, receios de falas, mas a cada dia a professora, assim como as crianças e a própria pesquisadora foram se colocando e o silêncio quase ensurdecedor foi se apagando.

Voltando aos elementos transformadores frente aos questionamentos e reflexões da professora Patrícia, destacamos as falas seguintes voltadas ao trabalho em sala de aula. Mesmo diante de muitos questionamentos e dúvidas sobre o que fazer e como fazer para abordar a temática racial, a professora Patrícia aponta formas para trabalhar a temática. Coloca como estratégia de trabalho os Grupos de Discussão e pensa em pessoas que poderiam ser apoio para iniciar o trabalho ou ajudá-la a ter uma orientação.

(...) Eu fico pensando que eu tenho que ter a minha estratégia de trabalho em relação a isso, que é uma coisa que eu não sei exatamente como fazer? Mas assim, eu acho que um dos caminhos que eu pensei foi como você fez mesmo, a questão de grupos de discussão, vamos falar coisas sobre..., (...) (§39.RC - Professora Patrícia)

Como podemos observar, Patrícia ainda encontra-se em meio a confusões frente às questões da diversidade e a racial. Questiona-se a todo instante, mas ao mesmo

tempo pensa em soluções para efetivar sua prática pedagógica. Considera importante começar a falar sobre as relações étnicas e raciais desde o primeiro ano e acha importante ter uma continuidade do trabalho nos anos seguintes. Destaca também que o trabalho sobre identidade não deva ficar limitado a desenhos, pois, desta forma, fica muito restrito.

(...) eu voltei para o 1° ano e acho que o trabalho deve começar daí. Acho que já tenho que pensar, eu já tenho que saber algumas coisas para fazer a partir daí e garantir que não pare. Que as outras professoras tenham a oportunidade de saber, de viver de alguma forma. Que elas têm que continuar o trabalho desse tipo, cada uma do seu jeito talvez uma faça melhor e outra faça com mais dificuldade, mas que siga. Porque às vezes fazemos um trabalho: “Ah! Vai desenhar! Fazemos bastante..., vai desenhar, e no 1° ano desenha você como você é, no 2° ano, desenha você como você é (...)(§52.RC - Professora Patrícia)

Para Patrícia, é importante o envolvimento de todos e todas da escola e que os/as colegas saibam e sigam o trabalho pensando a diversidade e o respeito às diferenças.

(...) eu não sei ainda muito bem o que fazer com tudo isso que eu vivi nesse tempo que você ficou na sala, mas uma coisa eu tenho certeza é que em mim já cutucou e eu tenho certeza que, se cutucou em mim, eu acho que muitas coisas ainda podem acontecer, porque o que eu estava fazendo não era certo, (breve silêncio), agora eu vou ter que me organizar com tudo isso para ver quais são os caminhos que posso seguir, mas eu acho que ainda vai ter um momento para discutir isso em um grupo maior, também na escola, para que o trabalho seja mais geral, para que as pessoas também possam sentir-se cutucadas, possam sentir-se incomodadas pra que elas façam alguma coisa também diferente (...) (§50.RC - Professora Patrícia)

Diante do apresentado, consideramos que a professora Patrícia passou por um processo de auto-avaliação e reflexão da sua prática em sala de aula e, ao mesmo tempo, das suas atitudes tanto como educadora como pessoa que interage com tantas outras pessoas. A professora passou a perceber que ela é um ser que traz consigo valores, costumes, cultura, que fazem parte dela, que dizem muito sobre quem é ela e de onde vem. Da mesma forma, seus/as alunos/as são seres com traços culturais, raciais e sociais que exprime quem são. Conforme nos diz Gusmão (2003):

Nessa medida o aluno diante do professor não é somente aluno, é também o enigma que nos desafia e desafia nosso conhecimento. Assume-se, assim, que não sabemos tudo, que não detemos todo o conhecimento disponível sobre a realidade e as coisas. Por esse caminho, desloca-se o olhar e sua centralidade, para a alteridade e compreender o que cada um tem a dizer sobre si mesmo. (GUSMÃO, 2003, p.102)

A escolha de ver o outro e se ver diferente do outro, exige uma abertura para pensar o que somos e o que não somos, reconhecer o mundo do outro no nosso mundo, a vida do outro como parte da nossa vida. Significa construir pontes, abrir portas para que o espaço comum seja solidário e democrático. (GUSMÃO, 2003).

Conforme indica a professora Patrícia:

(...) quando você se coloca frente a esses questionamentos que você trouxe e que tem que acontecer é, a cabeça muda, você começa a pensar (...) Então, mas, eu acho que essa confusão é ajuda, entendeu? Foi ajuda! Essa confusão que ficou..., esses questionamentos que ficaram, acho que vou ter muita coisa para pensar ainda. Muita coisa com base no que você cutucou, com o que você deixou aqui, que ainda terei que aprender, que ainda terei que buscar para mim como pessoa dentro ou fora da escola e não só nas questões dos negros, mas acabou que levou para todos os outros lados. O que é que eu tenho feito? O que eu posso fazer? Eu acho que é um trabalho que mexe com o seu eu, seu consciente, com seus valores (...) (§46.RC - Professora Patrícia)

Trazer o diálogo sobre o ser negro e as diferenças para dentro da sala de aula favoreceu práticas dialógicas e reflexivas frente à temática abordada. Possibilitou à professora e às crianças se enxergarem no outro e perceber que a partir do outro sabemos que não somos iguais, que as identidades se formam a partir das relações com o outro e que é possível a formação e a valorização das diferentes identidades no espaço escolar. Também ajudou a perceber que cada pessoa tem o direito a ser reconhecido independentemente do espaço e posição que ocupa. Dialogar sobre as diferenças frente à diversidade causou muitas confusões à professora o que considera positivo e nós também, pois acreditamos que as confusões e as muitas perguntas que permaneceram na cabeça de Patrícia é que farão o movimento da transformação.

Quanto aos obstáculos descritos por Patrícia em relação à temática, destacamos aqueles que consideramos mais significativos frente aos seus próprios questionamentos e reflexões. Para Patrícia, sua prática em sala de aula foi falha ao pensar as questões raciais e a diversidade.

(...) eu fiquei preocupada, porque foi uma falha. Porque eu falei com as crianças, falei, falei e não falei nada. (...) Eu também não me sinto preparada para saber o que falar nessa hora quando elas falam isso. Eu vou falar, puxa! Mas você é igual a ele! Só a pele que muda. Se fosse só isso, porque se ele está ali reclamando é porque quanta coisa já não tem embutida naquela fala, quanta coisa que ele já sofreu (...) (§37.RC - Professora Patrícia)

A professora ainda demonstra sentimento de impotência em relação às diferenças presentes entre brancos e negros, afirmando que não se sente preparada para lidar com tais questões. Coloca que precisa de mais ajuda para trabalhar com questões ligadas a diversidade e as relações étnicas e raciais, seja de pessoas que estudam o assunto, seja da própria Secretaria da Educação.

Com base nas falas da professora, o etnocentrismo ainda está presente na sala de aula, o desejo pelo modelo branco, masculino e europeu é manifestado pelas crianças desde muito cedo e a idéia de homogeneidade também se encontra nas relações dentro da escola e sala de aula. Fala-se muito sobre o respeito às diferenças e a diversidade, mas se vive e se pratica muito pouco. Ainda vivemos em uma sociedade que não sabe viver com respeito às diferenças, falta à igualdade de diferenças nas relações sociais, raciais, étnicas, etc, dessa forma, as crianças expressam o desejo de serem aceitas e respeitadas.

A Professora considera ridícula a necessidade de uma lei sobre racismo, a qual determina que qualquer ação preconceituosa à pessoa negra, a pessoa agressora será presa; acredita que as pessoas deveriam todas se respeitarem, uma vez que somos todos humanos e nessa condição temos o direito de sermos respeitados dentro das nossas diferenças.

(...) Para os professores que estão mais ligados com as crianças, das próprias crianças, o quanto é serio algumas coisas que elas fazem. Algumas atitudes que tomam, o quanto as pessoas precisam aprender sobre isso, o quanto ainda se tem falado dessa questão, e até uma lei, que eu vou ser sincera com você, que eu acho ela de certa forma ridícula, se você ofende uma pessoa negra, se você demonstra algum tipo de preconceito você pode ser preso, eu acho ridícula porque todos deveriam saber que deve respeitar e que você não vai respeitar porque se você não respeitar você será preso, mas você deve respeitar porque é uma pessoa também, não é! Então eu acho que é fundamental, é grande o trabalho. É humano e acho que as pessoas precisam querer! Precisam se abrir para isso e precisam quebrar coisas delas mesmas, entendeu? (§45.RC - Professora Patrícia)

Diante de tantos questionamentos, reflexões e apontamentos, acreditamos na relevância de estudos mais voltados às questões da diversidade, respeito às diferenças e principalmente sobre as relações raciais dentro do espaço escolar. Como é possível constatar com base nos dados e na literatura apresentada, estas temáticas ainda ficam a cargo do professorado, da sua sensibilidade e vontade, enquanto as crianças negras não se vêem no espaço escolar e as diferenças em muitas situações não são respeitadas. Também ressaltamos a necessidade da formação docente para trabalhar com as diferenças e de uma formação que

esteja voltada a um trabalho coletivo, que pense junto com o professorado formas para desenvolver práticas anti-racistas e respeitosas dentro da sala de aula e no contexto escolar.

A escola não é o único espaço de relações sociais, no entanto, é um dos espaços que mais reúne a diversidade e que muitas vezes não sabe fazer uso dela para potencializar as aprendizagens e o respeito às diferenças. Como vimos, pautadas na fala da professora Patrícia, bem como das coordenadoras Débora e Jéssica, a Comunidade de Aprendizagem Solano Trindade busca formas para alcançar uma educação mais igualitária e democrática. Da mesma forma, a professora Patrícia busca ações para potencializar o seu trabalho frente à diversidade e saber lidar com as diferenças de forma a não excluir, mas garantir a todas as crianças igual condição de educação com qualidade que valorize e dialogue com as diferenças.

Com base na literatura apresentada com uma perspectiva de dialogicidade e de possibilidade de transformação no espaço escolar, acreditamos que o relato da professora Patrícia e suas reflexões demonstram que é possível buscar alternativas, mesmo diante dos obstáculos que não deixam de existir seja burocrático seja social. Como argumenta Freire, não estamos fora do sistema e do mundo da vida, assim, imersos no cultural, no histórico, no social, no ideológico nos condicionamos a práticas racistas e a negar o outro. Contudo, o estar com o outro, dialogar de forma igualitária, enxergar as diferenças nos possibilita a busca de relações mais igualitárias e respeitosas.

O mundo não é. O mundo está sendo. Como subjetividade curiosa, inteligente, interferidora na objetividade com que dialeticamente me relaciono, meu papel no mundo não é só o de quem constata o que ocorre mas também o de quem intervém como sujeito de ocorrências. (FREIRE, 1996, p.77)

Nesse sentido, a professora Patrícia se coloca no mundo e com os outros, passa a questionar sua prática, atitudes e mesmo seus valores frente a seus/as alunos/as. Desse modo, a professora entrou em um profundo processo de auto-avaliação e conhecimento durante a pesquisa, ao ter com quem dialogar. A professora se colocou frente ao diferente, passou a percebê-lo e não apenas porque havia uma pessoa lhe dizendo que deveria fazê-lo. Mas porque foi um processo de diálogo, de muitas conversas de como são as relações entre brancos e negros e que, por exemplo, há diferença em chamar uma criança branca de macaca e em chamar uma criança negra, pois ganha outra dimensão ao se tratar de uma criança negra, uma vez que, as representações são outras. E o que parece ser uma simples brincadeira pode marcar a vida de uma pessoa.

Dentre tantas falas da professora, algo que ganha destaque é o como fazer e o

sozinha acho que não dou conta. Em todos os momentos de conversa sobre as questões raciais e da diversidade a professora Patrícia sempre demonstrou muita preocupação com estes dois aspectos. Sendo estas duas questões centrais que resumem as demais e representam