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3 A PROVA BRASIL NO CONTEXTO ESCOLAR

3.5 O currículo imposto pela Prova Brasil

A concepção de currículo é abrangente, não se restringindo aos conhecimentos transmitidos. Quando tratamos de currículo supomos também que este se trata das experiências vividas na escola, a organização escolar, o conjunto das matérias, os conhecimentos culturais dos diferentes grupos presentes no espaço escolar (pais, alunos, professores, funcionários), a matriz curricular, as indicações metodológicas adotadas no desenvolvimento dos conteúdos, a avaliação, etc.

Na proposição de uma avaliação externa como a Prova Brasil, há a validação de um currículo prescrito através das Matrizes Curriculares, que são seguidas e disseminadas nas escolas.

mais evidente no ensino obrigatório, é a sua própria definição, de seus conteúdos e demais orientações relativas aos códigos que o organizam, que obedecem às determinações que procedem do fato de ser um objeto regulado por instâncias políticas e administrativas. (SACRISTÁN, 2000, p.109)

Partindo desse pressuposto, a avaliação externa implica em modificações no currículo escolar, pois nota-se que o trabalho pedagógico vem sendo modificado, ou seja, a Prova Brasil impõe aos professores um trabalho diferenciado em prol dos alunos se saírem bem nos testes. Mesmo as professoras que se mostram contrariadas com a maneira pela qual a Prova Brasil interfere no cotidiano escolar, acabam treinando seus alunos e trabalhando as questões da prova em aula.

“Eu acho que a gente trabalha a serviço de. Antes eu trabalhava a aprendizagem dos meus alunos e ia seguindo os conteúdos, e era aquilo que eu tinha que minimamente preencher. Agora não, agora eu tenho que trabalhar a serviço da Prova Brasil. Eu tenho que trabalhar questões da Prova Brasil, eu tenho que trabalhar diagramação, o formato. Antes eu trabalhava em função do conteúdo, agora eu trabalho em função do conteúdo em particular o que cai na Prova Brasil. (Professora 1)

“Só os conteúdos a seguir que a gente recebe e aí a gente ta trabalhando mais em cima daquilo. E agora a gente vai trabalhar mais em cima das habilidades relacionadas à Prova Brasil.” (Professora 2)

“Antes dava pra aprofundar mais com a criançada de 5° ano, agora ta muito defasado. A gente tem que passar o conteúdo porque vai cair na Prova Brasil e a gente não tem tempo então a gente acaba dando uma pincelada muito rápida.” (Professora 3)

“As pessoas focam naquelas questões que é uma coisa que não muda, e infelizmente o professor acaba focando só naquilo”. (Professora 4)

De acordo com a fala das professoras entrevistadas fica claro como a prática pedagógica do 5° ano subordina-se à Prova Brasil, no ano em que ela é realizada. A avaliação atua como uma pressão modeladora da prática curricular, ligada a outros agentes, como a política curricular, o tipo de tarefas nas quais se expressa o currículo e o professorado escolhendo conteúdos ou planejando atividades. (Sacristán, 2000)

Uma das professoras evidenciou, durante a entrevista, que os alunos mais fracos são retirados da sala no dia da prova:

“Geralmente a gente faz um acordo, a gente não pode pedir pra faltar, mas também não precisa entrar na sala, porque daí não vai subir nunca, né? Não sabe ler, não sabe escrever, não sabe nada, aquele aluno não participa”.(Professora 3)

A esse respeito vale salientar aqui que:

Os alunos com problemas de comportamento, ou com dificuldades de aprendizagem, tenderão assim a ser excluídos de algumas escolas porque podem afectar a imagem social destas organizações ou, ainda, porque podem sobrecarregar os recursos humanos e materiais disponíveis. Deste modo, o aumento da competição escolar, acompanhada da publicação de indicadores de rendimento ou quaisquer outros, tenderá a afectar a definição dos objetivos da escola` (AFONSO, 2005, p. 90 Grifos do autor)

Assim, a avaliação externa, não proporciona a tão divulgada melhoria na qualidade do sistema educacional, ao contrário, aumenta a desigualdade através de uma exclusão intraescolar.

As escolas municipais de Jacareí não contam com um Projeto Político Pedagógico, o mesmo, por conta das exigências do PAR, será elaborado até 2014 com a colaboração da Secretaria Municipal de Educação. Assim, o documento que norteia as atividades da escola é o Plano Escolar, onde as metas para cada ano letivo são traçadas. Ao serem questionadas sobre se há nesse plano metas referentes ao aumento do IDEB, ou à própria aplicação da Prova Brasil as professoras não souberam responder. “O documento Plano Escolar, é um documento pra inglês ver, ele não é vivo”. (Professora 1)

Da mesma forma, nenhuma das professoras sabe ao certo de quais concepções a matriz curricular é desenvolvida, acreditando que um grupo de especialistas da secretaria municipal de educação elege quais conhecimentos farão parte da mesma. Sobre isso uma das professoras fez o seguinte comentário:

“Quem será que escolhe os conteúdos pra esse ano? Sabe porque aquela planilha. A planilha, no conselho eu falei que eu não aceito essa comparação do número de habilidade pela nota do conselho, porque no 5º ano tem por exemplo umas 5 habilidades fundamentais que a criança tinha que saber. Ele tem que ser bom no que é pertinente pro 5º ano, ele não tem que ser bom no gugu-dada. Aí ele tem 10 habilidades, agora as fundamentais do 5º ano ele não tem. E você vai dar 5 pra ele? Não vai.”

(Professora 1)

Então, o que se verifica é que a organização curricular não conta com a participação dos professores, mesmo considerando que são eles os dirigentes do processo pedagógico. Nas palavras de Gimeno Sacristán (2000):

A ordenação e a prescrição de um determinado currículo por parte da administração educativa é uma forma de propor o referencial para realizar um controle sobre a qualidade do sistema educativo. O controle pode ser exercido, basicamente, por meio da regulação administrativa que ordena

como deve ser a prática escolar, ainda que seja sob a forma de sugestões,

avaliando essa prática do currículo através da inspeção ou por meio de uma

avaliação externa dos alunos como fonte de informação. (GIMENO

SACRISTÁN, 2000, p. 118. Grifos do autor).

Atualmente o que norteia a escolha dos conteúdos que serão trabalhados com o 5º ano é uma planilha (ANEXO III) que é enviada para as escolas bimestralmente onde estão os conteúdos a serem trabalhados e que seguem basicamente a Matriz de Referência da Prova Brasil. A cada conteúdo trabalhado em sala de aula, a professora avalia o aluno colocando um X se a habilidade/descritor foi desenvolvido pelo aluno.

Comparando as planilhas enviadas às escolas com as Matrizes de Referências da Prova Brasil já apresentadas é notável que o currículo prescrito na Rede Municipal de Educação de Jacareí está reduzido, incorporando todos os descritores exigidos pela Prova Brasil, com pequenos acréscimos de outros conteúdos.

Outro ponto que chama a atenção é que essas planilhas são entregues aos professores bimestralmente, impedindo que os mesmos tenham noção da continuidade dos conhecimentos que deverão ser desenvolvidos por seus alunos. Ademais, as planilhas só existem para as disciplinas de Português e Matemática, clarificando que são prioritárias no âmbito da sala de aula, por se tratarem das disciplinas cobradas pela Prova Brasil.

Quando perguntado às professoras se estas sabem se as Matrizes de Referência da Prova Brasil estariam contempladas no currículo, três professoras disseram que “não sabiam” e apenas uma respondeu que:

“Eu acredito que sim porque além do número da habilidade tem uma letrinha: descritor 16, descritor..., então esses indicadores são indicadores de que tá em algum outro ligar também. Na HA falam descritor da Prova Brasil, mas eu nunca li o documento onde estão.” (Professora 1)

Na análise das planilhas fica evidenciado que o currículo prescrito contempla os conhecimentos exigidos na Prova Brasil. Na entrevista, as professoras comprovam que houve modificações curriculares em função da Prova Brasil:

“Sim, porque elas estão lá. Antes não tinha essa letrinha D, essa coisa descritor, descritor...” (Professora 1)

“Eu acho que não, né?” (Professora 2)

“Esse ano os conteúdos foram montados bem em cima da Prova Brasil, foi bem elaborado. Eles mandam o conteúdo depois vem a planilha pra gente preencher o que os alunos atingiram ou não. Uma vez a cada bimestre a gente entrega a planilha.” (Professora 3)

“O grande problema é que um ano é de um jeito e no outro é de outro. Não há necessidade de focar aquilo em detrimento de outras coisas. O grande problema é que treina-se e mais nada.” (Professora 4)

Ao mesmo tempo em que participam de formações na Secretaria Municipal de Educação para a realização da Prova Brasil com ênfase nos descritores e habilidades que caem nesta prova, a serem desenvolvidas com os alunos, as professoras trabalham questões da Prova Brasil em sala de aula, realizam simulados com os alunos e demonstram uma grande preocupação com o nível de conhecimentos deles, as professoras entrevistadas não se sentem pressionadas a elevar o nível do IDEB da escola. Isso evidencia que

[`] a prática docente tem reguladores externos aos professores, embora atuem por meio deles configurando a forma que o exercício de sua prática adota. Esta não pode ser explicada pelas decisões dos professores, pois se produz dentro de campos institucionais e de códigos que organizam o desenvolvimento do currículo com o qual toda a prática pedagógica está tão diretamente envolvida. A estruturação ou forma do currículo e seu desenvolvimento dentro de um sistema de organização escolar modelam a prática profissional do professor, configuram um tipo de profissionalização institucional e curricularmente enquadrada. (GIMENO SACRISTÁN, 2000, p. 87)

Segundo as professoras, na própria escola, durante as Horas Atividade (HA) não há nenhum tipo de debate a respeito da Prova Brasil, as orientações pedagógicas ficam limitadas à preocupação com a elevação do IDEB e se restringem aos conselhos de classe do 5º ano em que somente participam as

professoras dessa série, a orientadora pedagógica e a diretora da escola.

Quando perguntadas se trabalham com seus alunos questões da Prova Brasil percebe-se que essa prática faz parte do planejamento escolar das professoras, com maior ou menor intensidade.

“Preparo. Com modelos das provas anteriores. Eu acho que a cada 15 dias. Umas duas vezes por bimestre eu faço provas com questões da Prova Brasil.” (Professora 1)

“Trabalho. Eu vejo as atividades que tem, explico melhor, dou a definição, dou bastante atividades pra eles”. (Professora 2)

“Sim. Todos os dias. Hoje dou uma folha de Língua portuguesa, explico pra no final, disso tudo ensinar o que é pior: o preenchimento do gabarito. A prova bimestral é só com questões da Prova Brasil”. (Professora 3)

“Trabalho algumas vezes por semana”. (Professora 4)

Uma forte tendência é utilizar as Provas Brasil de anos anteriores e aplicá-las em sala de aula até mesmo como instrumento de avaliação das aprendizagens dos alunos durante o ano letivo. Isso ficou evidenciado quando na entrevista, as professoras responderam se realizavam simulados com os alunos.

“Sim. Eu mesma preparo, são as provas bimestrais, né. Mas esse ano em particular eu peguei uma turma terrível de comportamento e de aprendizagem, entendeu? Não consigo cumprir os conteúdos. Por isso eu acho que a secretaria tem que fazer apostila pra perceber quanto tempo eu gasto com cada habilidade.” (Professora 1)

“Ainda não fiz mas vou fazer.” (Professora 2)

“Faço. Um por bimestre. A prova bimestral.” (Professora 3)

“Vou começar a fazer. Até o final do ano eu pretendo fazer atividades semanais, eu quero que eles se acostumem com essa dinâmica de pensar”.

(Professora 4)

Por outro lado, quando perguntadas se houve diferença na aprendizagem de seus alunos depois da implementação da Prova Brasil, respondem:

Eu não acho que acrescentou, eu acho que só mudou o foco. Ao invés de eu ficar ensinando de uma maneira qualquer eu ensino fração, visando que a formatação da Prova Brasil vai pedir aquilo, entendeu? Não acho que mudou, eles mudaram o conteúdo para servir a Prova Brasil. O conteúdo tá ali, de 5º ano mesmo, mas a formatação, o que tem no livro, nos livros, nas atividades comuns que a gente dá, não é a formatação da Prova Brasil. As atividades não vêm naquela formatação de colunas, com alternativas. Então

você muda. (Professora 1)

Não. De jeito nenhum. Acho que cada ano tá ficando pior. (Professora 2) Deu uma melhorada. No meu caso, trabalho a Prova Brasil, eu xeroco toda a prova anterior e vou trabalhando e assim, eu vejo mais interesse, eles vão estudando mais, procurando saber mais, a prova tem todo um interesse por trás também. (Professora 3)

Não acho. Acho que houve piora inclusive. Por exemplo, aqui em Jacareí se você pegar o conteúdo do 5º ano do ano passado pra esse, esse tá raso. Os conteúdos desse ano estão extremamente rasos. Eu acho o conteúdo pouco, tudo bem que tem a forma que você trabalha, mas ele tá muito raso.

(Professora 4)

Percebe-se que a não participação das professoras na análise do currículo prescrito faz com que elas se tornem meras reprodutoras de conhecimentos pré- estabelecidos por técnicos da Secretaria de Educação. Segundo Gimeno Sacristán (2000):

A necessidade de entender o professor necessariamente como um profissional ativo na transferência do currículo tem derivações práticas na definição dos conteúdos para determinados alunos, na seleção dos meios mais adequados para eles, na escolha dos aspectos mais relevantes a serem avaliados neles e em sua participação das condições de contexto escolar. O professor executor de diretrizes é um professor desprofissionalizado.” (GIMENO SACRISTÁN, 2000, p. 169)

Outro ponto em relação aos conteúdos a serem trabalhados em sala de aula por exigência das Matrizes Curriculares da Prova Brasil é a falta de autonomia do professor para decidir o que os seus alunos têm condições de aprender naquele momento, ou então do próprio professor dominar estratégias e conhecimentos para poder desenvolver em seus alunos as habilidades propostas. Perguntado às professoras se haveria algum descritor da Prova Brasil que deixaria de trabalhar em sala de aula por considerá-los incoerentes com o 5º ano, as respostas foram:

“Eu acho que pra eu identificar um descritor como desnecessário eu tenho que saber mais do que ele, mas eu acho que não posso dar menos. Se aquilo está lá, alguém elegeu que tinha que estar lá, alguma função ele tem. Eu nunca elegi um conteúdo ou uma habilidade que é da Prova Brasil por achar demais. Eu acho que a escola está de menos.” (Professora 1)

“Eu acho que tem que ser trabalhado tudo. Todo mundo está no 5º ano, então nós temos um currículo. Ele tem que ter condições se é que ele entendeu o que a gente ensinou.” (Professora 2)

da geometria, que a gente tá tendo aula para a criança saber entender. Porque a gente tá vendo pelos descritores essas partes, mas o livro que a gente recebe, a explicação é outra, então é tudo muito confuso. Se cair muito disso na Prova Brasil, não sei o que vai acontecer. É aquilo que eu te falei: tem criançada que chega no 5º ano que eu não sei como que tá chegando. E esse ano tem duas provas, depois da Prova Brasil, logo tem o SARESP. Eu acho muita coisa pra realidade de agora.” (Professora 3)

“Tem alguns descritores que você trabalha um pouco mais devagar.” (Professora 4)

Além disso, à pergunta: “Você acha que os conhecimentos apresentados na Prova Brasil são adequados para o 5º ano? Por quê?”, as quatro professoras assim respondem:

“Eu não acho que é de menos, eu acho que falta tempo para desenvolver aquilo, porque a Prova Brasil, por exemplo, não pede se a criança emite opinião, se ela lê com fluência, se ela escreve corretamente, então existem algumas habilidades que não precisavam estar no conteúdo da rede.”

(Professora 1)

“Acho que sim porque eu acho que tá dentro do que se espera, o mínimo que se espera de uma criança que fez cinco anos de escola.” (Professora

2)

“São adequados. São as crianças que não são adequadas para eles. O problema tá sendo esse. Com a inclusão, eu tenho uma inclusão, aí tem que dar atenção, aí no decorrer do seu trabalho você descobre que não é só uma inclusão, aquele lá tá com laudo, mas tem uns 5 ali sem laudo. Então o nosso trabalho tá dificultando cada vez mais. Aí você apresenta a Prova Brasil, Nossa Senhora, é pra morrer, a criançada fica que fica.”

(Professora 3)

“Me parece que a geometria no 5º ano não tem sentido.” (Professora 4)

Quanto à pergunta: “A matriz curricular contempla outros conhecimentos que não sejam descritores da prova Brasil?”, as professoras se manifestam da seguinte forma:

“Eu acredito que a matriz da rede trabalha a serviço das provas institucionais porque ela pede habilidades que eu não trabalhei antes. Como eu disse pra você, eu não vejo essa gradatividade de dificuldades, né? Então, agora eu não to mais na parte de coordenação mas eu acho que tem que ser uma linha pra você cobrar fração aqui, no 4º ano você tem que ter alguma coisa, no 3º alguma coisa, no 2º alguma coisa, no 1º alguma coisa e na pré-escola alguma coisa, então, eu não enxergo essa linha. Então eu sei que tem que trabalhar descritor, mas o 4º ano tem descritor? O 3º ano tem descritor? O 2º ano tem descritor? A complexidade devia ser menor, mas tem que estar ali, porque o conteúdo é o mesmo, então eu acho que poderia ter... Se não existisse Prova Brasil eu trabalharia diferente? Acho que sim. Trabalharia mais a serviço da aprendizagem do aluno? Acho que sim. Não

que eles não estejam aprendendo, ele está aprendendo, mas o meu foco não é ele. O foco é fazer com que ele aprenda as coisas da Prova Brasil pra ter um bom resultado que envolve dinheiro, envolve índice que se cair não vem dinheiro não sei de onde. Se o Brasil tiver uma nota feia o fundo monetário vai pensar mal do Brasil, e o dinheiro que tá gastando do PIB, tá fazendo o quê? Não é falta de dinheiro. É falta do bom uso da aplicação do dinheiro. (Professora 1)

“Não sei.” (Professora 2) “Não.” (Professora 3)

“Tem.” Pedi para exemplificar “Aí você me pegou.” (Professor 4)

Esse capítulo procurou mostrar como a Prova Brasil vem ocupando um lugar significativo no espaço escolar. A partir do momento em que a rede municipal adota uma planilha, que tem como referência curricular a matriz da Prova Brasil, isso reforça que a noção de qualidade educacional está circunscrita ao desempenho do aluno em leitura, escrita e resolução de problemas, consequência disso é o reducionismo curricular.

Outro ponto importante a ser observado refere-se ao trabalho docente que parece estar a serviço das avaliações externas, não por opção das professoras, mas pela lógica criada a partir do uso das planilhas e das formações em serviço voltadas para os conteúdos apresentados na Matriz de Referência da Prova Brasil.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Tendo em vista compreender qual é a percepção dos professores sobre a Prova Brasil e sobre os resultados do Ideb e como essa compreensão se reflete no currículo do quinto ano do ensino fundamental I, o estudo aqui apresentado identificou que na escola pesquisada os professores são induzidos a definir sua metodologia de trabalho a partir da lógica das avaliações externas. Essa indução se dá através da planilha utilizada como currículo prescrito e das formações voltadas para os descritores da Prova Brasil.

Cabe aqui retomar a informação de que o SAEB, inicialmente, era amostral e, portanto não permitia a comparação entre alunos, escolas, municípios. A ideia era de essa medida política visava integrar e compor dentre outros indicadores, evidências do desempenho dos alunos. Os resultados permitiam a reformulação das políticas educacionais. O SAEB sofreu gradativamente reformulações e a primeira delas foi a criação dos exames, não mais amostrais, por meio do seu desdobramento em Aneb e Anresc.

A Prova Brasil passa a ter uma penetração no âmbito não só das gestões municipais, mas das escolas propriamente ditas, o que o Saeb, na sua configuração inicial não permitia. Então ela demarca uma alteração bastante substantiva, no sentido de que os resultados tenham maior potencial de induzir alterações no trabalho escolar. Embora o próprio Saeb tenha coleta de outras evidências além dos resultados de desempenho de alunos é bom lembrar que isso não tem tido o devido tratamento no momento de discussão da qualidade da educação básica.

Os dados apresentados comprovam a hipótese inicial deste trabalho de que não há discussão, no interior da escola, a respeito da Prova Brasil, que assume um caráter mais técnico, desencadeando o controle do currículo e das práticas pedagógicas.

A ênfase nos resultados dos desempenhos dos alunos, com aporte em dados quantitativos interpretados, usualmente, de forma descontextualizada, sem análise dos fatores que condicionam tal e qual resultado em cada contexto escolar, faz com

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