8 OS PROGRAMAS E CONTEÚDOS DO CURSO SUPERIOR DE GUERRA
8.1 O Curso de 1954
O Currículo do Curso Superior de Guerra para o ano de 1954 traçava como objetivo para o seu 1º Período, de “feição doutrinária, o estudo dos fundamentos da segurança nacional e da técnica de formulação de um Conceito Estratégico Nacional117”, tendo sido dividido em três ciclos distintos: o primeiro, de introdução ao Curso Superior de Guerra; o segundo, focado na Doutrina de Segurança Nacional; e o terceiro, que tratava da Técnica de Planejamento para a Segurança Nacional. (ESG, 1954a, p.3)
Usando o currículo do ano de 1954 como parâmetro para o entendimento de como funcionava o Curso Superior de Guerra, no seu 1º Período, chegamos aos seguintes estágios, aqui denominados “ciclos”:
a) O I Ciclo, Introdução ao Curso Superior de Guerra, tinha por finalidade “fornecer aos Estagiários os conhecimentos básicos indispensáveis à compreensão do trabalho da Escola e de seu Curso Superior de Guerra”, disponibilizando informações sobre o funcionamento da ESG e o desenvolvimento de suas atividades para aquele ano, bem para orientar como funcionaria o Departamento de Estudos e os métodos de trabalho
117 Tida por Golbery como a “diretriz fundamental” norteadora da estratégia nacional tendo por foco a realização
inerentes ao Curso Superior de Guerra, expostos em conferências constantes no cronograma (ESG, 1954a, p.5-6).
b) O II Ciclo, Doutrina de Segurança Nacional, tinha por objetivo dar “aos Estagiários os conhecimentos doutrinários básicos, indispensáveis ao estudo dos problemas de Segurança Nacional”, possibilitando assim que compreendessem o conceito de Segurança Nacional então vigente e de sua significação para a vida da Nação. Além disso, visava fornecer os meios necessários ao entendimento dos aspectos inerentes ao conceito de Poder Nacional, ao conceito de Guerra Total – inclusive a “Guerra Fria” – e seus princípios estratégicos, além do problema da mobilização nacional, em seus distintos aspectos (ESG, 1954a, p.11-12).
c) O III Ciclo, Técnica de Planejamento para a Segurança Nacional, tinha por finalidade dar aos Estagiários “o conhecimento da técnica de formulação de uma política de segurança nacional”, permitindo que absorvam a “ideia do planejamento governamental, o domínio do Conceito Estratégico Nacional” e de como seria formulado. Além desses, também o conhecimento dos meios de concepção das “Diretrizes Governamentais e o estudo de noções fundamentais sobre Áreas Estratégicas e os estudos estratégicos de áreas, por meio de conferências e um debate especial” (ESG, 1954a, p.51-52).
Para o seu 2º Período, denominado “Análise da Conjuntura: Introdução e Conjuntura Internacional”, o Curso Superior de Guerra de 1954 determinava, para o seu IV Ciclo, “atualizar e sistematizar, do ponto de vista da Segurança Nacional, os conhecimentos dos Estagiários sobre a Conjuntura (Internacional e Nacional)”, capacitando-os, inclusive, à realização de reajustes ao “Conceito Estratégico Nacional formulado em 1953” (ESG, 1954b, p.1).
O Ciclo IV do 2º Período do ano de 1954, exposto por meio de debates e conferências, compreendia:
d) A “formulação dos Objetivos Permanentes, à luz dos quais deverá ser feita toda a análise da Conjuntura”;
e) O entendimento da Conjuntura Internacional, compreendendo a análise “dos panoramas mundial, continental e sul-americano da atualidade”;
f) O entendimento da Conjuntura Nacional, mediante a apreciação dos seus aspectos “geográficos, psicossociais, econômicos, políticos e militares”. (ESG, 1954b, p.1-2)
Os pontos a debater inerentes ao Ciclo IV eram explicitados em uma longa relação de elementos que se pretendiam resumir em um único tópico denominado “aspirações e interesses nacionais (Objetivos Permanentes do Brasil)”, os quais se voltavam para o entendimento da “formação de uma consciência nacional, através da evolução histórica do povo brasileiro”. Os assuntos ali expostos eram:
O reconhecimento e a afirmação progressiva de aspirações e interesses de ordem interna e externa – o sentimento da unidade nacional, as tendências desagregadoras do regionalismo118, as reações centralizadoras e o equilíbrio da fórmula federativa; o nativismo, o espírito de independência política e o ideal de independência econômica; as ideias republicanas e o liberalismo econômico, a cooperação entre classes, o paternalismo estatal e o bem-estar social, o dirigismo econômico; a consciência da soberania nacional e a tese da igualdade jurídica dos Estados no concerto mundial; o dever da manutenção da integridade territorial e a tradição da solução pacífica dos conflitos internacionais; a projeção continental do Brasil e os interesses nacionais nas bacias do Amazonas e do Prata; o pan-americanismo e a compreensão das afinidades entre o Brasil e os EUA; a projeção mundial do Brasil – posição no âmbito das organizações internacionais e em face de conflitos mundiais; os destinos atlânticos do Brasil, ressaltando, em particular, a expressão desses interesses e aspirações através das Cartas Constitucionais brasileiras e da definição de atitudes ou compromissos assumidos no campo internacional (ESG, 1954b, p.7-8).
Além desses pontos, o Ciclo IV propunha-se a debater os Objetivos Permanentes e, sua ordem interna e externa. Indo para a análise da Conjuntura Internacional, dentro da perspectiva de um “Panorama Mundial da Atualidade”, os pontos que seriam alvos de debate:
a) “O antagonismo entre o Ocidente e o Oriente”, percebido diante do “processo de polarização” entre os EUA e a Rússia; “os blocos ocidental e oriental, seus componentes, elementos de força e vulnerabilidade, dissensões internas; perspectivas de evolução”.
b) “O sistema mundial de segurança coletiva (ONU), em suas características, significação e realizações efetivas; e a atitude dos países sul-americanos, em particular o Brasil”;
118 Assunto sobre o qual Golbery voltaria a tratar na conferência ã ESG de 1981, sob o título de Sístoles e
c) Uma “síntese das principais tendências e aspectos políticos e econômicos” mundiais àquela época, inclusive em termos de “repercussões quanto ao equilíbrio de forças entre o Oriente e o Ocidente, particularmente, quanto aos interesses brasileiros”. (ESG, 1954b, p.13)
A parte do 2º Período, IV Ciclo, em seu Anexo 2B, denominado “Análise da Conjuntura: Análise da Conjuntura Nacional – Fatores Geográficos e Fatores Psicossociais”, do Curso Superior de Guerra de 1954, determinava o estudo dos fatores fisiográficos do espaço brasileiro, buscando avaliar os pontos positivos e negativos do território em termos de extensão, forma e posição, compreendendo ainda o papel desempenhado pelas fronteiras terrestres e marítimas. Buscava-se, ainda, realizar uma “apreciação geral dos fatores geográficos enquanto elementos favoráveis e desfavoráveis à integração do território nacional”. (ESG, 1954c, p.4)
O mesmo documento, no que dizia respeito aos “Fatores Psicossociais”, que seriam abordados em quatro conferências, se dispunha a debater:
a) A “estrutura e dinâmica sociais do povo brasileiro” em função dos seus “grupos sociais (classes e estamentos)”, as “tensões existentes” e a “mobilidade social; as populações marginais; atitudes sociais das elites e das massas; formação e desenvolvimento da classe média”;
b) “Raças. O preconceito racial; relações entre os grupos raciais; miscigenação”. c) “Línguas. Quistos étnicos; assimilação”.
d) “Religiões. Influências sociais e psicológicas. Atitudes de seitas religiosas ante a defesa nacional”;
e) “Populações urbanas e rurais. Diversificação psicossocial; grau de urbanização e de retardo cultural nas zonas rurais”.
f) “Características psicológicas” (ESG, 1954c, p.9).
Os pontos debatidos representavam a visão global da sociedade brasileira dentro das perspectivas traçadas pelos estudos geopolíticos. Os problemas e tensões derivados do nosso processo de formação histórica estavam assim presentes nos debates realizados na Escola. Dentro das perspectivas lançadas pelos choques entre as correntes políticas dominantes àquela época, a ESG buscava o entendimento mais aprofundado possível sobre a dinâmica que moveria a sociedade e de como ela estaria suscetível à infiltração de ideias consideradas subversivas.
8.2 O Curso de 1955
O documento intitulado Programa Geral dos Trabalhos Para 1955119, tinha em vista, essencialmente:
a) “Rever e completar os conhecimentos necessários ao estabelecimento de uma Doutrina de Segurança nacional;
b) Apresentar e desenvolver a técnica adotada para formulação de uma Política de Segurança Nacional;
c) Rever e completar os conhecimentos necessários à elaboração de uma técnica adequada ao planejamento nos altos escalões governamentais, aperfeiçoando-a através de uma aplicação objetiva;
d) Estudar, em suas linhas mestras, os diferentes aspectos do problema da Mobilização
Nacional” (ESG, 1955a, p.1).
Programa Geral dos Trabalhos amparava o Currículo para 1955, que em seu 2º Período elencava as seguintes questões a serem abordadas no tocante ao “Problema da Recuperação Moral do País: a família; a escola. Os meios estudantis”; eram ainda observados “os ambientes de trabalho e os círculos de recreação; os meios industriais, financeiros e comerciais; a administração pública; a Justiça”; na sequência, foi estabelecida a análise do “sistema policial; os costumes políticos; os meios militares; os meios de difusão e propaganda; as instituições religiosas”. (ESG, 1955b, p.81)
É interessante observamos que as questões inerentes a esse 2º Período seriam objeto de uma análise feita por elementos do clero e, analisadas, especialmente, as questões familiares, econômicas, sociais e trabalhistas.
8.3 O Curso de 1956
O documento impresso pela ESG para o Curso Superior de Guerra de 1956 com o título “Informações Gerais”120 tinha por objetivo a descrição da estrutura física da Escola e a estrutura organizacional dos seus cursos. O documento que passo a expor nesse momento elencava os seguintes elementos:
a) A Escola Superior de Guerra, em termos de finalidade, organização, descrição do Departamento de Estudos e Cursos ali desenvolvidos;
b) O Curso Superior de Guerra, em termos de finalidade, estagiários diplomados, evolução de Currículo, Currículo de 1956, métodos de Trabalho e Constituição; c) O Curso de Estado-Maior e Comando das Forças Armadas, avaliados os mesmos
elementos acima descritos para o Curso Superior de Guerra;
d) A vida escolar, assim classificados elementos como horário, quadro de trabalho, frequência, interrupção do Curso, diplomação, locais de trabalho, reuniões, uniforme e traje, salão de estar;
e) Documentação, com seus indicativos121, distribuição, biblioteca, mapoteca, seção de periódicos e seção de sigilosos;
f) Sigilo das informações, considerados a classificação dos documentos, reclassificação e salvaguarda de informações;
g) A ADESG122;
h) Assuntos administrativos; i) Anexos.
Ele apontava em sua introdução “o planejamento para a Segurança Nacional” como sendo o “principal dever de um Estado”, sendo este dever, portanto, a função à qual a ESG se propunha em todos os seus fins. O momento pelo qual passava o mundo do pós-Segunda Guerra Mundial, marcado por “enormes dificuldades nas relações internacionais” derivadas
120 Ver ESG D – 01 – 56.
121 Os “Indicativos” eram uma das principais características dos documentos da ESG, sendo caracterizados por
3 elementos: uma letra; um número de ordem na série; o ano da publicação (ESG, 1956a, p. 13).
122 A Associação dos Diplomados da ESG (ADESG) tinha por finalidades assegurar uma ligação permanente
dos diplomados com a Escola e mantê-los “coesos no propósito de manter unidade de doutrina no estudo dos problemas relacionados com a segurança e o desenvolvimento do Brasil”, abarcando tanto os Estagiários do CSG quanto os do CEMCFA, tornados efetivos após a diplomação (ESG, 1956a, p.18 e 19).
da aparentemente inconciliável divisão em dois campos oponentes levava então à plena ciência das questões referentes à soberania123 e, em termos mais dramáticos, à luta pela sobrevivência. Daí a ênfase nas questões de Segurança e Desenvolvimento nacionais, decorrentes de todo um planejamento, literalmente imperativo, traçado nas dependências da Escola (ESG, 1956a, p. 1).
A tarefa de organização da defesa nacional, enquanto “incumbência exclusiva das Forças Armadas”, estaria superado, conforme a nova ótica defendida na Escola, por um novo conceito que atribuiria “a todas as forças vivas da nação” tal responsabilidade. Segundo o que se defendia nas informações para o Curso Superior de Guerra de 1956, a questão da
Segurança Nacional diz respeito à totalidade da Nação, que precisa, pelos seus dirigentes, pela sua elite e pela sua massa, compreender seu papel permanente, no conjunto de esforços de toda natureza, e imbuir-se da responsabilidade que lhe cabe, para que o país possa resolver, no caso de um conflito, os problemas relativos à sua própria sobrevivência. E não se pode perder de vista que a Nação, organizando-se para a guerra, está também se preparando para proporcionar vida melhor e maior bem-estar a seu povo. (ESG, 1956a, p. 2)
Naquilo que nos interessa, dois elementos se sobressaem nessa nova perspectiva sobre a Segurança Nacional: primeiro, que a ESG se colocava legitimamente como meio para a preparação da Doutrina, assumindo perante a Nação a responsabilidade sobre a condução de um o papel declaradamente extensivo a todo e qualquer elemento da sociedade brasileira. Segundo, a percepção de que, mesmo com quase uma década de funcionamento, a ESG ainda precisava reforçar seu trabalho no sentido de mobilizar o conjunto da elite nacional, civis e fardados incluídos, na missão de entender esse novo conceito como sendo aquele que deveria ser discutido e realizado.
Essa tarefa se fazia urgente na medida em que esse conceito de “Segurança” agora defendido não seria ainda “compreendido pela maioria de nossa gente, no seio da qual predomina, ainda, a primitiva concepção’. (ESG, 1956a, p. 2)
123“Oficialmente, não existe soberania superior à do Estado. Quaisquer que sejam suas particularidades, suas
dimensões, sua posição geográfica e seu regime, todo Estado afirma a sua soberania” (DUROSELLE, 1992, p.92).
De acordo com as Informações Gerais para 1956, a Escola seria “um instituto nacional de altos estudos, destinado ao desenvolvimento e consolidação de conhecimentos relativos ao exercício de funções de direção e ao planejamento da Segurança Nacional, buscando assim a obtenção de “convergência de esforços no estudo e equacionamento dos problemas” relativa a esse tema. Dessa forma, a ESG (1956a, p. 3) apontava que os meios para a consecução de tal ideia consistiriam:
a) Da “sistematização da análise e interpretação dos fatores geográficos, políticos, econômicos, psicossociais e militares”, elementos condicionadores da construção da política de segurança nacional;
b) O estímulo ao “desenvolvimento do hábito de trabalho em equipe”, de forma a possibilitar a criação de um ambiente pautado pela integração e colaboração “entre os diversos setores ligados aos problemas da Segurança Nacional”;
c) A “difusão de um conceito amplo e objetivo de segurança nacional que sirva de base à coordenação das ações de todos os elementos”, fossem eles civis ou militares, integrados aos projeto de “formulação e execução da política de segurança nacional”. Dentre os órgãos que perfaziam a Escola, o Departamento de Estudos seria um elemento de destaque na medida em que centralizaria “todos os estudos e pesquisas” da instituição, com sua atuação essencialmente pautada pela busca do melhor aproveitamento possível no concernente aos resultados dos cursos ali ofertados. Esse Departamento seria responsável pela articulação dos trabalhos desenvolvidos por todos os integrantes do Corpo Permanente, militares e civis, que estivessem diretamente vinculados com “os estudos, ensaios e pesquisas da Escola”, no sentido de melhor prover os Cursos Superiores de Guerra e de Estado-Maior e Comando das Forças Armadas (CEMCFA)124, ali ministrados, “dos elementos necessários ao desenvolvimento dos respectivos currículos e velar pelo seu entrosamento e pela unidade de doutrina no âmbito da ESG”. (ESG, 1956a, p. 3)
Como a minha proposta consiste de estabelecer as conexões do livro Geopolítica do Brasil de Golbery, com os Cursos Superiores de Guerra ministrados na ESG no decorrer da década de 1950, passaremos a focar a nossa atenção nesse sentido, embora fique claro que a
124 O CEMCFA tinha por finalidade a habilitação dos oficiais das Três Armas “para o Exercício de funções de
comando, chefia e estado-maior de organizações e forças combinadas e aliadas”, além do estabelecimento de cooperação para a “experimentação, desenvolvimento e divulgação da doutrina brasileira de comando e estado- maior combinado” (ESG, 1956a, p. 8).
atuação de palestrantes da ESG estaria direcionada a participantes dos dois distintos cursos, anteriormente citados.
O Curso Superior de Guerra, então, tinha por finalidade declarada reunir civis e militares, agregados em torno do conceito de “elites”, em torno do objetivo de desenvolver os estudos associados aos problemas identificados com a Segurança Nacional, observados os interesses nacionais e visando:
a) “Ao estabelecimento de uma doutrina de segurança nacional; b) À formulação de uma política de segurança nacional;
c) À elaboração de uma técnica de planejamento para a segurança nacional nos altos escalões governamentais” (ESG, 1956a, p. 4).
Até 1956, o Curso Superior de Guerra – que iniciara suas atividades em 1949 – diplomara seis turmas, totalizando 368 estagiários contados a partir de 1950, que vinham de procedências diversas que foram mapeadas entre membros de diversas instituições e órgãos do Estado brasileiro125. Chama-nos a atenção o fato de que, além de uma natural maioria de estagiários oriundos das Forças Armadas, os civis agregados à carreira diplomática, como Ministros e Secretários, constituíam a segunda maior leva de integrantes126 no decorrer desses anos.
No período acima apontado o Currículo esguiano sofreu mudanças no sentido evolutivo, mas sempre com o objetivo central da própria Escola como força motriz. As turmas que ocorreram nesse espaço de tempo desenvolveram suas atividades de acordo com uma sucessiva definição de temáticas, assim elencadas:
a) “1950: tomada de contato com a realidade brasileira;
b) Em 1951: formulação, para efeitos didáticos, de um Conceito Estratégico Nacional, resultante dos estudos feitos sobre a nossa Conjuntura;
125 Especificamente, membros do Congresso Nacional (20); Magistratura Federal (4); Oficiais Generais e
Oficiais Superiores das Forças Armadas (199); Ministros e Secretários de Carreira Diplomática (29); representantes dos Governos dos Estados (2); demais Ministérios Civis (52); Prefeitura do Distrito Federal (2); autarquias e órgãos subordinados diretamente à Presidência da República (19); associações de classes, inclusive de comércio e indústria (20); organizações culturais (15); e avulsos (6) (ESG, 1956a, p. 5).
126 Na realidade a terceira turma conta com 29 integrantes do MRE contra 52 elementos dos “demais Ministérios
Civis”. No entanto, considerei o fato de que os membros da carreira diplomática estão todos agregados a uma única instituição, o MRE. Sozinho, portanto, ele possuía mais da metade dos estagiários pertencentes a outros ministérios civis.
c) Em 1952: esboço das políticas a serem seguidas nos diferentes setores da atividade brasileira, como decorrência do Conceito Estratégico Nacional formulado;
d) Em 1953: elaboração de uma Doutrina de Segurança Nacional e de uma técnica de Planejamento para a Segurança Nacional, com aplicação num ensaio de Planejamento para o Fortalecimento do Potencial Nacional;
e) Em 1954: estabelecimento de uma Doutrina de Segurança Nacional e de uma Técnica de Planejamento para essa Segurança, e ensaio de Planejamento de uma Hipótese de Guerra;
f) Em 1955: atualização dos conhecimentos necessários ao estabelecimento de uma doutrina de Segurança Nacional e de uma técnica de planejamento para essa segurança, e ensaio de planejamento para o fortalecimento do Potencial Nacional; exame, em suas linhas mestras, do problema da Mobilização Nacional127” (ESG, 1956a, p. 5 e 6).
O Currículo para 1956128 por sua vez, organizado em três períodos distribuídos em um total de 40 semanas, era organizado da seguinte forma:
a) 1º Período, com introdução “ao Curso e estudo teórico das bases de uma Doutrina de Segurança Nacional e da Técnica de Planejamento para a Segurança Nacional; b) 2º. Período, constando da “análise das Conjunturas Internacional e Nacional
(fatores geográficos, políticos, econômicos, psicossociais e militares), estudo de Aspectos Particulares da Conjuntura Nacional (cooperação da ADESG), Estudos Militares Especiais (Art. 28 do Regulamento da ESG) e Visitas e Viagens de Estudo;
c) 3º Período, como preparação “das bases e realização de um ensaio de Planejamento para uma Hipótese de Guerra continental.” (ESG, 1956a, p. 6)
Um detalhe que chama a atenção na documentação daquele ano é existência de uma lista dos números de telefones disponíveis para os integrantes da ESG, que constavam nas Informações Gerais para 1956, e que trazia como singularidade o número para contato com a Missão Militar Norte-Americana, que estava disposto em meio a uma série de outros números, sendo todos eles de setores específicos da própria Escola. Tal fato é um indicativo da
127 Seriam as ações que poderiam ser utilizadas pelo Estado como meio de superação de ameaças à Segurança
Nacional. (FERRAZ, 1997, p. 93).
frequência dos contatos entre a ESG e os militares estadunidenses instalados no Brasil em torno dos assuntos discutidos na Escola e inerentes aos entendimentos em torno do alinhamento brasileiro à ideia de uma aliança político-militar que envolvia os dois países129 (ESG, 1956a, p. 21).
Voltando à questão curricular, o documento do Curso Superior de Guerra para 1956, apresentado em sua estrutura geral e objetivos traçados para seus diferentes períodos e respectivos ciclos, trazia, para seu 1º Período, de feição doutrinária, a seguinte divisão (1956, p. 1 e 2):
a) O I Ciclo, que introduzia o as diretrizes do Curso, apresentava a ESG “no quadro da organização da Segurança Nacional e seus métodos de trabalho”;
b) O II Ciclo abordava a Doutrina de Segurança Nacional e estava voltado para à sua compreensão e abordagem dos principais problemas vinculados ao estudo do conceito de Segurança Nacional, destacando-se os conhecimentos gerais a respeito do tema, o Poder Nacional em seus fundamentos geográficos, políticos, psicossociais, econômicos, militares, seus tipos de estruturas130 e suas limitações de ordem interna e externa, além do estudo da ação estratégica131;
c) O III Ciclo, que abordava a Técnica de Planejamento para a Segurança Nacional, a partir dos “altos escalões governamentais”, discutindo especialmente “a metodologia para a formulação duma política de Segurança Nacional.”
Observamos a ênfase, dada na estruturação do currículo, ao papel desempenhado pela