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Custos e Despesas Ambientais

No documento Jose Luis Lopes.pdf (páginas 54-58)

1. Introdução

2.4. Contabilidade Ambiental

2.4.8. Custos e Despesas Ambientais

Custos e Despesas operacionais e não operacionais serão apresentados conforme os órgãos regulamentadores e também por diversos autores sobre esse assunto.

Alguns outros tópicos relacionados ao tema também serão abordados, tais como: Apuração do custo dos estoques; despesas pagas antecipadamente; elementos do custo de imobilizados; custos ou despesas diferidas; despesas de natureza extraordinária; reclassificação das receitas, custos e despesas nas demonstrações.

O momento de reconhecer uma despesa e, assim, confrontá-la com a receita por ela gerada merecem destaque, assim como os seguintes pontos: classificação da despesa operacional ou não-operacional; e avaliação da despesa.

Conforme a Lei 6.404/76 no artigo 187 determina a forma como os custos e as despesas da companhia devem ser apresentadas na demonstração do resultado do exercício:

Art. 187. A demonstração do resultado do exercício discriminará: ...

II - a receita líquida das vendas e serviços, o custo das mercadorias e serviços vendidos e o lucro bruto;

III - as despesas com as vendas, as despesas financeiras, deduzidas das receitas, as despesas gerais e administrativas, e outras despesas operacionais;

IV - o lucro ou prejuízo operacional, as receitas e despesas não-operacionais e o saldo da conta de correção monetária (Art. 185, § 3º);

V - o resultado do exercício antes do imposto de renda e a provisão para o imposto; No parágrafo 1º do mesmo artigo é determinada a forma como devem ser reconhecidas as receitas e despesas:

§ 1º Na determinação do resultado do exercício serão computados:

a) as receitas e os rendimentos ganhos no período, independentemente da sua realização em moeda; e

b) os custos, despesas, encargos e perdas, pagos ou incorridos, correspondentes a essas receitas e rendimentos.

O custo dos elementos do ativo imobilizado deve ser levado ao resultado (transformado em custo ou despesa) na forma prevista no parágrafo 2º do artigo 183:

§ 2º A diminuição de valor dos elementos do ativo imobilizado será registrada periodicamente nas contas de:

a) depreciação, quando corresponder à perda do valor dos direitos que têm por objeto bens físicos sujeitos a desgastes ou perda de utilidade por uso, ação da natureza ou obsolescência;

b) amortização, quando corresponder à perda do valor do capital aplicado na aquisição de direitos da propriedade industrial ou comercial e quaisquer outros com existência ou exercício de duração limitada, ou cujo objeto sejam bens de utilização por prazo legal ou contratualmente limitado;

c) exaustão, quando corresponder à perda do valor, decorrente de sua exploração, de direitos cujo objeto sejam recursos minerais ou florestais, ou bens aplicados nessa exploração.

O CFC (Conselho Federal de Contabilidade) aborda a questão do reconhecimento das despesas no item 1.4 da NBC-T-1, aprovada pela Resolução CFC nº. 530/81, de 23.10.81:

1.4 - Da Competência. As receitas e despesas devem ser reconhecidas na apuração do resultado do período a que pertencerem e, de forma simultânea, quando se co- relacionarem. As despesas devem ser reconhecidas independentemente do seu pagamento e as receitas somente quando de sua realização.

Com relação ao conteúdo à estrutura da demonstração do resultado, a NBC-T-3.3, aprovada pela Resolução CFC nº. 686/90, de 14.12.90, dispõe:

A demonstração do resultado compreenderá:

a) as receitas e os ganhos do período, independentemente de seu recebimento; b) os custos, despesas, encargos e perdas pagos ou incorridos, correspondentes a esses ganhos e receitas.

A compensação de receitas, custos e despesas é vedada.

A demonstração do resultado evidenciará, no mínimo, e de forma ordenada: ...

c) os custos dos produtos ou mercadorias vendidos e dos serviços prestados; ...

e) os ganhos e perdas operacionais;

f) as despesas administrativas, com vendas, financeiras e outras e as receitas financeiras;

...

h) as receitas e despesas e os ganhos e perdas não decorrentes das atividades-fim; ...

j) as provisões para impostos e contribuições sobre o resultado;...

O IBRACON aborda os problemas relacionados com as Despesas no Pronunciamento "XIV - Receitas e Despesas - Resultados", ressalvando que o pronunciamento "trata exclusivamente das receitas e despesas originadas de transações em numerário ou seu equivalente".

No parágrafo 2 é feita uma restrição quanto à abrangência do pronunciamento, esclarecendo:

2 ... Receita e despesa, como conceituadas neste pronunciamento, se restringem genericamente às atividades de empresas comerciais, não abrangendo, consequentemente, as empresas que exploram recursos naturais, transportes e outras entidades, inclusive as sem fins lucrativos.

Despesa, segundo conceituação apresentada no parágrafo 9º do pronunciamento, "corresponde a decréscimos nos ativos ou acréscimos nos passivos, reconhecidos e medidos em conformidade com princípios de contabilidade geralmente aceitos, resultantes dos diversos tipos de atividades, e que possam alterar o patrimônio líquido."

O IBRACON explica ainda, no parágrafo 10, que só são designados como despesas os decréscimos de ativo e acréscimos de passivo relativos a eventos que alteram bens, direitos e obrigações.

Para um melhor entendimento, o IBRACON faz a seguinte colocação no parágrafo 11:

11. O custo de produto vendido é despesa, porque o resultado líquido da venda é uma mudança no patrimônio líquido. Por outro lado, a exigibilidade incorrida na compra de um ativo não é despesa, devido a não haver mudança no patrimônio líquido, na data da compra. Semelhantemente à receita, nem sempre a despesa resulta, necessariamente, de uma transação em numerário ou seu equivalente.

O IBRACON distingue conceitualmente, nos itens 13 a 16 do pronunciamento, termos empregados como sinônimos de despesa:

13. Custo - É o preço pelo qual se obtém um bem, direito ou serviço. Por extensão, é também o montante do preço da matéria-prima, mão-de-obra e outros encargos incorridos para a produção de bens ou serviços. Ele é, pois, tanto o preço pelo qual é adquirido um bem ou serviço, como o incorrido no processo interno da empresa para prestação de serviços ou obtenção de bens, para venda ou uso interno.

14. Despesa - É o encargo necessário para comercializar os bens ou serviços objetos da atividade, bem como para a manutenção da estrutura empresarial independentemente da sua frequência. A despesa, embora direta ou indiretamente necessária para a geração da receita, não está associada à prestação do serviço ou à produção do bem, não sendo, pois, agregada ao custo.

15. Despesa não operacional - corresponde ao evento econômico diminutivo ao patrimônio líquido, não associado com a atividade principal da empresa, independentemente da sua frequência. Como casos comuns desse tipo de despesa temos as despesas de capital, correspondentes a transações com imobilizados ou com investimentos de natureza permanente, desde que não relacionadas com a atividade principal da empresa.

16. Prejuízo ou perda - corresponde a evento econômico diminutivo ao patrimônio líquido, não associado com atividades relacionadas com a cessão ou aquisição de bens ou direitos, incluindo as baixas de bens ou direitos que perderam a utilidade para a empresa, mas não se limitando a elas. O conceito de prejuízo ou perda é de elemento líquido, ou seja, após redução das eventuais receitas dos correspondentes bens ou direitos.

O Parecer da CVM (Comissão de Valores Imobiliários), Orientação nº. 18, de 18.1.1990, em seu item 7, aborda problemas relativos à atualização monetária de direitos e obrigações, destacando o Princípio da Competência no reconhecimento das despesas financeiras oriundas de tais atualizações:

No que diz respeito aos custos e despesas, a CVM emite a seguinte nota explicativa:

Despesas Financeiras - "deverão ser evidenciadas, separadamente, destacando-se, também, quando for o caso, os juros e comissões das variações monetárias". (Ofício-Circular/CVM/PTE/nº. 309/86, item 14.)

O artigo 10 da mesma Instrução determina que as receitas e despesas geradas por itens não-monetários avaliados a preços de mercado devem ser ajustadas para representar as variações reais das cotações daqueles itens, com base na UMC (Unidade Monetária Contábil).

Os Custos representam o valor dos recursos aplicados na produção de um bem ou serviço, sendo ativados até que venham a produzir receitas para a empresa, quando então são levados ao resultado sob a forma de despesa normalmente sob a denominação de "Custo dos Produtos ou Serviços Vendidos”.

As Despesas correspondem aos gastos incorridos pela empresa para comercializar seus produtos e/ou serviços, bem como para financiar e manter suas atividades. De outra forma, pode-se afirmar que as despesas representam os recursos aplicados pela empresa em troca da obtenção de receitas e, portanto, devem a estas serem relacionadas. Despesas podem corresponder, também, à redução no ativo sem simultânea redução do passivo e não vinculada ao esforço de geração de receitas, sendo neste caso denominadas "perdas".

Custos e despesas ambientais são gastos (consumo de ativos) aplicados direta ou indiretamente no sistema de gerenciamento ambiental do processo produtivo e em atividades ecológicas da empresa.

Quando aplicados diretamente na produção, estes gastos são classificados como custo, e, se forem aplicados de forma indireta são chamados de despesa.

Na visão de Ribeiro (1992, p.80):

O valor dos insumos, mão-de-obra, amortização de equipamentos e instalações do processo de preservação, proteção e recuperação do meio ambiente, bem como serviços externos e os gastos para realização de estudos técnicos sobre a metodologia e procedimentos adequados podem constituir-se em exemplos de custos e despesas ambientais.

Os custos ambientais podem ter origem nos insumos requeridos para eliminar a produção de resíduos poluentes durante e após o processo produtivo, tais como, por exemplo, produtos químicos utilizados para purificação das águas residuais do processo de fabricação de ração, ou para tratamento dos gases a serem expelidos no ar. Podem ainda ser originários

da depreciação dos equipamentos e máquinas utilizados para controle e preservação do meio ambiente.

É importante ressaltar, também, que os custos ambientais podem ser classificados em custos internos (privados) e custos externos (sociais).

Custos internos são aqueles tradicionais contabilizados ao longo do processo produtivo os quais servem de base para a determinação do preço de venda dos produtos. Exemplo: matéria-prima, mão-de-obra, depreciação de equipamentos, etc. Geralmente as empresas não encontram maiores dificuldades em identificá-los e controlá-los.

Custos externos são aqueles custos gerados pelo impacto da atividade da empresa no meio ambiente e na sociedade, os quais a companhia não se responsabiliza financeiramente. Exemplo: custo com tratamento de doenças respiratórias ocasionadas pela poluição do ar.

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