Dados Pessoais 52,0%
5.1 D A E SCRITA AO L IVRO
Envolver-se com um livro, compulsá-lo, ouvir o farfalhar de suas folhas, sentir o aroma característico da mistura da tinta e papel, são atitudes que se faz, num ritual quase imperceptível, antes de deixar a imaginação explorar palavra por palavra do texto. Fica-se a imaginar como eles chegaram até nós neste suporte de papel utilizado pela humanidade nos últimos cinco séculos.
A evolução do livro só foi possível com o desenvolvimento da escrita e da necessidade do ser humano deixar suas observações legadas aos seus descendentes, fixando a memória dos acontecimentos, tornando-se tão importante, a ponto de “prevalecer sobre os saberes narrativos e rituais das sociedades orais”215
. Primeiro foram os desenhos em pedras e paredes de cavernas, depois, vieram as simbologias, como a escrita chinesa e o hieróglifo, que utilizavam imagens para representar suas idéias; finalmente, chega-se ao alfabeto como se conhece hoje, aperfeiçoado pelos gregos, que o dividiram em consoantes e vogais. Foi difundido pelos romanos, quando de sua expansão territorial e ocupacional.
Com a escrita, o homem progrediu mais rapidamente. Escrever é valer- se da combinação infinita de letras e símbolos para exprimir-se, descrever ou
215
150
e evolutiva da norma constitucional para sua permanente atualização. Desta forma, estar-se-ia minimizando a distância que a Carta Magna pode ficar diante das necessidades e anseios da sociedade da informação. Assim mesmo, a exegese hermenêutica, extensiva da alínea “d” do inciso VI do art. 150 da Constituição de 1988, estará sempre alguns passos atrás do presente, porque grande é a velocidade com que o futuro nos alcança todos os dias. Sempre se estará utilizando novos suportes e formatos, sejam eles físicos ou virtuais, sem perder sua essência, que é a de informar, divulgar idéias, conhecimentos e cultura da humanidade.
imprimindo aos escritos novas formas textuais, hipertextuais ou tridimensionais, somando-lhes imagens, sons, cheiros e permitindo que as pessoas mergulhem e se misturem literal, física e espiritualmente por entre os personagens e acontecimentos descritos. Os saltos da evolução tecnológica atingirão a humanidade, porque esta deseja que assim ocorra. O ser humano, movido pela curiosidade e inteligência inovadora, pesquisa olhando o horizonte do impossível, tornando o imaginário realidade, mesmo que virtual. Verá a tecnologia de ponta ser substituída, numa velocidade cada vez maior, por outra e mais outra. Assim, tão rápido, quase que momentâneo, para quem, acostumado a contar a evolução em décadas, não percebe que enquanto se discute restrição à imunidade tributária para disquetes, CD-ROMs e outros meios físicos, o livro não mais necessitará destes para se manifestar. Ele é eletrônico, virtual e comercializado em arquivo digital na Internet, podendo ser acessado, em frações de segundo, em qualquer recanto do Planeta. É revolucionário para as mentes inovadoras. Fantástico e desafiador diante da inércia e do medo de enfrentar-se a incerteza constante do futuro. O amanhã poderá ser a implantação de chips e nem mais necessitar-se-á de leitor físico de livro eletrônico (e-book reader) e nossas mentes estarão conectadas às bibliotecas virtuais da Internet. Esta será a verdadeira cartografia mental da humanidade. E dela buscar-se-ão informações para que o nosso pensamento estabeleça associações, dando passagem à criatividade e estabelecendo estratégias para resoluções dos problemas de ordem planetária. Enquanto o legislador percorre o longo caminho do processo legislativo, urge a necessidade de buscar-se, através da hermenêutica, a interpretação finalística
148
O acesso à informação deixa de ser privilégio para poucos brasileiros que podem comprar um livro convencional e jornais de maior circulação, ou de acessar as informações retidas em fitas cassetes, digitalizadas em disquetes, CD-Rom ou quaisquer outros meios tecnológicos que dêem suporte para à difusão da cultura e do saber.
Hugo de Brito Machado213
, no artigo intitulado “Liberdade de Expressão e Imunidade Tributária”, faz crítica à decisão do Supremo Tribunal Federal que teve entendimento restritivo da imunidade dos insumos destinados à produção de jornais, e conclui pela necessidade de Emenda Constitucional que abrigue, de vez, a imunidade aos livros, jornais e periódicos eletrônicos. No seu ente ndimento, a “doutrina que a Corte Maior construiu, ou prestigiou, infelizmente, poderá amanhã prestar serviços ao autoritarismo, dando-lhe instrumento para restringir a liberdade de expressão do pensamento. Resta aos que prezaram essa liberdade a busca do caminho legislativo, certos de que diante da inércia do cidadão agiganta-se o poder do Estado”214
.
Não há como esconder dos legisladores e da hermenêutica que a tecnologia, de 1946 para cá, evoluiu tanto que foi capaz de mudar os paradigmas econômicos, sociais e culturais de nossa época. Hoje, são inúmeros os suportes físicos de produção e circulação que permitem a difusão material e virtual do livro. Não sabemos quais outros poderão vir a existir,
213
MACHADO, Hugo de B. Liberdade de Expressão e Imunidade Tributária. .Net, São Paulo, julho, 2001. Disponível em: <http://www.hugomachado.adv.br/artigos/liberdad.html>. Acesso em: 22 jul. 2001.
214
Os Legisladores originários de 1946 e os que os seguiram na Constituição de 1967, na Emenda Constitucional de 1969 e na atual Carta Magna, referiram-se apenas ao suporte mais comum e que dominava o seu tempo. Está reservado aos juristas, desta nova era, um papel fundamental de oxigenar a norma c onstitucional quando da exegese desta, interpretando-a com inteligência, coragem e criatividade. A interpretação extensiva, ampla, permitirá adequar o texto constitucional às novas necessidades criadas pela sociedade da informação. É prudente utilizar-se da interpretação extensiva a todo e qualquer suporte que sirva de meio para assentar-se os escritos materiais ou eletrônicos de jornais, periódicos e livros. Interpretar a norma constitucional de forma restritiva é fechar os sentidos para o presente e o fut uro. Em 1946, não se imaginava a Internet, nem mesmo a facilidade de acesso ao livro eletrônico; nem quando da Constituição de l988, que albergou o dispositivo da imunidade tributária ao livro, poder-se-ia imaginar o desenvolvimento das tecnologias intelig entes da atualidade. A Internet estava iniciando sua evolução dentro das academias e inexistia comercialmente.
Passada mais de uma década da promulgação da Carta Magna sociedade brasileira encontra-se diante das novas tecnologias da informação e da informática que evoluíram de forma imperceptível para todos, alterando paradigmas. Mesmo aqueles acostumados a novas tecnologias, centradas nas telecomunicações e Internet, como meios de divulgação e acesso à informação, idéias e conhecimentos que pertencem à sociedade digital globalizada, percebem que a evolução foi célere.
146
substituídos pelo cobre e depois pelo aço servindo de matrizes para as letras, poderiam imaginar que ao final do século XX, os livros e jornais dispensariam as pesadas gráficas mecanizadas e seriam disponibilizados para toda a humanidade em formato digital. Não se pode esquecer dos inúmeros suportes que o livro recebeu no decurso de sua história, nem tão pouco a evolução que assumiu nestas últimas décadas. A interpretação restritiva da imunidade do livro, no entender de Ivens Gandra211
, resulta em admitir que o constituinte brasileiro seria um saudosista ou um ignorante, pois estaria garantindo, com a imunidade de impostos, apenas “livros, jornais e periódicos elaborados com a utilização de técnica passada”. Certamente que se estaria negando os avanços da tecnologia e os novos suportes para o livro, incluindo-se os de formatos digitais. Negar a imunidade do livro, periódicos, jornais, aos novos suportes eletrônicos, seria desestimular o país a “adotar técnicas modernas de comunicação, pois, se assim o fizesse, seria punido. Quem quisesse ficar no passado, comunicando-se como no início do século, seria estimulado pela imunidade. Quem quisesse evoluir seria punido, estando o Brasil destinado, quanto aos meios de comunicação, a tornar-se peça de museu, afastando-se qualquer possibilidade de estímulo ao progresso”212
.
211
SILVA MARTINS, Ives G. A Imunidade do Livro Eletrônico. .Net, São Paulo, julho, 2001. Disponível em:
<http://buscalegis.ccj.ufsc.br/arquivos/artigos/A_imunidade_do_livro_eletronico.html>. Acesso em: 22 jul. 2001.
212
Os que defendem a interpretação restritiva da alínea ”d” do inciso VI do Art. 150 da Constituição Federal o fazem na literalidade do texto. Não percebem, ou não desejam admitir, que o livro sempre foi, em toda sua história, apresentado à humanidade sob diversos suportes, utilizando-se de todo tipo de materiais, como meio de transporte da escrita. Entre estes suportes estão as peles de animais, casca de árvores, bambu, argila, papel. Contemporaneamente, e ncontram-se diferentes suportes físicos que aceitam o formato digital para textos, sons e imagens, tais como disquetes dos mais variados tamanhos e capacidade de memória, CD-ROMs, DVDs, além da possibilidade que a Internet oferece para a disponibilização d e arquivos digitais, como por exemplo o livro eletrônico, permitindo o fácil acesso e a difusão em todo o mundo. Assim, chega-se, na atualidade, aos livros informatizados na forma de bits, que transmitem as idéias, os pensamentos, a criatividade emanada das mentes das pessoas. Por isso devem ser, também, amparados pela imunidade estampada na alínea “d” do inciso IV do art. 150 da Constituição brasileira.
Assim como a escrita, que passou por um longo processo evolutivo até chegar nos sistemas alfabéticos da atualidade, as técnicas de impressão também evoluíram no decorrer da história e, com ela, o livro que conhecemos e está protegido pela imunidade constitucional. Nem Coster, que por volta de 1430, na Holanda, utilizou pranchas xilográficas para imprimir, nem Gutenberg, considerado o “pai da imprensa”, que incansavelmente desenvolveu sistemas móveis de impressão, desde o da utilização de caracteres móveis de madeira,
144
destinado à impressão, também, fosse imune de impostos o que, certamente, contribuiria para que toda a sociedade tivesse acesso menos oneroso à informação, onde quer que ela fosse veiculada. No entender de Torres209
, num país “com gravíssima crise de educação e com a necessidade premente de se ampliar o número de pessoas alfabetizadas e instruídas, tornam -se vitais os livros e os periódicos”. Sem dúvida que jornais e outros veículos de comunicação deveriam ser alcançados pela imunidade tributária. Não se trata de privilégio constitucional mas, sim, de uma norma de largo alcance social para um país cuja leitura em livros convencionais ainda é um privilégio de poucos.
Com certeza, a imunidade de que trata o inciso VI do Art. 150 da Constituição de l988 é um esforço no sentido de travar-se constante luta contra o analfabetismo e por uma educação mais justa e disseminada possível. Deve, portanto, alcançar os meios tecnológicos disponíveis, mormente através das mídias de telecomunicações e da Internet.
Osvaldo Othon de Pontes Saraiva210
entende que “a extensão, para conferir imunidade ao CD-ROM e aos disquetes com programas gravados e com o conteúdo de livros, jornais e periódicos, representaria uma integração analógica (...)”.
209
TORRES, Ricardo L. Op. Cit., 246 p. 210
A Não-Extensão da Imunidade aos Chamados Livros, Jornais e Periódicos Eletrônicos.
Pontes de Miranda206
ensina que se “falta liberdade de pensamento, todas as outras liberdades humanas estão sacrificadas, desde os fundamentos”. Portanto, além da proibição de não incidir impostos sobre livros, a imunidade tem a função de resguardar, de proteger a liberdade de pensamento, de expressão e de informação. Certamente, essas garantias asseguram as do fortalecimento do Estado de Direito democrático.
4.6.2 Interpretações Restritivas e Extensivas à Imunidade dos Escritos
Eletrônicos
Nem todos os que edificam a doutrina assim pensam como o que foi exposto em 4.6.1 e na literalidade da Lei, a interpretam restritivamente, erigindo barreiras contrárias aos desejos do legislador original. Ricardo Lobo Torres207 defende a tese restritiva, caracterizando “como privilégio constitucional, podendo em alguns casos, como no dos jornais, assumir o aspecto de privilégio odioso”208
. Não foi desta forma restritiva que, em 1946, ao legislar originalmente sobre a imunidade e de forma contundente, pretendeu o Constituinte. A intenção sábia do legislador foi no sentido de democratizar o acesso à informação, possibilitando que os custos de livros, jornais e periódicos, sob qualquer formatação ou meio de divulgação, os tornassem menos onerosos. Enfatiza, na norma máxima da Pátria, que o “papel”
206
MIRANDA, Pontes de. Comentári os à Constituição de l967. 02 ed, São Paulo: Ed. RT, Tomo V, 1974, 155-156 pp.
207
TORRES, Ricardo L. Os Direitos Humanos e a Tributação: imunidades e isonomia. Rio de Janeiro: Renovar, 1995, 498 p.
208
142
na direção do crescimento econômico a qualquer preço e custo. Para Almeida Santos203
, a imunidade“é uma limitação à competência tributária e, assim, sob reserva da própria Constituição, coexiste no sistema constitucional sem causar antinomia. Assim, o poder de tributar, bem como o de conceder a imunidade “decorrem do mesmo poder conferido ao legislador constituinte para criar competências tributárias genericamente e subtrair quando entender conveniente em alguns casos”204
.
O inciso VI do Artigo 150, da Carta Constitucional brasileira, propicia a segurança máxima ao estabelecer os limites à insaciável sede tributária do Estado. As imunidades mencionadas, nas alíneas do referido inciso, impedem a tributação recíproca, assegurando o princípio federativo ao proibir que a União, Distrito Federal, Estados e Municípios lancem “impostos sobre patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros”; assegura o livre exercício da fé religiosa; permite uma base sólida e democrática à sociedade no momento em que veda a instituição de impostos sobre “patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei”. Especificamente, a alínea d do inciso
VI é a “garantia à liberdade de expressão, por ser o livro um veículo de divulgação de idéias, da livre manifestação do pensamento”205
. Neste sentido, 202
FERREIRA, Pinto. Curso de Direito Constitucional. São Paulo: Saraiva, 08 ed., 1988, 141 p.
203
ALMEIDA SANTOS, Francisco C. Imunidade Tributária. .Net, São Paulo, julho, 2001. Disponível em: <http://neofito.direito.com.br/artigos/art01/tribut25.html>. Acesso em: 22 jul. 2001.
204
ALMEIDA SANTOS, Francisco Cláudio. Imunidade Tributária. Op. Cit.
205
sentido, Hugo de Brito Machado201
apresenta exemplos com os tributos de Importação e Exportação. Com propriedade, cita também o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) em que, dependendo da natureza e da essencialidade dos produtos, há uma variação de alíquotas, que pode ir do patamar zero (isenção) para alíquotas elevadas, como ocorre nos produtos considerados supérfluos ou nocivos à saúde.
O peso do tributo sobre a economia é muito forte, podendo facilitar, dificultar ou inviabilizar uma atividade econômica. Como se pode perceber, o Estado, com seu poder de tributar, interfere sistematicamente na economia, na vida empresarial e, de um modo geral, na sociedade como um todo. No entender de Ferreira Pinto, este poder ilimitado de tributar pode significar “o poder de destruir a liberdade, uma vez que quem controla a segurança econômica do homem também controla a liberdade”202
.
As imunidades tributárias têm, por finalidade maior, constituir barreiras que impedem, constitucionalmente, a tributação pelo Poder Estatal. Assim é que o objeto protegido vislumbra caminhos livres dos impostos, assegurando os direitos fundamentais e possibilitando que se construa uma sociedade com base democrática, livre e justa. A imunidade tributária alberga a sociedade, protegendo-a pelo manto constitucional das mãos poderosas, às vezes draconianas, do Estado, ao tributar pessoas físicas e jurídicas, bens e serviços,
201
MACHADO, Hugo B; MACHADO SEGUNDO, Hugo B. Imunidade Tributária do Livro
Eletrônico. .Net, São Paulo, julho, 2001. Disponível em:
140 Tabela 19: Estimativa Média Anual de Crescimento de Alguns Segmentos
no Comércio Eletrônico
Supermercados Livros CDs Eletrônicos Bancos
Faixa Central 15% a 25% 15% a 29% 16% a 30% 15% a 25% 29% a 50%
Mediana 20% 20% 20% 17% 30%
Fonte: Pesquisa: Projeto Delphi200
Verifica-se, pela Tabela 19, que a Internet será o maior balcão de negócios numa economia de escal a, cuja tendência será crescer. Neste contexto, torna-se de vital importância que a finalidade da imunidade do livro convencional seja estendida ao livro eletrônico, que estará disponível para um número expressivo de usuários da Rede Mundial de Computadore s.
4.6.1 A Finalidade da Imunidade do Livro e sua Importância
O Estado, ao tributar, não o faz somente com o intuito único de arrecadar divisas. Usa-o, constantemente, como instrumento de intervenção econômica, de justiça tributária, ou seja, de função extrafiscal do tributo. Neste
200
Pesquisa realizada pelo Datafolha198
, em parceria com a Folha online e o Portal iBest revela que no Brasil o número de internautas está em torno de 23 milhões, equivalente a 19% da população do país. Informa, ainda, que cerca de 3,5 milhões de pessoas conectam a Internet na e scola/universidade. Os dados são relevantes, na medida em que se toma como marco da Internet comercial, no Brasil, o ano de l995. Representa praticamente um quarto da população brasileira integrada com as novas tecnologias da informação e que poderão tornar-se consumidores de produtos ofertados na Internet. O livro convencional já se destaca como uma realidade deste comércio eletrônico, conforme dados demonstrados pela quarta rodada de pesquisa acerca do comércio eletrônico, realizado pelo Projeto Delphi199
, que estima uma taxa anual média de crescimento para os livros em aproximadamente 20%. Assinala que, atualmente, representa um milhão de consumidores de livros convencionais pela Internet e, em 2004, chegarão a três milhões.
A tabela a seguir apresenta as estimativas da taxa anual média de crescimento de alguns segmentos no mercado eletrônico, com projeção para 2004.
198
Perfil do Internauta Brasileiro . Folha OnLine.São Paulo, Informática. Disponível em: <http://www.uol.com.br/folha/informatica/2001-ibrandis-pesquisa_internauta.html>. Acesso em: 22 jul 001.
199
Resultado da Rodada 4: Impactos do Comércio Eletrônico nos Negócios. Projeto Delphi. São Paulo. Disponível em: <http://www.fea.usp.br/Fia/profuturo/resultado4.html>. Acesso em: 22 jul. 2001.
138
na alínea “c” do inciso V do art. 31 da Constituição de 1946. A intenção do legislador original de estimular a difusão da cultura e do hábito da leitura permaneceu no conteúdo normativo na Constituição de l967 e Emenda constitucional de l969. A Constituição de l988 confirma a proibição de lançar impostos sobre a produção de livros, jornais, periódicos e o papel destinado à sua impressão. Trata-se de uma imunidade tributária.
Pretende-se, nesta investigação, demonstrar a necessidade e a viabilidade de sua extensão para alcançar quaisquer suportes físicos, tais como os disquetes, CDs, DVDs, ou similares eletrônicos, que estejam sendo utilizados como suporte para a destinação de impressão digitalizada de jornais, periódicos e livros “sem papel”. Incluídos aqui, portanto, estão os arquivos eletrônicos, disponibilizados na Internet – os chamados jornais, revistas e livros eletrônicos. Trata-se de questão de alta relevância, diante da velocidade de expansão das novas tecnologias da informática, das telecomunicações e da informação. Vive -se no limiar de uma nova sociedade que se distância, cada vez mais, do formato convencional de jornais, periódicos e livros de papel para substituí-los, em definitivo, por formatos eletrônicos. Os átomos do papel e tinta dão lugar aos bits e bytes do mundo tecnológico digital.