3. Modelo Integrado de Gestão de REEE
3.2. Dados de Base do Modelo
Os princípios do Modelo de Operação obedecem à realidade dos sistemas de gestão. Portanto, é relevante o conhecimento da operacionalização das várias etapas deste sistema de gestão, para a construção de um Modelo com estas características.
Deste modo, para adequar o Modelo de Operação à realidade do setor foi necessário obter conhecimentos ao nível processual das empresas que operam no sistema, nomeadamente em UTV. Para isso foi realizada uma visita às instalações de uma UTV, a Interecycling, sediada em Tondela.
Nesta UTV, numa primeira fase, os equipamentos são colocados num centro de receção e triagem, sem qualquer diferenciação. Posteriormente os equipamentos são triados, separados e armazenados por fluxos operacionais. Os equipamentos são agrupados por fluxos e não por categorias, de modo a agrupar tipos de material com o intuito de facilitar o desmantelamento dos equipamentos. Os equipamentos são organizados pelos seguintes fluxos operacionais:
A. Grandes Equipamentos;
B. Equipamentos de Arrefecimento e Refrigeração; C. Pequenos Equipamentos;
D. Equipamentos com presença de CTR; E. Lâmpadas;
F. Equipamentos de Tecnologia e Informação. A. Grandes Equipamentos
O fluxo dos grandes equipamentos é composto apenas por equipamentos incluídos na categoria 1 (máquinas de lavar, máquinas de secar, fogões, radiadores, etc.), todos os equipamentos da categoria 9 (aparelhos médicos) e todos os equipamentos da categoria 10 (distribuidores automáticos) dos EEE.
No fluxo A os equipamentos são desmantelados manualmente, permitindo desta forma recuperar alguns componentes que podem ser valorizados por outras empresas, nomeadamente os motores ou pedras de cimento. Além disso são obtidas carcaças metálicas, cabos elétricos, bem como plásticos não contaminados contidos nestes equipamentos que serão encaminhados para linhas de tratamento, visto que existem fluxos que possuem estes mesmos componentes.
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B. Equipamentos de Arrefecimento e Refrigeração
O fluxo dos equipamentos de arrefecimento e refrigeração contempla parte de equipamentos da categoria 1 dos EEE como frigoríficos, arcas congeladoras ou aparelhos de ar condicionado.
No fluxo B são removidas manualmente as rodas, cabos elétricos, compressores, prateleiras e gavetas de plástico, sendo que as rodas, cabos elétricos, prateleiras e gavetas são encaminhados para posteriores linhas de tratamento.
Os compressores são retirados e perfurados, onde lhe são retirados óleo. Nos equipamentos são ainda perfurados os circuitos de refrigeração, onde é aspirado o líquido de arrefecimento, onde são armazenados em botijas e recipientes próprios. O óleo e líquido de refrigeração são posteriormente encaminhados para empresas que os valorizam.
Por fim, as carcaças destes equipamentos são orientadas para um tapete de alimentação que os encaminham para um triturador que funciona a partir de criocondensação (a -120ºC) em ambiente inertizado com azoto. Os materiais resultantes da trituração são encaminhados para um separador magnético, sendo que os materiais ferrosos são encaminhados para uma vaia metálica e os materiais não ferrosos (como plásticos, alumínio e cobre) são enviados para outra vaia metálica onde posteriormente são separados por separação densimétrica. A espuma poliuretano presente nestes equipamentos é reduzida a pó e encaminhada para outras empresas para a sua valorização.
C. Pequenos Equipamentos
O fluxo pequenos equipamentos para além de conter todos os equipamentos da categoria 2 (pequenos eletrodomésticos) engloba também todos equipamentos das categorias 3 (equipamentos informáticos e de telecomunicações) à exceção dos monitores, 4 (equipamentos de consumo) à exceção dos aparelhos de televisão, 6 (ferramentas elétricas e eletrónicas) e 7 (brinquedos e equipamentos de desposto e lazer) de EEE.
Em relação ao fluxo C, estes equipamentos sofrem desmontagem manual, onde se retiram os cabos elétricos, parafusos, carcaças plásticas, componentes ferrosos e não ferrosos, mas também se procede à remoção de resíduos perigosos, como pilhas, baterias, condensadores, toners e tinteiros e cristais líquidos. Os cabos elétricos, as carcaças plásticas e os componentes ferrosos e não ferrosos são encaminhados para
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linhas de tratamento enquanto que os restantes componentes são acondicionados de forma isolada para serem encaminhados para empresas que os valorizam.
D. Equipamentos com presença de CRT
O fluxo equipamentos com presença de CRT contêm uma parte das categorias 3 (monitores) e 4 (aparelhos de televisão).
Numa primeira etapa procede-se a um desmantelamento manual onde se cortam os cabos elétricos, se remove as carcaças plásticas e outros componentes não perigosos como bobines cónicas, PCI, circuitos de imagem ou cintos metálicos, bem como se remove vários metais ferrosos e não ferrosos e o cinescópio. Os cabos elétricos, materiais ferrosos e não ferrosos são encaminhados para linhas de tratamento. Já os componentes como as bobines cónicas, PCI ou circuitos de imagem são acondicionados de forma isolada para serem posteriormente encaminhados para empresas de valorização.
Posteriormente é processado a desmantelamento do cinescópio. O cinescópio é composto por 2 vidros: o frontal e o traseiro. Os vidros do cinescópio são separados por aquecimento. O vidro frontal é posteriormente aspirado de modo a ser retirado os metais pesados que fazem parte da constituição deste vidro. O vidro traseiro, livre de substâncias perigosas é encaminhado para empresas de reciclagem de vidros. O vidro frontal, que apresenta contaminação é encaminhado para aterro.
E. Lâmpadas
O fluxo das lâmpadas corresponde à categoria 5 (equipamentos de iluminação). Nesta UTV, não se procede ao tratamento nem valorização deste tipo de equipamentos, sendo que apenas são dispostos pelo seu fluxo correspondente e diretamente encaminhados para empresas que possam valorizar este tipo de equipamentos.
Linhas de Tratamento
As linhas de tratamento são processos operacionais que ocorrem tendo por base materiais semelhantes oriundas dos vários fluxos.
Na linha dos cabos elétricos procede-se à trituração, separação magnética de modo a obter os metais ferrosos, posteriormente dos metais não metálicos e plásticos recorre- se a uma mesa densimétrica por forma a separar o cobre, o alumínio e os plásticos (que darão entrada na linha de tratamento dos plásticos).
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Os plásticos não contaminados são separados manualmente por cores e por tipos e são triturados e posteriormente granulados.
Todas as carcaças metálicas não contaminadas de todos os fluxos de tratamento são submetidas a um processo de trituração, onde posteriormente se recorre a separação magnética para separar os metais ferrosos e metais não ferrosos. Posteriormente recorrem a separação densimétrica de forma a obter os diferentes tipos de metais (como cobre, prata, alumínio, etc.).
Por fim, para aterro são encaminhados essencialmente resíduos de vidros contaminados, esponjas, que se traduzem numa percentagem ínfima de refugo.