Os músicos pesquisados fazem parte de um contexto de 85% dos músicos que são autônomos e têm dificuldades de sobreviver de forma financeira na carreira, conforme salienta Roberto Bueno, presidente da OMB – Conselho Regional de São Paulo, em entrevista ao G1 (2012) (www.g1.com.br).
Os dados a seguir compõem o perfil dos 11 (onze) músicos entrevistados, que têm sua principal fonte de renda a música do gênero sertanejo. Também foram entrevistados o presidente da Associação dos Artistas Culturais da Microrregião do Campo das Vertentes e um empresário que atua na região na organização de eventos relacionados à música.
Paula7, 25 anos, solteira, ensino médio completo, trabalha com música há mais de 6 anos. Aprendeu a cantar com os pais, autodidata para o canto, mas não toca nenhum instrumento. Além da música trabalha nos correios. Não é associada a OMB, mas é filiada à associação do Campo das Vertentes. Tem uma renda bruta mensal entre R$ 4600,00 e R$ 5600,00, considerando as duas fontes de renda.
Fabiano, 24 anos, solteiro, ensino médio incompleto. Músico autodidata que atua há 4
anos na carreira. Toca violão, guitarra e viola. Tem um faturamento entre R$ 2800,00 e R$ 3700,00, com as três fontes de renda (músico, promotor de eventos e compositor). É filiado à associação do Campo das Vertentes.
Bruno, 37 anos, solteiro, ensino superior incompleto; trabalha com música há mais de
20 anos. Aprendeu música com os tios e toca violão. Tem uma renda entre R$ 1800,00 e R$ 2800,00, possui três fontes de renda (músico, eletricista e desenhista). É filiado à associação do Campo das Vertentes.
Roberta, 44 anos, união estável, ensino superior incompleto e atua há mais de 20 anos
no mercado da música. O primeiro contato com a música foi com um amigo e é autodidata.
Tem uma renda bruta entre R$ 937,008 e R$ 1800,00, sendo que possui duas fontes de renda. É lojista e filiada à associação do Campo das Vertentes.
Sergio, 43 anos, casado, Técnico em Administração, mais de 20 anos de carreira na
música. Teve o primeiro contato com a música na igreja, toca violão e é autodidata. Trabalha na Secretaria Municipal de Educação. Com as duas fontes de renda tem uma receita entre R$ 937,00 e 1800,00. É filiado à associação do Campo das Vertentes.
Ronaldo, 34 anos, solteiro, ensino médio incompleto, há mais de 11 anos tem a carreira
de músico. Iniciou na música com um amigo, toca violão e é autodidata. Sua remuneração é entre R$ 3700,00 e R$ 4600,00 com uma fonte de renda.
Fernando, 37 anos, casado, ensino médio completo, atua no ramo da música há mais
de 20 anos. O primeiro contato com a música foi com amigos, toca bateria. Músico autodidata. Trabalha com a locação de equipamentos para música. As duas fontes de renda geram uma remuneração entre R$2800,00 e R$ 3700,00. É filiado à associação do Campo das Vertentes e a OMB.
Cássia, 24 anos, solteira, ensino superior incompleto, trabalha com música há mais de
6 anos. Conheceu a música por meio dos pais e avós, toca violão e é autodidata. Sua renda é entre R$ 1800,00 e R$ 2800,00 com uma fonte de renda.
Giovane, 41 anos, casado, ensino médio completo, atua há mais de 20 anos no ramo da
música. Iniciou o contato com música por meio do pai e irmão. Toca violão, viola e teclado. Músico autodidata. Além da música trabalha na assistência social. As duas fontes de renda produzem uma remuneração entre R$2800,00 e R$ 3700,00. É filiado à associação do Campo das Vertentes e a OMB.
Almir, 38 anos, casado, ensino médio completo, trabalha com música há mais de 11
anos. Teve seu primeiro contato com a música com o pai, toca acordeão e é autodidata. Trabalha com fabricação de móveis. As duas fontes de renda produzem uma receita entre R$ 2800,00 e R$ 3700,00.
Tiago, 28 anos, solteiro, superior incompleto, atua como músico há mais de 11 anos. O
primeiro contato com a música foi na igreja, toca violão e estuda música na UFSJ. Tem uma remuneração entre R$ 937,00 e R$ 1800,00.
Quanto ao perfil demográfico dos músicos entrevistados, pode-se concluir que sua maioria é do sexo masculino, solteiro, com diversidade em relação à faixa etária e sem formação em música, ou seja, autodidatas. Resultados semelhantes foram encontrados na pesquisa de
Mendes, Dutra e Pereira, (2015). Os músicos possuem mais de uma fonte de renda e faturamento bruto entre 1 (um) e 3 (três) salários mínimos, considerando outras atividades não relacionadas à música, o que se assemelha aos dados de Poli (2015). Dos músicos com mais de uma fonte de renda, 5 (cinco) trabalham em setores que não são relacionados à música, atuando no setor dos correios, eletricista, desenhista, lojista, Secretaria Municipal de Educação e fábrica de móveis. Assim, como no estudo de Pichonere (2006), os músicos se dedicam a outros tipos de trabalhos não relacionados à música para sobreviver. Em situação semelhante, as pesquisas de Côrtes et al., (2010) e Poli (2015), os músicos pesquisados têm o acúmulo de funções, fazer a autogestão da sua carreira e o valor da sua remuneração está em conformidade com os dados apresentados pela Firjan (2016). A partir do relato a seguir, percebem-se as diversas atividades desenvolvidas pelo músico:
Hoje eu consigo ter uma agenda até domingo por causa disso, por fazer essa parte de sonorização, por fazer a parte do DJ, por ser cantor, até baterista mesmo (Fernando). Em relação aos dados funcionais dos músicos, observa-se que a maioria possui mais de 10 (dez) anos que atuam em música. Começaram a aprender música em idade até os 20 (vinte) anos, com média de 12 anos em seu contexto social. O instrumento com maior presença é o violão e o trabalho é realizado em dupla, banda e sozinho. A maioria dos respondentes não são associados à Ordem dos Músicos do Brasil, no entanto, existe um número significativo de pessoas filiadas à associação de São João del-Rei. Os músicos trabalham com carga horária acima de 20 horas semanais, e tem que conciliar a agenda show, pois o trabalho é concentrado em finais de semana ou feriados.