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DADOS NUMÉRICOS SOBRE REFUGIADOS E REQUERENTES DE ASILO

CAPÍTULO I – CONTEXTO POLÍTICO DOS REFUGIADOS NA CONTEMPORANEIDADE

3. DADOS NUMÉRICOS SOBRE REFUGIADOS E REQUERENTES DE ASILO

Desde a criação do ACNUR, os números oficialmente registados por este organismo relativamente à população assistida, cresceram consideravelmente dos primeiros anos até à atualidade, tal como também se ampliou o tipo de proteção dada pelo

7 Entrevista a Apolinário Guterres, disponível em http://timorlorosaenacaodiario.blogspot.com/2010/12/ agostinho-da-silva-e-timor-leste.html.

8 Neste capítulo, pretende-se apenas fornecer alguns valores numéricos para ilustrar a teoria de que os pedidos de asilo em Portugal são em pequeno número (mesmo em relação à quantidade da população total), comparativamente a outros países europeus. Porém, apesar do número reduzido, é ainda muito mais residual o número correspondente à concessão do estatuto de refugiado. Assim sendo, pretende- -se reforçar a ideia de que quando em Portugal se fala sobre refugiados, se está efetivamente falando maioritariamente de requerentes de asilo com a situação legal pendente por anos e anos, com tudo o que isso implica em termos de vida suspensa por razões burocráticas, aparentemente injustificadas.

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REFUGIADOS E REQUERENTES DE ASILO EM PORTUGAL

ACNUR às populações vítimas de migrações forçadas, onde se incluem apátridas, refugiados, requerentes de asilo, e refugiados internos (aqueles que se deslocam entre diferentes territórios no interior do mesmo país).9 Tal como refere a publicação A Situação dos Refugiados no Mundo (ACNUR 2000), o primeiro grande desafio

do ACNUR foi em 1956 e refere-se ao êxodo dos cerca de 200.000 refugiados da Hungria, após a repressão soviética. No ano de 2000, os refugiados sob proteção deste organismo correspondiam a 22 milhões de pessoas em todo o mundo. Os dados oficiais mais recentes do ACNUR dizem respeito ao final de 2009 e referem as seguintes cifras igualmente a nível mundial: 43,3 milhões de pessoas deslocadas devido a conflitos e perseguições (número mais alto desde meados dos anos 90), onde se incluem 15,2 milhões de refugiados, 27,1 milhões de deslocados internos, e cerca de 1 milhão de requerentes de asilo, ainda à espera da aceitação do seu pedido (ACNUR 2010a).

Quanto às origens das solicitações de asilo em Portugal, fez-se uma tentativa de apuramento dos dados, com base nas estatísticas mais antigas referenciadas pelas fontes do CPR, SEF e ACNUR; contudo, foi apenas possível chegar às seguintes conclusões:

– 1994: relativamente a este ano, não existem registos disponíveis no SEF sobre a origem dos requerentes de asilo (SEF 2008: 13).

– 2000: proveniência mais relevante dos requerentes de asilo: África, com 117 pedidos, dos quais se destacam os da Serra Leoa (52), Angola (16), Nigéria (16), Guiné Conacri (12) e República Democrática do Congo (12); América, com 4 pedidos, dos quais 2 da Colômbia, 1 do Peru e 1 do Brasil; Ásia, com 40 pedidos, dos quais os mais relevantes vêm da Rússia/Eurásia (16 pedidos), Sri Lanka (6), Paquistão (5), e Afeganistão (4 pedidos); Europa Central e do Leste, com 24 pedidos, destacando-se os da Eslováquia (9) e da Albânia (8). Como resultado dos pedidos de asilo e relativamente ao número de concessão de estatutos

de refugiado e autorização de residência por razões humanitárias, ou mesmo ao número de refugiados reinstalados por ano, em Portugal, é ainda mais difícil

encontrar dados coerentes e detalhados.

No que se refere à quantidade de refugiados em Portugal, do que foi possível apurar através de dados oficiais igualmente disponibilizados pelo ACNUR (2002), reportam-se os seguintes números referentes sensivelmente às mesmas datas focadas anteriormente:

9 Também referidos como Pessoas Deslocadas Internamente (PDI), ou Internally Displaced Persons (IDP), em inglês, nos sites do ACNUR/UNHCR.

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– No ano de 1993 (não existem dados anteriores a esta data): 600 refugiados em Portugal (número cumulativo, ou seja, refere-se ao total de refugiados registados e não apenas ao ano de 1993) e 2090 pedidos de asilo, sendo que destes últimos, no final deste ano, apenas 17 tinham sido aceites;

– Em 2000: 443 refugiados (o que significa que cerca de 200 já haviam saído voluntariamente de Portugal, eventualmente para outros países europeus), e 224 pedidos de asilo, sendo que, no final deste ano, apenas 46 tinham o seu visto aprovado.

Comparativamente, os dados estatísticos sobre Portugal, encontrados no site do CPR, referem-se exclusivamente ao número de pedidos de asilo, não se encontrando referências sistematizadas relativamente ao número de refugiados.10

Escolhi portanto apenas os dados tão aproximados quanto possível dos últimos dois períodos referidos nas estatísticas do ACNUR, equivalentes aos anos de 2000 e 2009, sendo que para o caso português os primeiros dados oficiais reportam- se, tal como mencionei anteriormente, a 1995, uma vez que o CPR só iniciou a sua atividade em 1991, não sendo contudo possível encontrar dados disponíveis referentes a este ano. Porém, alerto para o facto de os dados portugueses para o mesmo período nem sempre serem exatos, havendo discrepâncias entre os do CPR e os do SEF, sendo que estes tão-pouco correspondem aos dados referenciados pelo ACNUR.

Assim, sistematizando, no que toca a pedidos de asilo, existem os seguintes dados: – 1994 – 600 pedidos de asilo, de acordo com o relatório do SEF (2008: 614); – 2000 – 200 pedidos de asilo referidos pelo SEF (2000) e 202 pelo CPR (s/d);

– 2009 – 139 pedidos de asilo (SEF 2010), não tendo sido possível encontrar referências exatas nas fontes consultadas (dados do SEF, CPR, ACNUR, EUROSTAT), ainda que tenha sido possível concluir que neste ano, segundo os dados do SEF (2010), apenas foram concedidos 3 estatutos de refugiados; e 45 autorizações de residência

por razões humanitárias.

Gostaria também de não deixar passar em claro a discrepância constante (analisando os dados estatísticos disponíveis) entre o número de pedidos de asilo e o número real de resoluções equivalentes à atribuição do estatuto de refugiado. Esta situação carece de uma explicação plausível, uma vez que Portugal possui um

10 Neste caso as fontes estatísticas encontram-se no site do CPR e utilizam os registos do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (cf. http://www.refugiados.net/_novosite/index58.html).

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REFUGIADOS E REQUERENTES DE ASILO EM PORTUGAL

número de pedidos de asilo absolutamente residual comparativamente a outros países europeus, para além de este número ter vindo gradualmente a diminuir desde 1994, o que se deve ao facto de Portugal não ser um país atrativo em questões de empregabilidade e condições de vida, de acordo com os requerentes de asilo entrevistados.

Gráfi co 1 – Número de pedidos de asilo em Portugal

REFUGIADOS E REQUERENTES DE ASILO EM PORTUGAL:

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