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2 CENÁRIO E REFLEXÕES DA VIOLÊNCIA DOMÉSTICA FAMILIAR NO BRASIL

2.1 DADOS QUANTITATIVOS: O QUE REVELAM OS ESTUDOS?

Desfiar o tecido humano na complexidade das relações sociais que estruturam, produzem e mantém graus de violência doméstica familiar com foco no incesto, significa estar preparada(o) para tomar soco no estômago o tempo todo, não somente por se tratar de eventos que causam resistência, repulsa e sentimentos variados, talvez pelas limitações de encontrar solução definitivamente assertiva de curto prazo, dizer e explicar o que é, o que fazer de imediato, qual decisão tomar para solução da causa do problema na raiz, interessando atenuar o nefasto impacto causador de tantas marcas e dores em mulheres vitimizadas com seus filhos. Esse não é um tema e um assunto leve ou de fácil tato. É complexo e de difícil começo, meio e fim.

A violência doméstica é um campo de alta complexidade não somente pelas condições dadas em função da realidade das vítimas, mas, também implica em problema de acesso e manejo com os conteúdos carregados de conflitos, medos, silêncios, segredos, ameaças e toda sorte sofrida pelas vítimas. Afinal, falar de si e de suas experiências vividas, significa expor também as máscaras de seu agressor, que quase sempre vigia e pune quem fala e quem se aproxima. Por isso, talvez, seja uma das causas ou motivos das poucas pesquisas de campo realizadas no Brasil, o porquê dos poucos pesquisadores (a) que conseguiram ou conseguem acessar o campo para pesquisar temáticas e assuntos dessa natureza.

As pesquisas e estudos indicam os esforços dos pesquisadores (a) corajosos (a) preocupados (a) com a questão da qual estou me referindo. O que produziram até aqui, é o que temos de referência para olhar os casos do lado de dentro da vida das vítimas. São informações de suma importância independentemente da modalidade metodológica de coleta de dados, têm valor e preciosidade para a construção do mosaico de corpos violados, muitas vezes banhados de sangue, cicatrizes, sofrimento e morte. Infelizmente, os dados numéricos indicam primeiro que essa é uma realidade que está presente em todas as regiões do Brasil, decerto representa uma amostra simples do que acontece no mundo das micro-relações humanas que os grupos e as famílias constroem.

A discussão dos dados e conteúdo de pesquisas anteriores é fundamental para a problematização deste trabalho de tese, não somente pela quantidade de eventos de violências observados nas leituras, análises e discussões dos relatórios quantitativos, principalmente, pela apropriação dos conteúdos que ajudam a pensar o problema e as categorias de análise como

estratégia da ação a ser desenvolvida posteriormente no capítulo das análises das narrativas de histórias de vida das participantes.

Então, cada tópico apresentado no corpo do trabalho expõe um aspecto da realidade que revela o campo, os sujeitos, as experiências, os cenários e os enredos da violência doméstica como um fato recorrente de ordem social onde tudo acontece de forma misturada.

As características das vítimas, do agressor, os prescritos na legislação e no código penal, as práticas de violência doméstica com foco no abuso sexual e estupro a partir dos depoimentos de denúncias. Tudo isso faz parte do constructo reflexivo como linha de prioridade neste trabalho.

O conjunto de informações e conhecimentos já produzidos sobre violência doméstica e abuso sexual incestuoso, desde a década de 80, contribuiu fortemente para descamar a realidade até onde se sabe atualmente. É parte de um universo cercado de subjetividades que escondem vidas, corpos, histórias reais que existem por detrás dos números expostos, mas ninguém vê as faces e o interior das coisas. Além disso, as estatísticas tendem a homogeneizar uma violência contra a mulher como se os eventos acontecessem na (forma) padrão, para todas as vítimas. Nada disso, em cada vida impacta um conjunto de sentenças e cada sentença atinge pessoas diferentes. Por isso, é preciso revelar o mundo invisível dos dados que escapa da vida privada, talvez seja esse o primeiro passo ou o momento necessário que leve a acrescentar esse trabalho.

Daí surge os questionamentos de ordem qualitativa sobre violências dentro da família investigada objeto desta tese. Algumas inquietações foram problematizadas por ligar-se a outro processo investigativo envolvendo a mesma família. Questões do tipo: Como a violência doméstica impactou o corpo e a sexualidade das vítimas? De que forma foi produzida e mantida a violência no lar? Como se deu a forma de subjetivação e institucionalização da violência? Que tipos, características e que dimensão tomou na vida das vítimas? Foram questões pensadas e relativamente analisadas na recente pesquisa intitulada “As faces da violência doméstica familiar:

do estupro ao abandono”, a partir do inventário documental produzido pelos próprios membros de forma auto-descritiva. O estudo traz uma referência importante por estar também conectado aos conteúdos quantitativos de interesse e reflexão nesta pesquisa de tese em desenvolvimento.

O trabalho monográfico soma a base de informações e consultas, no sentido de contribuir com reflexão e análise dos conteúdos de histórias de vida das participantes, onde se propõe a localizar a raiz, mapear o todo e as partes enquanto processo de investigação sobre violência

doméstica. Então, veremos o que revelam as informações quantitativas no tópico a seguir sem deixar de discutir qualitativamente a violência doméstica e suas manifestações.

2.1.1 Dados do IPEA-FBSP e SDS

O 5Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas — IPEA e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública — FBSP/2017, que divulgaram o Atlas da Violência no Brasil em junho de 2017, informam que “[...] em 2015, 4.621 mulheres foram assassinadas no Brasil, o que corresponde a uma taxa de 4,5 mortes para cada 100 mil mulheres". (ATLAS, 2017, p. 36). Quando observado os dados entre os anos de 2005 e 2015, a mortalidade de mulheres negras teve aumento de 22% com relação às mulheres brancas no mesmo período, “[...] chegando à taxa de 5,2 mortes para cada 100 mil mulheres negras, acima da média nacional”. (IBID, p. 37). Ou seja, 65,3% das mulheres assassinadas no Brasil no último ano eram negras, isso caracteriza a evidência de que a letalidade contra as mulheres no país está combinada não somente com a desigualdade de gênero, mas, também, com o racismo étnico.

A máquina da violência praticada contra a mulher revela um quadro epidêmico grave. A fatalidade feminina não desassocia as demais formas de violências antes praticadas contra ela, o assassinato de mulheres torna-se apenas uma das opções escolhidas pelos homens para supostamente resolverem seus problemas internos. Não se pode deixar de alertar que a violência fatal sempre vem acompanhada de rituais de antigas agressões físicas, sexuais, morais, psicológicas, patrimoniais, que a mulher sofre antes de morrer.

Por isso, os estudos, pesquisas e a ampliação do sistema de rede de assistência e atendimento à mulher (saúde, proteção social e justiça criminal), tornam-se fundamentais nesse estágio da sociedade. Junto a tudo isso, trabalhar para o desmantelamento, desnaturalização e mudanças de mentalidades de homens machistas, sexistas, racistas, violentos que insistem com hábitos cruéis dentro dos lares.

Informa o IPEA/FBSP (2017), que em 2016, a pesquisa encomendada “Visível e Invisível:

a vitimização de mulheres no Brasil”, pelo Datafolha e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, sobre representatividade da violência contra a mulher no âmbito nacional, “[...] 29% das

5Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas – IPEA Atlas da Violência no Brasil de 2017. Disponível em:

http://www.ipea.gov.br/portal/images/170602_atlas_da_violencia_2017.pdf. Acessado em: 9 de jun. 2017.

mulheres brasileiras relataram ter sofrido algum tipo de violência no país”. (ATLAS, 2017, p. 38).

Sendo que apenas 11% das mulheres participantes da pesquisa procuraram denunciar o agressor na delegacia da mulher. Apontou também que 43% dos casos de agressão mais grave aconteceram dentro da residência das vítimas.

O mapa agudo que expõe a gravidade da violência praticada por homens contra mulheres, tem a ver com a ausência histórica de educação de gênero negada pelas políticas públicas e de estado no país, pelo contrário, o tipo de educação absorvida pela cultura, só reforçou as desigualdades de gênero existentes dentro das famílias e dos diferentes grupos que compõem nossa sociedade. A consciência da necessidade de mudança do comportamento individual e coletivo para reconstrução das relações sociais e de convivência possível requer o desenvolvimento de “ações e programas multissetoriais e multidisciplinares” que desconstruam o que foi solidificado nos séculos vividos. Para isso, faz-se necessário o envolvimento de toda a sociedade, acreditando que a erradicação da violência e do feminicídio depende dessa conformidade consciente.

Outro aspecto da violência contra a mulher é a sexual e o estupro. Em 2014, o IPEA divulgou em sua 6Nota Técnica (n.11), uma radiografia dos estupros no Brasil baseada nos dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação-SINAN, gerido pelo Departamento de Análise de Situação de Saúde- DASIS, da Secretaria de Vigilância em Saúde — SVS, do Ministério da Saúde- MS. Estimou-se que em 2013, quando o IPEA levou a campo um questionário sobre vitimização, no âmbito do Sistema de Indicadores de Percepção Social –SIPS, que “[...] a cada ano no Brasil 0,26% da população sofre violência sexual, o que indica que haja anualmente 527 mil tentativas ou casos de estupros consumados no país, dos quais 10% são reportados à polícia”, como registro de crimes. (NOTA TÉCNICA-IPEA, 2014, p. 6). Apesar dos problemas metodológicos que divergem as fontes divulgadoras de dados, mesmo assim os indicadores acendem o sinal, um alerta na direção da sociedade e atenção para os dados apresentado no Anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Pública-FBSP de 2013. Do qual apontou que “[...] em 2012 foram notificados 50.617 casos de estupro no Brasil”. (IBID.).

Ainda a mesma Nota Técnica-Ipea (2014, p. 6), aponta que em 2011, “[...] foram notificados no SINAN 12.087 casos de estupro no Brasil”. Desse universo, “[...] 88,5% das vítimas eram do

6 Nota Técnica n. 11/IPEA/2014. Estupro no Brasil: uma radiografia segundo os dados da Saúde. Disponível em: < http://ipea.gov.br/portal/images/stories/PDFs/nota_tecnica/140327_notatecnicadiest11.pdf>. Acessado em: 9 de jun. 2017.

sexo feminino, mais da metade tinha menos de 13 anos de idade, 46% não possuía o ensino fundamental completo”. (IBID, p. 7). De modo geral, o documento indica que em 70% dos estupros no país as vítimas eram crianças e adolescentes.

O Atlas da Violência no Brasil n. 17 publicado pelo IPEA-FBSP/2016, destaca outras informações a respeito da violência de gênero no Brasil. Considerando o ano de referência de 2014, o documento revela que 4.757 mulheres foram vítimas de mortes por agressão naquele ano, ou seja, um saldo de treze mulheres assassinadas por dia no Brasil. O conjunto de dados torna aguda a preocupação quando se observam as informações do Balanço da Violência contra a Mulher, produzido pela Central do Ligue 180 e pela Secretaria de Políticas para Mulheres da Presidência da República. Esse balanço indica que em 2016 foi registrado um total de 52.957 casos de denúncias de violências praticadas contra a mulher, na sua maioria ocorridas dentro dos lares brasileiros. Desse universo, 77% das pessoas denunciantes afirmaram ser vítimas semanais de agressões e, 80% dos casos o agressor tinha vínculo afetivo com a vítima, era: marido, namorado e ex-companheiro. Sendo que 80% dessas vítimas eram mulheres que declararam possuir filhos pequenos. Dentro do contexto familiar, 64% desses filhos presenciaram ou também sofreram as mesmas violências dentro do lar.

Já na 7Secretaria de Defesa Social – SDS/2017 do estado de Pernambuco, o seu principal jornal, o “Diário de Pernambuco” divulgou o mais recente cenário da violência no estado, informando que foram registrados 497 casos de estupros, de março a janeiro. Somente no Recife e na Região metropolitana foram 165 casos em março, outros 155 em fevereiro e 177 em janeiro. No interior do estado teve o total de 246 casos registrados. Sendo, 89 em março, 80 em fevereiro e 77 em janeiro. Caruaru situado no agreste apareceu com maior registro de crimes, foram 17. Em segundo lugar no ranque, a cidade de Ipojuca localizada na Zona da Mata Sul, somou 12 casos. E, em terceira posição, aparece Garanhuns também no agreste, com 11 estupros.

O estado de Pernambuco foi colocado em evidência neste tópico, embora o conjunto de dados e informações seja geral, mas, nesse caso, Pernambuco é estado de origem das participantes da pesquisa. Uma vez que, a região da zona da mata situa a cidade de origem da família estudada

7O Jornal Diário de Pernambuco através da Secretaria de Defesa Social (SDS) publica a soma de 497 casos de estupro registrados de janeiro a março do ano de 2017 no estado de Pernambuco.

Disponível em: <http://www.diariodepernambuco.com.br/app/noticia/vida- urbana/2017/04/17/interna_vidaurbana,699463/pernambuco-soma-497-casos-de-estupro-de-janeiro-a-marco-deste-ano.shtml>. Acesso em: 1º de maio, 2017.

nesta tese e a região aparece na terceira posição no ranque, como sendo uma das regiões com maiores reincidências de casos de estupro do estado.

O assunto da violência doméstica e sexual no país é complexo e os resultados numéricos são graves, embora estejam representando a superfície do problema.

Como cenário nacional, segundo o Sistema de Informações do Ministério da Saúde, em 2014 foram registrados 59.627 homicídios no Brasil. A cada 100 mil habitantes a taxa de homicídios é de 29,1. Este é o panorama com maior número de homicídios já registrado no país.

Expor a realidade em números macro quantitativos atualizados periodicamente, como forma de situar o problema, que por razões adversas é tema de investigação desta tese, pouco falam sobre o real vivenciado pelas vítimas dentro dos lares. Incluindo, portanto, o contexto e a realidade da família estudada em questão. Mostrar esse drama numérico aquém da realidade concreta é a finalidade e desafio deste tópico.

Pois então, na sequência abre-se pontos considerados sensíveis para a problematização do tema olhando as implicações geradas por agressores que vivem relações de violências com suas vítimas, e ao mesmo tempo compartilhando contextos e moradias comuns.

2.1.2 Dados do Ligue 180

Os dados divulgados pela 8Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres e pelo Ministério da Justiça e Cidadania, apresentam o balanço da violência contra a mulher, realizado pelo Ligue 180. Apontam que no ano de 2016, foram realizados 1.133.345 atendimentos a mulheres em todo o País. O percentual de 51%, foi superior ao registrado no ano de 2015, quando 749 024 mulheres foram atendidas pela central.

De acordo com balanço, os atendimentos realizados em 2016, 53,69% corresponderam à prestação de informações; 24,01% (272.149) a encaminhamentos para outros serviços como: Policia Militar (190), Polícia Civil (197) e o Disque 100, da Secretaria Especial de Direitos Humanos. Outros 12,38% (140.350) corresponderam a relatos de violência.

Dentre eles, 50,70% diziam respeito à violência física; 31,80%, violência psicológica;

6,01%, violência moral; 1,86%, violência patrimonial; 5,05%, violência sexual; 4,35%, cárcere privado; e 0,23%, tráfico de pessoas. Desse universo, as mulheres negras (pretas e pardas) representam a maioria das vítimas (60,53%), seguidas pelas mulheres brancas (38,22%), amarelas (0,76%) e indígenas (0,49%).

8 Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres. Balanço da violência doméstica contra a mulher no ano de 2016. Disponível em: http://www.brasil.gov.br/cidadania-e-justica/2017/03/ligue-180-realizou-mais-de-um-milhao-de-atendimentos-a-mulheres-em-2016. Acessado em: 05 de jun. 2017.

De acordo com o balanço, 65,91% dos casos, as violências foram cometidas por homens com quem as vítimas têm ou tiveram algum vínculo afetivo: atuais ou ex-companheiros, cônjuges, namorados ou amantes das vítimas. Os dados também apontam que a violência de gênero marca, mutila e mata milhares de brasileiras no âmbito doméstico e familiar, mas, também, alcança os filhos e filhas. O registrado no 1º semestre de 2016 pelo Ligue 180, revela que 78,72% das vítimas de violência doméstica possuem filhos, e que 82,86%

desses presenciaram ou sofreram violência.

Desde março de 2014, o Ligue 180 atua como disque-denúncia, com capacidade de envio de denúncias para outros órgãos oficiais ligados a rede de investigação e proteção das vítimas. Com essas novas atribuições já foram encaminhadas 136.977 denúncias. Desse total, 71.586 (52%) foram enviadas ao Ministério Público e à Segurança Pública no ano 2016.

Após pouco mais de 10 anos de promulgação da Lei Maria da Penha, os dados confirmam que a Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180 se consolidou como um importante canal de informações e de relatos sobre a violência contra as mulheres, em especial a violência doméstica e familiar.

Dos 67.962 relatos de violências registrados na Central entre janeiro e junho de 2016, 86,64% se referiram a situações de violência previstas na Lei Maria da Penha. Dos pedidos de informações recebidos, 25% correspondiam à Lei Maria da Penha, o que demonstra a relevância da Lei 11.340/2006 e do Ligue 180 para o empoderamento das mulheres e para a garantia do acesso à justiça.

A Lei tem contribuído para uma maior conscientização da sociedade sobre o fenômeno da violência de gênero, dado que cada vez mais amigos, familiares e vizinhos acionaram o Ligue 180 a fim de relatar situações de violência sofridas por mulheres. No primeiro semestre de 2016, 32% dos relatos não foram registrados pelas próprias vítimas, mas por pessoas próximas.

A maioria das pessoas que denunciaram alguma forma de violência contra as mulheres em 2016 foram as próprias vítimas (67,24%). O Ligue 180 é majoritariamente procurado por pessoas do sexo feminino. Mesmo quando a pessoa que realiza o relato de violência não é a vítima, as mulheres (80,13%) predominaram na quantidade de pessoas que buscaram a Central em 2016.

Desde sua criação em 2005, a Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180 já registrou 5.965.485 atendimentos. (GOVERNO FEDERAL. SECRETARIA DA JUSTICA.

Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres e o Ministério da Justiça e Cidadania, 2016).

De acordo com as informações do balanço da violência contra a mulher, divulgado pela Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres e Ministério da Justiça e Cidadania, os dados do Ligue 180 de 2016 no Gráfico 1, revelam os tipos de violências sofridas pelas vítimas no cenário nacional. São números e estatísticas alarmantes o suficiente para afirmar que a violência doméstica e suas ramificações não são realidades simples de serem enfrentadas ou de fáceis soluções, pelo contrário, os dados só expõem o quão grave e complexas são as violências domésticas no país.

Homens com mentalidades carregadas de impulsos agressivos, violentos, descontrolados e em crise de identidade de sua masculinidade talvez, revela o grau desacerbado de selvageria e crueldade contra pessoas, suas famílias, mulheres e filhos. No cotidiano destilam ódio de gênero, de classe, dirigem ofensas, agridem com preconceito de cor de pele, com atitudes de intolerância social. Desde as crenças religiosas, ideologias políticas, até as crises de ciúmes e dominação total

contra filhas, esposas e mulheres alvos. Cometem abusos sexuais, estupros, amordaçam, encarceram os corpos, ameaçam as vidas, agridem e matam suas companheiras e mães de seus filhos. Surtam violentamente com atitudes doentias, patológicas ou anômalas dentro dos lares e por onde coabitam. São seres que persistem manter o modo de pensar e agir contra a família e a sociedade regrada por convenções e leis, raramente sofrem punições severas pelos seus atos. Esses tipos de homens que cometem agressões múltiplas contra a ordem e o corpo feminino, obviamente, atingem não somente a superfície de sua condição de gênero supostamente frágil, mas, imensuravelmente afetam a dimensão psicológica, moral, a dignidade, o íntimo do eu na forma mais profunda da condição humana. A vida pessoal e familiar da vítima adquire marcas e memórias negativas.

Uma mulher que vive ou viveu experiências de violência junto com seus filhos, todos aqueles que experienciaram ou testemunharam as violências, estes, permanecerão marcados certamente por toda a vida. As memórias não se apagarão jamais. Qualquer condição de vida pessoal ou familiar misturada com violências domésticas, ou de rua, por si só já é uma situação de extremo risco e vulnerabilidade social, que em tempos atuais se apresenta cada vez mais grave e frequente dentro dos lares, dos grupos e na sociedade brasileira, independentemente da tipologia ou face em que se apresenta. É uma influência malsã que atinge e prejudica a todos de forma direta ou indiretamente.

Nesse sentido cabe voltar a reflexão do porquê que as violências públicas ou privadas permanecem tão presente nas vidas humanas? E se mantem operantes e protegidas? Então analisemos os gráficos 1 e 2, revelam isso.

Observa-se nos gráficos que a violência física está no topo das representações com maiores índices de casos seguidos das violências de ordem psicológica. Do universo de 67 962 de relatos de violências registradas no primeiro semestre de 2016, 34 703 foram praticados contra o corpo físico, com (51,06%); 21 137 dos registros foram de violências psicológicas, com (31,10%). O dano moral foi de 4 421 casos, representando (6,51%); 3 301 foi caracterizado como cárcere privado, (4,86%); 2 921, de violências sexuais, (4,30%); 1 313 relatos de posse de patrimonial das

Observa-se nos gráficos que a violência física está no topo das representações com maiores índices de casos seguidos das violências de ordem psicológica. Do universo de 67 962 de relatos de violências registradas no primeiro semestre de 2016, 34 703 foram praticados contra o corpo físico, com (51,06%); 21 137 dos registros foram de violências psicológicas, com (31,10%). O dano moral foi de 4 421 casos, representando (6,51%); 3 301 foi caracterizado como cárcere privado, (4,86%); 2 921, de violências sexuais, (4,30%); 1 313 relatos de posse de patrimonial das