1 EPISTEMOLOGIA DA PESQUISA
1.4 PROCEDIMENTOS FORMAIS E INFORMAIS
Seguindo os procedimentos periciais e técnicos similares a de um inquérito sociológico, onde os aspectos formais e informais é parte substancial dos protocolos de observação direta e do campo investigado, nesse sentido concordo com Granai (1964, p. 200) quando afirma que “[...] os procedimentos (procédés) de registro – o objeto da observação metódica é por evidência os dados sobre os quais recairia a interpretação e a tentativa de explicação do processo (processus), do quadro ou do aspecto da realidade social encarada”.
Esse proceder formal e informal tem a ver com os primeiros contatos realizados com o campo e as participantes da pesquisa, quando a pesquisadora em seu ofício deixou claro as diferentes etapas do processo de estudos, envolvendo atividades protocolares formais e informais, visando as condições gerais para realização do trabalho.
Cada participante foi informando de forma direta e individual que seria preservada a liberdade de cada uma, respeitando assim a autonomia pessoal, de continuar participando ou não da pesquisa, podendo também desistir no momento em que desejasse sem prejuízo nem ônus algum. Portanto, era de responsabilidade da pesquisadora prover a cobertura total de todas as despesas e necessidades das participantes, bem como as demandadas no campo, antes, durante e após a coleta de dados. Nisso, incluiria todos os cuidados com a segurança individual, conforme o planejamento de recursos próprios destinados para transporte, alimentação, hospedagem e outras necessidades para fim da realização da pesquisa. Desde o deslocamento das entrevistas para a produção de dados no município de Igarassu, a sua permanência no local, até o retorno com segurança para sua residência. Em comum acordo, ficou decidido que antes, durante e após as entrevistas, seria disponibilizado telefones celulares para a comunicação direta entre a entrevistadora e as entrevistadas (mãe e filha), durante todas as etapas e procedimentos da pesquisa.
Além da necessidade de comunicação permanente, a mãe-entrevistada n. 02, estava em fase de
deslocamento do interior do estado de Pernambuco para a capital, com a finalidade exclusiva de participar do trabalho, onde se hospedaria na cidade de Igarassu, residência de sua filha-entrevista n.01, participante do estudo. Todos os detalhes foram minuciosamente verificados e acompanhados de perto pela pesquisadora responsável pela pesquisa, com o devido cuidado e empenho pessoal.
Com esse termo, Granai (1964, p. 194) destaca que “[...] qualquer que seja o “plano de ataque” escolhido na realidade social”, a pesquisadora ou o pesquisador deve [...] permanecer fiel a uma intenção metodológica, que não deixa de ser a idêntica a si própria, não obstante, a aparente diversidade do objeto a que se aplica”. Então, partindo desse princípio foram realizadas três reuniões com as participantes antes da realização das entrevistas. Primeiramente, a filha foi atendida na forma individual, procurando ouvir e atender qualificadamente suas necessidades ou queixas, sanar dúvidas e esclarecer os protocolos, depois, a vez da mãe, e por último, procedi com uma conversar aberta com ambas, sem perder o foco das peculiaridades individuais e os objetivos da pesquisa. Foram momentos preparatórios para os devidos esclarecimentos do trabalho, estabelecimento vínculo de confiança e aproximação pessoal, reforço da relação de cooperação e troca baseada numa combinação formal e informal.
Por outro lado, as orientações gerais e particulares que envolveu a pesquisa, os procedimentos formais principalmente, foram processos observados e atendidos positivamente pelos envolvidos conforme o prescrito no Termo de Consentimento Livre e Esclarecido-TCLE, assim como, os demais documentos parte do requerido pela instituição de ensino-UFPR, CONEP e o próprio campo, cada ato foi cuidadosamente formalizado, depois, lido cada ‘item’ pela pesquisadora, para finalmente ser assinados pelas participantes, foram atos que antecederam a produção de dados.
Os contatos e encaminhamentos administrativos formais, técnicos, profissionais, éticos, legais, foram cumpridos com rigor, observando os limites e critérios da pesquisa com humanos, conforme o protocolo aprovado pelo CONEP/2017.
Antes de proceder com a coleta de dados, o TCLE foi impresso, entregue individualmente para cada participante, lido pausadamente para ser acompanhado, onde a pesquisadora explicou cada ‘item’ em voz alta. Foram sanadas as dúvidas e posteriormente assinado. Quanto a finalidade do projeto, os objetivos da produção dos dados, a análise, e por fim, dispor dos resultados do trabalho, todo constructo seria disponibilizo e/ou designado exclusivamente para fins acadêmicos e técnicos, com vista em políticas públicas. Então, após as gravações dos conteúdos de narrativas,
todas as questões do roteiro seriam transcritas, decodificadas, analisadas e interpretadas, e, posteriormente, divulgado o trabalho na íntegra após a apresentação final desta tese. Os resultados serão também utilizados para produção de artigos, apresentações em congressos e eventos científicos de interesse da pesquisadora e de sua orientadora.
Após a defesa final, ficaria a pesquisadora à disposição das entrevistadas e da família, para definir o agendamento da apresentação dos resultados da pesquisa para o grupo conforme combinado no TCLE, assim como, a entrega de um exemplar impresso e o acesso do trabalho na íntegra a ser disponibilizado pelo sistema das bibliotecas da UFPR. Podendo ser ainda realizada uma apresentação na modalidade à distância, transmitida via Skype e/ou presencial de acordo com o agendamento e combinado. Também as participantes foram informadas que os documentos assinados individualmente ficariam guardados sob sigilo e responsabilidade da pesquisadora por tempo indeterminado.
O anonimato de cada uma foi resguardado para segurança pessoal e proteção dos dados, embora, tenham tido a oportunidade e a liberdade de escolher e adotar, se quisesse, um nome fictício para identificação no trabalho, mas essa sugestão não foi acatada, preferiram ser identificadas, como: entrevistada (n. 01) para reconhecer o lugar de fala da filha, e (n.02), para a mãe.
Fora do esquema das gravações formais, na interação e convivência social com os participantes misturados aos espaços privados da moradia da filha e nos bastidores do campo, durante doze (12) dias contínuos, a pesquisadora se dirigia usando o pronome de tratamento formal de senhora, acrescido do nome próprio. Esse o combinado e assim se sucedeu.
Toda essa movimentação, o uso de técnicas da observação direta e participante, foi parte importante neste trabalho, cada atividade foi planejada minuciosamente, até compor o inquerido investigativo sociologicamente falando, do qual consiste este estudo. Desse modo focar nos aspectos da realidade social que
[...] corresponde à inevitável fenomenológica do inquérito e dá amplamente lugar, por um lado, à intuição do inquiridor que apreende o os fenômenos por que se interessa, na sua dupla ligação com o conjunto social ainda confusamente apercebido, e por outro lado, com a experiencia própria; que permite organização progressiva das hipóteses de investigação e uma primeira e provisória delimitação do campo de estudo que torna deste modo possível a observação metódica. (GRANAI, 1964, p. 199-200).
Finalmente, o proceder na pesquisa foi levado a sério e realizado no sentido de produzir dados consistentes, originais, fidedignos e validados pela empiria dos fatos, tudo sendo observado com o rigor metodológico do qual foi adotado com critérios claros, éticos e científicos levados a cabo. Sempre buscando o aprofundamento e os detalhes sobre o objeto, pensando, sobretudo, em contribuir com informações relevantes a respeito do tema e do assunto em questão – as violências domésticas e o incesto familiar - e assim, oferecer à comunidade científica e à sociedade em sua totalidade, um estudo que permita “[...] a constituição de documentos cientificamente exploráveis”.
(GRANAI, 1964, p. 201). Sabendo que este também é um trabalho com teor denunciatório.
a) Ida e volta do campo de pesquisa
Neste tópico, o objetivo é o de registrar o trajeto percorrido pela pesquisadora como uma memória de uma longa estrada percorrida, da qual levou um corpo tomado de ideias positivas, de aspirações diversas onde a vontade de ir e voltar com as malas cheias de conteúdos e dados concretos, inéditos, de primeira mão, de experiências novas, eram expectativas maiores que o próprio caminho a ser inaugurado e seus desafios ocultos. O trajeto que permitiu o encontro com o campo e com as entrevistas especialmente, onde o objeto de estudo se escondia em meio ao mundo ainda desconhecido, se misturava com uma realidade a ser cuidadosamente descamada.
Aqui procuro situar a luz e a sombra enquanto possibilidades de encontros, podendo representar também dificuldades no caminho. O caminho me levou a um lugar mágico e, ao mesmo tempo real, onde cada processo fez parte do mesmo enredo. Desde o embarque com dia, horário e local definido por empresa controladora na região Sul do país, um controle que findou com a chegada de destino, no litoral da região o Nordeste onde se situava o ambiente a ser preparado para as entrevistas. De um extremo ao outro do país, territórios foram percorridos entre as cidades de Curitiba/Pr, passando pelo Recife capital de Pernambuco, devendo pousar os pés e concluir o trajeto na cidade de Igarassu região metropolitana daquela capital, tudo aconteceu num folego só.
De onde saiu a pesquisadora, para onde iria encontrar as participantes do estudo, o caminho foi suave e cheio de emoções. Se dava o iniciou de uma viagem que antecedia em pouco tempo muitos outros inícios prestes a desabrochar indicando outras fases da mesma pesquisa. Esta é uma prova de que a distância territorial não distanciou a investigadora do seu campo de investigação, do seu objeto, menos ainda das pessoas evolvidas, interessadas e comprometidas com as partes e a realização do trabalho em sua totalidade.
A observação participante direta realizada de longe ou de perto, de face a face foi orientada o tempo todo por procedimentos metodológicos e técnicos como estratégica de pesquisa empírica fornecida por diferentes autores de adoção. Entre esses, Granai (1964, p. 203) contribui dizendo que a “[...] comunicação do observador com os sujeitos observados”, permite simultaneamente o [...] actor integra-se ao grupo estudado, participando das suas actividades e manifestações diversas”. E isso implica numa “[...] evolução nas relações entre o inquiridor e os sujeitos”, é quando a pesquisadora ou o pesquisador “[...] esforça-se por criar, pôr em cena as situações” de interesse de sua investigação. (IBID). Nesse caso, a observação participante como técnica e estratégia metodológica utilizada para apreensão da realidade produziu de fato novas possibilidades de olhar o meio e os sinais reveladores do campo e do conjunto de coisas nele imerso.
Foi a ida para o campo carregando malas cheias de equipamentos, mas, sempre movida pela esperança de chegar ao destino certo, ser recebida positivamente no ambiente-campo de trabalho desconhecido com relação ao objeto, território e habitantes. Entrar nesses espaços para observar de perto a movimentação do meio e encontrar os indícios de um tesouro ainda escondido, mas, que ali estava em algum lugar possível de ser encontrado, observado, tateado pelas mãos, olhos, ouvidos com a sensibilidade ativada. Foi um passo incrivelmente motivador que impulsionou a pesquisadora chegar e permanecer lá até pôr as mãos nos dados e canalizar os sentidos na direção do objeto, dos achados, como verdadeiro troféu precioso tocado, mexido e estudado à luz do dia.
De poder superar da melhor forma as suas próprias expectativas e, também achar um modo de dar vasão a ansiedade das participantes de forma serena e controlada. Um teste primeiro que levou a observadora recém-chegada a agir sutilmente com a devida responsabilidade profissional, com coerência, simpatia e ética, até baixar o nível de euforia das envolvidas na pesquisa, para poder incorporar o verdadeiro e necessário espírito de uma investigadora sensível e atenciosa com as vidas das informantes, que ali estavam sob sua orientação, cuidado e encaminhamento da pesquisadora. Assim como em relação as demais coisas a ela confiada.
Essa atividade prática e intelectual careceu sim de vários encontros fora do cronograma oficial de trabalho, de contatos diversos e de relações conduzidas de forma positiva, carregadas de linguagens particulares, traduções, convivência direta e indireta, estabelecidos entre cada parte envolvida na pesquisa. Ainda que superficialmente estivesse em curso um prévio levante de um mundo que antes estava absolutamente obscuro, desconhecido, escondido por camadas de sedimentos acumuladores de dificuldades múltiplas, como um problema que estava aparentemente
adormecido, guardado por segredo e silêncio intocável, mesmo assim foi possível construir aproximações seguras. Olhando de longe falo de um campo que se abriu quase à (fórceps), por persistência e resistência da pesquisadora que não desistiu nas primeiras dificuldades encontradas.
Até que o problema da violência doméstica e o incesto familiar foi rendido, mapeado, investigado, mexido e conhecida suas faces do lado de dentro e num prazo exíguo. Foram quase como erguer pesadas estruturas de memórias asiladas, escondidas dentro da casa-caverna da vida, onde ninguém via nada, nem se falada nada, por razões diversas. Menos ainda alguém se dispor em falar sobre o assunto e os acontecimentos tão complexos, sem antes ter construído um caminho de acesso e superado as barreiras de gelo emocional. Contudo, a pesquisadora sabia de tudo isso, que o objeto estava lá, embora não soubesse claramente como e por onde escavá-lo. Só precisava então esperar a hora certa e a oportunidade de sitiá-lo. Foi assim que exatamente aconteceu.
A chegada da pesquisadora no campo causou certa inquietação e euforia ao mesmo tempo, apesar dos inúmeros protocolos formais e a comunicação direta e permanente com os envolvidos.
Principalmente, por parte das autoridades municipal que demonstravam curiosidade, interesse e entusiasmo aparente por estarem recebendo em suas estruturas de governo uma pesquisadora acadêmica, observadora de fora e com olhar treinado para proceder com sua ação. Nesse sentido foi possível observar um certo grau de preocupação em torno da investigadora, por não controlar o que exatamente iria observar, registrar, divulgar, investigar o território e a realidade anunciada academicamente. Fora dois dias de encontros com as autoridades nos diferentes espaços da prefeitura municipal de referência, mas tudo conforme o previsto na fase de apresentação do projeto. Com dia, horário e local agendado a pesquisadora apresentou sua proposta de pesquisa para as profissionais da secretária de assistência social, também para a diretora da Casa da Mulher, as assistentes sociais e psicólogos do CRAS e CREAS atuantes no campo. Assim os compromissos assumidos com a prefeitura parceira fora atendidos satisfatoriamente e, ao mesmo tempo, compartilhada as responsabilidades de forma colaborativa.
O trânsito da pesquisadora dentro da secretaria de assistência social e nas demais estruturas funcionais da prefeitura, para promover reuniões de esclarecimento do trabalho e apresentação formal, serviu também para sentir o nível de acolhimento, o tipo de recepção e apresentação recíproca entre a pesquisadora e os profissionais responsáveis pelos espaços de atendimento social e as atividades de enfrentamento da problemática das violências domésticas e sexuais incestuosas no município. À medida que estava sendo apresentada a sua proposta de estudo, o próprio campo
também se apresentava para a pesquisadora através das contribuições e manifestações das autoridades participantes do evento.
O mapeamento e visitação da cidade-campo, obviamente antecedeu a produção e registro dos dados oriundos das entrevistas, uma caminhada dirigida, acompanhada por moradores e profissionais local fez parte do ritual preparatório e teve efeito bastante positivo. Falo das primeiras experiências diretas que a pesquisadora teve com o campo logo após a sua chegada. Foi este um modo de observar o ambiente externo interagindo e participando dele em momentos formais e informais em concomitância. Funcionou como uma estratégia de aproximação dos pares, interessando diminuir as tensões ou ansiedades geradas em torno do trabalho de pesquisa.
Estavam todos relativamente apreensivos para conhecer os objetivos do estudo, suas dimensões e as intenções da pesquisadora com os dados produzidos no local. Fundamentalmente, esse tipo de estratégia reforçou os laços de confiança e segurança não somente para as participantes da pesquisa, mas também entre a pesquisadora e as demais pessoas envolvidas indiretamente, no caso as autoridades e as profissionais receptivas que se dispuseram a oferecer as melhores condições para a plena realização do trabalho e de forma satisfatória. Uma estratégia de parceria e compartilhamento que deu certo do começo ao fim.
De imediato, a proposta de pesquisa foi apresentada para a equipe técnica e as autoridades locais, quando expostos e explicados os objetivos e a finalidade do estudo, foram observados murmúrios e espantos durante a apresentação, o estudo causou impacto entre autoridades, agentes profissionais da prefeitura de Igarassu e outros espectadores que assistiam a exposição. Surgiram comentários diversos com relação ao tema e ao problema de pesquisa, por considerarem ser um assunto de relevância em vista da problemática das violências no país, e também local. Além de constatar um ato de coragem da pesquisadora em se dispor investigar uma questão tão complexa e indigesta do ponto de vista da sociedade e até das instituições sociais de ensino e pesquisa. No caso, as universidades que resistem abrir o problema para o debate. Por ser também uma questão pouco pesquisada pelas universidades brasileiras, embora exista a necessidade de conhecer o problema de forma séria e em profundidade com urgência. Após a apresentação houve forte debate em torno da questão.
A discussão sobre a problemática das violências domésticas envolvendo incesto familiar tão recorrente nos atendimentos do município, foi também um modo das profissionais e autoridades local revelarem ou denunciarem a ausência de pesquisa acadêmica sobre o assunto na região. Nas
falas, a reclamação em torno da ausência de estudos empíricos sobre o problema das violências privadas no país, na percepção da maioria parece ser evitado sua investigação em profundidade e academicamente falando, ou talvez deixada de lado como agenda de interesse dos pesquisadores(a) acadêmicos. A ausência de estudos qualitativos e dados oficiais sobre a realidade em questão, de acordo com as declarações das profissionais pode também estar sendo justificada ou associada às dificuldades de acesso ao campo e a complexidade que o próprio tema impõe. Por isso o pulo de espanto na fala das técnicas principalmente, por estarem ali testemunhando a primeira proposta de pesquisa empírica (nível) de doutorado no município e no campo da educação, embora estivessem falando de uma cidade antiga e histórica que lamentavelmente não dispõe de estudos, dados ou pesquisas outras que amplie o assunto e o tema em discussão.
Sabendo que a cidade de Igarassu é patrimônio histórico lincado ao início da colonização do Brasil e de grande importância geográfica, histórica e cultural para o país. Essas informações constatadas também causaram espanto para a pesquisadora.
Superada a fase da apresentação e escuta da equipe apoiadora da pesquisa, finalmente foi dado sinal positivo para seguir a nova etapa do estudo com total apoio das ouvintes e falantes no debate. De imediato foi disponibilizado a estrutura física adequada para a pesquisadora receber suas entrevistadas, um profissional de segurança privada para garantir a tranquilidade no local durante o processo, recursos humanos especializados de assistência social e psicologia também pode contar em caso de necessidade de atendimento psicossocial. As condições necessárias e úteis foram oferecidas para garantia do trabalho.
É interessante registrar que em conversas técnicas com alguns profissionais da área, mais de uma pessoa manifestou forte interesse e desejo de também participar da pesquisa, gostariam de contribuir com seus depoimentos sobre a problemática das violências familiares no município.
Assim relataram vários eventos e atividades de intervenções envolvendo problemas de violências domésticas e incesto semelhante ou igual a que estava investigando. Viam como um tipo de prática, talvez sendo praticada no município de forma curriqueira, banalizada ou “quase” naturalizada no cotidiano doméstico e social por parte agressores que fazem centenas de vítimas dentro das comunidades locais. Um problema considerado grave no município, visto como desafio para o governo local. Consequentemente, as relações de convivência social entre os moradores estão sendo também afetadas em proporção alarmante.
Sobre essas demandas as assistentes sociais e psicólogas do CREAS e CRAS demonstraram grande preocupação em torno da problemática das violências domésticas, assim justificando o interesse pessoal em participar do trabalho. Gostariam de relatar suas experiências no campo de atuação. Ainda por considerar ser esta uma pesquisa de grande relevância não somente para o município, mas também para todo o país. Considerando assim estarem diante de uma possibilidade de expor a dura realidade social e fatídica, embora manifestassem pouca esperança de solução a curto prazo.
Infelizmente, a disponibilidade de contribuição das profissionais não pode ser atendida de imediato pela pesquisadora, em função do cronograma de estudo focado na investigação com metodologia de história de vida já definida no planejamento. Contudo, deixei em aberto a possibilidade de novos estudos no local e a participação das mesmas em novas frentes de trabalho.
Infelizmente, a disponibilidade de contribuição das profissionais não pode ser atendida de imediato pela pesquisadora, em função do cronograma de estudo focado na investigação com metodologia de história de vida já definida no planejamento. Contudo, deixei em aberto a possibilidade de novos estudos no local e a participação das mesmas em novas frentes de trabalho.